Agora vejo, 3 semanas não são nada, é verdade... Para mim foram óptimas, preenchidíssimas e tiveram o condão de me fazer desligar de tudo o resto. Mas, para o "tudo o resto", 3 semanas passaram num instante e foram apenas mais 3 semanas, no meio de todas as outras. É triste mas é verdade. É triste ver como tudo está na mesma. E mais triste é sentir que não vai ser preciso muito tempo para me contaminar outra vez... assim de repente, bastou só uma manhã para já me fazer sentir que, decididamente!, não estive longe tempo suficiente. Irra!
não é dada pelos ponteiros do relógio nem pela posição do sol... simplesmente sente-se... quando, de repente, faz sentido.
segunda-feira, setembro 08, 2008
quinta-feira, agosto 14, 2008
Recta final
E pronto, consegui sobreviver e chegar ao último dia antes das férias sã e salva.
E as próximas três semanas prometem! Madrid e Saragoça já estão na calha e o resto... logo se verá! A intenção é não fazer nenhum, passear, apanhar sol, com mar ou rio à vista, comer bem e, principalmente, afastar da cabeça todo e qualquer pensamento relacionado com trabalho (tal como nos outros anos já até avisei que me recuso a atender telefonemas se desconfiar da origem... por isso nem tentem!).
E o tempo continua a correr aqui em baixo... está cada vez mais perto a hora de me declarar oficialmente de férias!
Até ao meu regresso!
terça-feira, agosto 12, 2008
segunda-feira, agosto 11, 2008
Leave the gun. Take the canolies.*
Um jornal de referência da nossa praça diz "Proprietário de barco-táxi mata sobrinho a tiro". Outro jornal, de igual peso, conta que "Homem mata primo em guerra de barcos-táxi".
Portanto... ou a zona de Olhão tem muitas famílias, de candeias às avessas, proprietárias de barcos-táxi; ou o sobrinho é simultaneamente primo; ou o fulano em questão, homem prático e objectivo, resolveu limpar o sebo a dois concorrentes de uma só vez!
Seja como for é uma espécie de Camorra, não? A Camorra de Olhão... grupos rivais a querer dominar o negócio dos barcos-táxi... e depois disto, o que vem? A luta pelo domínio da apanha da conquilha?!?
* The Godfather
sexta-feira, agosto 08, 2008
Resumo
Fogo em Saragoça. Assalto e sequestro num banco. A polícia portuguesa a mostrar que não é para brincadeiras. Explosão e feridos no Minho. O preço dos combustíveis, diz que vai descer. Sudoeste. Mosquito da dengue na Madeira. O espaço aéreo por cima da casa de férias do Presidente. Abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. Paquete avariado à entrada da barra de Lisboa.
E assim começa o fim de semana.
quinta-feira, agosto 07, 2008
Não é defeito, é feitio!
Conversa breve com superior hierárquica que supostamente coordena:
- T. (inha)! Tenho uma novidade! Acabei de ser informada que já subi de escalão para assessora! Não é o máximo?
- É para quem pode...
Muito bem... controla-te... respira... não te enerves... não respondas mais do que isto, não vale a pena.
Ela não percebe que é uma provocação. Não tem inteligência suficiente e é demasiado egocêntrica para isso. Ela não percebe que é ultrajante para quem sabe que trabalha muito, mas muito mais que ela; para quem, por ex., cumpre horários e a vê, sistematicamente, a chegar tarde, a sair cedo; para quem dá o litro e a vê apenas arrastar o rabo pelas cadeiras, enquanto dá risinhos estúpidos pelo corredor fora, quando encontra alguém que lhe interessa agradar. Ela não consegue olhar para além do seu umbigo e ver que, de todas as pessoas que aqui estão, ela é a que merece menos. Ela só quer falar da sua boa sorte não passando por aquela cabeça de atum que ninguém a quer ouvir! Ela não tem culpa, é verdade, é o sistema... mas, tenha santa paciência!, pare de esfregar nas trombas dos outros que a incompetência compensa!
