segunda-feira, janeiro 31, 2011

Porque, às vezes, é tarde demais. Porque, outras vezes, nunca é.

Timbaland - Apologize (feat. One Republic)

I'm holding on your rope
Got me ten feet off the ground
And I'm hearing what you say
But I just can't make a sound

You tell me that you need me
Then you go and cut me down
But wait, you tell me that you're sorry
Didn't think I'd turn around and say...

That it's too late to apologize, it's too late
I said it's too late to apologize, it's too late

I'd take another chance, take a fall,
Take a shot for you
I need you like a heart needs a beat
(But it's nothing new)
Yeah yeah

I loved you with a fire red, now it's turning blue
And you say sorry
Like the angel heaven let me think was you
But I'm afraid...

It's too late to apologize, it's too late
I said it's too late to apologize, it's too late

It's too late to apologize, it's too late
I said it's too late to apologize, it's too late
I said it's too late to apologize, yeah
I said it's too late to apologize, yeah

I'm holding on your rope
Got me ten feet off the ground...

É tudo "biseness!

Corre para a agência, selecciona possíveis bons negócios, marca visitas, marca reuniões, recebe telefonemas, pede simulações, abre nova conta, assina papeladas, analisa os melhores juros, negoceia valores, prepara visita da tarde, marca na agenda o restante...

... ando-me a sentir uma verdadeira mulher de negócios!

Constatação #33

A minha "vida paralela" dá mais trabalho que a outra...

sábado, janeiro 29, 2011

A tartaruga que depois se transforma numa retroescavadora com raios laser que também serve para poste de iluminação!!

Em conversa e a propósito dos gostos televisivos do filho dele, digo a um amigo:

-Não percebo, agora os bonecos são todos compostos, com uma espécie de dupla personalidade, são uma coisa mas transformam-se sempre noutra...!
- É verdade, os miúdos agora gostam é disso. Nós não! Tinhamos a Heidi e o Pedro e lá o "bélho", na montanha para trás e para diante e pronto!! O avô contava umas histórias, os putos andavam descalços no meio das ovelhas, todos rotos, uns tesos, portanto, e isso era giro. Eram e que eram e mais nada. E nós gostávamos!


Pois... pelos vistos, sermos SÓ nós já não tem piada nenhuma...

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Frase do dia

‎"Só o que é de mais é que é bastante."
Vergílio Ferreira

Porque é absolutamente maravilhoso alguém escrever assim...

"O relógio, fiel intérprete do tempo antigo, soou doze vezes no seu idioma metálico para relembrar às pessoas, que não o escutavam, que a décima segunda hora da noite acabara de se escoar."
Mihai Eminescu

Perfil

A (re) descobrir a Rádio Marginal e a pensar "mas porque é que nunca ouço isto quando é tão bom?".

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Mensagem de uma das "minhas"...

Se fores chata as tuas amigas, perdoam;
Se fores agressiva as tuas amigas, perdoam;
Se fores egoísta as tuas amigas, perdoam;
Agora experimenta ser magra e linda...

'Tás f.....!

"É o facies, é o facies..."

No início nem me apercebi. Concentrada nas desculpas que pretendia dar pelo atraso, na minha óptica, imperdoável, passei por aqueles dois seres sem os ver realmente. Abri a porta, desfiz-me em explicações e corri para o elevador. Lá dentro, ficámos em filinha, porque não há espaço para mais, e eu era a primeira, controlando os andares que passavam enquanto me tentava lembrar a que divisão me devia dirigir primeiro para garantir um mínimo de apresentação. Entrámos, abri as luzes e fui recebida por um cheiro a detergente. A boa da Dona P. tinha ido nesse dia o que me aliviou de imediato. Acho absolutamente insuportável receber pessoas estranhas com a casa desarrumada, com pêlos de gatos e restos de areia que eles fazem o favor de arrastar da liteira pelo chão da casa toda, com roupa estendida, enfim, gosto de tudo impecável, acredito no poder das primeiras impressões. Mesmo assim, e depois de os ter encaminhado para a sala e deixado que o profissional do ramo conduzisse a visita, ainda fiz uma ronda para me certificar que tudo se alinhava conforme os meus desejos. Depois disso, relaxei e aproximei-me pronta para prestar os esclarecimentos adicionais que fossem necessários.

