A fazer amigos desde 1975...
não é dada pelos ponteiros do relógio nem pela posição do sol... simplesmente sente-se... quando, de repente, faz sentido.
terça-feira, maio 04, 2021
quarta-feira, março 17, 2021
segunda-feira, fevereiro 08, 2021
sexta-feira, janeiro 29, 2021
terça-feira, dezembro 29, 2020
Expiação
Já demos a volta ao mundo que é a minha cabeça. E embora não nos tenhamos detido em todos os seus recantos o mesmo número de conversas, é justo considerar que já estamos perante um retrato bastante fiel das minhas viagens até este ponto. Mas sentia que, em cantos recônditos, adormecidos entre pedras de uma qualquer cascata do meu planeta interior - daqueles que vemos nos filmes, que existem por trás da queda de água e onde só chega quem não teme não ver tudo às claras - permaneciam intocados alguns nós que, de quando a quando, se sentiam sob a pele. São nós antigos, não necessariamente com relação uns com os outros mas claras opções de esquecimento até ao dia em que não fosse mais possível esquecer.
De há uns tempos para cá, e talvez por não sobrar muito a requerer remédio ao de cima, têm-se chegado à frente e feito por me recordar que existem. E, mais do que existirem, que magoam, ainda magoam, e talvez que nunca possam não magoar. Isto é, enquanto não forem desatados ou, pelo menos, afrouxados.
Convenceram-me, tinha chegado a hora. E, de forma estudada, organizei-os cronologicamente e resolvi-me a abordá-los. Sentámos-nos frente a frente, copo de vinho tinto na mão, respirei fundo e mergulhei no tempo até ao seu tempo, até aos primórdios da sua história, o quê, o quando, o como, até ao que são ainda para mim. Chamei-lhes "culpas" e tenho vindo a dissecá-las como boa cristã que se calhar até quero ser.
O que notei primeiro foi a clareza com que me ocorreram pormenores que julgava já ter esquecido ou, tão pouco, nunca ter fixado, o que acabou por torná-los vívidos em mim de uma forma pouco ortodoxa. Por vezes, juro que me assustei com a sua definição tão demarcada mas tão pouco própria do que o tempo já devia ter corroído, deformado, amarelado. Dei por mim a ter que parar por vezes uns segundos para então os conseguir encaixar na narrativa pré preparada enquanto fechava a boca aberta de surpresa: "Nunca mais me tinha lembrado disto...".
Mas avancei, conta a conta, desfiando os seus rosários. Tinha que lá ir, tocar-lhes, de dedo espetado onde doesse mais, de dedo espetado que acusa, e falar-lhes em voz alta, falar-me em voz alta. Sem subterfúgios. A realidade como foi e como é, as culpas escancaradas sem nada que lhe tapasse as partes pudendas.
Encontrei-me de novo comigo, com eus que até já me tinha esquecido que uma vez existiram. Vi-me a cara, as expressões, de ilusão nos olhos, a ingenuidade, a santa ingenuidade. Vi-me coitada, pequena, nada preparada para lidar com o que me aparecia pela frente, cheia de certezas que fui buscar a lugar nenhum. Vi-me a querer fazer bem, melhor, mais, a tentar seguir em frente e a tropeçar nos meus próprios pés. Vi-me demasiado nova a braços com pesos pesados de gente grande e demasiado velha para poder voltar atrás. Vi-me a magoar, a fazer sofrer e vi-me a tentar salvar-me de submergir. E reconheci as dores que daí advieram e que se deixaram ficar comigo até agora.
Culpa. Há lá coisa mais católica apostólica romana...
Não foi tudo de uma vez. O que achava que relatava em três pernadas acabou por levar um pouco mais, cada pormenor puxando pela mão do outro, cada pedra removida a revelar mais qualquer detalhe que afinal ainda por lá andava e que ajudava a compor o ramalhete, mas lá repassei as cenas e ordenei em fila os acusados para que se expusessem de uma vez e de uma vez se oferecessem à expiação. Sem julgamento, que esse eu já tinha feito há muito.