Pois é... ouvi dizer que havia aí um trabalhinho para ser feito pelas duas... pois, parece que a Sra. superior hierárquica que supostamente coordena/agora também assessora vai ter que por mãos à obra sozinha. Afinal de contas, ganha para isso...!
quarta-feira, agosto 06, 2008
segunda-feira, agosto 04, 2008
Pasmaceira
No minuto em que se virou a página do calendário e Agosto entrou nas nossas vidas, o país mudou. Trouxe os emigrantes de volta à terrinha e levou os lisboetas para parte incerta. O termómetro disparou. Os lugares de estacionamento parecem multiplicar-se, grande parte das lojas e restaurantes resolveram fechar as portas e as esplanadas estão quase vazias.
O meu telefone ainda só tocou duas vezes e até os emails de spam parecem ter resolvido ir a banhos. Os corredores desta distinta entidade patronal pertencem às moscas e todo o edifício parece derreter sob o sol que teima em nos lembrar que é Verão e que não devíamos estar aqui.
Há quem diga que gosta de trabalhar em Agosto porque é mais sossegado, é bom para tratar de coisas para as quais não se tem tempo durante o ano, não se apanha trânsito, há sempre lugar e mais não sei o quê. É tudo verdade.
Mas, sejamos sinceros, quem é consegue fazer alguma coisa de jeito sabendo que há quem esteja, neste momento, a chapinhar no mar ou a partilhar uma sardinhada ou a meter-se num avião para algures ou simplesmente a dormir a sesta à sombra de um pinheiro qualquer não tendo que se incomodar com mais nada a não ser afastar um mosquito ou outro ??
quinta-feira, julho 31, 2008
Porte-monnaie, purse, monedero... e em português "póchete"!

Será uma coisa tipicamente portuguesa? Será que o hábito de levar a "póchete" debaixo do braço quando se vai "só aqui" à mercearia ou "ali a baixo" ao bar se nos está entranhado nos genes lusos?
Será que não sabe ao mesmo levar a dita, sei lá... na mão?
E não será desvirtuar todo o conceito quando a coisa é feita sem chinela e bata as flores a compor o ramalhete?? Se assim for, que me perdoem os puristas! (esta moça não sabe o que faz, tadinha...)
Eu cá acho uma delícia...
quarta-feira, julho 30, 2008
Óleos
Porque as pessoas têm que deixar de olhar apenas para o seu umbigo.
Porque este planeta é a nossa casa, não temos outra.
Porque chega de ignorância, estupidez, egoísmo, burrice!
Porque toca a todos, tem que tocar.
Porque... sim!
Campanha de Reciclagem de Óleos Alimentares Usados
Colabore. Faça por si, faça por nós.
Ou, pelo menos, não atrapalhe!
Porque este planeta é a nossa casa, não temos outra.
Porque chega de ignorância, estupidez, egoísmo, burrice!
Porque toca a todos, tem que tocar.
Porque... sim!
Campanha de Reciclagem de Óleos Alimentares Usados
Colabore. Faça por si, faça por nós.
Ou, pelo menos, não atrapalhe!
terça-feira, julho 29, 2008
O Preço Certo... para mim!
Ontem, ao fazer zapping, dei de caras com o Preço Certo e resolvi ficar um bocado a assistir. Adoro ver o entusiasmo das pessoas quando são chamadas para adivinhar, em competição com mais três, quanto custam uns óculos de sol. É ver as famílias a ajudar, a atirar preços ao ar para se encontrar o valor mais aproximado que dá direito depois a poder jogar, junto do Sr. Fernando Mendes, ao um jogo maior onde se podem ganhar desumificadores e coisas assim. E ganhando esse vai-se à roda! E ganhando a roda, vai-se à montra final, recheada de prémios que vão desde a sanduicheira ao carro, passando pelo leitor de dvd, pelo aspirador de mão e pelo sofá reclinável. É o máximo!
