quarta-feira, março 31, 2010

Frase do dia

"A coincidência é a forma que Deus tem de permanecer anónimo."
Albert Einstein

TOC e não foge

Dia de Maria, ajuda com a declaração de IRS "vês como se faz? É assim... bom, agora eu preencho o primeiro e depois preenches o resto, está bem?"

Está, está... 3584 campos depois... lá me vim eu embora. E agora falta o meu... vou ficar pró na matéria! Venham rendimentos de capitais, venham retenções na fonte, venham actos isolados, venham NIFs e códigos de campo, venham que eu dou conta de vocês todos!

Plágio

«As tempestades que assolam a vida não levam, trazem. São essas «tempestades» que nos devolvem a nós, que nos fazem sentar frente a frente connosco. Eu sei que ninguém quer «tempestades» na vida mas quando surgem são elas que nos levam na força dos ventos do regresso a nós próprios."

Constatação #13

Quando estamos rente ao chão e olhamos para cima, tudo nos parece maior do que realmente é.

terça-feira, março 30, 2010

Muita coisa ou coisa nenhuma

Um misto de alegria e tristeza. Alegria por eles, que me são queridos, que fazem parte do meu ser, tristeza por me sentir do lado de fora do vidro. Estranheza, sim, e desconforto. Mas é sempre assim das primeiras vezes, não é? As primeiras vezes são sempre estranhas, principalmente, as primeiras vezes do que não desejamos, do que é imposto (e, comigo, as imposições são sempre tão indigestas...). As primeiras vezes são mal encaradas, amargas, raspam ao passar por nós, como giz no quadro preto. São como uma peça de puzzle mal recortada, ainda com uma rigidez novinha em folha, sem uso, que não encaixa exactamente mas que tem que encaixar porque olhamos em volta, para a caixa das peças, e vemos que não há outra. Há que limar o cartão, moldá-la e fazê-la caber e, mesmo que a imagem que forma nos pareça afinal desformatada, temos que esperar que depois, no seu conjunto, tudo faça sentido. Um misto de felicidade e aperto no estômago, um misto de ganhos e perdas. Depois, bom, depois certamente tudo fica mais fácil. Porque as vezes seguintes seguem o seu caminho e deixam cair a capa da estranheza e passam a ser familiares, corriqueiras, nossas. Mesmo que não queiramos, passam a ser nossas. E nessa altura, olhamos para elas de frente, como velhas desconhecidas, como dizia a canção.

Cair, quebrar e abrir, sim, abrir para o que vem, abrir para deitar fora o que já não presta. O tal caminho pela floresta escura, onde temos medo de entrar mas de onde, tendo-se iniciado, já não se pode voltar. Acreditar que a escuridão traz luz, que temos que enfrentar as árvores sombrias para depois poder receber o que se esconde por trás delas. Que elas afinal não são assim tão escuras e tão grandes, que elas afinal ladeiam o caminho mas não o tapam e que nós, ao passar por elas, não vamos ser magoados mais do que é preciso.

E de novo os sonhos. Por mais que evite, enquanto a luz do sol me ilumina e me pinta de tonalidades novas, a noite traz de volta o resto, o que está ainda guardado, lembrando-me sempre que não adianta olhar para o outro lado e fingir, não adianta. O que ainda cá mora só se vai embora quando eu der de caras com ele, enfrentar, moer, reduzir a pó. Depois sim, sopra-se o que resta, limpa-se a casa.

Resistência, esbracejar contra a corrente. Ou deixar que a água nos leve. Nunca gostei que me levassem, sempre fiz questão de ser eu a indicar o caminho. Talvez esteja na altura de mudar e deixar-me ir...