Não foi tudo de uma vez mas o sopro com que me apercebi do quão simples era desmontar as minhas acusações quase de uma vez só me deitou ao chão. Ali estava eu, corpo em apneia, oferenda às balas, pronta para receber os merecidos castigos, quando sou obrigada a descer do alto da minha responsabilidade, arraigadamente e religiosamente assumida, e a ver-me tão somente inocente. Tão somente... um pequeno pormenor, um simples substantivo foi o suficiente para, em poucos segundos, se desmontarem anos de laborioso investimento na construção dos megaprocessos contra a minha própria pessoa: intenção. A culpa só o é de verdade quando tem por base acto com intenção. E, a bem da verdade, dessa intenção eu nunca sofri...
Ali e assim fiquei eu, desconcertada, aparvalhada, a sentir uma leveza que me desconjuntava de tão habituada que estava ao peso nos ombros. Ali fiquei, sem perceber muito bem como me interpretar e como me definir agora. Agora que já não era culpada, agora que afinal não tinha nada para expiar... quem era aquela que agora era eu..?
Não vou dizer que renasci. Não vou dizer porque ninguém renasce três vezes e eu, seguramente, já renasci duas. Mas talvez me tenha renovado. Continuo a pedir desculpas quando adormeço porque não deixo de sentir o lamento por quem por mim se doeu mas sou agora dona de uma paz que não conhecia.
E, tenho que dizer, é uma paz nova, que se me encaixa bem...
quarta-feira, novembro 18, 2020
Perfil
“Travel is fatal to prejudice, bigotry, and narrow-mindedness, and many of our people need it sorely on these accounts. Broad, wholesome, charitable views of men and things cannot be acquired by vegetating in one little corner of the earth all one's lifetime.”
Mark Twain
quarta-feira, outubro 14, 2020
"Parabéns! Olha, estava aqui e, de repente, vi no jornal que fazias anos hoje...!"
Há pessoas que não nos fazem falta logo que partem. No nosso íntimo, continuam lá, como sempre, no nosso íntimo poderemos sempre pegar no telefone e ouvi-los do outro lado. Até ao dia em que o fazemos, de facto. Até ao dia em que ninguém diz nada da outra ponta da linha, até ao dia em que, ao contar cadeiras para o almoço de família, nos damos conta que teremos que pôr menos uma à mesa. Mas não é logo. Uma vida inteira de presença não se esvai de um momento para o outro. As memórias de uma vida inteira continuam a ser presente, a fazer parte, até ao dia em que a presença não acontece, até ao dia das cadeiras...
As cerimónias dão-se, as flores oferecem-se, as viagens fazem-se, as liturgias ouvem-se mas algo cá dentro se recusa a integrar o que vê. Assiste mas não sente. Há-de chegar o momento...
quinta-feira, setembro 24, 2020
quarta-feira, julho 22, 2020
Das maravilhas que se encontram por acaso...
Vêm com a sua charanga salvar-nos de nós próprios, amigos, amantes, parentes, para não falar nas esposas.
Toda a gente nos quer dar esmola.
Só ninguém nos quer nus,
só ninguém percebe que uma só coisa nos podem dar realmente, é olharem para a nossa alma nua e dizer:
- Está bem, assim seja.
Então seria o amor"
Adolfo Casais Monteiro
Estrangeiro Definitivo
1961
sábado, julho 18, 2020
C.P.F. ou não há coincidências...
A mais nova de nós herdou a memória que faltou aos outros três e passou a história à sua prole: letra, música, tudo. E hoje, justamente hoje, as almas mais pequenas de agora passaram-na para o papel...
"Uma tenda, uma bandeira
E as férias vão começar
Somos primos na brincadeira
Todos têm que alinhar.
2x
Ninguém se balda,
Ninguém é chefe
Todos trabalham
No C.P.F."
quarta-feira, junho 10, 2020
terça-feira, junho 09, 2020
Perfil
“She was done battling with herself, trying to change who she knew herself to be. She was Done."