Mas o meu verdadeiro interesse no programa é tentar jogar. É que eu sou uma criatura estranha no que diz respeito a valores... custa-me dar valores às coisas, custa-me definir o "caro" e o "barato". Para mim são conceitos muitos subjectivos, que dependem de muita coisa.
Por exemplo: se eu estivesse no Preço Certo e me pedissem para adivinhar o preço de um ferro de engomar eu não sei bem o que diria. E porquê? Porque depende! Há várias questões a ser respondidas antes para se definir um preço! Tenho que definir quanto vale o ferro... para mim! Esse é o "meu" preço. E é aqui que bate o ponto que me diferencia de todos os outros seres humanos, julgo eu, mas que demonstra a minha inteligência claramente superior! Não interessa quanto é que está marcado, quanto é que a maioria das pessoas acha que vale, o valor das diferentes peças que o compõem ou a marca, não! O que me interessa é quanto vale para mim!
Só que para responder a essa questão, é preciso encontrar resposta para muitas outras antes...
Portanto, estando lá no programa e para decidir um valor, tinha que imaginar que ia comprar o dito ferro e tinha que pensar: é essencial para mim nesta altura da minha vida? eu preciso/quero um ferro novo? quero gastar muito dinheiro com um ferro agora? que extras é que o ferro tem? são necessários? em que é que quero gastar dinheiro agora sem ser no ferro? o que é prioritário?
Ora... é capaz de ser difícil fazer este exercício no programa. Vamos imaginar que eu lá ia passando as provas... o tempo que demorava em cada uma dava com a produção em doida! O público aos gritos, a atirar preços, eu sem perceber como é que eles chegavam àquelas conclusões, a perguntar, a tentar perceber o que os levava a dizer 100€ e ou 150€ quando para mim não valia mais que 25€...
Daí também não conseguir definir facilmente o "barato" e o "caro". Depende! Vale? (responder a todas as perguntas anteriores) Apetece-me gastar esse dinheiro neste momento?? (pois... aqui depende do humor...).
E se eu chegasse à montra final? Aí nem quero imaginar! Como é que eu ia conseguir avaliar o preço de um toalheiro térmico se não o quero para nada? Ou de um aparador de relva se eu não tenho relva para aparar? Como avaliar quanto vale o secador de cabelo se o que eu tenho actualmente é tão bom? E a geleira e o bico de gás, quando eu não faço campismo?
Ser genial pode ser muito complicado...
segunda-feira, julho 28, 2008
Fui eu, sim Meritíssimo, fui eu...
Eu sei que a hipocondria é uma doença, uma perturbação psiquiátrica, como lhe queiram chamar, eu sei. E é algo que o indivíduo afectado não controla sofrendo verdadeiramente com as mil doenças que imagina ter. Eu sei... mas é uma doença das mais irritantes que eu conheço!
Vejamos então:
O hipocondríaco vê doenças em todo o lado. Mas não só. Também faz questão de as partilhar. Portanto, gosta que os outros também as vejam! Eu já tentei explicar que não há necessidade... que não quero, não me interessa saber mas não tenho tido muita sorte. Tenho tido, isso sim!, oportunidade de entrar a fundo no mundo dos sintomas, dos fluídos corporais da mais variada espécie, dos princípios activos, dos nomes de medicamentos, especialidades, maleitas várias, da pessoa em questão e família toda, incluindo animal de estimação.
Outra coisa altamente irritante é armarem-se em especialistas da coisa. Se alguém se queixa, vem logo o indivíduo dizer para tomar o "Fenogantixuvit" não sei quantos miligramas, uma colher de chá ao almoço e ao jantar, que isso passa, eu também já tive e foi assim que resolvi. Ou meter-se logo na conversa quando alguém comenta o que está a tomar dizendo "Está a fazer o quê? O "Xinecontrasona"? Ai, eu também já fiz isso, quando tive uma dor assim e um arrepio assado e foi uma maravilha". É altamente irritante, não podem dizer que não!
