quarta-feira, setembro 30, 2009

D mais O mais I mais D mais A igual a ..?

Chegámos ao fim de Setembro. Reparo agora que foi o mês com mais posts de todo o sempre! Motivo para comemoração? Hardly... E as razões, quais são as razões? Ando mais "faladora"? Não tenho o que fazer? Entrei em alguma competição imaginária de blogs para ver quem diz mais coisas que não interessam a ninguém em menor espaço de tempo? Tenho a cabeça cheia de treta, preciso deitar cá para fora e como já ninguém me atura despejo aqui porque este, ao menos, não se queixa? Estarei a ficar esquizofrénica e, embora na realidade esteja a falar sozinha, acho que o computador é, no fundo, a minha educadora de infância a fazer jogos de palavras comigo?? Anyone..? Anyone..?

Tenho para mim que é bem capaz de ser tudo junto...

Robot

Quero mudar. Quero conseguir que a racionalidade se sobreponha a tudo. Quero que o meu cérebro comande e não o meu coração. Quero dizer a mim própria "não", "sim" e todas as outras palavras definitivas e passar a senti-las. Eu sei que é possível, já vi acontecer. Eu quero isso para mim. Estou cansada de não ter mão no que sinto. Quero controlar o coração para ele sentir apenas o que quero. Quero controlar os meus dias, o meu estado de espírito, quero conseguir rir quando me apetece, quero conseguir não chorar, mesmo quando é só por dentro. Quero conseguir viver o que deve ser vivido e desprezar o que me faz mal bastando para isso dar uma ordem. Quero poder dizer a mim própria o que devo sentir e senti-lo. Quero que dizê-lo seja o bastante.

Isto faz de mim qualquer coisa parecida com uma máquina? So, be it.

Make a wish

Amanhã vai ser melhor, amanhã vai ser melhor, amanhã vai ser melhor...

segunda-feira, setembro 28, 2009

Lá atrás... #2

É esta..!

O gato lambareiro

Era uma velha que vivia numa ilha.
Era uma velha que vivia numa ilha.

E tinha um gato com olhos cor de ervilha.
E tinha um gato com olhos cor de ervilha.

Mas esse gato gato era muito lambareiro.
Mas esse gato gato era muito lambareiro.

Andava sempre, andava sempre ao cheiro.
Andava sempre, andava sempre ao cheiro.

Mas certo dia sem a velha dar por isso.
Mas certo dia sem a velha dar por isso.

Foi à cozinha e comeu o chouriço.
Foi à cozinha e comeu o chouriço.

O velho chega, chega p'ra jantar.
O velho chega, chega p'ra jantar.

E vê a velha na cama a soluçar.
E vê a velha na cama a soluçar.

Mas ó mulher o que tens o que foi isso.
Mas ó mulher o que tens o que foi isso.

Foi o nosso gato que nos comeu o chouriço.
Foi o nosso gato que nos comeu o chouriço.

O velho pega, pega num cacete.
O velho pega, pega num cacete.

E põem o gato a andar de rabanete.
E põem o gato a andar de rabanete.

Nada a declarar

Mais do mesmo, mais de tudo, mais de nada.

Mais vale estar calada.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Palavras

Não.

Areia

Vou deixar de fazer contas. Vou deixar de contar o tempo. Concluir, factualmente, que ele está a passar desespera-me. Quero agarrá-lo e não consigo, ele escorre entre os dedos. Tenho que deixar de fazer contas. Contas dos dias que passaram, dos dias em que a saudade entrou na minha porta e nunca mais saiu, dos dias de distância, afastamento, dos dias que me separam de uma outra vida. Tenho que deixar de contar os dias, as semanas e, agora, principalmente os meses. Os meses doiem mais que qualquer outra medida porque são o ponto de não retorno, são eles que fazem a ponte entre o pouco e o muito tempo. Os meses já não só dias, já não são só semanas e estão a um passo de se tornar anos. E quando se começam a contar anos é porque já estamos longe demais.

quinta-feira, setembro 24, 2009

FarmVille ou o desejo secreto que há em cada um de nós, trabalhadores citadinos, de querer mesmo é plantar batatas

Colega a despedir-se de mim:

"Até amanhã. Vou limpar uma quinta! ;)"

Correnteza

Quebrar o ciclo. É urgente quebrar o ciclo. É imperioso sair da enxurraga, deixar de permitir que nos levem contra vontade. Tomar o destino nas mãos. Só resta saber se se consegue nadar contra a corrente e chegar, finalmente, a terra seca. Mas o ciclo tem que ser quebrado, interrompido porque se continuar corre-se o risco de submergir definitivamente.