She’s a bitch with a conscience who is learning to stop apologizing her sanity away. Because she used to be an oh-so-apologetic, “sorry for not being a good little girl,” kind of woman. And, sometimes, she still gets a reflexive and self-protective amnesia when the good girl hijacks the inner bad bitch and pulls her through a backdraft of primal fears. Sometimes, her traumatized and punishment-expecting body reacts to her power with shame, self-sacrifice, and other somatically stored reflexes of subjugation. It’s just that her inner bitch finally woke up out of self-preservation, and she has had more than enough oppression for lifetimes. Because all the bad bitches in her ancestral line finally have a forum for their dissent, and they are as loud as a chorus of Furies.
The truth is also that the good little girl within her is still alive, even as she fights her well-conditioned death through her inevitable growth. She watches in terror as we defend ourselves, speak our truth, or are brave enough to stand up and out in a world that confuses assimilation with success. Because she is learning how to become a good woman, and the world often tells her that’s just not safe.
She swoops in with judgments and shame to rescue us from the risk that non-compliance represents to our actual well-being. In a world that was only just waking up from the oppression of the feminine, and now appears to be deep diving back down into its dark ages. But at her core, in her deepest self beyond her body and its many manifestations of mind, she’s not fucking sorry. She’s not sorry for refusing to take your shit for you, anymore.
She’s not sorry for protecting herself from a world where being a difficult woman means bracing herself, either in 100 subtle movements a day, or one massive explosion of her force, against those who seek to control her through games of violence. Who demand her complacency and inferiority. Who ask, in their varied attempts at control, that she go back to sleep and play small to appease their malignant egos. She’s not sorry for cutting you out of her life and never looking back, when she sees you are an active part of that world and refuse to take responsibility for your own behavior—regardless of your gender identification. Because she is done playing your scapegoat, either way, or taking responsibility for your chosen downfall. She’s not sorry for making too much noise, or making waves, big and small. Especially not when you don’t like the waves she’s making. Because she knows the intentions of her pure heart and that all this really means is you’re exactly the one who is not fucking supposed to like them. For your disapproval and condemnation has only become a mark of her victory.
She’s not sorry that your change and growth aren’t easy or comfortable for you. She’s here to deliver the blow of reality to your complacency in the crimes against her humanity, and the humanity of others, too. Because she knows that it takes a loving and courageous woman to speak her truth and hold others accountable in the face of terror.
She’s unapologetically here to start fires within the massive hearts of those who are also tired of being small, acquiescent citizens. Because she’s tired of the unsafe and insane world we are all a part of creating. The one where people with no access to their conscience get to dictate the conditions of our lives and our planet through a reign of terror, both real and imagined.
She’s not sorry because she’s too busy summoning the Furies within her and channeling them into her superpower to help rebalance that world. She doesn’t have time for your judgments or the arguments you make that your privilege isn’t real so that you can keep it. She’s too busy tearing down the walls the world taught her to build between her and her strong bitch of a self, brick by brick, and refuses to acknowledge the ones you want her to resurrect in their downfall. Yes, she’s a real bitch to your agenda, and no, she’s not fucking sorry about it. Because she’s retired from the “good girl” game. That one where you attempt to belittle her and grind her down with a thousand tiny cuts to her beautiful psyche. The one where you think her body belongs to you. Where consent, which should be logical, is an inconvenience because it makes you think about your fucking actions and judge yourself. Because she knows that just maybe, you are the one who is supposed to be. She no longer has room to carry your shame for you within her own gorgeous conscience. Because it’s not actually her job to teach you how to be a respectful human being. It’s your responsibility to learn how to become one of your own volition, and she made a vow that she wouldn’t fall prey to that trap ever again. That she’d rather be called a crazy bitch than let you get away with disrespecting her, anymore.
Because, let’s face it, she tried to be a nice little “good girl” and you just stayed the same. Now, she’d rather be difficult than deal with the true difficulty of enduring your myriad abuses, regardless of whether you choose to become aware of them or not. Now, she is deeply unapologetic for her inner bitch’s existence and rightful place in this world.
She is learning to be proud that she has the ability and the courage it takes to stand up and step into the good woman she truly is. Which she does, over and over, every time you remind her of it by calling her a “bitch.” For whether you do so in an outright manner or with your quieter forms of disapproval, she’s starting to enjoy the word as she transcends your small-minded ego."
Janelle Brown
www.elephantjournal.com
segunda-feira, junho 08, 2020
Passo #15483632 no sentido da aceitação do "nosso eu" ou lá o que é...