Ainda na onda do especialista na matéria, vem outro pequeno pormenor... falar dos médicos tratando-os pelos nomes dando ali a entender uma relação de proximidade para além do normal... "Já marquei para o Dr. A. dos Santos B." ou "liguei logo para a Dra. Maria Silva Silvinha". A sério... quem é esta gente?? Para que raio quero eu saber o nome das criaturas? O que é que isso me acrescenta? Mais! Como é que eu sei, pelo nome dos ditos, de que especialidade estão a falar? Só se, por acaso, for meu médico também! Qual é o mal em dizer "marquei para o meu cardiologista"?! Ou "liguei para a pediatra"?? Qual é a intenção? Gritar aos 4 ventos que se é íntimo do senhor doutor ou fazer os outros sentirem-se mal porque não conhecem a suposta sumidade?
E... o mais irritante de tudo a meu ver... é o facto de o hipocondríaco ser selectivo! Consegue ver em si sintomas de males variados menos daquele que até dava mais jeito que é, justamente, a hipocondria! É que era uma maravilha! Acordava um dia a sentir que tinha a doença a atacar-lhe todos os músculos e todos os nervos e ia a correr para um psiquiatra! Ouro sobre azul... mas não... esse mal ele não vê... e isso irrita profundamente... vai-se a compaixão toda pelo doente, convenhamos!
Portanto, o que fazer quando se tem que conviver com um chato destes quase diariamente? Como sobreviver ao massacre das dosagens, das borbulhas suspeitas e dos refluxos sem ir parar à cadeia? Agradeço a quem tiver a solução que me comunique ou os meus amigos, um dia destes, vão ter que me ir visitar às Mónicas...
sexta-feira, julho 25, 2008
Amiguinho...
- Epá, ontem passei-me com a tua coordenadora. Ela é uma nódoa! Pediu-me ajuda por causa de uma imagem. A confusão que vai naquele computador...!
O desktop é uma selva, devem lá viver coisas que ela nem imagina; trabalha com não sei quantos documentos abertos ao mesmo tempo, às vezes o mesmo documento aberto 3 vezes, deve-se esquecer que o minimizou, e não sei sinceramente como faz para gravar alterações; não faz atalhos de nada por isso, para aceder a alguma coisa na rede, dá vinte cliques para lá chegar porque começa sempre no "Iniciar", "O meu computador" e por aí fora... Depois de fazer alterações, fecha tudo e quando tem que voltar ao documento, tem que dar outra vez os vinte cliques. Fez isso p'raí umas 3 vezes, eu até decorei o caminho! Que seca!
- Pois... acredito...!
- A sorte é que no final daquilo tudo lá me disse "não se preocupe, se eu tiver mais problemas peço ajuda à T. (inha)"... e eu achei muito bem! ;)
- Grunf...!
Lapíz azul...? Lápis asul...?
Foi-me atribuída a missão de rever os textos de uma pequena publicação interna que temos aqui na chafarica. Essa responsabilidade caiu-me em cima, formalmente, há relativamente pouco tempo, julgo que por três razões essenciais: alguns consideram que tenho a "mania" do português, alguns reconhecem que precisam de revisão e, calha bem!, eu até já o fazia antes, mesmo que informalmente.
Mas essa situação acabava por me trazer alguns problemas. É complicado dizer a um adulto, com formação superior, que não se percebe como é que ele sequer passou de ano na 4ª classe... é chato... É difícil dizer a alguém que o texto que levou 1 hora a fazer, com tanto cuidado e empenho, não tem ponta por onde se lhe pegue... é aborrecido... E também é chato deixar ir para a frente uma publicação, para ser lida por todos os funcionários, com erros de bradar aos céus! Simplesmente, não dá. Enfim, era uma situação muito difícil de gerir que não me chegava a tirar o sono mas que fazia o meu estômago ressentir-se.
Agora não! Cabe a mim, oficialmente, dar conta dos textos o que significa poder fazer tudo o que escrevi antes mas com legitimidade para tal! Sinto-me uma criança no mundo encantado dos brinquedos...!