Constatação #2

A solidão é, acima de tudo, um estado de espírito.

quarta-feira, setembro 23, 2009

És tu, sopeira... és tu que vens aí?

Sempre me irritaram as pessoas que, ao perguntar-se-lhes "Então, tudo bem?", respondem, com um ar mais ou menos enfadado e encolher de ombros, "tudo andando" ou "vai-se indo". Porque não dizem sim ou não, tudo bem ou tudo mal? O que quer dizer "andando"? Andando andamos todos nós, certo? Tem que ser, anda-se e pronto. Mas a vida não é só isso, é sempre mais qualquer coisa. Dizer "vai-se indo" é redutor, é mole, é assim assim, sem sabor. Vai-se indo como, senhores?!? É uma expressão tão desinteressante... de gente poucochinha, com uma visão redutora das coisas da vida, de quem não vive as coisas em pleno e se contenta com pouco ou não se contenta com nada, sei lá. De quem não sente nada a 100%, de quem anda a meio gás. É morno... e, ainda por cima, não quer dizer nada de especial. Quem ouve fica a saber exactamente o quê? Nada, absolutamente nada!

Mas... como se costuma dizer (embora não seja fã da expressão acho que para aqui não há outra melhor): quem cospe para o ar, arrisca-se a que lhe caia em cima (a imagem, por si, é do pior... mas ok...). E é isso mesmo que me está a acontecer. Nos dias que correm, quando me perguntam sobre o meu estado de espírito, o que me ocorre é isso mesmo: vou andando. Portanto, ando a levar com cuspidela atrás de cuspidela (aargghh..).

Enfim...

E porquê? Porque digo "vou andando"? Parece complicado mas é mais ou menos simples:

Ando porque tem que ser, essa é a primeira razão. Eu e toda a gente. Na vida anda-se para a frente mesmo que não se queira. O mundo gira, os dias vão passando e nós vamos passando por eles também, sempre em frente. É assim que a coisa funciona.

Por outro lado, não posso dizer que está tudo bem. Não está, seria mentir. Como é óbvio, se for preciso, minto. Se o interlocutor for a vizinha do lado ou a senhora de mercearia, a resposta é, acompanhada de sorriso mais ou menos estonteante, "tudo óptimo!", por razões óbvias. Mas para quem me conhece... Além disso, apesar de todos os cursos e workshops na área, não sou assim tão boa actriz quando se trata da realidade. Essa, infelizmente, e para quem vê para além do óbvio, está espelhada na minha cara, na minha voz, nos meus olhos (as p**** das rugas, portanto...).

Podia dizer: tudo mal. Podia... mas não está tudo mal. Penso sempre que há quem esteja muito pior. Há pessoas a dormir na rua, a sofrer com guerras mesmo na soleira da sua porta, há pessoas com fome. Isso sim, é estar mal. E, comparando, não posso dizer que estou. Além de que... já chateia, francamente! Eu já estou farta de me sentir mal e calculo que os outros, que me ouvem, também devem estar! Deve ser extremamente aborrecido, passado um certo tempo, continuar a ouvir lamúrias e lamentos e a ver olhos de carneiro mal morto! Eu sei que, a mim, já começa a fartar! (E com isto acabei de chegar à conclusão que estou cansada de mim mesma... olha que bonito...).

Bom, posto isto... resta o quê? O "vou andando", nem mais. Que não é coisa nenhuma, que é assim assim, que é uma seca de uma resposta e que critico veementemente! Mas é o que é.

Mais uma vez, e visto que parece que estou em maré de assumpções, há que assumir também isto com frontalidade: nos dias que correm, sou uma pessoa do "vou andando". Sou a D. Amélia, dona de casa reformada, que ocupa os dias a falar com as vizinhas sobre as suas artroses e sobre as discussões que ouve vindas do 3º esquerdo; sou a porteira do prédio cuja ambição maior é comprar um candeeiro de tecto, tamanho XL, todo feito de vidrinhos brilhantes para cair sobre a mesa da casa de jantar que, por sua vez, nunca é usada a não ser quando recebe os primos da Suíça, e aí poder dizer-lhes que aquilo "foi para lá de um dinheirão!"; sou o TóMané cujo maior sonho é instalar um avançado na sua roulotte do parque de campismo da Costa da Caparica para que, no próximo Verão, possa assar sardinhas à sombra enquanto bebe umas valentes "jolas" e mete inveja à restante malta do complexo...

