não é dada pelos ponteiros do relógio nem pela posição do sol... simplesmente sente-se... quando, de repente, faz sentido.
terça-feira, abril 23, 2019
sexta-feira, abril 19, 2019
Leitura santa obrigatória
Things we’d like to resurrect
When number one albums were a big deal
A mystery prize to the person who knows what the number one album is off the top of their head, which will be none of you (does it even still exist?).
Handwritten love letters on actual paper
Where are all the love letters? The revealing emotional depths, the charm of his wonky handwriting (can’t fancy a boy whose handwriting is too neat). It’s a shame, but dick pics don’t have quite the same consideration, vulnerability and romance.
Dinner parties
Where you met: people who you shagged/fell in love with/married/divorced/your second husband/your now business partner/best friend/future sister-in-law/person who got you a discount on the Soho home website.
When social media was friendly
Remember when Twitter wasn’t the sinkhole of humanity, but a nice place where you could ask a question or express an opinion without someone you didn’t know replying ‘F**k you, you stupid f***ing c***, how dare you, you should be cancelled for being so f***ing offensive.’ If only we could find our way back to civilisation.
Sleeping through the night un-medicated not being a thing
Once there was a time when you slept through the night without waking up the next day feeling like you need to tell BBC news/everyone you know/strangers on the street that you slept through the night. OK, maybe you were only six, but still.
Making not recording memories
Once upon a time, humans used to experience things that they committed to memory. This is because they lived and breathed what was happening in the moment. They took it in. They were aware of how they felt. They absorbed the detail. All without taking a photograph of it or filming it. They just used their brains. ‘We film stuff and take photos too!’ all the brains are shouting.
David Bowie
Because you just get the feeling that all this *gestures broadly* wouldn’t be happening if he were still here to hold the fabric of the universe together.
in The Midult
sexta-feira, abril 12, 2019
quarta-feira, abril 10, 2019
sexta-feira, abril 05, 2019
quinta-feira, abril 04, 2019
segunda-feira, março 18, 2019
Wish me luck
A propósito da sorte e do azar.
Mordo a língua apesar de saber que já é tarde: a irritação já se projectou na voz, os olhos já se voltaram para mim. Percebo-os e percebo o que dizem. Percebem-me. Disfarço, dou a volta, forço um sorriso e interesse por aquilo que não me interessa nada e que, aliás, até me faz mal. Mas dou a cara e ouço. E sorrio mais uma vez, sorriso amarelo, coração roxo de se apertar. E assim às cores engulo em seco, engulo o que me põem no copo também, engulo o picante mais picante que encontro no prato. Espicaço os sentidos para não sentir.
Respiro e isolo-me sempre que posso, sempre que, no meio dos festejos e gargalhadas e garrafas de cerveja que transbordam e salpicam e conversas cruzadas e música aos berros, esquecem a minha presença um bocadinho. No meu canto, na ponta da mesa, encostada à parede, uns milímetros afastada do grupo bastam para me fechar na minha redoma pessoal e tentar pensar. Condeno-me para logo a seguir me perdoar e voltar a condenar.... e ando nisto até alguém me forçar a interagir.
Mas a verdade é mesmo esta: a sorte e o azar existem. Existem e dominam a maior parte da nossa vida, assim é que é. O nosso controlo é tão limitado que chega a ser ridículo. E por mais que odeie não ter a sorte que queria ter, tenho que me desculpar: não depende de mim, nunca dependeu. E a raiva que sinto do que não tenho é humana, tão humana que dói: por si própria e simplesmente por existir.
Tenho vontade de escrever "não me perguntes nada, só quero dizer que não consigo ser sempre quem gostaria embora saiba que no fundo sou." Mas guardo para mim e aguento: há-de passar. Até uma próxima vez.
quinta-feira, março 14, 2019
Encómio
en·có·mi·o
substantivo masculino
1. Elogio rasgado.
2. Gabo, aplauso, louvor. "encómio",
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
Cortesia da Comissão Nacional de Eleições.
O tamanho da minha ignorância nunca deixa de me surpreender...
1. Elogio rasgado.
2. Gabo, aplauso, louvor. "encómio",
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
Cortesia da Comissão Nacional de Eleições.