Claro que me esforço para não ser... digamos... directa demais. Tento levar a coisa com sorrisos, piadolas e tal, e os textos são, regra geral, publicados como eu quero. Mas há dias em que, confesso, nem sei que faça... tanta asneira acaba por me bloquear, tipo computador. O chorrilho de erros é de tal ordem que faz qualquer sistema dar o berro! E sendo que os textos são feitos em Word, mais incompreensível é! Aquela gaita tem corrector automático, valham-me os deuses!! Para alguma coisa há-de servir, não?
Só para ilustrar, deixo aqui alguns exemplos:
O Mal Amado dos vinhos Portugueses
(Isto é um título... alguém me consegue explicar porque há palavras a começar com maiúsculas para além da primeira? E já agora, qual foi o critério? Porque é que algumas não tiveram direito a brinde?)
... consumir-se cada vez mais no verão em detrimento...
(Ninguém aprendeu que as estações do ano se escrevem com maiúsculas? A sério que não?)
Gormet ou Gromet
(Pronto... esta tem desculpa... é francês! Não se pode pedir que sejam poliglotas!)
... o departamento financeiro, adquiriu a aplicação...
(O departamento financeiro... pausa para respirar porque é uma frase muito longa e por isso se utiliza a vírgula... adquiriu... ufa, isto é muito cansativo! Acho que precisa de outra vírgula algures...)
Esta prova é constituída por 3 divisões com 8 equipas cada, em que descem as duas últimas e sobem as duas primeiras de cada divisão.
(errr... repete lá?)
... uma situação que ateima em repetir-se...
("ateima", do verbo ateimar. Eu ateimo, tu ateimas, ele ateima... )
quarta-feira, julho 23, 2008
A menina quer dançar?
Ontem à noite, dando uma volta pela minha rua, o cheiro de noite de Verão trouxe-me à memória alguns Verões passados na "santa terrinha".
Era uma excitação! Na "santa terrinha" tinha a liberdade que não tinha aqui e um grupo de amigos que, de ano para ano, se tornava maior. Saía todas as noites, com os meus All Star azul claro e blusão de ganga atado à cintura, preparada para só voltar a casa bem tarde, apesar de ter marcadas horas para chegar. Mas não importava. Contava que o facto de estar num sítio pequeno, onde toda a gente se parecia conhecer, descansasse os meus pais e tornasse o seu sono mais pesado. E a verdade é que assim era.
Muitas vezes não havia nada de especial para fazer. Dávamos umas voltas pelos cafés a ver quem de conhecido se encontrava, bebíamos umas imperiais ("finos" por aquelas bandas), jogávamos snooker, matraquilhos ou Tetris e sentavámo-nos no jardim à conversa até às tantas.
Nos dias das festas da vila, o programa era mais completo: fogo de artifício, música (regra geral pimba, como convém), mais imperiais, barraquinhas de comida (com o melhor caldo verde do mundo!) e oportunidade única para rir a observar o que acontecia no dancing...! O dancing não era mais que um estrado de madeira, com uma cerca enfeitada com as mesmas flores de papel que enfeitavam as ruas nos dias de festa. E era a "pista de dança"! Era lindo ver os casalinhos de namorados a dançar, com as mães, de tocaia, penduradas na cerca do lado de fora, zelando para que não houvesse abusos e tudo corresse na maior das decências. Era genial ver as meninas encostadas do lado de dentro, à espera que alguém as convidasse para dançar, com as mães, claro, que iriam aprovar ou não os supostos pretendentes. Para mim, adolescente da cidade, era como se estivesse a entrar num outro mundo. No mundo da adolescência da minha mãe, talvez! Ali sim, via e entendia o que queriam dizer quando se referiam ao "atraso" no interior do país. As mentalidades ainda pareciam de outro século. Era um divertimento!
Muitas vezes me pergunto como me divertia tanto com coisas tão simples. Hoje em dia sou muito mais exigente... mas nem por isso me divirto mais. O que mudou em mim para além do óbvio?