É verdade... sou, actualmente, uma pessoa do "vou andando" e temo que esteja a um passo de começar a ir "andando" de bata e rolos na cabeça ao minimercado da esquina... Meeeeedo! Muito!!

terça-feira, setembro 22, 2009

Uma outra visão da coisa ou uma história para boi dormir

Sou um pequeno comboio de mercadorias (Um comboio, vês? Um comboio...).

Ali vou eu, no meu caminho, na minha linha, a fazer o meu percurso, calmamente, dentro do horário. De repente, um choque frontal com uma composição bem maior. Sem aviso, sem fuga possível. Saio dos carris com violência, a mercadoria no vagão é projectada para todos os lados. E eu vou, empurrado pelo impacto, parar algures, uns quilómetros, muitos quilómetros!, afastado da minha linha.

Durante um tempo ali fico. Sem andar, danificado, sem qualquer capacidade de voltar aos carris sozinho.

Mas os dias vão passando, os estragos são analisados e os arranjos vão-se fazendo. Peças velhas são recuperadas, outras só servem para deitar fora. A pintura tem que ser refeita e há muitos ferros amolgados, a precisar ser endireitados. Aos poucos, a pequena composição vai tomando forma de novo. Não a forma inicial mas alguma forma, a forma possível.

O chefe de estação agita-se, o comboiozinho tem que se fazer à vida! Há que voltar à linha, recomeçar a andar, fazer o seu percurso. Há outras estações, mais adiante, à sua espera. Há horários a cumprir e há mercadoria nova à espera no cais.

Mas ainda não é possível. O novo mecanismo ainda não está oleado a 100%, a máquina antiga ainda não o reconhece. E a velha mercadoria, antes arrumada e organizada dentro do vagão, jaz agora sem qualquer nexo. Caixas por cima de caixas. Objectos espalhados por todo o lado. É necessário tempo para pôr tudo em ordem de novo. Há que recolher o que caiu, ver o que se aproveita e o que se dispensa, encaixotar, catalogar, organizar nos seus devidos lugares. Só assim a mercadoria nova pode entrar. Só assim há espaço para ela.

Enquanto isso, enquanto arrumo e não arrumo, aguardo na estação, a ver os outros comboios passar. E espero. Até que a bandeirola dê outra vez o meu sinal de partida.

Boreal



E assim, finalmente, acaba o Verão mais comprido da minha vida. Recebo o Outono de braços abertos e espero, à semelhança do que acontece com as árvores, que vêem as suas folhas cair e forrar o chão, poder assistir, também eu, à minha própria renovação.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Ora nem mais!

Danos colaterais

Aqueles que não são parte da guerra mas que, por estarem perto, apanham também com os estilhaços. Aqueles que não têm culpa ou acção ou mão em qualquer acontecimento mas que estão no nosso mundo e, como tal, acabam por sofrer também as consequências quando este se vira do avesso. Aqueles que são afectados sem nada ter feito e sem nada poder fazer.

domingo, setembro 20, 2009

Domingo domingueiro

Dia calmo, sem nada planeado, sem nada de especial para fazer. Dia de cafezinho no sítio do costume, ainda de manhã, para apanhar sol e arejar. Dia de almoço tipicamente português, no forno, bacalhau com azeite e alho. Dia de colagem de gato partido e sintonização da tv emprestada. Dia de biscoitos, os tais, que acabaram por ficar iguais aos primeiros, e de deitar conversa fora, sobre tudo e sobre nada, e de não dizer nada também. Dia de fazer sopa para a semana e companhia aos gatos embora tivesse sido trocada pelo sol a bater na parte de trás da casa. Dia caseiro, calmo, sem nada planeado, para fazer frente à semana que aí vem.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Bons modos

Reparei agora que o corrector ortográfico do Outlook não reconhece a palavra "merda". Mas existe vocábulo mais português do que este?!

(Para aqueles que, neste momento, se interrogam sobre o facto de eu ter estado a escrever "merda" num email... don't ask...)

"Uma meia meia feita, outra meia por fazer. Diga lá, minha senhora, quantas meias vêm a ser?"

Era o ponto de partida para a minha mãe começar a despejar uma série de adivinhas do mesmo género que me deliciavam quando era pequena. E eu alegremente respondia, perante a cara estupefacta da minha progenitora: 5!! (pronto, a matemática nunca foi o meu forte... mas o que interessa é participar, certo?? e eu tinha outras qualidades...)

