sábado, outubro 01, 2011

Perfil

E quatro giraças dizem: o velho e bom Jamaica still rules!!!

sexta-feira, setembro 30, 2011

Borrando a pintura

Jesus Christ...! I can be so damn nasty...

Puxando o lustro

Jesus Christ...! I can be so damn sweet... ! Aarrgghh!

quinta-feira, setembro 29, 2011

quarta-feira, setembro 28, 2011

Nas alturas



"PODER é...
estar no ponto mais alto e decidir em quem cagar."

Sou

Sou como você me vê,
posso ser leve como uma brisa
ou forte como uma ventania,
depende de quando
e como você me vê passar.

Clarice Lispector

O gato e as caixas

O resultado

A inércia perdeu, pelo menos por uma hora. Já não foi mau.

terça-feira, setembro 27, 2011

Em dúvida quase certa

E prestes a ceder ao livro que me chama, aos dois pares de olhos felinos que me vão receber, ao silêncio. Quase a ceder ao casulo onde me entrego a mim, só a mim, onde falo com as paredes, onde peço e grito explicações, onde choro, onde navego sem freios na minha melancolia mas também onde me refugio, quieta, sem ter que encarar nada nem ninguém, onde sossego.

Trouxe o saco, está na hora, o carro já sabe o caminho, eu sei para onde devia ir e sei também para onde não me devia deixar puxar...

Vamos ver quem ganha.

Porque a tua beleza está muito para além dos teus olhos tristes...

Seabird

Don't you remember
You were happy when you were younger
Things were so simple yeah
'Til the day he walked out on your mother
But now you blame yourself
Because you're by yourself
You feel like it's not gonna to change
You're crying on the floor cause you can take no more
Looking for a way to escape

And all this time saying you were fine
And everyone still to blame
Well there you are
You and your broken heart
It's written all over your face

Don't you know
Don't you know that you're beautiful yeah

I see you laughing
But I know inside that you're crying
Just tell me what happened when things went wrong
We'll try to make sense of it all
Please don't blame yourself
Cause you're not by yourself
I've been right here all along
Don't have to be alone
Because you've always known
Wherever your heart is my home

And all this time
Saying you were fine
And everyone still to blame
Well there you are
You and your broken heart
It's written all over you're face

Don't you know
Don't you know that you're beautiful
Yeah

Can't you see what you mean to me
Can't you see what you mean to me

A nova forma de comer sashimi



PS: Os deuses vos abençoem, minhas queridas, sem vocês a malta não se divertia nem metade!

Flying angel

E de repente, uma brecha. Informação procurada há anos que, com um novo olhar amparado pela evolução da tecnologia, nos parece agora mais próxima. Emails disparados para todos os lados com o intuito de chegar a um só. E chega, finalmente chega a algum lado, a alguém que nos pode levar ao nosso objectivo! Palavras trocadas de quem não se conhece, de quem está separado por um mundo quase inteiro, a viver vidas diferentes e que, por nossa iniciativa e boa vontade de ambos os lados, se cruzam e tocam. As fotografias antigas em formato moderno enviadas através da rede, a grande rede, a confirmação de que do lado de lá os mesmos rostos são familiares. Finalmente!

Mas depois o retorno, da notícia de morte, de quem afinal não vai ser possível ver, ouvir, saber. Porque continua a navegar os céus, como em vida, mas agora em forma de anjo, um anjo voador.

A tristeza e alegria misturam-se, a recompensa da descoberta é agridoce, os agradecimentos sucedem-se e cada um de nós oferece os seus préstimos "if you ever come to Hong Kong", "caso um dia venha a Lisboa"...

