quarta-feira, julho 13, 2011

Frase do dia

“Don’t take anything personally. Nothing other people do is because of you. It is because of themselves.”
Don Miguel Ruiz

terça-feira, julho 12, 2011

Civilidades

A cena:
Uma camioneta bate na traseira de uma mota. O "motoqueiro" (de fato e gravata) encosta, o outro pára mais à frente. Encontram-se a meio caminho e trocam algumas palavras. O "motoqueiro" pára o trânsito para ir buscar uma peça caída no meio da estrada e entrega-a ao "camioneiro" que agradece e responde qualquer coisa como "não, não se preocupe, então, eu agora trato disto, obrigado." E os dois seguem caminho.

A câmara faz uma panorâmica da rua em movimento e foca depois, em grande plano, as três turistas/mirones no passeio, com ar desconsolado. E ouve-se "Olha que trampa! Então é só isto? Nada de palavrões, gritaria, um estalo ou outro, sei lá, uma peixeirada à italiana..? E fomos nós parar para isto, olha que realmente..."

Constatação #42

Há casos em que me dou demais. Há outros em que me dou de menos. And yet... a compensação que, em teoria, se gera fica ainda aquém do equilíbrio...

Idades

Ontem, na aula de dança, diz a professora:
- Dêem-me os parabéns, fiz anos no sábado!

Curioso, pensei eu, só três dias depois de mim, se calhar digo que também fiz...

Depois de algumas perguntas, a moça responde:
- Fiz 27! Estou quase nos 30!!

Curioso, continuei eu a pensar, mais uma do mesmo signo, se calhar comento o facto...


Mas espera... é impressão minha ou estou, pela primeira vez, a ter noção da diferença de idades (para cima!) em relação a mim e a uma outra pessoa já ADULTA?!?


Ceeerto... sorri e continuei calada...

Não fui eu que escrevi mas podia ter sido...

A Raiz da Pele

Guardo na raiz da pele
os gritos, as emoções,
os desesperos, os medos,
a raiva, o ódio, a perfídia,
os sonhos, as frustrações,
as cicatrizes das feridas
que a vida em mim foi abrindo,
os mistérios, os segredos.

Guardo na raiz da pele
a verdade do que sou.

Deixo que à flor da pele
emerja a máscara, o sorriso,
o jogo de gato-e-rato
onde, estando, nunca estou.

Guilherme de Melo

segunda-feira, julho 11, 2011

domingo, julho 10, 2011

Porque o domingo é um dia "quase bom"...

O mote para me sentar à frente do computador: um documentário. Nele Gorbachev dizia sobre Raíssa, a sua mulher de toda a vida, mesmo depois da dela se extinguir "Não falávamos de amor. Nunca fizemos grandes declarações. Fazíamos mais do que isso... agíamos."

Ouvi, corri a anotar no telemóvel e lá ficou. Os dias passaram e ela até então adormecida no seu formato electrónico lá me apareceu ontem à frente. E fez-me pensar. Sou de agir, não de falar no que toca a matérias amorosas. Mesmo quando ajo mal. Talvez devesse falar mais. Talvez se falasse mais agisse menos mal...

O wok faz a sua magia com o resto da lata de atum que serviu para a sandes da praia de ontem. Porque sou esquisita mesmo no que toca a sandes. Porque uma sandes de fiambre é coisa para me pôr doente. Quero lá saber se as fatias são "finíssimas" e vieram da pá. É fiambre. É pão com fiambre e um estraga o outro. O pão merece mais, o fiambre também. Coisa desenxabida, é o que é. Nesse aspecto, certa menina M., caracolinha que, sem saber, vai buscar à tia/madrinha umas manias, é cá das minhas: fiambre é para comer sozinho, à gulosa, o pão quanto muito e nesse caso, é só o recipiente.

Voltando ao wok, lá está ele cheio de alho e coentros como convém. Promete... mas não cumpre. A massa ficou mais ou menos. Portanto, quase boa. Ainda na sexta me aconteceu isso em determinado restaurante. Tinha tudo para ser óptimo: o nome do prato, os ingredientes, o aspecto, o cheiro mas depois... não era. Era quase bom, só quase bom. Se fosse cozinheiro diria que era o pior que me podia acontecer. Acho que preferia que estivesse intragável. Como cozinheiro quereria que os meus pratos provocassem reacções avassaladoras. "Óptimo!", "Excelente", "De fugir!" ou "Até me vomitei!". Nunca um "quase bom". Um "quase bom" não tem corpo suficiente, um "quase bom" nem dá vontade de reclamar. Reclamar de quê? Mas está mau? Não... Então está bom? Não... Então está o quê? Não sei... É como a roupa da loja dos chineses, é quase gira...

