A sério... eu juro que já fui uma pessoa normal... não me lembro bem, mas já fui, de certeza...
não é dada pelos ponteiros do relógio nem pela posição do sol... simplesmente sente-se... quando, de repente, faz sentido.
quinta-feira, setembro 17, 2009
Pescadinha
A sério... eu juro que já fui uma pessoa normal... não me lembro bem, mas já fui, de certeza...
quarta-feira, setembro 16, 2009
Desabafos de quem quer encontrar algum sentido na confusão mas não consegue até porque, às vezes, nem faz por isso
Há coisas que não podem ser resolvidas. São o que são e não há nada a fazer. Temos que as aceitar e viver com elas. Há outras, regra geral mais pequenas, que até são de fácil resolução. Mas, e se calhar justamente por isso, vão sendo deixadas para trás. Só que... pequenas, pequenas mas não invisíveis. Continuam lá, quietinhas, mas devolvem o olhar quando olhamos para elas e dizem: "estou aqui, estou aqui, ainda não me resolveste...". E se há coisa que me tira do sério são, justamente, coisas por resolver...
Mas o ser humano é um bicho estranho. Ou melhor, pelo menos este ser que vos fala é. Irritam-me as pendências mas não trato delas como e quando gostaria. Depois irrito-me porque não tratei o que, por sua vez, origina ainda mais falta de disposição que se vai juntar ao rol de desculpas para continuar a não tratar! É a p*** da bola de neve! E lá vou eu rolando, rolando, montanha abaixo, cada vez a ficar mais presa enquanto a bola aumenta de volume. E diz que a coisa só se resolve quando chegar ao sopé da dita e a bola se desfizer. Ou então se, no caminho, me espetar contra uma árvore ou entrar, inadvertidamente, numa casa em chamas e a neve derreter, sei lá. Enquanto isso, lá vou rolando, rolando e engolindo pirolitos... ou flocos, não sei bem o que se aplica neste caso.
O meu carro é uma dessas pendências. Temos pena, coitadinho, velho e valente amigo, mas há que encarar com frontalidade: o meu "EU" (o carro, não o outro... ou se calhar também o outro...) já deu o que tinha a dar. Anda nas horas se assim lhe for solicitado mas tremelica por todos os lados, tipo cadeira de massagem para dar conta da celulite, e faz um barulho ensurdecedor! Por um lado, tenho sorte, como vivo perto do aeroporto os vizinhos não levam a mal porque acham que é um avião a descolar. O pior é que o barulho está lá mas o gajo não voa, o que até dava um certo jeito em determinadas circunstâncias. E também não elimina a celulite. Mas adiante.
Para além disso, bebe demais. Não sei se é assim desde o início da nossa relação e o amor impedia-me de ver, se com a idade está pior... o que é certo é que já começa a não haver dinheiro para lhe sustentar o vício! Volta e meia, e quando achava que ainda ia levar o seu tempo até voltar à bomba, lá dou por ele só a andar a vapores. Não há carteira que aguente. Tenho sorte que não me bate mas mesmo assim... não sou mulher de sustentar bêbedos!
Para rematar, e aqui a culpa não é dele, 'tadinho, há que assumir, ele anda... vá... quero ver se sou meiguinha... nojento!! Não é lavado há... err... muitos dias! E porquê? Porque quero lavar por dentro e por fora e, à excepção dos Mister não o quê que existem nos centros comerciais, não encontro uma alma caridosa que faça o serviço completo, salvo seja. Ora... sendo assim, não vou gastar uma pipa de massa para ficar brilhante por fora sendo que lá dentro continuam a formar-se comunidades de fauna diversa. Não faz sentido. E para aumentar um bocadinho mais a camada de porcaria, há a trampa dos folhetos de tudo e mais alguma coisa que me espetam nos vidros! (Sim, sim, esta é a minha mais nova guerra de estimação. Tenho algumas considerações a fazer sobre o tema, incluindo propostas de lei e devidas coimas/castigos corporais a quem não cumprir as regras mas isso fica para um outro post). Não há direito, passo a vida a guardá-los no porta luvas para não os deitar para o chão e, claro, nem sempre me lembro deles lá e o tempo vai passando e já se vê onde quero chegar.
Para piorar, houve um dia que decidi borrifar-me num determinado folheto que estava mesmo à frente do lugar do condutor (tudo planeado, claro está, pelas mentes brilhantes que distribuem aquela treta, para obrigar o desgraçado a pegar naquilo se quiser conduzir sem atropelar nenhuma velhinha) e deixei-o estar. E ele ali ficou. Choveu, fez sol, choveu outra vez e o danado, a dada altura, lá desapareceu. Mas, curiosamente, deixou marcas. O folheto era sobre uma clínica de próteses ali da zona e tinha uma senhora loura, muito sorridente, a anunciar as promoções. Ora, as intempéries fizeram das suas, a tinta manhosa do folheto também ajudou, o folheto saiu mas a senhora não! Fiquei portanto com a loura colada no vidro, meia de lado, a sorrir para mim!
Bom, mas isto tudo para dizer que há coisas da treta que atrapalham a vida por si só já complicada. São simples de resolver, não são nada demais, não são problemas graves. Mas chateiam. E eu ando numa fase que quero tudo menos que me chateiem.