Quando comecei, perguntei-me se não me fazia confusão estar a mexer num passado que não é meu, a pedido, a tentar fazer reencontrá-la com alguém que não conheço, que um dia lhe podia ter mudado a vida e até inviabilizado a minha existência. Respondo claramente: não, não me faz confusão nenhuma. Como tive oportunidade de ouvir, se as pessoas que cruzaram um dia a nossa vida nos ficam na memória de forma tão forte, só pode ser porque a união dessas almas continua a fazer sentido, um sentido maior. E quando assim é, devem procurar-se. Não, não me faz confusão que as pessoas se queiram reencontrar e que se acredite que esse reencontro possa tornar as suas vidas mais ricas, com mais sentido, mais bonitas, mais completas. Não me faz confusão que, tendo essa oportunidade, reconheçam o quão valiosa ela é. Faz-me confusão, sim, quem se perde. Mais confusão me faz quem não entende essa preciosidade e se perde porque quer.

Esta não precisavam de me dizer

"Apesar de ter tido que enfrentar algumas dificuldades neste período, o seu anjo da guarda está mais do que alerta e constantemente do seu lado. "

segunda-feira, setembro 26, 2011

Perfil

Afundar no meu casulo. É só isso que me apetece... E talvez seja só afundando mais e mais que um dia perco definitivamente o fôlego e renasço...

Olhando, sempre olhando...



Às vezes o horóscopo cala-me a boca...

"Deixe-se de nostalgias que só o acabam por o entristecer. Siga em frente com a sua vida e tudo correrá bem."

Pára.

Stop leaving and you will arrive.
Stop searching and you will see.
Stop running away and you will be found.

Lao Tzu

sexta-feira, setembro 23, 2011

Pérolas... da "porca"!

"Ó T., porque você já sabe, eu sou uma pessoa cheia de problemas do fórum respiratório..."

quinta-feira, setembro 22, 2011

Palavras raras

Tenho saudades de dizer "amo-te". Tenho saudades de dizer "amo-te" e de que as letras saiam gordas e orgulhosas da minha boca, carregadas e a rebentar de sentimento enquanto se encaminham na direcção certa, a única que faz sentido. Tenho saudades de dizer "amo-te" e de nessa altura nada mais interessar a não ser o amor que a expressão carrega, de ser ele o único foco, de tudo o resto ser secundário. Tenho saudades de dizer "amo-te" porque ao decidir fazê-lo decido também derrubar as minhas barreiras em nome de algo muito maior. Tenho saudades de dizer "amo-te" e de estar a viver os momentos certos para o dizer porque não é qualquer momento, nunca foi, porque não se atira assim amor em forma de palavras em qualquer espaço ou em qualquer tempo. Tenho saudades de dizer "amo-te" e da certeza que sei que tenho quando o digo. Tenho saudades de dizer "amo-te" e de assumir a responsabilidade que fazê-lo carrega porque um "amo-te" leva em si a força desmesurada da alma - só assim se justifica que alguém o diga - e é a alma que se entrega ao dizê-lo e entregar a alma pode ter um efeito avassalador, desconcertante, mágico ao ponto de até mudar a vida de alguém. Quanto mais não seja a nossa. E mudar uma vida é coisa de muita responsabilidade. Tenho saudades de dizer "amo-te" e de me sentir envolta no brilho dos olhos de quem o recebe e de que este seja a maior desculpa para que as mesmas letras não sejam devolvidas porque deixa simplesmente de ser necessário. Tenho saudades de dizer "amo-te" por não ser possível dizer qualquer outra coisa, por qualquer outra coisa se tornar perfeitamente despropositada. Tenho saudades de dizer "amo-te" e sentir "amo-te" e saber que aquele momento será sempre o momento em que o senti e disse e o facto de ele ter existido faz com que nada mais volte a ser como antes.

quarta-feira, setembro 21, 2011

Toma lá para não teres a mania!

Com a mãe em viagem, os sms tornam-se na principal forma de comunicação. Relativa, bem entendido, dada a pouca apetência da progenitora pelas novas tecnologias (para não dizer completa aversão!). Digamos que, cada vez que se ausenta, tenho que lá ir a casa fazer uma revisão de como enviar sms porque é coisa que não faz parte do seu dia-a-dia por opção. Portanto, ao retomar por necessidade não se ajeita com todas as teclas e símbolos e o resultado acaba por ser espaços em vez de virgulas, acentos nem vê-los, linguagem telegráfica, uma ou outra letra trocada. Qualquer coisa deste tipo:

"parque maravilhoso pássaros e peixes..........andei muito;, tudo lindo calor muito pergunto gatos bons"

Tudo bem, a malta lá se vai entendendo (e rindo e lendo aos amigos para eles rirem também!). Um dia destes, até comentei que escreveu mal o meu nome tal é o pouco jeito e a pouca paciência. Ou assim julgava eu...