E lá estamos nós, eu e o meu estômago, avessos aos "assim-assim", aos morninhos, aos simpáticos, aos poucochinhos, aos "doces da avó" e aos molotovs, origem dos bleeerrgggh que a minha língua atira para fora da boca em tom de desolação e com expressão a condizer...

A verdade é que não me tem apetecido escrever. Há a viagem para contar, as fotografias para escolher, os costumeiros "sinto isto e aquilo" mas não, não me puxa... Talvez porque a viagem tenha servido mais para abstracção do que para análise, organização e conclusão. E talvez assim tenha sido porque não há mais nada para analisar quanto mais para concluir. É o que é, disseram-me um dia já há muito tempo, ouvi eu repetido mais recentemente da boca de outros. É o que é. Só falto eu, ser o que sou. O pior é que isso não me agrada. O pior é que o que sou hoje é "assim-assim", é molotov... e eu não sou moça para me contentar com isso.

Mantenho perguntas, sim. Mas não espero respostas. Ou então já as sei e o que sei já me serve mesmo que elaboradas por mim. O que é certo o que é facto é que a calmaria nocturna se mantém. Talvez já tenha mesmo respondido a tudo.

Mas já não gosto de aqui estar. Não sou eu aqui, não é a minha casa. Ou melhor, é, na papelada e na vertente prática. Mas funciona mais como albergue que me permite não dormir ao relento e que tem lugares certos para as coisas do que como casa, casa a sério, com C grande. Sugeriram no outro dia, tendo por base a conjuntura péssima em que estamos sentados: pinta as paredes, muda as coisas de lugar, transforma numa coisa diferente. Boa ideia... se me apetecesse. Só que penso em tudo isso mas noutro lugar, não aqui. Isto já se transformou em local de passagem há tanto tempo que não é possível voltar atrás. Já só grita "temporário", mais nada. Para quê gastar tinta com o temporário?

Li algures que "a realidade só é má se fugires dela". As porcarias que as pessoas escrevem na net só com esperança que depois as citem em qualquer site de frases famosas ou dizeres profundos. "A realidade só é má se fugires dela", pois sim! A realidade é boa ou má ou o que tiver que ser, estejas perto ou longe, fujas ou não, ó energúmeno cibernáutico! Aliás, porque fugiriam as pessoas se assim fosse? Se fogem é porque é uma trampa, não?! Digo eu porque eu nunca fugi. Não porque não quisesse mas porque o meu cocktail genético tem um raio de uma mania de dar a cara às chapadas que chega a ser doentio, mas enfim... "Ai, mas encaras, olhas de frente, não tens medo". Exacto... olha que bom para mim...!

Ai... estou cansada. O domingo cansa-me. É fim-de-semana mas já quase não é, é dia em que não se faz nada de jeito porque o que adianta se amanhã começa a semana e eu devia mas é aproveitar para fazer limpezas ou coisa que o valha...

Ai, deixa-me mas é ir que a solidão em demasia faz-me pensar em demasia também e já se viu que é coisa para a qual não tenho o mínimo jeito...

quinta-feira, julho 07, 2011

Porque é uma de muitas que me foram (literalmente!) oferecidas ontem

Coldplay

Come up to meet you,
tell you I'm sorry
You don't know how lovely you are

I had to find you,
tell you I need you
Tell you I set you apart

Tell me your secrets
and ask me your questions
Oh let's go back to the start

Running in circles,
coming up tails
Heads on a silence apart

Nobody said it was easy
Oh it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said that it would be this hard
Oh take me back to the start

I was just guessing
at numbers and figures
Pulling your puzzles apart

Questions of science,
science and progress
Do not speak as loud as my heart

Tell me you love me,
come back and haunt me
Oh and I rush to the start

Running in circles,
chasing our tails
Coming back as we are

Nobody said it was easy
Oh it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be so hard
I'm going back to the start

Oh ooh ooh ooh ooh ohh (x4)

terça-feira, julho 05, 2011

Happy... day?

Pois é, é um misto... de alegria e tristeza, de doce e amargo.

De memórias boas, tão boas, de pequenina, criança em êxtase que vibrava com a antecipação, de bolo de chocolate e morangos com chantilly porque eram as minhas três coisas preferidas e juntá-las num bolo só era simplesmente perfeito. E de surpresas e telefonemas e amigos e prendas e espumante.

Mas também de outras, de coloração intensificada mas pela dor, que cortam a respiração, que se revivem no corpo, que até parece que nos picam a pele. Outras, de emoções que perfuram, de olhares, aquele olhar, aquele olhar que eu vi nesse dia, nesse mesmo dia, e que se me cravou na memória...

