quinta-feira, outubro 07, 2021

Das duas, uma...

Quando as palavras me faltam ou não me atormentam ou estão de mãos à volta do meu pescoço...

segunda-feira, julho 19, 2021

Das velocidades...

Doze

Não me esqueci, nem por um segundo. 

Dispensa-se nota no calendário.

Ontem olhei-nos.

Porque era ontem.

De cada vez que o faço, nunca parece distante.

Estás aqui.

Comigo.

Doze.

Menos doze para nos vermos outra vez.

quarta-feira, julho 07, 2021

Let the games begin...!

E lá se deu início a mais uma volta ao sol... e é curioso como uma promessa de futuro, de ano novo, de início de ciclo invariavelmente traz à memória histórias do passado, de quando e como tudo começou. E eu ouvi-as, seguindo-lhes os compassos, repetindo com os lábios em silêncio as palavras que sei de cor, as expressões que sei de cor: o salto da cama de madrugada e o Fiat 600 vermelho a alta velocidade por Lisboa adormecida porque eu decidi que tinha chegado a hora; o médico, famoso guarda-redes da Académica que, perante a possibilidade de a minha vinda ao mundo interferir com o domingo de jogo do seu clube de coração na capital, fez acelerar o processo para que houvesse tempo para tudo; o grito que se ouviu antes do tempo, ainda dentro da minha mãe, e a raridade que o doutor afirmou que tal acontecimento era - "ui, este vai ser bonito..!"; o mesmo grito que o meu pai sempre afirmou ter ouvido mas nunca ter tido dúvida de não se tratar de interjeição típica de recém nascido que já levou ar aos pulmões, o ar do mundo cá fora, não... porque "parecia vindo do fundo de um poço"; a angústia da minha mãe que mal me viu porque "naquele tempo era assim, levavam-vos logo para o berçário" e que lhe deu pesadelos nessa noite onde se via perdida na maternidade em chamas, sem conseguir encontrar o caminho até mim; o dedo do meu pai que se apontou logo, sem hesitações, através do vidro, para o bebé que era o seu no meio de todos os outros porque "eu já tinha visto aquela cara", que era também a sua, a de irmãos e primos, traços de família muito nossos; a minha tia E. que tanto procurou que encontrou uma loja para prematuros no Lumiar onde comprou aquela que viria a ser a minha primeira vestimenta de sair à rua, não porque não tivesse completado as nove luas mas porque nasci pequena, o que me valeu a alcunha de "mosca" durante uns tempos; o nome que já estava decidido desde sempre, caso fosse rapariga, e o urso de peluche oferecido pelo meu pai à minha mãe nesse dia, que recebeu o nome do rapaz que eu não era, e que ainda hoje existe; o primeiro banho que a minha mãe teve medo de me dar e que ficou a cargo também da tia E.; o desejo realizado da progenitora de ter uma rapariga de olhos claros e a indiferença do meu pai em relação ao género que eu viesse a ter... Tudo se revisitou, se recontou, ontem a uma só voz porque a outra só já a ouço dentro de mim, com o mesmo prazer no olhar de todos os outros anos...

Um dia antes ouvi a pergunta: estás preparada? Não hesitei em dizer que sim porque senti no imediato que sim. Estou preparada, para esta e qualquer outra volta, ao sol, à lua, ao mundo. Estou preparada para viver, sim, andar para a frente, correr mundo e emoções, beber dos instantes e das coisas pequenas, deslumbrar-me com as grandes. 

Ontem lá se deu início a mais uma volta ao sol e hoje, no rescaldo, verifico que nunca deixo de me emocionar com o amor que me têm e que me dão...  beijos, muitos beijos, bolo de aniversário levado à cama, abraços, sorrisos, mensagens, sms, gifs, telefonemas, vídeochamadas, gargalhadas de longe e de perto, telegramas cantados e sinais de fumo... foi tudo recebido, assimilado e acrescentado cá dentro. De verdade.

Sou uma sortuda que não se pode...

terça-feira, maio 11, 2021

Das coisas que m'enervam...