De qualquer forma, e dado que de momento a minha cabeça não dá mesmo para mais, que se lixe! Assumo a bola de neve e cá continuo a rolar, a rolar sendo que tenho agora uma protésica (é assim que se diz?) para me acompanhar nas minhas viagens por essa montanha fora, sempre a olhar para mim... se formos a ver, podia ser muito pior!
terça-feira, setembro 15, 2009
Lá atrás... #1
Inconveniência
Esteticista/depiladora: Ah..! Está de bebé?
Amiga: Errr... não... isto é mesmo assim...
Esteticista/depiladora: Ah...
Amiga (de si para consigo): Há-des ter hemorróidas, porca...!
O resto da sessão decorreu em pleno silêncio...
Quááá!
segunda-feira, setembro 14, 2009
Back to basics
A verdade nua e crua
Antes dos resultados, apenas algumas notas importantes:
1. Todos, sem excepção, responderam.
2. As respostas variaram na sua apresentação de forma muito curiosa: houve quem nomeasse tipo lista de supermercado (arroz, farinha, teimosa, inteligente...), quem fizesse comparações (és assim e eu vejo isso porque eu sou mais assado ou sou igualzinha e como tal...), quem explicasse cada uma (digo isto porque aquilo e está, de certa forma, também relacionado com aquela outra que também faz sentido...) e quem dividisse entre o que sou verdadeiramente e o que mostro aos outros (para quem não te conhece pareces assim mas depois vai-se a ver...).
3. Ninguém, e repito, NINGUÉM nomeou só três! (Não sei se este tipo de exercício "puxa pela língua" ou se sou eu que sou muito complicadinha...)
4. Houve muito poucas características repetidas. (Mais uma vez... complicadinha...?)
5. Por último, não houve nada que me tivesse surpreendido. Houve menções das quais gostei mais, outras menos mas nenhuma me surpreendeu. O que me leva a nomear mais uma característica que ninguém apresentou mas apresento eu: a grandessíssima capacidade de autocrítica da minha modesta pessoa, ah pois é!
E posto isto, aqui vai a listinha maravilha organizada por ordem alfabética e sem rodeios! Aos que participaram o meu agradecimento.
O que sou:
Amiga - Antipática - Boa ouvinte - Brutinha - (Com) Carácter - Carinhosa - Controladora/Controlada - Convicta das suas ideias - Culpabilizada - Egocêntrica - Desconfiada - Determinada - Directa - Disponível - Divertida/Com sentido de humor - Doce - Espirituosa - Forte - Gentil - Insegura - Justa - Lúcida - Meiga - Perfeccionista - Perseverante - Recta - Responsável - Simpática - Teimosa
O que pareço:
Insensível - Fria - Sisuda - Snob
P.S.1: não houve uma alminha que fosse que seguisse as minhas sugestões... linda, inteligente que até dói, etc... não percebo porquê...
P.S.2: nope... ainda não foi desta que consegui a droga... aparentemente houve elogios a mais. Se tivesse sido uma lista profundamente negativa, aí sim, era droga, era camisa de forças, era internamento, era lobotomia até! Mas assim não deu...
Uma espécie de cookies... ou assim...
Uma coisa que me caracteriza é que, em princípio, sigo as receitas à risca. Mas não deixo que me espartilhem. Sou perfeitamente capaz de adaptá-las um pouco (há quem lhe chame inventar) se, por exemplo, não tiver algum ingrediente ou se antes dos 20 minutos de forno indicados o prato já me parecer em condições. Digamos que a vou moldando à minha medida, ao meu gosto, às minhas condições na cozinha se for preciso. E foi: por exemplo, tinha tudo menos os chips de chocolate. Ora, não faz mal, coloca-se outra coisa. Gosto de nozes, biscoitos com nozes é sempre bom. Aliás... bom, bom eram avelãs... e uma pitada de caramelo... boa! E se tostar as avelãs antes ainda melhor... isso! É mesmo assim que vai ser.
E lá começam os trabalhos. Ok, a massa está um bocado líquida, deixa cá ler melhor... grunf! diz na receita que tem que ir ao congelador umas 8 horas antes! Mas eu queria comer agora! Por isso, que se lixe, isto tem bom ar, sabe bem, é massa de biscoitos, certamente que dá para pôr já no forno. Portanto, toca de fazer os montinhos no tabuleiro. Pronto... os montinhos estão a desfazer-se um bocadinho, é certo, mas de certeza que, com o calor, assumem forma de... vá lá, bolachas ou assim. O que também é bom. E portanto, forno com eles (ou elas)!
O resultado foi este:
Pronto... nunca ficaram crocantes ou estaladiços ou whatever que os biscoitos ou bolachas devem ser. Ficaram mais a atirar para a panqueca do que outra coisa, a bem da verdade. Mas isso não interessa nada! O que interessa é que os fiz e me lambuzei!
(Como não sou totalmente louca, guardei um restinho de massa e essa, sim, pus no congelador. Quem sabe, da próxima, a coisa já sai mais ou menos como deve ser.)
sexta-feira, setembro 11, 2009
Amargo de boca
Não é bom e quase que nos leva ao engano de dizer que não é mau. Porque não é violento, agressivo, contundente, barulhento. Não faz chorar, não desespera, não dói. É simplesmente... amargo. Mas é mesquinho, manhoso e infiltra-se. Envolve como névoa, daquelas bem espessas e negras, e faz-nos deixar de sentir. Coloca-nos num estado de dormência tal que nos torna imunes a qualquer tipo de sentimento ou emoção. Do bem ou do mal.