Hoje esclarece-me toda empertigada: "Tarasa" é o teu nome em croata!

E a propósito de voltar a mim...

“No matter what they wish for, no matter how far they go, people can never be anything but themselves. That's all.”
Haruki Murakami


(Obrigado, minha F.)

Constatação #48

Nada como ter os gatos A. e B. a circular pela casa para que os barulhos nocturnos não se transformem em monstros...

Como seria tudo tão mais fácil se não fossemos "sedentas"...

"O principal problema é que me falta qualquer coisa.(...) Só quando estou contigo é que percebo até que ponto tenho andado estes anos todos cheio de fome e de sede."
Haruki Murakami

Aos que nunca desistem, apesar de tudo...

Outra vez
Há poucos traços tão comoventemente humanos como a nossa infinita predisposição para começar de novo.

Setembro, como por aqui escrevia há dias o Nuno, presta-se bem a ela. À vontade de fazer outra vez, mas bem feito, ou melhor. Começar a direito, sem os erros do passado, as desatenções, a preguiça, a ingenuidade, o excesso, o descontrolo, a reincidência, o vício, a tentação e tudo o resto que o leitor queira acrescentar ou substituir. Acordar mais cedo, fumar menos, comer melhor, trabalhar com mais disciplina, sair a horas, não ceder a tantos convites, não cair em tantas esparrelas, atender sempre o telefone aos amigos, responder a todos os e-mails, ligar em todos os aniversários, estar presente, ser um homem ou uma mulher que admirássemos. Ou a promessa de frequentar o ginásio que já se paga. De ler todos os livros da estante antes de comprar outros. De cozinhar mais e comprar menos fora. Andar mais a pé e menos de carro. Dormir oito horas. Escrever em dias certos. Estar perto das pessoas. Acumular menos tralha. Conservar apenas o que é útil. Regar, diariamente, as plantas. Não adiar, diariamente, os dias. Escutar mais, esperar mais, acompanhar mais. Perder menos tempo com tudo quanto já se percebeu ser perda de tempo. Deixar-se de promessas. Não permitir que este seja apenas mais um Setembro como os outros, quando quase tudo ficou por cumprir. Gritar, aqui dentro e contra nós mesmos, que desta é que é (ou, numa versão mais ternamente ridícula, quem é que manda aqui?).

Por volta de Outubro – ou Fevereiro, no caso das resoluções regadas pelo réveillon, ou um mês depois do reatar da relação ou um mês depois da estreia no novo emprego ou – quase tudo se esboroou. Os cigarros fumados num dia de tensão, as horas mal dormidas para acabar o trabalho que não podia esperar, os amigos e a família que ficaram para trás, mais os livros e a comida saudável e o personal trainer e as plantas e tudo o mais, ultrapassados pela inércia e pela preguiça e pelos nervos e pelo excesso e pelo desmazelo e pelo cansaço. Tudo, aliás, como previsto.

Sempre soubemos que falharíamos, mas voltamos, sempre a tentar. E essa vontade, essa resiliência, essa capacidade infinda para a ilusão, tem de fazer de nós bons homens e mulheres.

Corremos em círculos, mas nem o Criador traçou o mundo em linha recta.

Por Alexandre Borges
em Sinusite Crónica

terça-feira, setembro 20, 2011

No limite...

... o que nos distingue uns dos outros é o que fazemos com o que sentimos. E o que fazemos com o que os outros sentem e nos dão...