Nunca fui muito pessoa de "meias". Não me refiro às de calçar, dessas gosto até porque os meus pés têm tendência a gelar mais do que qualquer outra parte do meu corpo. Mas coisas a "meias" ou meias estações ou fazer as coisas pela metade... Meus caros, ou é ou não é, ou se come tudo ou não se come nada, ou é uma coisa ou é outra! Por exemplo: comer um doce a meias. Complicado. Geralmente acedo e até proponho com o intuito de me ajudar a controlar a lambarice. Assim só ingiro metade das calorias. Mas desgraçado de quem partilhar comigo... é que vou comendo, comendo, comendo, e se a pessoa não está atenta, vou à parte dela sem dar conta e pronto. É mais forte que eu! Porque se está lá... está a olhar para mim... está a pedir para ser comida... Complicado.

As meias estações, essas então, dão cabo de mim. Ou bem que está calor, ou bem que está frio, caramba! Eu sou pessoa ou de sandálias ou de botas! Tudo o resto me parece um desperdício de tempo, de recursos, de energia. Mas as ditas meias estações existem e eu tenho que lidar com elas... e quando começam... "bolas! não tenho roupa de meia estação, não tenho sapatos de meia estação... bolas, de manhã está frio, ao almoço está calor, à noite está frio outra vez, levo casaco?... e agora chove, e agora está sol... argghh! Decidam-se!". Complicado...

E fazer as coisas pela metade... dá-me nervoso miudinho! É coisa de gente pouco decidida. Se é para fazer, então que se faça de uma vez! "Ah... faço agora meio xixi e daqui a bocado mais meio.." ou "ah.. penduro agora meio quadro e depois o resto". Faz algum sentido?? Então porque não se aplica a norma a tudo? Que necessidade há de arrumar parte do armário hoje e a outra amanhã? Parece que se cansam pelo meio, não sei. É muito mais fácil, já que estamos com a mão na massa, arrumar tudo de uma vez e ficarmos despachados, não é?

E neste seguimento, tudo o que se relaciona com estar no "meio". Há quem lhe chame equilíbrio. Pois, depende dos casos. Eu também lhe chamo "síndrome da Suíça". Muitas vezes estar no meio significa não se comprometer com uma posição. Nem para um lado, nem para o outro. Não assumir uma escolha. Andar ali a ver para onde pende a balança, a analisar, a ponderar... E eu detesto ver-me assim. E mais detesto quando sei e sinto que não estou a conseguir agir de outra forma. Dou voltas à cabeça, penso, penso, e... não chego a lugar nenhum. Se formos a ver... há ainda um terceiro nome para isto: limbo.

Ironia das ironias: para uma pessoa como eu, que gosta de tudo bem definido e arrumado e decidido, olho à minha volta, dentro do "meu" mundo tresloucado, e só vejo "meios xixis"! Está tudo a meio, pela metade, assim assim, nem para um lado nem para o outro!

E, para piorar, o Outono está aí à porta...

Não hei-de eu andar a precisar de drogas... irra!

quinta-feira, setembro 17, 2009

Pescadinha

Parece que não tenho sono, deito-me tarde. Deito-me tarde, não me consigo levantar de manhã a horas decentes porque nessa altura estou cheia de sono. Não me consigo levantar de manhã a horas decentes porque nessa altura estou cheia de sono, ando a correr e chego tarde. Ando a correr e chego tarde, fico danada porque assim também não consigo sair cedo e o dia parece que se arrasta porque estou podre. O dia parece que se arrasta porque estou podre mas à hora de, finalmente!, sair parece que recupero energias. Recupero energias e parece que não tenho sono, deito-me tarde.

A sério... eu juro que já fui uma pessoa normal... não me lembro bem, mas já fui, de certeza...

quarta-feira, setembro 16, 2009

Desabafos de quem quer encontrar algum sentido na confusão mas não consegue até porque, às vezes, nem faz por isso

Há alturas na vida assim, parece que o mundo está contra nós. Coisas grandes, coisas pequenas, coisas assim assim. Tudo se junta. E nós a termos que as gerir conforme podemos.

Há coisas que não podem ser resolvidas. São o que são e não há nada a fazer. Temos que as aceitar e viver com elas. Há outras, regra geral mais pequenas, que até são de fácil resolução. Mas, e se calhar justamente por isso, vão sendo deixadas para trás. Só que... pequenas, pequenas mas não invisíveis. Continuam lá, quietinhas, mas devolvem o olhar quando olhamos para elas e dizem: "estou aqui, estou aqui, ainda não me resolveste...". E se há coisa que me tira do sério são, justamente, coisas por resolver...

