não é dada pelos ponteiros do relógio nem pela posição do sol... simplesmente sente-se... quando, de repente, faz sentido.
quarta-feira, novembro 03, 2021
quinta-feira, outubro 07, 2021
Das duas, uma...
Quando as palavras me faltam ou não me atormentam ou estão de mãos à volta do meu pescoço...
segunda-feira, julho 19, 2021
Doze
Não me esqueci, nem por um segundo.
Dispensa-se nota no calendário.
Ontem olhei-nos.
Porque era ontem.
De cada vez que o faço, nunca parece distante.
Estás aqui.
Comigo.
Doze.
Menos doze para nos vermos outra vez.
quarta-feira, julho 07, 2021
Let the games begin...!
Um dia antes ouvi a pergunta: estás preparada? Não hesitei em dizer que sim porque senti no imediato que sim. Estou preparada, para esta e qualquer outra volta, ao sol, à lua, ao mundo. Estou preparada para viver, sim, andar para a frente, correr mundo e emoções, beber dos instantes e das coisas pequenas, deslumbrar-me com as grandes.
Ontem lá se deu início a mais uma volta ao sol e hoje, no rescaldo, verifico que nunca deixo de me emocionar com o amor que me têm e que me dão... beijos, muitos beijos, bolo de aniversário levado à cama, abraços, sorrisos, mensagens, sms, gifs, telefonemas, vídeochamadas, gargalhadas de longe e de perto, telegramas cantados e sinais de fumo... foi tudo recebido, assimilado e acrescentado cá dentro. De verdade.
Sou uma sortuda que não se pode...
terça-feira, maio 11, 2021
Das coisas que m'enervam...
E Deus que dá direitos de escrita a quem não sabe usar vírgulas, hã...?! Disto ninguém fala...
quinta-feira, maio 06, 2021
terça-feira, maio 04, 2021
quarta-feira, março 17, 2021
segunda-feira, fevereiro 08, 2021
sexta-feira, janeiro 29, 2021
terça-feira, dezembro 29, 2020
Expiação
Já demos a volta ao mundo que é a minha cabeça. E embora não nos tenhamos detido em todos os seus recantos o mesmo número de conversas, é justo considerar que já estamos perante um retrato bastante fiel das minhas viagens até este ponto. Mas sentia que, em cantos recônditos, adormecidos entre pedras de uma qualquer cascata do meu planeta interior - daqueles que vemos nos filmes, que existem por trás da queda de água e onde só chega quem não teme não ver tudo às claras - permaneciam intocados alguns nós que, de quando a quando, se sentiam sob a pele. São nós antigos, não necessariamente com relação uns com os outros mas claras opções de esquecimento até ao dia em que não fosse mais possível esquecer.
De há uns tempos para cá, e talvez por não sobrar muito a requerer remédio ao de cima, têm-se chegado à frente e feito por me recordar que existem. E, mais do que existirem, que magoam, ainda magoam, e talvez que nunca possam não magoar. Isto é, enquanto não forem desatados ou, pelo menos, afrouxados.
Convenceram-me, tinha chegado a hora. E, de forma estudada, organizei-os cronologicamente e resolvi-me a abordá-los. Sentámos-nos frente a frente, copo de vinho tinto na mão, respirei fundo e mergulhei no tempo até ao seu tempo, até aos primórdios da sua história, o quê, o quando, o como, até ao que são ainda para mim. Chamei-lhes "culpas" e tenho vindo a dissecá-las como boa cristã que se calhar até quero ser.
O que notei primeiro foi a clareza com que me ocorreram pormenores que julgava já ter esquecido ou, tão pouco, nunca ter fixado, o que acabou por torná-los vívidos em mim de uma forma pouco ortodoxa. Por vezes, juro que me assustei com a sua definição tão demarcada mas tão pouco própria do que o tempo já devia ter corroído, deformado, amarelado. Dei por mim a ter que parar por vezes uns segundos para então os conseguir encaixar na narrativa pré preparada enquanto fechava a boca aberta de surpresa: "Nunca mais me tinha lembrado disto...".
Mas avancei, conta a conta, desfiando os seus rosários. Tinha que lá ir, tocar-lhes, de dedo espetado onde doesse mais, de dedo espetado que acusa, e falar-lhes em voz alta, falar-me em voz alta. Sem subterfúgios. A realidade como foi e como é, as culpas escancaradas sem nada que lhe tapasse as partes pudendas.