segunda-feira, março 29, 2010

Pontuando

Perguntas-te novamente, o que mais falta. Perguntas-te e tentas prever, imaginar cenários, sentir na pele como se fosse real, sentir o que há a sentir, ferir, castigar se assim for preciso, para te habituares à dor, para que ela não te seja uma estranha, para que não te apanhe mais de surpresa. Antecipas e esperas, dando pontapés violentos às ilusões, domando a imaginação que voa sem regras, voa para além de ti, para mundos que não queres visitar, mundos onde já vivestes e sabes que te atrofiam a alma, te tiram o ar. Perguntas-te e respondes, sempre da forma mais crua, seca, fria e implacável, tu, no teu mais acérrimo combate. Perguntas-te e revês minuciosamente palavras, sentimentos, vozes, uma a uma, analisando tons, expressões, analisando ao mais ínfimo pormenor, reconstruindo cenas sem que falte uma única peça no cenário, sem que falte uma única linha do texto, uma única vírgula ou qualquer parte do subtexto. Revês tudo e perguntas-te: já te chega?, e de todas as vezes esperas convictamente que o coração acene a cabeça, sorria e acrescente o derradeiro ponto final.

domingo, março 28, 2010

As horas

Jantar à luz de velas, com um copo de vinho tinto a acompanhar tostinhas com salmão fumado, temperado com pimenta e limão. Era a Hora do Planeta e como houve atraso, para compensar, as velas mantiveram-se o resto da noite. O rádio que informa que afinal não são 2 mas 3, a hora que mudou sem que me tivesses avisado. O atraso de manhã e a combinação: fingimos que a hora ainda é a de ontem, ok? As horas de sol, pelas ruinhas e ruelas, as horas de conversa de quem só precisa falar. E a hora de as trazer para minha casa, as tuas notas, as notas que me foste dando sem saber, ou talvez sabendo, e que apenas esperavam a hora certa para se assumirem minhas e passarem a fazer parte do meu espaço, das minhas horas. A hora que estica a tarde e permite ler ao ar livre depois de um dia fora de mim. O meu momento meu, a minha hora, eu comigo, e eu mesmo eu, de livro grosso na mão, a receber o sol que se deita mais tarde, a partilhar a brisa que atravessa as árvores e que toca as páginas nas minhas mãos.

sexta-feira, março 26, 2010

Quanto mais me bates...?

Ai a minha vida... !

O duelo cortante deu-se. Durou quase duas horas, comigo em pé, sem nunca ter sido sugerido que me sentasse, e decorreu de porta aberta para quem quisesse ouvir. Cenário montado para me quebrar, julgo eu. Saí de lá com dor de cabeça porque, efectivamente, não quebrei como era pretendido. Duas horas a ripostar, a defender, a refilar, a justificar, a manter-me de pé, quase a perder as estribeiras muitas e muitas vezes, os dois a espumar de raiva, guerra de forças, ele a querer anular a minha e eu a fazer questão que isso não acontecesse... mas saí de cabeça erguida dizendo: sim, sei que temos que nos entender. E garanto-lhe que pode contar da minha parte com aquilo que sou. Vou protestar e refilar quando achar que devo, pode contar com isso, porque essa sou eu e não finjo ser outra pessoa. Da minha parte, comprometo-me a ser sempre sincera e directa.

Assim ficou e assim fiquei eu também a ver o que acontecia já esperando que, a partir dali, ele fizesse questão de tornar a minha vida (ainda) mais infernal.

Estranhamente, esta semana as coisas mudaram. Passei de pior inimiga, chata que só refila, que desafia a autoridade, insuportável como só ela para aquela a quem pede "para me desenrascares isto aqui, pode ser?", aquela com quem fala em privado por causa de erros dos outros que, na minha altura, eu não cometia e pede conselhos sobre como deve resolver o problema agora, aquela com quem tem à vontade para dizer "m****!" num discurso menos formal, aquela a quem pisca o olho ao passar no corredor, aquela a quem diz com um certo sorriso "Sim, eu entendo-te muito bem! Nós somos parecidos, sabes? Deve ser por isso que nos picamos tanto!".

A sério... eu não sei se isto é bom, eu não sei se eu quero isto... a sério... que raio é que fiz de errado?? Eu dei para trás, eu mantive-me de espinha dorsal bem recta e até, admito, consegui ser bastante inconveniente e arrogante com a "autoridade"! Caramba... será que isto afinal "dá pica" e eu não sabia?

Ai... credo... sai... xôôô, xôôô... imagem estranha e arrepiante! Arrgghh!

quinta-feira, março 25, 2010

Frase do dia

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, março 24, 2010

A ostracizada e a "oscarizada"

E pronto, pus a minha sala toda a rir por gozar alegremente com a cara de uma das presentes. E as gargalhadas aumentaram ainda mais de tom quando a visada, sem perceber pêvas do que se passava, começou a rir também.