A resposta é simples e ficou clara na minha cabeça ontem, enquanto apreciava a noite quente: eu aproveitava o momento! Vivia-o, verdadeiramente! Não interessava o que ia fazer no dia a seguir, não interessava que, inevitavelmente, as férias tivessem que acabar, não pensava nas aulas do ano lectivo que ia começar, ou nas notas que iria ter, ou nos objectivos para o futuro. Não! Simplesmente vivia aquele momento, vivia o presente, aproveitava-o ao máximo sem pensar em mais nada. E por isso ele me sabia melhor que tudo mesmo que não fosse nada de especial! Para mim, o importante era cada dia, cada noite, mesmo que visse sempre as mesmas caras, mesmo que perdesse pela milésima vez nos matraquilhos, que já conhecesse de cor todos os níveis do Tetris ou que me ficasse a doer o rabo de estar tanto tempo sentada nas escadarias do tribunal, sem fazer nada a não ser conversar. Vivia-o, aproveitava-o, saboreava-o com tudo o que tinha, de bom e de mau, e com isso estava, sem saber, a gravá-lo na memória.
Carpe diem, como dizia o outro. E olhem que ele tem razão... faz toda a diferença.
segunda-feira, julho 21, 2008
Zen
Estou com saudades de fazer acupunctura. Não importando o objectivo, tenho saudades do percurso... cheiro a velas de baunilha, música de fundo, cores claras e limpas, temperatura aconchegante, 20 minutos comigo, só comigo, a pensar no que me apetece, a relaxar.
Ao longo da minha ainda curta existência fui compreendendo a importância do relaxamento, do "me time" interior, do contacto comigo. A acupunctura, e depois os cursos de teatro, ensinaram-me muito a esse respeito. Aprendi a sonhar sem estar a dormir e sem estar acordada. Aprendi a pousar a cabeça e a deixar-me levar, para onde a minha mente entendesse. Fiz viagens, vi lugares, conheci e revi pessoas, senti luz a invadir-me, centímetro a centímetro, a luz azul. Aprendi a isolar sensações e a explorá-las. Aprendi a entrar num mundo que sempre foi meu mas que nunca tinha conhecido verdadeiramente. Ainda tenho muito que evoluir neste campo, as minhas capacidades de concentração ainda são ridículas, mas já consigo conceber passar tempo comigo própria, ouvindo a minha voz interior sem considerar que poderia estar a fazer qualquer outra coisa, mais prática, mais terrena.
E é disso que sinto falta. De me disponibilizar a reservar um pouco do meu dia para acalmar o turbilhão frenético que é a minha cabeça, para pôr na ordem os milhentos carneiros impossíveis de contar porque nunca pulam a cerca como eu quero, nem à mesma velocidade, e às vezes saltam aos pares, e não são todos da mesma cor, e têm cadências diferentes, e há grandes e há pequenos... é uma azáfama!
Decididamente, ando a precisar de acordar o que há de zen em mim...
sexta-feira, julho 18, 2008
De mãos dadas
Dói-me ver-te assim, sem ânimo, sem forças. E pedes-me, com os olhos suplicantes, que me ponha na tua pele, que sinta as tuas dores para te dizer o caminho. Não posso. Não sei. Procuras desesperadamente, em qualquer lugar, esperas que em cada esquina a resposta apareça. A certeza faz-se sentir, lá no teu íntimo, mas mais ninguém a vê. Corrói-te por dentro, faz de ti quem não és, faz-te viver aquilo em que não acreditas.
E os olhos suplicantes continuam a olhar para mim... não posso, não sei! Mas estou aqui e acompanho-te, seja qual for a tua viagem.
quinta-feira, julho 17, 2008
Guerra santa!