 E Deus que dá direitos de escrita a quem não sabe usar vírgulas, hã...?! Disto ninguém fala...

quinta-feira, maio 06, 2021

terça-feira, maio 04, 2021

Perfil

 A fazer amigos desde 1975...

quarta-feira, março 17, 2021

segunda-feira, fevereiro 08, 2021

Perfil

 Não tenho tudo mas tenho muito, e não o trocaria por nada do que me falta...

sexta-feira, janeiro 29, 2021

Aquela coisa das "moscas" e do "mel"...

 ... acho que já não vou lá...

terça-feira, dezembro 29, 2020

Expiação

Já demos a volta ao mundo que é a minha cabeça. E embora não nos tenhamos detido em todos os seus recantos o mesmo número de conversas, é justo considerar que já estamos perante um retrato bastante fiel das minhas viagens até este ponto. Mas sentia que, em cantos recônditos, adormecidos entre pedras de uma qualquer cascata do meu planeta interior - daqueles que vemos nos filmes, que existem por trás da queda de água e onde só chega quem não teme não ver tudo às claras - permaneciam intocados alguns nós que, de quando a quando, se sentiam sob a pele. São nós antigos, não necessariamente com relação uns com os outros mas claras opções de esquecimento até ao dia em que não fosse mais possível esquecer. 

De há uns tempos para cá, e talvez por não sobrar muito a requerer remédio ao de cima, têm-se chegado à frente e feito por me recordar que existem. E, mais do que existirem, que magoam, ainda magoam, e talvez que nunca possam não magoar. Isto é, enquanto não forem desatados ou, pelo menos, afrouxados.

Convenceram-me, tinha chegado a hora. E, de forma estudada, organizei-os cronologicamente e resolvi-me a abordá-los. Sentámos-nos frente a frente, copo de vinho tinto na mão, respirei fundo e mergulhei no tempo até ao seu tempo, até aos primórdios da sua história, o quê, o quando, o como, até ao que são ainda para mim. Chamei-lhes "culpas" e tenho vindo a dissecá-las como boa cristã que se calhar até quero ser.

O que notei primeiro foi a clareza com que me ocorreram pormenores que julgava já ter esquecido ou, tão pouco, nunca ter fixado, o que acabou por torná-los vívidos em mim de uma forma pouco ortodoxa. Por vezes, juro que me assustei com a sua definição tão demarcada mas tão pouco própria do que o tempo já devia ter corroído, deformado, amarelado. Dei por mim a ter que parar por vezes uns segundos para então os conseguir encaixar na narrativa pré preparada enquanto fechava a boca aberta de surpresa: "Nunca mais me tinha lembrado disto...".

Mas avancei, conta a conta, desfiando os seus rosários. Tinha que lá ir, tocar-lhes, de dedo espetado onde doesse mais, de dedo espetado que acusa, e falar-lhes em voz alta, falar-me em voz alta. Sem subterfúgios. A realidade como foi e como é, as culpas escancaradas sem nada que lhe tapasse as partes pudendas.

Encontrei-me de novo comigo, com eus que até já me tinha esquecido que uma vez existiram. Vi-me a cara, as expressões, de ilusão nos olhos, a ingenuidade, a santa ingenuidade. Vi-me coitada, pequena, nada preparada para lidar com o que me aparecia pela frente, cheia de certezas que fui buscar a lugar nenhum. Vi-me a querer fazer bem, melhor, mais, a tentar seguir em frente e a tropeçar nos meus próprios pés. Vi-me demasiado nova a braços com pesos pesados de gente grande e demasiado velha para poder voltar atrás. Vi-me a magoar, a fazer sofrer e vi-me a tentar salvar-me de submergir. E reconheci as dores que daí advieram e que se deixaram ficar comigo até agora. 

Culpa. Há lá coisa mais católica apostólica romana...

Não foi tudo de uma vez. O que achava que relatava em três pernadas acabou por levar um pouco mais, cada pormenor puxando pela mão do outro, cada pedra removida a revelar mais qualquer detalhe que afinal ainda por lá andava e que ajudava a compor o ramalhete, mas lá repassei as cenas e ordenei em fila os acusados para que se expusessem de uma vez e de uma vez se oferecessem à expiação. Sem julgamento, que esse eu já tinha feito há muito.