Não sou pessoa do amargo. And yet... abri-lhe a porta sem dar conta. Agora só me resta fazer-lhe sala até ele se decidir por outras paragens.
quinta-feira, setembro 10, 2009
Conselhos para saber viver #2
Home made
O problema é que quando tento passar à prática a coisa perde a piada. Quando o síndrome de "dona de casa prendada" ou "avozinha de outros tempos que faz compotas num abrir e fechar de olhos" dá de caras com a falta de tempo, com mais louça para lavar, com a cozinha em pantanas, com as receitas que parecem fáceis mas depois não são, com as calorias a mais... começo logo a pensar que se calhar o melhor é fazer aqui uma torrada rapidamente e está o assunto arrumado.
Mas é pena... gostava de ser mais como esta senhora...
quarta-feira, setembro 09, 2009
S'tou a ffallare s'torto...
And... we're back!
terça-feira, setembro 08, 2009
Ressaca
segunda-feira, setembro 07, 2009
O Domingo que foi assim mas devia ter sido outra coisa
sábado, setembro 05, 2009
quinta-feira, setembro 03, 2009
Conselhos para saber viver #1
Já está na hora?
quarta-feira, setembro 02, 2009
Round 1 - 0 pontos para mim
terça-feira, setembro 01, 2009
domingo, agosto 30, 2009
quarta-feira, agosto 26, 2009
Limpeza
domingo, agosto 23, 2009
sexta-feira, agosto 21, 2009
Allez de vacances para mim também!
Não sei o que vou fazer, não sei para onde vou. Mas uma coisa é certa: vou dormir mmmmuuuuiiittttooo!!!
quinta-feira, agosto 20, 2009
Iniciativa
quarta-feira, agosto 19, 2009
A peça
"É assim, é assim. A minha vida é assim e não há nada a fazer. Estava escrito, certamente, estava destinado e não havia como fugir. Estava programado nas linhas da mão que ia perder o norte, que ia ser forçada a mudar tudo da forma mais abrupta. Eu estava ali, num determinado sítio, e agora acordo noutro, completamente diferente. O tal tsunami, terramoto, o que seja, arrasou com tudo e levou-me para outro lugar, para começar de novo mas sem qualquer tipo de base, num território desconhecido, sozinha, a ter que me agarrar ao que posso para tentar dar algum sentido, alguma organização à vida. É assim. E parece que não acabou. Há-de haver mais coisas a acontecer antes que se possa fechar o pano desta peça completamente surreal.
Muitas vezes penso que foram as minhas atitudes que me trouxeram para este lugar. Muitas vezes tenho a sensação que mexi, sem saber, em algo em que não devia ter mexido e que isso despolotou uma reacção no universo que o fez virar sobre si mesmo e mudar completamente o curso das coisas. Num segundo, um segundo definitivo. Um segundo em que dei um mínimo toque numa alavanca que não sabia estar ligada a coisa alguma mas que afinal controlava tudo o que me rodeava. Mexi onde não devia. Irritei os deuses, toquei na base do castelo de cartas. Sem querer, sem a mínima noção das consequências.
E agora? Pois agora há que lidar com o que se segue, seja lá o que for, enquanto se tenta emendar o que pode ser emendado e construir de novo o que caiu por terra. Sempre com a devastadora noção de que nada será como antes. "
(O pano não fecha mas o público sabe que aquele acto terminou. Sai para intervalo que não se sabe quanto tempo vai durar. E ela mantém-se em palco, quieta. Ela, a cadeira e o foco. À espera que alguém escreva o texto que deverá dizer a seguir.)
terça-feira, agosto 18, 2009
32
sexta-feira, agosto 14, 2009
"Natureza Humana"
Sinto de novo a natureza
Longe do pandemônio da cidade
Aqui tudo tem mais felicidade
Tudo é cheio de santa singeleza
Vagueio pela múrmura leveza
Que deslumbra de verde e claridade
Mas nada.
Resta vívida a saudade
Da cidade em bulício e febre acesa
Ante a perspectiva da partida
Sinto que me arranca algo da vida
Mas quero ir.
E ponho-me a pensar
Que a vida é esta incerteza que em mim mora
A vontade tremenda de ir-me embora
E a tremenda vontade de ficar.
Vinicius de Moraes
quinta-feira, agosto 13, 2009
Invasão

Tudo começou com uma meia dúzia na cozinha. Depois, mais que meia dúzia na taça dos biscoitos do gato, hummm... já não estou a gostar... O que faço, o que não faço... insecticida, claro! Pois, não dá... senão aniquilo as formigas e os gatos também... e não era bem essa a ideia. Pesquisa na net, lá encontro um produto que diz que funciona, ecológico e seguro para as outras bichezas lá de casa, boa! Mas a loja é fora de Lisboa, tenho que arranjar tempo para lá ir. Enfim... Enquanto isso, vou dando uma limpeza com detergente amoniacal, pode ser que dê algum resultado. E deu, durante... vá, 2 ou 3 horas. Porque afinal... elas também vêm da casa de banho... porque afinal... também há no quarto e no quarto vêm da janela e da janela vêm da rua, sobem quatro andares pela parede do prédio e entram alegremente em minha casa! Montes e montes delas! Ok... calma, não stressa, se matar as cá de dentro, elas deixam de passar a palavra lá para fora, interrompe-se o circuito de comunicação e começam a marchar noutro sentido. É isso! Mais água, mais amoniacal, tudo se resolve...