O tamanho da minha ignorância nunca deixa de me surpreender...
segunda-feira, março 04, 2019
quarta-feira, fevereiro 27, 2019
Crónica de uma morte anunciada ou já o anúncio propriamente dito
A pessoa compra uma blusa linda, linda e que lhe fica a matar. A pessoa usa a blusa uma primeira vez e pespega-lhe uma nódoa manhosa. A nódoa passa o dia a perturbar a pessoa que só deseja chegar a casa para lhe afagar o lombo violentamente. Mas a pessoa resolve raciocinar e, ao contrário do que é comum em si, lê as instruções de lavagem da blusa, linda, linda que, claro! - porque facilitar-lhe a vida até lhe ficaria mal - exige cuidados e mãozinha na massa em vez de massa dentro do tambor da máquina de lavar, ao molho e fé em Deus com as outras peças. Tudo bem, a pessoa acha a blusa linda, linda e dispõe-se ao trabalho de remover a nódoa manhosa com o carinho que a blusa linda, linda requer. De seguida, a pessoa estende-a com todo o cuidado, em cabide próprio, de forma a não apanhar sol directo, apenas brisa, para que seque com delicadeza, e reza a todos os santinhos da ménage (aqui aconselho a busca na net dos diferentes significados deste termo antes de dar espaço à mente porcalhona) para que a nódoa manhosa saia sem levar consigo parte do tecido ou a linda, linda cor ocre que ele tem. Para seu contentamento, a pessoa verifica no dia seguinte que tudo está como d'antes no quartel de Abrantes e a blusa mantém todo o seu tecido intacto, sem vestígio de nódoa manhosa e faz high-fives com o gato que está mais perto, afinal a pessoa até leva jeito para a coisa. Mas, não se deixando iludir pela vitória recém alcançada, a blusa linda, linda é enviada para passar por mãos experientes e pagas para isso e a pessoa fica a aguardar o seu regresso a casa para a usar pela 2.ª vez agora que o tempo mais ameno até permite desembaraçar-se de casacos que não a deixavam brilhar. O dia chegou. A pessoa veste a blusa linda, linda e que lhe fica a matar...
... apenas para descobrir que e a P***!!!!! da peça alargou, que as mangas têm mais um palmo de comprimento, que o decote em barco está mais para navio de cruzeiro e cai pelos ombros abaixo, que as costas descaem sem forma, que o tecido sobra por todo o lado!!! A pessoa respira fundo e resolve que tudo tem solução, que isto ajeitado de outra forma até não fica mal, que as mangas se podem sempre dobrar, que se calhar a progenitora até lhe dá uns pontos algures e consegue endireitar o pau que começa a ter cara de já ter nascido torto. E vai para o espelho acabar de se arranjar e borrifa o cabelo com protector térmico para lhe dar uma secadela... e, P***!!! que o pariu, o C*****!!! do protector borrifa também a P***!!!!! da blusa, que continua linda, linda mas cada vez mais só vista de longe. A pessoa respira mais uma vez. A pessoa mira os borrifos e conclui que aquilo é coisa para secar e nem se notar. E continua... e sai de casa... e passa a manhã a ajeitar os ombros, os braços, o diabo que a carregue... e a ignorar os borrifos que secaram mas não desapareceram por completo... Nisto, chega a merecida pausa para almoço. E nisto chega a salada leve com frango grelhado. E nisto a P***!!!!! da blusa-que-parece-que-tem-vida-própria-ó-C******!!! põe-se a jeito para levar com umas pingas de azeite, que em vez de escorrer pela alface abaixo como as pingas normais fazem, resolvem saltar, as P*****, filhas de uma égua!!! A pessoa pragueja alto e a bom som e põe as colegas a rir do seu infortúnio. A pessoa quase que lhes bate com o galheteiro mas controla-se e até mente com todos os dentes, quero lá saber, até foi baratucha em saldo, não há-de ser nada. Mas a pessoa fica a remoer. No fundo, no fundo, sabe que a P***!!!!! da blusa é linda, linda na sua cor ocre, que lhe fica a matar, que nem chegou a ser devidamente exibida, que o saldo não foi assim tão bom negócio e que DEVIA PROCESSAR A P***!!!!! DA LOJA QUE A VENDEU! Mas acalma-se... a pessoa acalma-se... e volta ao caminho do Senhor das pessoas que não se deixam derrotar e que irão, certamente, encontrar uma solução porque não será uma P***!!!!! de uma blusa, por mais bonita que seja, a fazer-me de parva!