Eu não sou propriamente um exemplo de candura. Tenho o meu feitio e quem me conhece e já me viu virada do avesso percebe a que me refiro. Também tenho o meu quê de egoísta, de chata, de mimada, de insuportável como toda a gente. E há dias melhores e dias piores. Mas também sou bastante civilizada e acredito e subscrevo a máxima de que "a nossa liberdade vai até onde começa a liberdade do outro". Se nunca me "estiquei"? Claro que sim! Umas vezes sem dar conta, outras vezes porque venceu a irracionalidade. Mas tento, esforço-me para, em convívio com outros, respeitar a liberdade e os direitos de cada um.
Quando temos que conviver e partilhar o mesmo espaço com outras pessoas numa base diária esse cuidado deve ser redobrado, penso eu. Nem sempre corre tudo bem mas posso-me gabar de até ter um relacionamente simpático com aqueles que têm que me aturar sem ter tido qualquer voto na matéria.
Sociologicamente, parece-me interessante pensar nas conclusões que se consegue tirar da convivência diária com alguém que nos é imposto. À medida que o tempo vai passando, as pessoas vão ganhando confiança, à vontade e vão pondo um pouco de lado a carapaça que as protege e mostrando o que são, individualmente e inseridas num grupo.
E há sempre pessoas que se destacam e nem sempre pelas melhores razões. Existem sempre as "ovelhas ronhosas"... Pessoas sem limites, que acham que podem tudo sem ter em consideração a opinião dos outros. Pessoas, na minha opinião, que levaram poucos estalos na cara quando eram pequenas e que agora se sentem donas e senhoras do universo, pondo sempre os seus interesses à frente, independentemente de quem pisam pelo caminho!
Partilho a sala com uma pessoa assim e quase não há dia nenhum em que a dita criatura não se "engalfinhe" com algum dos outros colegas. O fulano quer ter a porta aberta da sala para ver quando passa o chefe e por isso embirra com quem, já a arfar com calor!, lhe diga para a fechar por causa do ar condicionado; decide que durante duas horas não vai atender o telefone mas não avisa ninguém, não põe em silêncio e fica muito espantado quando alguém desesperado protesta por causa do barulho; acha que não tem que controlar o volume do riso ( que, em condições normais, se ouve no corredor todo e que até se nos entra pelo tímpanos a dentro!) porque é assim que ri e pronto; acha que tem sempre razão, seja lá qual for o assunto, e acha sempre que todos têm que parar para o ouvir. Enfim, é uma criança malcriada em ponto grande.
Ora, custa-me imenso perceber que há uma ideia generalizada de que este tipo de gente é que se dá bem na vida. Será mesmo? O egoísmo, a falta de respeito, a arrogância, a falta de sensibilidade são, de facto, os grandes motores do sucesso?
Custa-me a engolir, confesso, e mais do que isso, custa-me aturar!
Por isso, assumo já aqui uma tomada de posição que não é nova mas que quero reafirmar: por mim o tipo não passa! Eu não sei o que ele quer da vida e, sinceramente, não me interessa, mas assumo cada vez mais a postura de não me deixar pisar, não me deixar passar para trás, não me submeter, não tolerar que ultrapasse os limites da sua liberdade implicando com a minha! O bem tem que vencer, meus amigos! Senão este mundo está perdido! Por isso, no que toca a mim, não vou ter qualquer tipo de problema em lhe dar os "puxões de orelhas" que os paizinhos deviam ter dado e de me impor, enfrentar, com vontade, energia, ranger de dentes e o que mais for preciso para ser respeitada e para por este tipo de gente no seu devido lugar! Para mau feitio... mau feitio e meio!! E tenho dito!
(Um "à parte"... será que o título deste post passa pelo pente fino da CIA? Será que é o suficiente para vir a ser colocada na lista negra dos bombistas mais procurados e um dia destes ver barrada a minha saída do país nem que seja só para ir a banhos a Benidorm????)
quarta-feira, julho 16, 2008
Amigo falando da filha de 8 anos
- Se ela puder deixar os trabalhos de casa para o dia seguinte, é o que faz. Assim se vê que o "português" é "português" desde que nasce...
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