Ou não...
Porque ontem, ao chegar a casa, deparei-me com um verdadeiro exército, visivelmente bem preparado, com uma estratégia perfeitamente delineada, a atravessar a casa toda, preparadíssimo para a tomar de assalto! Gatos inclusivé, digo eu!
Ora vejamos, vindas da janela do quarto, formavam várias filas que, ao passar pela casa de banho, eram engrossadas por um segundo batalhão vindo do cano do bidé. Depois, continuando a marchar, passavam pela despensa sendo enviado um pequeno grupo de reconhecimento nessa direcção para inspeccionar e verificar se valia a pena a investida. As restantes, o grosso da coluna portanto, continuavam em frente rumo à cozinha. Aí chegadas, separavam-se em dois grupos, um para a esquerda, outra para a direita, para garantir a cobertura de todo o perímetro. E aí... era o festim! Era mergulhos na taça dos gatos, era escalada de frigorífico, de bancada, de parede, do diabo!, era invasão da máquina de lavar louça, era a festança rija das danadas! Centenas e centenas e centenas delas...
AAHHH! Mas comigo não brincam mais! Mas o que vem a ser isto?!? Já estão a passar das marcas! Até a gata, ao pisar o carreiro sem querer, começou aos pulos com comichões nos pés!! Nãaaaaao senhor! Quem manda aqui sou eu e isto acaba-se hoje! (Ok... não hoje porque ainda não tenho o produto indicado mas que vou provocar baixas valentes, ai isso vou!) Guerra é guerra!
Na rua, ataca-se o ninho. Não há insecticida, vai lixívia mesmo. Líxiva também pelas paredes do prédio abaixo, lixívia também no cano do bidé. Na janela do quarto tapa-se o buraco de entrada com papel embebido em amoniacal. Atacados os acessos, resta então dar conta das presentes na casa, que são mais que muitas. E cá vai disto! Por junto e atacado foram... vá... 4 baldes de água com amoniacal, 5 ou 6 lavagens da própria esfregona para eliminar os cadáveres e mais de 1 hora de volta disto!
De manhã, ainda vi umas quantas perdidas e sei que vão voltar em força se não for lá comprar o tal insecticida maravilha. Mas, pelo menos por uns tempos, julgo que a notícia do massacre deve quebrar o espírito das forças inimigas...
quarta-feira, agosto 12, 2009
Ananáses
terça-feira, agosto 11, 2009
O que vale é que não mordo! Ainda...
Eu: Desculpe mas tenho aqui tarefas dependentes de mim que não consigo fazer seguir porque a ferramenta não está a funcionar convenientemente.
Ele: Ah pois, mas olhe, está a contar o tempo! Do seu lado! Ahahahaha!!
..........
Ele: Claro que estou a brincar ... não me leve a mal... caramba, também escusa de ficar com essa cara!
(eu juro que não disse nada...)
segunda-feira, agosto 10, 2009
Amizade
Conceito que, para alguns, parece ser vago, não entendido na sua plenitude. Para mim é claro, muito claro.
Amizade é mais do que amor. É mais sólida, mais real, mais intemporal, menos descartável. É estar lá, para o que der e vier. É largar tudo quando é preciso para dar a mão, o ombro, o que for. É saber ouvir. É saber guardar silêncio quando ele faz sentido. É dizer o que às vezes não se quer, porque nos dói só de pensar mas dizemos porque sabemos que é o melhor. É sair de nós. É esquecer mágoas, atritos, mal-entendidos, passar por cima disso tudo e estar presente, de corpo e alma. É dar, dar, dar.
Mas também é receber. Também é reconhecer valor a quem nos dá valor. Também é confiar em quem confia em nós. Também é retribuir o choro no ombro de quem já chorou no nosso. Também é darmo-nos a quem se dá a nós. É retribuir, na mesma medida. Em palavras, em gestos, em acções, em abraços, em lágrimas. É pedir ajuda, sem vergonha, sem orgulho, e aceitá-la quando ela chega. É receber, de braços abertos, o que têm para nos oferecer.
Eu tenho amigos, grandes amigos. Pessoas que vêem a amizade como eu e a "regam" e a fazem crescer. E depois... tenho o resto. Sem os meus amigos não sobrevivo. Sem o resto passo bem.
Lengalenga
Frases sábias, que tenho ouvido ultimamente, e que repito todos os dias para mim própria.
Quando eu era pequena, nas aulas de inglês de Miss Louise, utilizava-se o método da repetição para aprender vocabulário básico. Assim, todos em coro, lá passávamos meia hora a dizer: pão... bread, pão... bread, manteiga... butter, manteiga... butter...
Tenho esperança que, apesar de já não ter a cabeça aberta e disponível que tinha naquela idade, ainda consiga que o método funcione. Preciso dele como nunca precisei antes...
sexta-feira, agosto 07, 2009
Em paralelo
quinta-feira, agosto 06, 2009
quinta-feira, julho 30, 2009
Regra de condução #1
quarta-feira, julho 29, 2009
Desconheço-me
E o que fazer quando o espelho nos mostra alguém que não conhecemos?
segunda-feira, julho 27, 2009
sábado, julho 25, 2009
Uno
Platão falava de almas gémeas explicando que cada pessoa é apenas metade de um ser, metade essa separada da sua totalidade. E atribuía ao amor a capacidade de restaurar o antigo estado de perfeição, juntando ambos num só.