... apenas para descobrir que e a P***!!!!! da peça alargou, que as mangas têm mais um palmo de comprimento, que o decote em barco está mais para navio de cruzeiro e cai pelos ombros abaixo, que as costas descaem sem forma, que o tecido sobra por todo o lado!!! A pessoa respira fundo e resolve que tudo tem solução, que isto ajeitado de outra forma até não fica mal, que as mangas se podem sempre dobrar, que se calhar a progenitora até lhe dá uns pontos algures e consegue endireitar o pau que começa a ter cara de já ter nascido torto. E vai para o espelho acabar de se arranjar e borrifa o cabelo com protector térmico para lhe dar uma secadela... e, P***!!! que o pariu, o C*****!!! do protector borrifa também a P***!!!!! da blusa, que continua linda, linda mas cada vez mais só vista de longe. A pessoa respira mais uma vez. A pessoa mira os borrifos e conclui que aquilo é coisa para secar e nem se notar. E continua... e sai de casa... e passa a manhã a ajeitar os ombros, os braços, o diabo que a carregue... e a ignorar os borrifos que secaram mas não desapareceram por completo... Nisto, chega a merecida pausa para almoço. E nisto chega a salada leve com frango grelhado. E nisto a P***!!!!! da blusa-que-parece-que-tem-vida-própria-ó-C******!!! põe-se a jeito para levar com umas pingas de azeite, que em vez de escorrer pela alface abaixo como as pingas normais fazem, resolvem saltar, as P*****, filhas de uma égua!!! A pessoa pragueja alto e a bom som e põe as colegas a rir do seu infortúnio. A pessoa quase que lhes bate com o galheteiro mas controla-se e até mente com todos os dentes, quero lá saber, até foi baratucha em saldo, não há-de ser nada. Mas a pessoa fica a remoer. No fundo, no fundo, sabe que a P***!!!!! da blusa é linda, linda na sua cor ocre, que lhe fica a matar, que nem chegou a ser devidamente exibida, que o saldo não foi assim tão bom negócio e que DEVIA PROCESSAR A P***!!!!! DA LOJA QUE A VENDEU! Mas acalma-se... a pessoa acalma-se... e volta ao caminho do Senhor das pessoas que não se deixam derrotar e que irão, certamente, encontrar uma solução porque não será uma P***!!!!! de uma blusa, por mais bonita que seja, a fazer-me de parva!
E, de repente, o Senhor envia-lhe a luz! Está tudo explicado, está tudo dito, está tudo resolvido! A pessoa já sabe o que vai fazer: vai encolher a blusa! Vai lavá-la a não sei quantos graus centígrados, vai pô-la a deitar fumo se for preciso, assim como alargou também há-de encolher, e assim ficará ajustada ao corpo, ainda mais linda, linda. E de caminho aniquila as nódoas manhosas que, como toda a gente saber, desaparecem assim que cheiram a água quente! É isto! E vai resultar! TOMA, VAI BUSCAR!!!
quinta-feira, fevereiro 14, 2019
terça-feira, fevereiro 12, 2019
quarta-feira, fevereiro 06, 2019
segunda-feira, fevereiro 04, 2019
" Se queres um amigo, cativa-me!" Antoine de Saint-Exupéry
Ando a sentir necessidade de reflectir bem sobre quem entra e quem sai. Ou deve sair, ou deve assumir outra posição na arrumação da vida. Sinto que tenho vindo a desperdiçar-me de alguma amizade ao desbarato, demasiadas vezes não recebendo na medida em que dou. Não me iludo convencendo-me que esta é uma estrada só com um sentido, reconheço-me a falhar também do meu lado. Talvez, então, seja preciso restaurar o equilíbrio e, porque não, a justiça no que respeita aos objectos da minha afeição: dar mais a quem me dá sem tréguas, sem hesitações, sem modas, sem fases, e recolher as mãos estendidas para o que, afinal, se vem esvaziando de sentido e enchendo de indiferença e de presunção.
A pensar...
segunda-feira, janeiro 21, 2019
Ready. Set. Go.
Acabei o ano como gostaria que ele continuasse, aconchegada entre braços e a beber da calma, do vinho, do calor. Os cães espalhados pelo chão, nós esparramados no sofá, o agridoce da cobertura de goiabada ainda na ponta do garfo, os festejos por esse mundo fora a estalar no ecrã. Brindámos ao novo segundo assim que ele dobrou a esquina do calendário, com esperança mas sem alarido. A esperança não nos é desconhecida e já temos idade para a saber sentir com sabedoria. Mais dois dedos de conversa, mais dois golos de espumante e, um a um, cada um ao seu ritmo, fomos-nos levantando, boa noite, até amanhã. Quando chegou a minha vez, deslizei para debaixo das mantas, pernas entrelaçadas, porto seguro, a felicidade também é aqui. Acho que adormeci a sorrir.
As questões vão-se sucedendo, há que pôr ordem na casa. Pergunto e escuto as possibilidades de resposta, assumo as minhas contradições e ouço que a persistência que me caracteriza é qualidade e que a devo retirar da lista negra. É essa a minha força, diz. É essa a minha força. Persisto em ser feliz, persisto em procurar respostas e em limpar o lixo aos cantos, persisto em querer o melhor que a vida me pode oferecer sem me contentar com soluções a meio caminho. É essa a minha força e a minha força é a minha redenção.
A procura pela palavras certas é quase uma obsessão e não raro noto que essa busca incessante me leva a complicar em vez de simplificar. Talvez não seja nada complicado, afinal, talvez neste caso as palavras não me expliquem, ponto final, é deixá-las de lado e assumir que o próximo parágrafo pode ser vazio de letras.