"Aviso já que fiz correções aqui e ali... é mais forte que eu... (eu corrijo ementas de restaurante, é este o nível de loucura de que estamos a falar, por isso...)."
terça-feira, abril 28, 2020
quarta-feira, março 25, 2020
quinta-feira, março 19, 2020
Com um pé na quarentena...
segunda-feira, fevereiro 24, 2020
Pérolas da porca #49
terça-feira, janeiro 28, 2020
Felicidade
quinta-feira, janeiro 23, 2020
quarta-feira, janeiro 08, 2020
sexta-feira, janeiro 03, 2020
quinta-feira, dezembro 19, 2019
Do Natal, das palavras que me tocam sem que esteja à espera, do mergulho que dou nelas e onde me deixo ficar com prazer...
1. O Cardeal Tolentino de Mendonça, reclinado perante o Papa Francisco, perguntou-lhe: “Santo Padre, o que me fez”. Naquele momento em que o Papa, na Basílica de São Pedro, cumprimentava cada um dos 13 novos cardeais, o novo bibliotecário do Vaticano sentiu o tempo parar. Francisco respondeu que ele era a poesia. E seguiu.
2. Já passaram mais de dois meses, o tempo infelizmente não trava como nos momentos de grande jubilo interior, continua sempre. E anteontem, Tolentino de Mendonça tomou posse da sua Igreja em Roma, a Igreja dos Santos Domenico e Sisto que é parte do complexo da Universidade de São Tomás de Aquino. Fica no Largo Angelicum, em Roma, e os dominicanos são os seus guardiões.
3. O Cardeal Tolentino de Mendonça, o rapaz pobre de Machico, filho de um pescador, continua e escrever poemas. E a ser um habitante do silêncio… apesar de toda a balbúrdia, de todo o chinfrim do mundo, ele continua a ser a criança que atravessa o mundo. Conhecem o meu poema preferido entre todos os que escreveu?
“Travessia da infância
Quietos fazemos as grandes viagens
só a alma convive com as paragens
estranhas
lembro-me de uma janela
na Travessa da Infância
onde seguindo o rumor dos autocarros
olhei pela primeira vez
o mundo
não sei se poderás adivinhar
a secreta glória que senti
por esses dias
só mais tarde descobri que
o último apeadeiro de todos
os autocarros
era ainda antes
do mundo
mas isso foi depois
muito depois
repito”
4. Tolentino já tem a sua igreja em Roma. Era bom que as coisas fossem assim tão fáceis. Feitas de regras humanas, de procedimentos, vamos para aqui porque está destinado por isto ou por aquilo. Mas não é, a viagem é outra. Entramos e não sabemos para onde o autocarro nos leva. O filho do pescador, que um dia se poderá tornar um pescador de homens, está em plena viagem. Como nós. Como tu. E eu. Estamos no comboio sem saber o destino ou as estações onde ele nos pode deixar ou abandonar.
5. E Deus, Tolentino? Como o ver se somos cegos? Como o ouvir se somos surdos? Como lhe tocar se os nossos dedos continuam sem sensibilidade? E o Natal, Tolentino? O que é este barulho que para aqui vai? Escrevo-te daqui para aí. Espero que te chegue, à tua igreja talvez, em Roma, num largo movimentado de jovens cobertos de sonhos. Um dia escrevi um texto sobre Deus, pensei em ti quando o coloquei por palavras.
“O meu Deus não tem voz grossa, tem a que imagino. O meu Deus não me castiga, oferece-me liberdade. O Meu Deus não me chantageia, acredita na responsabilidade. O meu Deus não me corta o desejo, recomenda-me uma canção. O meu Deus dança comigo quando danço sem par. O meu Deus tem humor, escuto-o e sei do que falo. O meu Deus está aqui, se me virar rápido ainda o vejo. O meu Deus é um pressentimento, uma promessa, é o bem e o mal, sou eu nos piores dias. É esperança e virtude. O meu Deus acredita em mim.” (Em Amor, Oficina do Livro, 2016)
É isto, Tolentino. Tu és a poesia. Um Santo Natal
Luís Osório
segunda-feira, dezembro 16, 2019
Fruta da época...?