Há dois anos que é assim. Talvez nunca mais deixe de ser.

sábado, julho 02, 2011

De barriga cheia

De mil aventuras e expressões e pensamentos e risos e situações mais ou menos caricatas e côr e sol e paisagens e amizade e amor e beleza e cultura e línguas misturadas. Acima de tudo, de mente mais aberta e alma mais completa como só uma viagem pode proporcionar. E de caneta mental em punho para, um dia destes, fazer um resumo à altura.

sexta-feira, junho 24, 2011

Perfil

Em modo "ir"!

Porque preciso reaprender...

Foo Fighters

I am a one way motorway
I’m the one that drives away
Then follows you back home

I am a street light shining
I’m a wild light blinding bright
Burning off alone

It’s times like these you learn to live again
It’s times like these you give and give again
It’s times like these you learn to love again
It’s times like these time and time again

I am a new day rising
I’m a brand new sky
To hang the stars upon tonight

I am a little divided
Do I stay or run away
And leave it all behind?

It’s times like these you learn to live again
It’s times like these you give and give again
It’s times like these you learn to love again
It’s times like these time and time again

quarta-feira, junho 22, 2011

" (...) Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar. "

"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?

As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.

É preciso aceitar esta mágoa, esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.

Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.

Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.

O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar. "

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

Os céus e as suas certezas

"A sua facilidade em exprimir os seus sentimentos vai também aproximá-lo muito mais dos outros."


Facilidade em quê? Desde quando, amigos??? Se é isso que me vai aproximar dos outros, mais vale deixar já cair a toalha, não?!

segunda-feira, junho 20, 2011

Boa vida!

Perfil

O pontapé de saída foi dado. Vamos ver como acaba o jogo.

quinta-feira, junho 16, 2011

Porque ontem me acompanhou em viagem, já a lua se tinha cansado de estar escondida...

Stop and Stare
One Republic

This town is colder now, I think it's sick of us
It's time to make our move, I'm shaking off the rust
I've got my heart set on anywhere but here
I'm staring down myself, counting up the years
Steady hands, just take the wheel...
And every glance is killing me
Time to make one last appeal... for the life I lead

Stop and stare
I think I'm moving but I go nowhere
Yeah I know that everyone gets scared
But I've become what I can't be, oh
Stop and stare
You start to wonder why you're here not there
And you'd give anything to get what's fair
But fair ain't what you really need
Oh, can you see what I see

They're trying to come back, all my senses push
Untie the weight bags, I never thought I could...
Steady feet, don't fail me now
Gonna run till you can't walk
Something pulls my focus out
And I'm standing down...

Stop and stare
I think I'm moving but I go nowhere
Yeah I know that everyone gets scared
But I've become what I can't be, oh
Stop and stare
You start to wonder why you're here not there
And you'd give anything to get what's fair
But fair ain't what you really need
Oh, you don't need

What you need, what you need...

Stop and stare
I think I'm moving but I go nowhere
Yeah I know that everyone gets scared
But I've become what I can't be
Oh, do you see what I see...

Reconhecimentos

"Faz parte", disseram-me um dia. E eu repeti quando chegou a minha vez. Juntas na areia, falávamos sobre reconhecer os corpos, reconhecer a morte, olhar para ela de frente e assinar em baixo confirmando que sim, ela aconteceu. E eu disse "faz parte". Juntas na areia dissemos o que sabíamos, demos o que tinhamos para dar, o que aprendemos, para que a outra o utilize não ocultando, no entanto, os desvios de nós próprias, como nem sempre agimos de acordo. Também faz parte, acho eu.

Os sonhos fizeram tréguas. Talvez já não tenha perguntas. Talvez ainda as tenha mas já não me interessem as respostas. Seja como for, agora apetece-me dormir, dormir muito, dormir tudo o que tenho mal dormido nos últimos tempos. Quero dormir por dormir, só isso, sem que o meu cérebro utilize a noite e o meu estado semi-comatoso para elaborar e esmiuçar o que, durante o dia, me ronda sem destino, o que não encontra saída. Talvez já não interesse a saída, talvez tenha finalmente morrido na praia, talvez já não haja mais grande trabalho a fazer. Dá ideia que também ele, o meu cérebro, resolveu desistir, pôr de lado, desprezar as emoções já em carcaça que há muito não acrescentam nada como não acrescenta nada o que não tem vida. Talvez. Sinceramente, não quero saber. Quero só dormir o sono despreocupado a que tenho direito.

Morte. Dizem as cartas entendidas na matéria que significa renovação. Acabar para recomeçar. Morte. Sim, sentadas na areia te digo "é vital reconhecer o corpo". Faz parte. E ainda bem.