Encontrei-me de novo comigo, com eus que até já me tinha esquecido que uma vez existiram. Vi-me a cara, as expressões, de ilusão nos olhos, a ingenuidade, a santa ingenuidade. Vi-me coitada, pequena, nada preparada para lidar com o que me aparecia pela frente, cheia de certezas que fui buscar a lugar nenhum. Vi-me a querer fazer bem, melhor, mais, a tentar seguir em frente e a tropeçar nos meus próprios pés. Vi-me demasiado nova a braços com pesos pesados de gente grande e demasiado velha para poder voltar atrás. Vi-me a magoar, a fazer sofrer e vi-me a tentar salvar-me de submergir. E reconheci as dores que daí advieram e que se deixaram ficar comigo até agora.
Culpa. Há lá coisa mais católica apostólica romana...
Não foi tudo de uma vez. O que achava que relatava em três pernadas acabou por levar um pouco mais, cada pormenor puxando pela mão do outro, cada pedra removida a revelar mais qualquer detalhe que afinal ainda por lá andava e que ajudava a compor o ramalhete, mas lá repassei as cenas e ordenei em fila os acusados para que se expusessem de uma vez e de uma vez se oferecessem à expiação. Sem julgamento, que esse eu já tinha feito há muito.
Não foi tudo de uma vez mas o sopro com que me apercebi do quão simples era desmontar as minhas acusações quase de uma vez só me deitou ao chão. Ali estava eu, corpo em apneia, oferenda às balas, pronta para receber os merecidos castigos, quando sou obrigada a descer do alto da minha responsabilidade, arraigadamente e religiosamente assumida, e a ver-me tão somente inocente. Tão somente... um pequeno pormenor, um simples substantivo foi o suficiente para, em poucos segundos, se desmontarem anos de laborioso investimento na construção dos megaprocessos contra a minha própria pessoa: intenção. A culpa só o é de verdade quando tem por base acto com intenção. E, a bem da verdade, dessa intenção eu nunca sofri...
Ali e assim fiquei eu, desconcertada, aparvalhada, a sentir uma leveza que me desconjuntava de tão habituada que estava ao peso nos ombros. Ali fiquei, sem perceber muito bem como me interpretar e como me definir agora. Agora que já não era culpada, agora que afinal não tinha nada para expiar... quem era aquela que agora era eu..?
Não vou dizer que renasci. Não vou dizer porque ninguém renasce três vezes e eu, seguramente, já renasci duas. Mas talvez me tenha renovado. Continuo a pedir desculpas quando adormeço porque não deixo de sentir o lamento por quem por mim se doeu mas sou agora dona de uma paz que não conhecia.
E, tenho que dizer, é uma paz nova, que se me encaixa bem...
quarta-feira, novembro 18, 2020
Perfil
“Travel is fatal to prejudice, bigotry, and narrow-mindedness, and many of our people need it sorely on these accounts. Broad, wholesome, charitable views of men and things cannot be acquired by vegetating in one little corner of the earth all one's lifetime.”
Mark Twain
quarta-feira, outubro 14, 2020
"Parabéns! Olha, estava aqui e, de repente, vi no jornal que fazias anos hoje...!"
Há pessoas que não nos fazem falta logo que partem. No nosso íntimo, continuam lá, como sempre, no nosso íntimo poderemos sempre pegar no telefone e ouvi-los do outro lado. Até ao dia em que o fazemos, de facto. Até ao dia em que ninguém diz nada da outra ponta da linha, até ao dia em que, ao contar cadeiras para o almoço de família, nos damos conta que teremos que pôr menos uma à mesa. Mas não é logo. Uma vida inteira de presença não se esvai de um momento para o outro. As memórias de uma vida inteira continuam a ser presente, a fazer parte, até ao dia em que a presença não acontece, até ao dia das cadeiras...
As cerimónias dão-se, as flores oferecem-se, as viagens fazem-se, as liturgias ouvem-se mas algo cá dentro se recusa a integrar o que vê. Assiste mas não sente. Há-de chegar o momento...
quinta-feira, setembro 24, 2020
quarta-feira, julho 22, 2020
Das maravilhas que se encontram por acaso...
Vêm com a sua charanga salvar-nos de nós próprios, amigos, amantes, parentes, para não falar nas esposas.
Toda a gente nos quer dar esmola.
Só ninguém nos quer nus,
só ninguém percebe que uma só coisa nos podem dar realmente, é olharem para a nossa alma nua e dizer:
- Está bem, assim seja.
Então seria o amor"
Adolfo Casais Monteiro
Estrangeiro Definitivo
1961
sábado, julho 18, 2020
C.P.F. ou não há coincidências...
A mais nova de nós herdou a memória que faltou aos outros três e passou a história à sua prole: letra, música, tudo. E hoje, justamente hoje, as almas mais pequenas de agora passaram-na para o papel...
"Uma tenda, uma bandeira
E as férias vão começar
Somos primos na brincadeira
Todos têm que alinhar.
2x
Ninguém se balda,
Ninguém é chefe
Todos trabalham
No C.P.F."