Nessa altura vi, com olhos de ver. Nessa altura, tive finalmente tempo e cabeça para observar quem se encontrava à minha frente. Uma mulher, de cinquenta e alguns, de mãos nos bolsos do grosso casaco comprido. Sem mala. Percebi pela conversa que morava na zona, deduzi por isso que, sendo "vizinha", saiu só com as chaves de casa com a promessa de um "vou ali e já volto". Incomodou-me. Parece estúpido mas incomodou-me ver o meu imóvel ser tratado como a mercearia da esquina, à qual a visita não merece mais do que umas mãos nos bolsos. Vá lá, não veio de chinelos...

Expedita, fez perguntas praticamente ignorando o intermediário enquanto me informava que queria uma casa para depois alugar dando-me também a entender que a exigência era relativa visto que não era ela que ia lá morar. Irritou-me. E aqui já não acho estúpido que me tenha irritado. Irritou-me ser tratada como dona de imóvel de 2ª, dona de imóvel "para quem é, bacalhau basta". E percebi claramente que estava perante alguém, de mãos nos bolsos e não de chinelos por mero acaso... se calhar tinha acabado de vir da rua e não lhe apeteceu mudar, se calhar os chinelos não agasalhavam o pézinho o suficiente tendo em conta o frio que estava... em todo o caso, alguém que não percebe que há comentários que até podem ser a mais pura das verdades mas que não se fazem.

A conversa prossegue, e enquanto me confirma que sim, gostou muito e até pode estar interessada, permite-me que a observe mais um pouco. Loura, não excessivamente, mas de um louro que não me agrada não sei bem porquê, a condizer com as pulseiras douradas, umas quantas a chocalhar. E as mãos continuavam nos bolsos. Arranjada, um pouco demais para o meu gosto, mas havia ali qualquer coisa que não jogava... o que é que não joga aqui... o que é que não joga aqui...? E, de repente, fez-se luz! Comecei por reparar no que dizia e como, a ouvir a sério, a perceber pequenas nuances revelando ali muita leitura de cabeleireiro mas pouco mais e, voilá!, olhei-a de frente e percebi: era o facies, como dizia o meu pai, era o facies. A cara, a expressão facial denuncia até um mudo, essa é que é essa. E assim lhe tirei a pinta.

No entanto, não me querendo apressar em julgamentos, esperei mais um pouco, deixei que a cena prosseguisse e eis senão quando, a senhora de mãos nos bolsos e não chinelos mas só por acaso, avança sem medos e "espeta-me" com uma proposta "porque eu vou directa ao assunto, que é mesmo assim". O mediador estava a um canto, tentando interferir quando podia, tentando, lá está, mediar!, mas sem grande sucesso. E eu sorri calmamente, sorri porque sou educada e sorri porque a proposta era idiota e aquela fulana devia achar que estava a lidar com uma miúda, desesperada por vender, não habituada a lidar com "velhas raposas" como ela devia achar que era. Pois sim... De velha tinha alguma coisa, é certo, de raposa nem por isso...

E eu... bom, eu disse simplesmente que iria pensar e que depois comunicaria a minha decisão ao profissional do ramo. Ponto final, parágrafo.

O dito foi-me dizendo, quase só por gestos, que já me ligava e quando efectivamente ligou ajudou-me a compôr o quadro final. Muito dinheiro para aplicar, estava até a pensar em comprar não um mas dois imóveis para alugar, que ia ver mais, que até havia outro mais novo e mais barato e por isso tinha feito aquela proposta. Sim senhor, pois concerteza mas a minha posição é esta. "Sabe... não tenho pressa, outras propostas aparecerão certamente por isso, não se preocupe que eu também não."

E assim ficou o caso arrumado.