O perdão é coisa que não me sai sem custo embora sentimentos como o ódio não encontrem lugar em mim. Mas a memória de elefante refresca-se com facilidade e o ontem passa a hoje num instante. E enquanto moer a revivência, custa a passar a mão pela cabeça e a crer em nova cristandade. A bênção tem que ser conquistada, cá para mim, e o reino dos meus céus não está ao alcance de quem quer mas sim de quem pode. E a minha inteligência para o que não se vê mas sente é tramada e o que conheço como a palma da mão não passo a desconhecer. Mas parece que terei que me confrontar com aquilo que o meu corpo decidir na altura de se dar ao manifesto. Está visto que será uma questão de pele muito mais do que de raciocínio e que qualquer decisão será tomada tendo em conta o que menos me revolver o estômago.
Diz-me para abrir o peito e que continue a deixar entrar o amor: o amor que me tenho e que me têm, o amor desperdiçado para que se recicle e se volte a dar, o amor deixado a ganhar mofo nas calendas do esquecimento, por receio, por temor. Abrir o peito e encher-me de todo o amor possível. Será desta forma que tudo o resto se resolve, que tudo o resto assume a dimensão que deve ter, não mais, e se alinha devidamente na hierarquia da importância.
Acabei o ano como gostaria que ele continuasse, senhora de mim, dos meus espaço e tempo, e confesso que me apetece exfoliar o que me parece que já serão só partículas mais que mortas, que a minha relutância, tão característica do signo solar que me rege diriam os entendidos, continua a acarinhar autisticamente. Julgo que estou muito mais resolvida e em bons termos com a minha vida do que me habituei a pensar que estaria. É fácil que o hábito se agarre à pele.
Ainda que não se apresentem de forma clássica e estruturada, as decisões estão, no fundo, tomadas. As mensagens que me passo são claras, o que foi não pode voltar a ser e o que será depende do que fizermos para o concretizar. Não há caminhos fáceis, não há estalar de dedos nem facilidades, não há lugar a fingimentos nem meias verdades nem meras aparências. Nada de sólido se constrói com papel exposto à chuva. Nada de verdadeiro se constrói sem substância. Em compensação, a recompensa será como me disseram que era a raiva: "a raiva tem sempre o mesmo tamanho daquilo nos faz falta". E assim se começa o ano.
O perdão é coisa que não me sai sem custo embora sentimentos como o ódio não encontrem lugar em mim. Mas a memória de elefante refresca-se com facilidade e o ontem passa a hoje num instante. E enquanto moer a revivência, custa a passar a mão pela cabeça e a crer em nova cristandade. A bênção tem que ser conquistada, cá para mim, e o reino dos meus céus não está ao alcance de quem quer mas sim de quem pode. E a minha inteligência para o que não se vê mas sente é tramada e o que conheço como a palma da mão não passo a desconhecer. Mas parece que terei que me confrontar com aquilo que o meu corpo decidir na altura de se dar ao manifesto. Está visto que será uma questão de pele muito mais do que de raciocínio e que qualquer decisão será tomada tendo em conta o que menos me revolver o estômago.
Diz-me para abrir o peito e que continue a deixar entrar o amor: o amor que me tenho e que me têm, o amor desperdiçado para que se recicle e se volte a dar, o amor deixado a ganhar mofo nas calendas do esquecimento, por receio, por temor. Abrir o peito e encher-me de todo o amor possível. Será desta forma que tudo o resto se resolve, que tudo o resto assume a dimensão que deve ter, não mais, e se alinha devidamente na hierarquia da importância.
Acabei o ano como gostaria que ele continuasse, senhora de mim, dos meus espaço e tempo, e confesso que me apetece exfoliar o que me parece que já serão só partículas mais que mortas, que a minha relutância, tão característica do signo solar que me rege diriam os entendidos, continua a acarinhar autisticamente. Julgo que estou muito mais resolvida e em bons termos com a minha vida do que me habituei a pensar que estaria. É fácil que o hábito se agarre à pele.
Ainda que não se apresentem de forma clássica e estruturada, as decisões estão, no fundo, tomadas. As mensagens que me passo são claras, o que foi não pode voltar a ser e o que será depende do que fizermos para o concretizar. Não há caminhos fáceis, não há estalar de dedos nem facilidades, não há lugar a fingimentos nem meias verdades nem meras aparências. Nada de sólido se constrói com papel exposto à chuva. Nada de verdadeiro se constrói sem substância. Em compensação, a recompensa será como me disseram que era a raiva: "a raiva tem sempre o mesmo tamanho daquilo nos faz falta". E assim se começa o ano.
sexta-feira, janeiro 18, 2019
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