Somos almas gémeas, sempre fomos. Ao ler um determinado romance de Laura Esquível há uns anos atrás, dei-me conta disso. Quando acabei, percebi que tinha encontrado a explicação, que nunca tinha procurado por simplesmente não precisar dela, mas ela ali estava, à minha frente, e nada me fez tanto sentido. Porque somos algo que ultrapassa o grau de parentesco. Porque o que nos une, o que nos torna num ser único, é muito mais do que as grandes parecenças físicas ou de personalidade. É algo que não se explica, sente-se. Nós e qualquer pessoa à nossa volta. Entendemo-nos sem falar, completamo-nos sem esforço. É assim que somos e que vamos sempre ser.
Lembro-me da última conversa que tivemos os dois. A última conversa de muitas que só nós conseguiamos ter. Hoje, como nessa altura, fico feliz por ela ter acontecido, por termos tido essa oportunidade. E agora vejo também que não podia ter sido de outra forma, o destino não nos ia deixar separar sem que ela acontecesse. Viviamos uma fase difícil e, no meio do turbilhão, precisámos garantir, um ao outro e para todo o sempre, que o "nós" não era afectado. E não foi. Nunca era, nunca seria, nunca será.
Não sei como vai ser a minha vida a partir de agora. Sinto que não sou a mesma, nunca mais vou ser. Sinto que a minha vida se vai dividir claramente entre o "antes" e o "depois". Sinto que começou um novo ciclo. Mas uma coisa é certa, vamos voltar a encontarmo-nos. Porque as almas gémeas são assim, estão destinadas a encontrar-se. Sempre. Porque partilham a mesma luz, porque são as duas metades de um todo. Não interessa quando, não interessa sob que forma, não interessa em que estado, não interessa em que dimensão. Encontram-se. Uma e outra e outra vez. Sempre.
É mais forte que nós, é assim que tem que ser.
sexta-feira, julho 17, 2009
quinta-feira, julho 16, 2009
'Tá explicado!
"O ciclo de eclipses de 18 anos está a chegar a Caranguejo, o que faz com que os próximos dois anos sejam muito importantes para si, para o seu estilo de vida e para as suas relações. O eclipse lunar de dia 7 de Julho vai realçar a forma como lida com as suas emoções e irá trazer ao de cima questões familiares. É provável que surjam intensas discussões neste período, ligadas a obrigações domésticas, crianças, viagens e comunicação.
(...)
O eclipse solar que terá lugar no dia 22 de Julho vai trazer um período intenso e emocionante, quando as suas perspectivas de vida forem dramaticamente alargadas. Vai ser um período de auto conhecimento e descobertas pessoais, em que irá conhecer pessoas que vão abrir a sua mente e imaginação. Com o final do mês vai querer gastar dinheiro e sentir-se-á atraído por itens de luxo. Provavelmente tem dinheiro para isso, e a vida é para se viver, por isso força!"
Ora pois, não podia ser só um, não... tinha que ser um "porradão" deles...! E agora digam-me: com um ciclo de eclipses de 18 anos à perna não havia de isto estar tudo destrambelhado!? Pois claro...!
quarta-feira, julho 15, 2009
Here kitty, kitty, kitty...
E eu já percebi como funcionam... estão a noite toda em stand by... mas quando o sol desperta lá em casa, às 7.35h da manhã mais precisamente, são activados pelo som do meu despertador! Nessa altura, dirigem-se a mim, vindos de onde for, tendo-me fixada no seu radar, e trepam para cima da cama. Analisam a situação e, à vez, cada um escolhendo o seu lado, encostam-se, quentinhos e fofinhos, ronronando-me ao ouvido para me ajudar a embalar. E ali ficam... ficam... ficam... o ronronar a impedir-me de ouvir as repetições do alarme... o calor do pêlo a tornar-se cada vez mais aconchegante...
A dada altura consigo ter um momento de lucidez e espanto-os com todas as minhas forças! Mas apenas para, invariavelmente, reparar que é tarde demais...
Será "mimice assassina de gatos dos infernos" argumento legal para justificar o atraso junto dos Recursos Humanos?!? Devia ser...
segunda-feira, julho 13, 2009
O lado de dentro
Apesar do turbilhão em que ainda vivo, dou por mim um pouco mais calma. Talvez me esteja a habituar à confusão, não sei... e esta ainda frágil paz permite-me espreitar um pouco lá para dentro, penetrar no meu cérebro e avaliar o estado da nação. Mau, muito mau. Deparo-me com um monte de entulho, daquele tipo que resulta de um terramoto. A poeira ainda está no ar, a confusão reina por todo o lado, ainda não se consegue bem avaliar o nível de estragos e, de todo!, se vê o que se via antes. Partes de paredes, janelas, vigas, bocados de tudo e de nada, uns em cima dos outros. O início de tudo, os primeiros destroços, esses, jazem algures debaixo de pedras grandes caídas entretanto, as da réplica maior. E essas ferem a vista, de tão colossais e esmagadoras.