Sob os feixes

Os tempos adivinham-se... trabalhosos. Não necessariamente duros ou difíceis ou dolorosos mas, sem dúvida, trabalhosos. Tenho que focar, focar naquilo que agora está em cima da mesa em detrimento do resto. Tudo é importante mas assumo a minha incapacidade de gestão das diversas matérias ao mesmo tempo. Tenho que focar, pensar, ponderar, fazer contas de cabeça e de lápis se for preciso, pensar a curto, médio e longo prazo. Pesar os prós e contras. Pensar em mim e nas mudanças que me fazem sentido. Pensar naquilo que estou disposta a fazer para as realizar.

Fazes-me falta para me ajudar a pôr as coisas em perspectiva. Fazes-me falta para me dares segurança, para falares comigo e dares as tuas opiniões, para me ensinares a ver um pouco mais além, o além que vê quem conhece já a viagem, quem a fez e aprendeu com ela. Fazes-me falta mesmo em não concordância comigo porque sei que que nada seria impeditivo de te ter ao meu lado, não importando as minhas escolhas.

Tenho que parar e pensar para acreditar. Porque é a crença que me leva para a frente, a crença em algo melhor, sempre foi, em todas as ocasiões sempre foi a crença revestida de esperança por melhores dias que me fez mover em determinada direcção. Tenho que parar e pensar e esperar que me ajudes mesmo que não com palavras mas através dos sentimentos que consigas implantar em mim dessa forma misteriosa que ninguém vê mas que acredito que exista. Acredito, sim, que é possível e por isso peço quando deito a cabeça na almofada.

Os tempos adivinham-se... e eu aqui estou na minha solidão de ti sem saber bem que rumo tomar. Focos. Focos de luz a apontar para mim. Diferentes tonalidades mas todos fortes e brilhantes. Os seus raios luminosos apontados a mim e aos meus olhos, a obrigar-me a retribuir a atenção que me é dispensada mas, de certa forma, cegando-me e não me deixando ver o que está por trás.

Confias em mim? Se tu confiares eu também confio.

segunda-feira, setembro 19, 2011

Perfil

A gerir expectativas.

sexta-feira, setembro 16, 2011

Eu e as pessoas sui generis que se cruzam comigo

No endocrinologista, o médico de cinquenta e muitos, barba farfalhuda, sorriso constante:
- Eu até concordo com o conceito do casamento para o resto da vida e tal mas... não sempre com a mesma pessoa, não acha??

O piadolas

Sabem aquelas pessoas que acham que têm mais graça do que realmente têm e estão de tal maneira babadas e convictas da existência de humor nas suas piadas que as repetem sempre que podem mesmo quando o assunto em nada se relaciona? Sabem??

E faz-se o quê com esta gente??

Perfil

Em "carraças"!

Delírio em julgamento

E avança a acusação:

Mas que tipo de pessoa temos aqui afinal? Não devia a arguida, como pessoa de bem, exultar qualquer forma de alegria? Não devia a arguida, como bom ser humano que alega ser, receber de braços abertos as mais diversas manifestações de felicidade e alegrar-se com elas? Não devia a arguida sorrir e deixar-se contagiar positivamente com os sons do riso, do riso puro, sincero, franco e cristalino...?

E a defesa, que veste a mesma roupa da arguida, diz:

Devia. Devia tudo isto. Mea culpa, mea culpa... pode ditar a sentença, se se baseia o honrado tribunal apenas e só nesta exposição pouco aprofundada sobre os meus valores morais! Mas antes, umas quantas considerações sobre a natureza do dito:

- estamos a falar de um riso com muitos e muitos decibéis acima do estabelecido por lei para os escapes de motociclos e outros veículos a motor incluindo maquinaria pesada;
- de um riso dono de estridência que me parece desaconselhada perto até de vidros duplos;
- de um riso com notórias semelhanças ao som de vários paus de giz afiados como ponta de faca contra quadro preto durante largos segundos;

Pergunto, então, e por tudo isto, sôtore Juíz, não revela o meu comportamento senão amor ao próximo? Não será a minha atitude perante os factos a grande prova da minha humanidade, tolerância, abnegação, de que dou a outra face?? É que convenhamos, a bem da verdade, eu até poderia estar aqui presente acusada de homicídio mais do que justificado e o facto é que não estou!