terça-feira, dezembro 03, 2019
É a loucura...
sexta-feira, novembro 08, 2019
quinta-feira, outubro 31, 2019
terça-feira, outubro 29, 2019
sexta-feira, setembro 27, 2019
Aquele-emoticon-que-é-um-diabinho-roxo-e-sorridente
Ai, que parva..! Vender!
quarta-feira, setembro 25, 2019
Perfil
Atenção!
quinta-feira, agosto 22, 2019
Tic tac, tic tac...
sexta-feira, agosto 09, 2019
F**** you, Alanis...
quarta-feira, agosto 07, 2019
quinta-feira, julho 25, 2019
Dúvida
segunda-feira, julho 22, 2019
sexta-feira, julho 19, 2019
quinta-feira, julho 18, 2019
Dez
quinta-feira, julho 11, 2019
segunda-feira, julho 08, 2019
quinta-feira, julho 04, 2019
Direções
Não tem nada a ver...
sexta-feira, junho 28, 2019
sexta-feira, junho 21, 2019
sexta-feira, junho 07, 2019
Hoje o meu coração partiu-se
Caiu de alto, estilhaçou-se no chão. Ao mesmo tempo que o raciocínio se esforçava por elaborar as tecnicidades - rx, pedra, degradação, ph, precaridade - o coração perguntava-se pelas lágrimas. E elas levaram o tempo que levou o susto a consolidar-se realidade. Ainda não o tinha visto e já o meu corpo lhe sentia a falta, a falta que me vai fazer vê-lo sempre que quiser, olhos muito abertos a observar tudo, a receber-me à porta feito gato/cão, a pedir colo e a esparramar-se nele, abdómen espalmado no meu, patas traseiras de gato/frango para se encaixar melhor em mim, braços que se agarram ao meu pescoço, sete quilos de gato/urso ronronantes ao meu ouvido.
quinta-feira, junho 06, 2019
Nem-nem
terça-feira, junho 04, 2019
segunda-feira, junho 03, 2019
Onde está parte do meu coração...
Lucas, guia turístico em São Tomé e Príncipe
domingo, junho 02, 2019
Das minhas lições
segunda-feira, maio 13, 2019
PDI
quarta-feira, maio 08, 2019
Dos amores
terça-feira, abril 23, 2019
sexta-feira, abril 19, 2019
Leitura santa obrigatória
Things we’d like to resurrect
When number one albums were a big deal
A mystery prize to the person who knows what the number one album is off the top of their head, which will be none of you (does it even still exist?).
Handwritten love letters on actual paper
Where are all the love letters? The revealing emotional depths, the charm of his wonky handwriting (can’t fancy a boy whose handwriting is too neat). It’s a shame, but dick pics don’t have quite the same consideration, vulnerability and romance.
Dinner parties
Where you met: people who you shagged/fell in love with/married/divorced/your second husband/your now business partner/best friend/future sister-in-law/person who got you a discount on the Soho home website.
When social media was friendly
Remember when Twitter wasn’t the sinkhole of humanity, but a nice place where you could ask a question or express an opinion without someone you didn’t know replying ‘F**k you, you stupid f***ing c***, how dare you, you should be cancelled for being so f***ing offensive.’ If only we could find our way back to civilisation.
Sleeping through the night un-medicated not being a thing
Once there was a time when you slept through the night without waking up the next day feeling like you need to tell BBC news/everyone you know/strangers on the street that you slept through the night. OK, maybe you were only six, but still.
Making not recording memories
Once upon a time, humans used to experience things that they committed to memory. This is because they lived and breathed what was happening in the moment. They took it in. They were aware of how they felt. They absorbed the detail. All without taking a photograph of it or filming it. They just used their brains. ‘We film stuff and take photos too!’ all the brains are shouting.
David Bowie
Because you just get the feeling that all this *gestures broadly* wouldn’t be happening if he were still here to hold the fabric of the universe together.
in The Midult
sexta-feira, abril 12, 2019
quarta-feira, abril 10, 2019
sexta-feira, abril 05, 2019
quinta-feira, abril 04, 2019
segunda-feira, março 18, 2019
Wish me luck
A propósito da sorte e do azar.