Não foi tudo de uma vez mas o sopro com que me apercebi do quão simples era desmontar as minhas acusações quase de uma vez só me deitou ao chão. Ali estava eu, corpo em apneia, oferenda às balas, pronta para receber os merecidos castigos, quando sou obrigada a descer do alto da minha responsabilidade, arraigadamente e religiosamente assumida, e a ver-me tão somente inocente. Tão somente... um pequeno pormenor, um simples substantivo foi o suficiente para, em poucos segundos, se desmontarem anos de laborioso investimento na construção dos megaprocessos contra a minha própria pessoa: intenção. A culpa só o é de verdade quando tem por base acto com intenção. E, a bem da verdade, dessa intenção eu nunca sofri...

Ali e assim fiquei eu, desconcertada, aparvalhada, a sentir uma leveza que me desconjuntava de tão habituada que estava ao peso nos ombros. Ali fiquei, sem perceber muito bem como me interpretar e como me definir agora. Agora que já não era culpada, agora que afinal não tinha nada para expiar... quem era aquela que agora era eu..? 

Não vou dizer que renasci. Não vou dizer porque ninguém renasce três vezes e eu, seguramente, já renasci duas. Mas talvez me tenha renovado. Continuo a pedir desculpas quando adormeço porque não deixo de sentir o lamento por quem por mim se doeu mas sou agora dona de uma paz que não conhecia. 

E, tenho que dizer, é uma paz nova, que se me encaixa bem...

quarta-feira, novembro 18, 2020

Perfil

“Travel is fatal to prejudice, bigotry, and narrow-mindedness, and many of our people need it sorely on these accounts. Broad, wholesome, charitable views of men and things cannot be acquired by vegetating in one little corner of the earth all one's lifetime.”

Mark Twain

quarta-feira, outubro 14, 2020

"Parabéns! Olha, estava aqui e, de repente, vi no jornal que fazias anos hoje...!"

Há pessoas que não nos fazem falta logo que partem. No nosso íntimo, continuam lá, como sempre, no nosso íntimo poderemos sempre pegar no telefone e ouvi-los do outro lado. Até ao dia em que o fazemos, de facto. Até ao dia em que ninguém diz nada da outra ponta da linha, até ao dia em que, ao contar cadeiras para o almoço de família, nos damos conta que teremos que pôr menos uma à mesa. Mas não é logo. Uma vida inteira de presença não se esvai de um momento para o outro. As memórias de uma vida inteira continuam a ser presente, a fazer parte, até ao dia em que a presença não acontece, até ao dia das cadeiras...

As cerimónias dão-se, as flores oferecem-se, as viagens fazem-se, as liturgias ouvem-se mas algo cá dentro se recusa a integrar o que vê. Assiste mas não sente. Há-de chegar o momento...

quinta-feira, setembro 24, 2020

quarta-feira, julho 22, 2020

Das maravilhas que se encontram por acaso...

"Toda a gente é um exército de salvação!
Vêm com a sua charanga salvar-nos de nós próprios, amigos, amantes, parentes, para não falar nas esposas.
Toda a gente nos quer dar esmola.
Só ninguém nos quer nus,
só ninguém percebe que uma só coisa nos podem dar realmente, é olharem para a nossa alma nua e dizer:
- Está bem, assim seja.
Então seria o amor"

Adolfo Casais Monteiro
Estrangeiro Definitivo
1961

A contar pauzinhos...


sábado, julho 18, 2020

C.P.F. ou não há coincidências...


Passado da minha geração para a seguinte. 

Clube dos Primos em Férias, inaugurado num remoto Verão dos anos 80, para entreter quatro almas pequenas que não conseguiam estar quietas, naqueles dias escaldantes de Agosto em vila do interior. 

Quando não havia idas ao rio, havia CPF dentro de uma tenda no quintal. Com direito a hino da autoria do “tio Carlos” e bandeira com símbolo (na altura não se dizia logótipo) pela pena do “tio João”. 

A mais nova de nós herdou a memória que faltou aos outros três e passou a história à sua prole: letra, música, tudo. E hoje, justamente hoje, as almas mais pequenas de agora passaram-na para o papel...


"Uma tenda, uma bandeira
E as férias vão começar
Somos primos na brincadeira
Todos têm que alinhar. 

2x
Ninguém se balda,
Ninguém é chefe
Todos trabalham
No C.P.F."

Onze

Ainda há dois dias me imaginei a correr para o teu colo...

quarta-feira, junho 10, 2020