Tem razão, cara arguida, tem toda a razão. Vá, pelo caminho do Senhor, vá... que os tribunais divinos e terrenos a abençoem...

quinta-feira, setembro 15, 2011

Constatação #47

Os meus pontos fortes são fortes até demais...

Objectivo, mais um

"(...)
Que minha solidão me sirva de companhia,
que eu tenha a coragem de me enfrentar,
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo."

Clarice Lispector

quarta-feira, setembro 14, 2011

Perfil

Triste. Simplesmente triste.

De certeza que queres saber a resposta??

Sou uma rapariga cheia de questões. Questiono, pronto, é feitio.

Poder-se-á dizer que questiono porque raciocino, questiono porque não me contento, questiono porque a minha inteligência não se alimenta de respostas como "é assim porque sim" e o seu estômago tem um tamanho que só visto, questiono por vício, porque assim me criaram, eu sei lá, questiono.

E o meu espectro de questionamento pode ir desde questões meramente comezinhas ao verdadeiro sentido da vida e da nossa presença neste mundo.

Assumo a minha obsessão por respostas. Assumo a minha fome desmedida. E por isso, não me considero exemplo a seguir. Só os deuses sabem como me pareceu deveras acertada a consideração que um dia me fizeram sobre o risco da minha inteligência se tornar a minha maior inimiga...

Não obstante, tenho uma crença: não questionar é um acto de covardia. Quem não questiona não o faz porque tem medo das respostas e por isso escolhe uma vida de ignorante ilusão, fingindo que nada se passa a não ser aquilo que os seus olhos conseguem ver numa primeira e rudimentar análise ou que aquilo que sentem é simplesmente aquilo que ali está, não querendo considerar importante o suficiente o que existe - porque existe sempre alguma coisa - por trás do pano. Quem não questiona fica-se pela rama porque regra geral a "rama" é mais simples de ler, de entender, ou mesmo que não se entenda, de aceitar, dá menos trabalho e, acima de tudo, não nos abana a estrutura, a sua simplicidade e consequentes respostas plain text dão-nos segurança e pretenso equilíbrio, fazem-nos pensar que "isto até é fácil, é só fazer isto e pronto, o resto afinal não interessa nada, não vale a pena complicar." São os sim porque sim, os não porque não, os que se bastam com eles.

Assumo a minha obsessão mas não deixo de me entristecer quando me deparo com inteligências famintas que, assumidamente e por escolha própria, preferem continuar a morrer lentamente à fome, talvez até acreditando que as doses homeopáticas de perguntas e respostas que fazem e dão a si próprias serão alimentação bastante.

Assumo a minha obsessão mas a minha resposta à pergunta no título do post continua a ser "Sim, quero. Mesmo que doa, mesmo que me custe, mesmo que seja difícil, mesmo que não goste, quero. Quero sempre. Não nasci para viver na ignorância, na ilusão, na "rama". Sim, quero e acho mesmo que vou continuar a querer até morrer."

E se calhar, até nem me importo de morrer disto...

O objectivo

"Quero que um dia olhes para mim e penses "Sim, ela é uma pessoa feliz, como antes"".

terça-feira, setembro 13, 2011

... dá-te asas!

"Música. Gosto desta música... gosto mesmo. Estás a ouvi-la, avó? Ai, espera... avó?? Mas como é que estás aqui comigo na caixa do supermercado a ensacar as compras? Ou ressuscitaste ou morri eu, que giro... E já viste que curioso a música que se ouve aqui pelos corredores ser igualzinha à do meu telemóvel? Há com cada uma... mas... hã?? Isto afinal parece ser mesmo o meu telemóvel e a avó já não está aqui e a caixa de supermercado também não... e aquilo ali, é o quê? O lombo de porco com ameixas que pus no carrinho ou o gato B. a dormir? É que ia jurar que ... o quê?? Mãe?! Mas... que horas são? Já estás em Zagreb???"