Mas o ser humano é um bicho estranho. Ou melhor, pelo menos este ser que vos fala é. Irritam-me as pendências mas não trato delas como e quando gostaria. Depois irrito-me porque não tratei o que, por sua vez, origina ainda mais falta de disposição que se vai juntar ao rol de desculpas para continuar a não tratar! É a p*** da bola de neve! E lá vou eu rolando, rolando, montanha abaixo, cada vez a ficar mais presa enquanto a bola aumenta de volume. E diz que a coisa só se resolve quando chegar ao sopé da dita e a bola se desfizer. Ou então se, no caminho, me espetar contra uma árvore ou entrar, inadvertidamente, numa casa em chamas e a neve derreter, sei lá. Enquanto isso, lá vou rolando, rolando e engolindo pirolitos... ou flocos, não sei bem o que se aplica neste caso.

O meu carro é uma dessas pendências. Temos pena, coitadinho, velho e valente amigo, mas há que encarar com frontalidade: o meu "EU" (o carro, não o outro... ou se calhar também o outro...) já deu o que tinha a dar. Anda nas horas se assim lhe for solicitado mas tremelica por todos os lados, tipo cadeira de massagem para dar conta da celulite, e faz um barulho ensurdecedor! Por um lado, tenho sorte, como vivo perto do aeroporto os vizinhos não levam a mal porque acham que é um avião a descolar. O pior é que o barulho está lá mas o gajo não voa, o que até dava um certo jeito em determinadas circunstâncias. E também não elimina a celulite. Mas adiante.

Para além disso, bebe demais. Não sei se é assim desde o início da nossa relação e o amor impedia-me de ver, se com a idade está pior... o que é certo é que já começa a não haver dinheiro para lhe sustentar o vício! Volta e meia, e quando achava que ainda ia levar o seu tempo até voltar à bomba, lá dou por ele só a andar a vapores. Não há carteira que aguente. Tenho sorte que não me bate mas mesmo assim... não sou mulher de sustentar bêbedos!

Para rematar, e aqui a culpa não é dele, 'tadinho, há que assumir, ele anda... vá... quero ver se sou meiguinha... nojento!! Não é lavado há... err... muitos dias! E porquê? Porque quero lavar por dentro e por fora e, à excepção dos Mister não o quê que existem nos centros comerciais, não encontro uma alma caridosa que faça o serviço completo, salvo seja. Ora... sendo assim, não vou gastar uma pipa de massa para ficar brilhante por fora sendo que lá dentro continuam a formar-se comunidades de fauna diversa. Não faz sentido. E para aumentar um bocadinho mais a camada de porcaria, há a trampa dos folhetos de tudo e mais alguma coisa que me espetam nos vidros! (Sim, sim, esta é a minha mais nova guerra de estimação. Tenho algumas considerações a fazer sobre o tema, incluindo propostas de lei e devidas coimas/castigos corporais a quem não cumprir as regras mas isso fica para um outro post). Não há direito, passo a vida a guardá-los no porta luvas para não os deitar para o chão e, claro, nem sempre me lembro deles lá e o tempo vai passando e já se vê onde quero chegar.

Para piorar, houve um dia que decidi borrifar-me num determinado folheto que estava mesmo à frente do lugar do condutor (tudo planeado, claro está, pelas mentes brilhantes que distribuem aquela treta, para obrigar o desgraçado a pegar naquilo se quiser conduzir sem atropelar nenhuma velhinha) e deixei-o estar. E ele ali ficou. Choveu, fez sol, choveu outra vez e o danado, a dada altura, lá desapareceu. Mas, curiosamente, deixou marcas. O folheto era sobre uma clínica de próteses ali da zona e tinha uma senhora loura, muito sorridente, a anunciar as promoções. Ora, as intempéries fizeram das suas, a tinta manhosa do folheto também ajudou, o folheto saiu mas a senhora não! Fiquei portanto com a loura colada no vidro, meia de lado, a sorrir para mim!

Bom, mas isto tudo para dizer que há coisas da treta que atrapalham a vida por si só já complicada. São simples de resolver, não são nada demais, não são problemas graves. Mas chateiam. E eu ando numa fase que quero tudo menos que me chateiem.

De qualquer forma, e dado que de momento a minha cabeça não dá mesmo para mais, que se lixe! Assumo a bola de neve e cá continuo a rolar, a rolar sendo que tenho agora uma protésica (é assim que se diz?) para me acompanhar nas minhas viagens por essa montanha fora, sempre a olhar para mim... se formos a ver, podia ser muito pior!