Priceless
...

Podem mandar vir o Óscar para melhor artista de comédia, faz favor, que já mereço...!

Hemisférios

Jurei para nunca mais. Lembro-me como se fosse hoje embora pareça ter sido há uma eternidade. Jurei para nunca mais, vezes e vezes sem conta. Jurei para nunca mais e cumpri. Fui construindo os meus muros, construindo, tijolo a tijolo, e cerquei-me a toda a volta. Jurei para nunca mais e repeti essa palavras muitas e muitas vezes, para que formassem o meu eco, sempre a vibrar dentro das minhas paredes. E consegui de tal forma que o som dessa jura me envolveu e eu deixei de ouvir o que se passava lá fora. Por isso, não percebi que algo se aproximava. Não ouvi os murmúrios debaixo da terra que indicavam que ela ia começar a tremer. Não ouvi os avisos dos outros, não percebi que o planeta já se revolvia até ao momento em que me atingiu, até ao momento em que se começou a abrir o chão debaixo dos meus pés. Nessa altura, enquanto tentava escapar das fendas, vi o meu muro, aparentemente tão seguro, a ruir. Jurei para nunca mais, jurei em forma de tigolo e argamassa, jurei solidamente, pedra após pedra. Mas o muro caiu afinal, sem que eu esperasse, sem que eu tivesse tempo de reagir. Jurei para nunca mais e nessa altura percebi que as minhas juras cimentadas me tinham levado exactamente ao ponto de partida. Porque eram juras rígidas, duras, sem nada de maleável em si. Não eram, por isso, à prova de tremor. Jurei para nunca mais e enquanto as observava a cair por terra percebi que me tinha iludido, que elas me tinham enganado e que me fizeram acreditar numa rigidez positiva, protectora quando afinal era ela agora a minha maior inimiga. Jurei e agarrei-me ao juramento não vendo nada para além dele. Jurei e essa jura foi um erro, talvez o meu maior erro.

Agora, construo com calma uma outra estrutura. Numa espécie de ferro moldável, com uma rede de recinto de escolinha primária. Protejo-me mas sem perder o ar, cerco-me mas aberta para o lado de fora, para ouvir, para ver, para que haja entrada e saída de gente, partilha de emoções, energias, sentimentos, sensações de sol e vento. Estou mais exposta, sim, mas numa medida que me permite receber a luz do lado de lá, dar-lhe a mão e, ao mesmo tempo também, preparar-me para os ventos negros logo que surjam no horizonte.

Não, não juro que não caia e por isso não juro que não tenha que começar tudo outra vez. Mas juro, sim, que vou cuidar dela como cuido de mim, como algo mutável e vivo, que pode moldar-se às circunstâncias, que pode crescer e viver e mover-se nos dois lados do mundo.

terça-feira, março 23, 2010

Diz que disse que disse

A autora não sou eu nem a pessoa que me enviou mas sim uma terceira...

Sintonizar com quem interessa

Deve ser...

Encontro com um vizinho do prédio da minha mãe:

- Ah... bom dia, como está? É a filha da D. L., não é? Desculpe, não estava a reconhecer... está diferente, não sei... está mais gorda ou está mais magra?
- Errr... espero que mais magra...
- Pois, é... deve ser isso...

Preferências

- O dia em que deixares de te desiludir é o dia em que deixas de ter esperança, em que deixas de acreditar nas pessoas, no mundo. Queres mesmo chegar a esse dia?
- Quero. Prefiro não esperar nada de ninguém, nem mesmo de mim. Prefiro. Estou cansada de baldes de água fria. Chega. Se me for dado a escolher, escolho a descrença.