Frase do dia

"Crer para ver."
Vergílio Ferreira

quarta-feira, janeiro 26, 2011

(Des) Coordenadas

Usei, pela primeira vez sozinha, um GPS. De propósito, ignorei o caminho que me parecia o correcto para me dedicar apenas aos mandamentos do "senhor da máquina". Fui pelo caminho errado três vezes. Olhem o que é uma pessoa ver-se dentro de uma maquineta daquelas, fechada num porta-luvas, ao sol, durante dias e dias a fio...! Tinha que provocar as suas mazelas... Acho que vou dispensar os seus serviços e dar-lhe reforma antecipada, 'tadinho...

Mais uma vez, duas cabeças juntas pensam melhor que só uma...

As muitas perguntas, a única resposta

De que estás à espera? O que esperas, afinal? Porque pareces esperar, em suspenso, sustendo a respiração até que algum sinal te permita finalmente expirar forte de alívio. Mas o que é? De que esperas quando desligas as luzes? O que esperas que aconteça quando mais um dia começa? Queres que seja o dia de quê? O "dia de todas as conclusões", o "dia em que te esqueces finalmente"? Ou o "dia em que já não te importas mais"? De que esperas? De quê? De que esperas se já aprendeste, da forma mais dura e certeira, que só deves esperar o que podes alcançar com as tuas mãos? Estás à espera de justiça divina, da confirmação universal de que existe uma paga que te é devida pelo facto de o mundo e as pessoas e os momentos te terem sido tão vis? De que os céus se movam para dissipar as tuas nuvens, que o teu brilho volte trazido por um raio lá de cima, de que hoje o vento sopre para fora de ti o que um dia te trouxe, de forma cortante, como só o vento gelado consegue, quando sabes que te foi entregue bem mais do que aquilo que te era devido? Estás à espera de quê? De quê? E pergunto-me se a pergunta não deveria ser também "porquê?" Porquê, se tu és una, sólida na tua presença, dona do génio da lâmpada que pulsa aí dentro? Porquê, se já sabes que é só contigo que deves contar, porque já te foi provado que nada mais faz sentido? Porquê, se todas as lágrimas que verteste foram só tuas, se de todas as vezes que perdeste o chão foi o teu chão e a ele regressaste sozinha, por ti, pelas tuas pernas? Porquê? Porque continuas a só ocupar aquele pequeno espaço, como se tivesses medo de transpor alguma fronteira, como se o que resta daquela superfície plana seja de uma dimensão insuportável, grande demais, espaçosa demais e como se tu, com o teu pequeno corpo ainda encolhido, te perdesses naquela imensidão? Porque não a tomas para ti, dona e senhora como és, e a inundas com o teu calor reclamando esse espaço, trazendo-o de volta ao teu mundo? Porque continuas a cortar o teu mundo em dois, o antes e depois? Porque continuas a viver entre quem eras e quem és? De que estás à espera, afinal? De quê? Não esperes mais, não há nada que vá chegar...

terça-feira, janeiro 25, 2011

Porque hoje ouvi por acaso e já nem me lembrava o quanto gostava dela

"Ordinary World"
Duran Duran

Came in from a rainy Thursday
On the avenue
Thought I heard you talking softly

I turned on the lights, the TV
And the radio
Still I can't escape the ghost of you

What has happened to it all?
Crazy, some are saying
Where is the life that I recognize?
Gone away

But I won't cry for yesterday
There's an ordinary world
Somehow I have to find
And as I try to make my way
To the ordinary world
I will learn to survive

Passion or coincidence
Once prompted you to say
"Pride will tear us both apart"
Well now pride's gone out the window
Cross the rooftops
Run away
Left me in the vacuum of my heart

What is happening to me?
Crazy, some'd say
Where is my friend when I need you most?
Gone away

But I won't cry for yesterday
There's an ordinary world
Somehow I have to find
And as I try to make my way
To the ordinary world
I will learn to survive

Papers in the roadside
Tell of suffering and greed
Here today, forgot tomorrow
Ooh, here besides the news
Of holy war and holy need
Ours is just a little sorrowed talk

And I don't cry for yesterday
There's an ordinary world
Somehow I have to find
And as I try to make my way
To the ordinary world
I will learn to survive

Every one
Is my world, I will learn to survive
Any one
Is my world, I will learn to survive
Any one
Is my world
Every one
Is my world

Sapos

E pronto, lá vem o Universo mandar-me recados outra vez. E como sou lentinha e teimosa e parece que me recuso a perceber à primeira, o que é que ele faz? Coloca-me entre a espada e a parede e obriga-me a uma pega de caras que é para aprender!