Não reconheço este lugar mas sei que é o meu. Pareço não me encaixar aqui mas é esta a minha realidade. Precisa de limpeza, arrumação, reconstrução. Precisa de mim. Mas, por agora, varro para baixo do tapete. Ainda não é a hora.
quinta-feira, julho 02, 2009
Quem é besta, quem é?!
Luís Lourenço, ex-presidente da Comissão de Gestão do Vitória de Setúbal, 30-06-2009
quarta-feira, julho 01, 2009
E.R.
Os pensamentos a fervilhar, os sentimentos a misturarem-se, a necessidade de me agarrar a algo e não saber para que lado me hei-de virar ao mesmo tempo que sabia que não me poderia agarrar a mais nada. A ajuda que veio, chegou de formas diferentes, cada uma do seu jeito, no seu ritmo, com a sua cor. A sensação de solidão a inundar-me para, logo a seguir, sentir o calor das mãos de quem me ampara. O passado e o presente misturados e o futuro a espreitar, à minha espera, à espera dos meus passos que vão formar o caminho. A alma, ao mesmo tempo, disponível e fechada, a querer avançar e a ter medo, a olhar também para trás enquanto anseia por andar para a frente. A doçura, o carinho, o sorriso que vão tomando o seu lugar, conquistando o seu espaço; a desilusão e a constatação de que nada é certo, mesmo aquilo que tudo indicava ser. A esperança, a imensa esperança de vir a encontrar o meu lugar a contrastar com a indefinição que é viver no desconhecido.
Puro estado de emergência.
terça-feira, junho 30, 2009
And I'll keep on trying...
quinta-feira, junho 25, 2009
Lisbon Legal
E o que é que eu faria com isso? Simples. Estaria, neste momento, a pegar nas minhas pernas, a contratar um advogado, a meter um hospital em tribunal por ter feito um diagnóstico deficiente e potencialmente mortal e a ficar na calha para ganhar uma pipa de massa! Isso é que era...
Desta vez, estou contigo, F., infelizmente estou contigo...
quarta-feira, junho 24, 2009
Um dia de cada vez
segunda-feira, junho 22, 2009
Linha
Juro... por momentos... desejei um "arrastão"...
sexta-feira, junho 19, 2009
Secs.
quarta-feira, junho 17, 2009
Lições
segunda-feira, junho 15, 2009
Bonança
terça-feira, junho 09, 2009
Preguicite aguda
segunda-feira, junho 08, 2009
'Tá quase...
quarta-feira, junho 03, 2009
Dias de cão...
quinta-feira, maio 28, 2009
'Xô deprê!
Pensando bem... até sou capaz de arranjar uma foto ou outra das minhas que se encaixe aqui... ;)
quarta-feira, maio 27, 2009
80%
segunda-feira, maio 25, 2009
Declaração de amor
Por estarem atentas e não hesitarem em me deitar a mão, logo, sempre, desde o início. Por me terem no seu coração. Por deixarem outras coisas para trás por minha causa. Por unirem esforços para me ajudar. Por me perdoarem por, às vezes, parecer que não as valorizo. Por verem para além do que mostro. Por me "baterem", com aspas e sem aspas!, sempre que acham que mereço. Por me ouvirem, por me mimarem, por me fazerem rir quando só me apetece chorar. Por me deixarem chorar quando é preciso. Por me fazerem sentir querida, amada como ninguém. Por fazerem parte da minha vida.
Não sei quem sou sem vocês. Simplesmente, não me conheço.
quinta-feira, maio 21, 2009
(Des)Controlo
quarta-feira, maio 20, 2009
Sintonia
segunda-feira, maio 18, 2009
Eu e a minha fantástica capacidade de dizer coisas que não interessam nada e que toda a gente sabe
quinta-feira, maio 14, 2009
E já cá canta...!
quarta-feira, maio 13, 2009
quinta-feira, maio 07, 2009
Bela adormecida, modéstia à parte!
Uma meia de leite e 2 cafés depois continua-me a dar a soneira... não estou a conseguir produzir nada e esta cadeira, de repente, parece-me tão fofinha... por isso... acho que me vou encostar aqui... só um bocadinho... com o sol... a bater... quentinho... e... e... daqui a nada já trabalho... zzzzzzzzzzzzzzzzz...
terça-feira, maio 05, 2009
quinta-feira, abril 30, 2009
Seremos "grandes"...?
Mahatma Gandhi
terça-feira, abril 28, 2009
É para refrescar...!
"E agora, vamos entregar os prémios aos participantes na corrida, escalão masculino, dos 16 aos 19 anos:
Ventania
sexta-feira, abril 24, 2009
Murphy
quarta-feira, abril 22, 2009
terça-feira, abril 21, 2009
Coisas boas
1. Apaixonar-se (por pessoas, por coisas, por momentos)
9. Rir por nenhuma razão especial (por ser parva talvez... check!)
segunda-feira, abril 20, 2009
Gata fedorenta
Novos amigos depois dos 30
sábado, abril 18, 2009
As caixas
sexta-feira, abril 17, 2009
Handygirl



Pronto, não ficou brilhante, entortou um bocado mas funciona. Abre e fecha como é suposto! Pontos para mim!
quarta-feira, abril 15, 2009
Temos quorum?
A administração agradece, diz que tudo bem, não se importa e cá vamos nós outra vez...