Mordo a língua apesar de saber que já é tarde: a irritação já se projectou na voz, os olhos já se voltaram para mim. Percebo-os e percebo o que dizem. Percebem-me. Disfarço, dou a volta, forço um sorriso e interesse por aquilo que não me interessa nada e que, aliás, até me faz mal. Mas dou a cara e ouço. E sorrio mais uma vez, sorriso amarelo, coração roxo de se apertar. E assim às cores engulo em seco, engulo o que me põem no copo também, engulo o picante mais picante que encontro no prato. Espicaço os sentidos para não sentir.
Respiro e isolo-me sempre que posso, sempre que, no meio dos festejos e gargalhadas e garrafas de cerveja que transbordam e salpicam e conversas cruzadas e música aos berros, esquecem a minha presença um bocadinho. No meu canto, na ponta da mesa, encostada à parede, uns milímetros afastada do grupo bastam para me fechar na minha redoma pessoal e tentar pensar. Condeno-me para logo a seguir me perdoar e voltar a condenar.... e ando nisto até alguém me forçar a interagir.
Mas a verdade é mesmo esta: a sorte e o azar existem. Existem e dominam a maior parte da nossa vida, assim é que é. O nosso controlo é tão limitado que chega a ser ridículo. E por mais que odeie não ter a sorte que queria ter, tenho que me desculpar: não depende de mim, nunca dependeu. E a raiva que sinto do que não tenho é humana, tão humana que dói: por si própria e simplesmente por existir.
Tenho vontade de escrever "não me perguntes nada, só quero dizer que não consigo ser sempre quem gostaria embora saiba que no fundo sou." Mas guardo para mim e aguento: há-de passar. Até uma próxima vez.
quinta-feira, março 14, 2019
Encómio
1. Elogio rasgado.
2. Gabo, aplauso, louvor. "encómio",
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
Cortesia da Comissão Nacional de Eleições.
O tamanho da minha ignorância nunca deixa de me surpreender...
segunda-feira, março 04, 2019
quarta-feira, fevereiro 27, 2019
Crónica de uma morte anunciada ou já o anúncio propriamente dito
... apenas para descobrir que e a P***!!!!! da peça alargou, que as mangas têm mais um palmo de comprimento, que o decote em barco está mais para navio de cruzeiro e cai pelos ombros abaixo, que as costas descaem sem forma, que o tecido sobra por todo o lado!!! A pessoa respira fundo e resolve que tudo tem solução, que isto ajeitado de outra forma até não fica mal, que as mangas se podem sempre dobrar, que se calhar a progenitora até lhe dá uns pontos algures e consegue endireitar o pau que começa a ter cara de já ter nascido torto. E vai para o espelho acabar de se arranjar e borrifa o cabelo com protector térmico para lhe dar uma secadela... e, P***!!! que o pariu, o C*****!!! do protector borrifa também a P***!!!!! da blusa, que continua linda, linda mas cada vez mais só vista de longe. A pessoa respira mais uma vez. A pessoa mira os borrifos e conclui que aquilo é coisa para secar e nem se notar. E continua... e sai de casa... e passa a manhã a ajeitar os ombros, os braços, o diabo que a carregue... e a ignorar os borrifos que secaram mas não desapareceram por completo... Nisto, chega a merecida pausa para almoço. E nisto chega a salada leve com frango grelhado. E nisto a P***!!!!! da blusa-que-parece-que-tem-vida-própria-ó-C******!!! põe-se a jeito para levar com umas pingas de azeite, que em vez de escorrer pela alface abaixo como as pingas normais fazem, resolvem saltar, as P*****, filhas de uma égua!!! A pessoa pragueja alto e a bom som e põe as colegas a rir do seu infortúnio. A pessoa quase que lhes bate com o galheteiro mas controla-se e até mente com todos os dentes, quero lá saber, até foi baratucha em saldo, não há-de ser nada. Mas a pessoa fica a remoer. No fundo, no fundo, sabe que a P***!!!!! da blusa é linda, linda na sua cor ocre, que lhe fica a matar, que nem chegou a ser devidamente exibida, que o saldo não foi assim tão bom negócio e que DEVIA PROCESSAR A P***!!!!! DA LOJA QUE A VENDEU! Mas acalma-se... a pessoa acalma-se... e volta ao caminho do Senhor das pessoas que não se deixam derrotar e que irão, certamente, encontrar uma solução porque não será uma P***!!!!! de uma blusa, por mais bonita que seja, a fazer-me de parva!