Portanto... vejo-me assim dependente de um favor... favor esse que SÓ me pode ser concedido por alguém que seria das últimas pessoas a quem eu pediria fosse o que fosse!! Bom, não é? Muito bom...

Aguenta, não chora, respira, embrulha e anda em frente...!
(M****!!!!)

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Elogio ao amor

"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.

Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.

Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
"

Miguel Esteves Cardoso

E não é que já não me surpreendo..?

"Opá, realmente, você tem jeito para jornalista, para escrever! Isto está muito melhor do que aquilo que eu fiz. Eu não tenho jeito nenhum! Você está mesmo no curso certo. Bom... eu também... mas à minha maneira."


... que é...? Nããã... deixe estar, acho que não quero saber...

Tempos

Frio, muito frio, que gela as mãos e os pensamentos. Ânsia de chegar ao fim de semana para descansar, não descansar parada mas descansar do resto, do que tem que ser, e fazer só o que me apetece. Depois de outra "sessão de choradeira", onde uma vez mais se conclui que tudo isto vai muito para além do que é visível, que é tão mais profundo, as vias desentopem e o ar começa, por fim, a circular como deve. Porque "não respira, já viu?". Já, já vi, e tem razão, "quem respira, sente"... Mas depois foi a vez de falar e ouvir e ouvir e falar com quatro das "minhas" com quem me sinto sempre numa espécie de casulo. Falo e sei que me ouvem, de ouvir verdadeiramente, de ouvir de quem quer mesmo entender e absorver e entrar em mim. Falo e recebo palavras e olhares de quem percebe lá dentro e me diz "fazes parte de mim, tu também, fazemos parte umas das outras". E assim me sinto em casa, acolhida naqueles braços e sorrisos de compreensão e empatia, de salvamento. Ou salvação. Com risos e gozos à mistura porque nenhuma aguenta muito tempo sem gozar com alguma coisa ou umas com as outras ou connoscos mesmas. Porque é assim que somos e é assim que gostamos de ser. E depois, consigo já dominar as minhas horas, agarrar o tempo com as minhas mãos e usufruir dele como acho melhor. E de manhã, lá me dirijo aos meus direitos e deveres, não me passando pela cabeça não participar. E, de cada vez que vou, lembro-me sempre das primeiras vezes e de que fui contigo e me deste instruções à entrada. Senti-me grande, adulta, fizeste-me sentir assim embora me dissesses, ao mesmo tempo, "podes continuar, de resto, a ser criança para eu te ensinar coisas". E eu gostava que me ensinasses coisas, sempre gostei e nunca deixei de gostar. Ao fim do dia, o convite para integrar mais um casulo, o mais antigo, o mais meu. Lá fui para o meio da barulheira tão típica que é a nossa e o elemento mais novo da tribo a colaborar e a fazer a alegria de todos. E depois eu a ouvir "já vi que, da próxima vez, podemos deixá-lo com ela" e podem, claro que podem, sempre me dei bem com estes "bichinhos" pequenos. Parece que falamos a mesma língua, a língua dos sorrisos e dos olhares. E o frio, tanto frio a manter-se. Dou voltas e voltas e o frio continua a percorrer-me apesar das meias e pijama polar e casaco de lã... resta a manta da serra e cá vem ela para me embalar. O despertador toca e engana-me, faz-me crer que vai voltar a tocar mas cala-se até tarde demais. E, no fundo, diz-me com todas as letras: acabou-se o descanso e para te provar testo a tua capacidade de fazer muito em pouco e correr logo no início da semana para entrares no ritmo. À força. Que seja. Já consigo ter alguma mão no tempo, já o uso a meu favor.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Mudanças

Constatação #32

Quando se ultrapassam as questões de mera sobrevivência, deixamos de ter desculpa.