Portanto, aqui a yours truly é administradora pelo 3º ano consecutivo. Porque é que não "espingardei"? Porque tenho uma sorte danada de ter dois companheiros de tarefa extremamente organizados e pró-activos que, basicamente, só me chamam para assinar cheques. Quando, humildemente, referi isso na reunião, ainda ouvi de um dos comparsas: "sabe, às vezes quem está no banco tem um papel mais importante do quem está a jogar!"
Fofinho... assim é tão fácil... e eu também fui fofinha a agradecer...
terça-feira, abril 14, 2009
Concordo, concordo e concordo!
Concordo em género, número e grau! É que parece que já não conseguimos falar de outra forma ou que a língua portuguesa não tem sinónimos para aquelas palavras ou que é feia e por isso não faz slogans e títulos atractivos ou, pior ainda!, que as pessoas não conseguem ser criativas em português simplesmente porque já não pensam em português... é demais, eu acho.
"Cake Parade" para uma mostra de doçaria conventual no Alentejo... faz-me lembrar vacas e faz-me lembrar gays e pão de rala e santos e chaparros tudo ao mesmo tempo! Convenhamos, não pode ser bom...!
segunda-feira, abril 13, 2009
Fustigação
sexta-feira, abril 10, 2009
Santa paciência!
A chuva a levar-nos de volta ao Inverno quando já nos sentíamos tão próximos do Verão; a celebração da Páscoa em família cada vez mais embrulhada porque não é em casa da mãe talvez da tia mas afinal também já não é porque depois a outra tia traz mais alguém que não era suposto e ninguém está para aturar e o primo que não está e a prima que está de banco e a outra prima que vem da Itália e quer dormir o dia todo; uma amiga com gastroentrite viral que afinal também metia salmonelas sendo que, apesar das suas queixas, só à 3ª tentativa é que os médicos ("está a exagerar, isso é tudo psicológico") deram com a coisa ; o gato com espirros esquisitos e o veterinário que deve ter tirado folga no fim de semana prolongado; o telejornal a anunciar que também aqui houve um pequeno sismo; os pais e as suas confusões do que deveria ser e não é e eu na minha luta constante para pôr os pontos nos "iis"...
Uufff! Estou cansada...!
quinta-feira, abril 09, 2009
Babysteps
Fim das touradas em Cascais
O teste de personalidade do coelho da Páscoa ou a tremenda falta de vontade de trabalhar!
Your Chocolate Easter Bunny Personality |
You know what you want in life and how to get it. You're not going to waste time or let yourself be meek Whether it's chocolate, money, or power... You take what you can get and you act quickly. You have a lot of energy and people sometimes scared by your determination. Not that you care what other people think. You're not going to apologize for who you are. |
quarta-feira, abril 08, 2009
terça-feira, abril 07, 2009
Quem me manda
Diria que ter deitado abaixo umas quantas garrafas de vinho até às 2 da manhã deve ter alguma coisa a ver com isso...
E às 10:30h...
"Portanto, há possibilidade de moderar os comentários online? Ah, ainda bem! Veja lá neste exemplo, um congresso sobre a doença de Alzheimer, é melhor, tá ver?!? Ahahahah!"
"Então e "massa"? Como é que é de "massa"?
"E como é que apago comentários de pessoas a dizer, por exemplo: "Gatunos! Vocês são uns bandidos!"?
domingo, abril 05, 2009
Conversas que se ouve sem estar à espera... e que mais valia não ouvir!
Ela ri, encantada, enquanto ele conta qualquer coisa.
-Ouve, tás a ver, é que disse-lhe mêmo assim: que idade é que tem? Ai tem 52? Pois olhe, eu tenho 19 e já papei muitas mais mulheres do que você com essa idade de sarteza! É que foi mêmo assim! Olha m'este..!
sábado, abril 04, 2009
"Vintra"
Conversa de criança, adolescente inseguro? Não! Conversa de adultos, na casa dos 30, gente supostamente inteligente, madura, confiante, segura, estabelecida, equilibrada...
Dizem que os 30 são os novos 20, os 40 os novos 30 e por aí adiante. Às vezes sinto que os 30 de hoje estão mais a atirar para os 10 e meio, vá lá, tal é a confusão que vai nas nossas cabeças! É que tinha muito mais certezas aos 20 do que tenho agora... e não estou sozinha. E porquê? Simplesmente, porque existe um grave desfasamento entre aquilo que somos e aquilo que é suposto sermos. É como se tivéssemos andado a ver passar navios uma década inteira. Ou como se a dita década não nos tivesse marcado, moldado, preparado como deveria. Como se tivéssemos entrado numa máquina do tempo sendo que metade das moléculas veio e metade ficou para trás. Portanto, ficámos com um pé cá e outro lá, algures no tempo. E agora, que já temos idade para ter juízo e tomar decisões sérias, agora que deveriamos começar a entrar na fase estável da idade adulta... "Errr... ai, espera lá... mas isso já é agora? Mas não me apetece...!"
Entalados é o que nós estamos. Entalados entre duas visões do mundo. Uma da geração que nos serviu de modelo mas com a qual não nos identificamos. Pessoas que, aos 30, tinham efectivamente 30, se sentiam com 30, se comportavam como tal e tinham vida de quem tem 30, ou pelo menos, o que está estabelecido para quem tem 30. A outra que nos apela, nos atrai, e que nos faz mais sentido, a dos jovens adultos que ainda não o são totalmente, mas com a qual também não nos encaixamos na perfeição porque a fase da vida, efectivamente, não é a mesma.