segunda-feira, março 22, 2010

Coloridos

Sim, sou eu, continuo a ser eu. Sempre acreditei, agora vejo. Sou eu, a renascer talvez, numa forma ligeiramente diferente mas eu, a mesma. No outro dia disseram-me "bem vinda de volta!". Sorri para mim mesma. Não foi a primeira vez que ouvi esta expressão mas foi, talvez, a primeira vez que a consegui reconhecer. Sou eu, com tudo de bom e tudo de mau, esperando que o bom seja ainda melhor, que o mau se tenha temperado, equilibrado e subsista apenas na medida da sua utilidade (sim, porque tenho que reconhecer que uma certa preversidade pode, de facto, ser muito útil) mas eu. Ainda não a 100%, ainda não totalmente de pé, de costas direitas e nariz empinado, mas eu. Vi nos olhos dos outros, amigos de todo o sempre, a fazer-me sentir em casa, a sentir-me como antes; vi na côr dos meses. Sim, eu pinto os meses e olhando para trás vejo de forma muito nítida a paleta da minha vida recente. Olhando para trás, vejo os primeiros tempos em cores suaves, alegres mas cortadas por rasgos violentos de vermelho sangue a embeber toda a tela. Período de emoções fortes, desalentos, agressividade. Depois, o vermelho a esbater-se, a dar lugar a um lilás. Lilás com restos de vermelhidão mas a roxear pelos dias com tons de azul. O azul escuro da tristeza que finalmente invade e se prolonga por muito tempo até chegar quase ao preto, ao expoente máximo de negritude. A partir daí suaviza, aos pouquinhos, muito devagar, tão devagar que parecia parado. Mas hoje vejo que foi esbatendo com o passar do tempo e deu origem a um determinado tom de rosa. É aí que estou agora. Num rosa velho, ainda meio manchado, ainda com laivos de preto, vermelho, azul, as cores de antes ainda na sua base. Mas rosa. E esse rosa, rosa velho como disse, fala-me de perdão, perdão a mim mesma e aos meus defeitos, fala-me de dar valor ao que realmente tem valor, fala-me de rigidez amaciada, de contornos mais suaves, de reconhecimento do que sou, de quem sou e o que mereço. Fala-me também de reconstrução, de mim e da forma como vejo o mundo e os outros. Fala-me de paz, a paz que quero e de segurança, crença na matéria de que sou feita.

Sou eu, sim, sou eu. E assumo-me e aceito-me e imponho-me à vida dessa mesma forma.

sábado, março 20, 2010

sexta-feira, março 19, 2010

quinta-feira, março 18, 2010

A Primavera chegou!

E como é que eu sei? Vi nas notícias? O calendário mostrou-me? As flores que começam a aparecer por todo o lado disseram-me? Os pássaros a cantarolar deram-me a dica? A roupa mais leve a querer saltar do armário fez-me pensar no assunto? Não. Soube pelo meu galo metereológico, adquirido em versão limitada "gata felpuda tricolor", que já não dorme a noite toda debaixo dos meus cobertores. Portanto, é oficial.

Infectada

E pronto, está provado, a irresponsabilidade é um vírus manhoso que, nesta minha geração, ataca mais depois dos 30. Não devia ser, não foi isso que os nossos pais e avós nos ensinaram e mostraram e esperaram de nós. Depois dos 30 (no caso deles, até muito antes) é quando a vida supostamente assenta e finalmente nos transformamos em adultos maduros, com a cabeça no lugar, que levam a sua vida direitinho pelo carreiro definido, que fazem o que deve ser feito.

Aposto que, na cartilha da maturidade, não está em capítulo nenhum ignorar o despertador vezes e vezes sem conta, finalmente desligá-lo (até porque os vizinhos do lado uma vez desesperaram e começaram a bater na parede porque já não o conseguiam ouvir), deixarmo-nos mimar pela gata fofa e sonolenta, voltar a "ferrar" como se não houvesse amanhã, acordar finalmente para perceber que são 9.30h e que já deviamos estar a entrar ao serviço e pensar "pois... estou atrasado... bastante atrasado... pois, devia estar em pânico, em stress, a correr de um lado para outro e não estou... pois... vou ficar aqui mais 5 minutos a pensar porque raio não me sinto preocupado com a questão... pode ser que chegue a alguma conclusão brilhante...".

E cheguei. Tomo droga a menos. Se tomasse mais, não perdia tempo a pensar e voltava-me para o outro lado. Sempre era mais útil.

quarta-feira, março 17, 2010

Pretuguês, à vontade do freguês!

"Opá, isto assim não pode ser! Sou sempre a última a saber destas coisas, sou uma autêntica corna!"

Olhe, desculpe... posso acrescentar imbecila?