quinta-feira, fevereiro 14, 2019
terça-feira, fevereiro 12, 2019
quarta-feira, fevereiro 06, 2019
segunda-feira, fevereiro 04, 2019
" Se queres um amigo, cativa-me!" Antoine de Saint-Exupéry
segunda-feira, janeiro 21, 2019
Ready. Set. Go.
O perdão é coisa que não me sai sem custo embora sentimentos como o ódio não encontrem lugar em mim. Mas a memória de elefante refresca-se com facilidade e o ontem passa a hoje num instante. E enquanto moer a revivência, custa a passar a mão pela cabeça e a crer em nova cristandade. A bênção tem que ser conquistada, cá para mim, e o reino dos meus céus não está ao alcance de quem quer mas sim de quem pode. E a minha inteligência para o que não se vê mas sente é tramada e o que conheço como a palma da mão não passo a desconhecer. Mas parece que terei que me confrontar com aquilo que o meu corpo decidir na altura de se dar ao manifesto. Está visto que será uma questão de pele muito mais do que de raciocínio e que qualquer decisão será tomada tendo em conta o que menos me revolver o estômago.
Diz-me para abrir o peito e que continue a deixar entrar o amor: o amor que me tenho e que me têm, o amor desperdiçado para que se recicle e se volte a dar, o amor deixado a ganhar mofo nas calendas do esquecimento, por receio, por temor. Abrir o peito e encher-me de todo o amor possível. Será desta forma que tudo o resto se resolve, que tudo o resto assume a dimensão que deve ter, não mais, e se alinha devidamente na hierarquia da importância.
Acabei o ano como gostaria que ele continuasse, senhora de mim, dos meus espaço e tempo, e confesso que me apetece exfoliar o que me parece que já serão só partículas mais que mortas, que a minha relutância, tão característica do signo solar que me rege diriam os entendidos, continua a acarinhar autisticamente. Julgo que estou muito mais resolvida e em bons termos com a minha vida do que me habituei a pensar que estaria. É fácil que o hábito se agarre à pele.
Ainda que não se apresentem de forma clássica e estruturada, as decisões estão, no fundo, tomadas. As mensagens que me passo são claras, o que foi não pode voltar a ser e o que será depende do que fizermos para o concretizar. Não há caminhos fáceis, não há estalar de dedos nem facilidades, não há lugar a fingimentos nem meias verdades nem meras aparências. Nada de sólido se constrói com papel exposto à chuva. Nada de verdadeiro se constrói sem substância. Em compensação, a recompensa será como me disseram que era a raiva: "a raiva tem sempre o mesmo tamanho daquilo nos faz falta". E assim se começa o ano.
sexta-feira, janeiro 18, 2019
A do bem comum
São pobres e mal agradecidos, irra...!
quarta-feira, janeiro 16, 2019
segunda-feira, janeiro 14, 2019
sexta-feira, janeiro 11, 2019
Pérolas da porca #46
"Ai, Paulinha, vá ao armário da casa de banho. Lá encontra algodão, álcool, comprensas..."
(É até à última...)
quarta-feira, janeiro 09, 2019
segunda-feira, janeiro 07, 2019
Pérolas da porca #45
quarta-feira, janeiro 02, 2019
segunda-feira, dezembro 31, 2018
sexta-feira, dezembro 28, 2018
quarta-feira, dezembro 26, 2018
sábado, dezembro 22, 2018
"If you're going through hell, keep going..."
segunda-feira, dezembro 17, 2018
Vamos lá ver se nos entendemos...
segunda-feira, dezembro 10, 2018
No dia de hoje, a frase dela que fala de mim...
Clarice Lispector











