E o tempo a passar. O tempo que não pára, o tempo que exige decisões, o tempo que não dá descanso.
A vontade que dá é gritar: pára tudo! Parou aqui, não mexe mais até eu conseguir desatar o nó no cérebro, faz favor! Porque sim, estou na casa dos 30 mas não me sinto como a minha mãe se sentia com esta idade, não quero as mesmas coisas que ela, não vivo a vida da mesma maneira; e sim, estou na casa dos 30 mas continuo a gostar de ter a liberdade e energia e tudo o resto que caracteriza alguém que ainda não tem responsabilidades de maior, embora já as tenha. Porque entre o que é condizente com a idade e aquilo que quero e sinto e vivo vai uma distância considerável. Porque o que está no BI não é o que está na cabeça. Porque não é nada fácil de gerir, e ninguém explica, e é uma situação de "entalanço" completo! Portanto, preciso de mais tempo para pôr a cabeça em ordem e encontrar um lugar onde me encaixar!
Mas como o tempo não ouve... resta-me improvisar. Para me organizar mentalmente decido então alterar as regras do jogo, mudar a ordem natural das coisas e declarar que, afinal, existe uma outra idade que desafia as leis da natureza e que se recusa a deixar catalogar de acordo com os dados do arquivo de identificação. Uma idade onde se encaixa gente adulta, independente, crescida, com emprego, responsabilidades, casa e afins, até crianças a cargo se for o caso, mas que continua a ter "pica" para se atirar à pista de dança como se não houvesse amanhã, que continua a querer juntar os amigos em jantaradas e rir e fazer disparates sem se deixar amendrontar pela reunião do dia seguinte às 9h, que continua a brincar, a brincar muito! e não exclusivamente com os filhos, que se recusa a aceitar seguir as regras do que é suposto para esta ou aquela idade e cria as suas, que vive e sente que tudo ainda está em aberto. Chamo-lhe "vintra". E somos nós. Temos trintas claro que temos, e não os repudiamos, até nos orgulhamos. Chegámos aqui e estamos melhores que nunca! Mas também temos vintes e quinzes e dez, tudo misturado, a moldar-nos de forma única.
Nem sempre tudo é claro, nem sempre tudo é fácil, chega até a ser doloroso. Porque é sempre mais simples seguir um caminho que já existe. Mas pronto, aqui estamos, esta é a nossa realidade. E é, digamos... diferente. Mas eu diria que, aqui, a diferença tem tudo para ser boa...
sexta-feira, abril 03, 2009
Irascível
Que não pode dominar a própria ira ; irritável.
Vejo-me como um painel, cheia de botões, cada um activando um circuito, um processo. Há botões verdes, amarelos e vermelhos. Acho que é fácil perceber as consequências de carregar num ou noutro...
Há quem lide comigo há muito tempo e tenha conseguido sempre evitar os vermelhos. Têm jeito, talvez, carregam muito nos verdes, às vezes arriscam os amarelos, mas os vermelhos sempre conseguiram contornar.
Outras pessoas não... talvez por desconhecimento, alguns sem querer, sem dar conta e, seguramente, outros de propósito porque é preciso ou porque não têm medo de os (me) enfrentar. Quanto a estes últimos, enfim, quem tem cara para dar, tem cara para levar, por isso aguentam as consequências. E eu também.
Mas chego a ter pena daqueles que, por não conhecer, por não saber a regras das cores, por não saber sequer que elas existem, avançam sem medos. Nestes casos, tento lembrar-me de tudo isto impondo um delay entre a activação do botão e respectiva descarga energética mas confesso que raramente resulta.
Hoje, por causa de um assunto que me irritou, dei duas patadas valentes num colega. A culpa não era dele, o que me irritava era o assunto mas ele veio falar-me dele porque também estava envolvido. E, no meio da conversa, perguntou uma coisa tão simples como: Estás a perceber? Pronto, comecei a ver vermelho. Até aqui consegui manter a conversa no nível amarelo. Com esforço, é certo, mas consegui. Só que a perguntinha paternalista fez transbordar o copo, acender o red alert e fez disparar, com o sorriso mais cínico e insuportável que consegui arranjar, com o olhar mais gelado e mortífero do meu catálogo, a seguinte observação: Sim, sim. Sabes, eu tenho esta cara mas até sou minimamente inteligente.
Logo depois de terminar soube que tinha ido longe de mais. Imediatamente percebi que não tinha confiança para aquela resposta, que iria ser mal interpretada, que tinha acabado de criar uma situação bastante constrangedora. Mas... a pessoa parou, olhou muito a direito para mim, bem no fundo dos meus olhos, enfrentou o gelo, sorriu e continuou.
Não consegui evitar sorrir também. Porque me conseguiu desarmar, porque não se deixou atingir e porque... provalmente ficou a pensar que isto resulta sempre.... ;)
Fez-me lembrar a famosa frase da Mae West: When I'm good, I'm very good; when I'm bad, I'm even better.
quinta-feira, abril 02, 2009
Jogo
quarta-feira, abril 01, 2009
Olha que bonito...
Um
Por isso, parabéns a mim.


