7:40h
E assim acordei.
Do outro lado pânico, pânico total que levei uns cinco minutos para entender enquanto, e apesar disso, me tentava vestir por cima do pijama. Aos tropeções, consegui assimilar que tinha que correr, correr muito, como se não houvesse amanhã, havia um avião dependente da minha rapidez para levantar vôo. Em cinco minutos três telefonemas: "Tens que ir a minha casa, trouxe o passaporte antigo! Tens que ir a correr!". E eu grito, já ouvi, já ouvi!, larga o telefone pela tua saúde, senão não consigo conduzir!

E corri. Ou melhor, voei. Acelerei, apitei, desviei-me, ultrapassei por todos os lados que me foi permitido, sendo que o "permitido" aqui não é necessariamente complementado com o "por lei", acelerei ainda mais um bocado, quase galguei o passeio a estacionar, o carro e eu a guinchar e a deitar fumo. Na mão, chaves e telemóvel, quando não caiam ao chão na atrapalhação, e um rotundo f****-se! em vez do bom dia à porteira, a fechadura que "porra para isto, tem demasiados voltas a dar", o telefone outra vez. Sim, sim, estou a chegar, já sei qual é a caixa, vou lá direitinha.... espera... espera... ok, já o tenho, estou a ir para aí! E as recomendações sobre o tal fulano de casaco azul que está à minha espera nas partidas e "corre, por favor, senão não posso ir."

Em vôo sobre o asfalto novamente, a tentar raciocinar sobre qual seria o melhor caminho, por onde ir para evitar sinais enquanto já voava estrada fora, que raio anda esta gente a pastelar a estas horas da manhã, "mas ninguém tem pressa, ninguém trabalha nesta terra?? Irra!". A Rotunda do Relógio feita quase só em duas rodas, as partidas mesmo ali.

E chego. E entrego o passaporte ao fulano de casaco azul. E batiam as 8h.

A seguir, o telefonema para a descansar: pronto, está entregue, já vais poder embarcar, que sorte o tipo ter podido vir cá fora... hã? Desculpa? Ai estava à espera de alguém do grupo que ainda nem tinha chegado...?


Ceeerto... tudo certo...

segunda-feira, setembro 12, 2011

Constatação #46

Idiossincrasia
Temperamento especial de cada indivíduo (relativamente à influência que nele exerce o que lhe é alheio).

No fundo, "lá estás tu com o teu mau feitio, rais partá miúda!".

Frase do dia

"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir..."

Clarice Lispector

Porque é assim mesmo

This Ain't A Love Song
Scouting For Girls

Every night I remember that evening
The way you looked when you said you were leaving
The way you cried as you turned to walk away
The cruel words and the false accusations
The mean looks and the same old frustrations
I never thought that we'd throw it all away
But we threw it all away.

And I'm a little bit lost without you
And I'm a bloody big mess inside
And I'm a little bit lost without you
This ain't a love song, this is goodbye (oooooh)
This ain't a love song, this is goodbye (ooooh)

I've been lost, I've been out, I've been losing
I've been tired, I'm all hurt and confusion
I've been mad, I'm the kind of man that I'm not
I'm going down, I'll be coming back fighting
I may be scared and a little bit frightened
But I'll be back, I'll be coming back to life
I'll be coming back to life

And I'm a little bit lost without you
And I'm a bloody big mess inside
And I'm a little bit lost without you
This ain't a love song, this is goodbye (oooooh)
This ain't a love song, this is goodbye (ooooh)

Whoooo
And you can try (you can try)
And you can try but you'll never keep me down
And you can try (you can try)
And you can try but you'll never keep me down

La la la la la la la
(I wont be lost, i wont be down)

And I'm a little bit lost without you
And I'm a bloody big mess inside
And I'm a little bit lost without you
This ain't a love song, this is goodbye

It's alright (It's alright) cause you can try but you'll never keep me down
It's alright (It's alright) I may be lost but you'll never keep me down
You can try (you can try) you can try but you'll never keep me down
You cant try (you can try) I know i'm lost but I'm waiting to be found
you'll never keep me down
you'll never keep me down
never keep me down

sábado, setembro 10, 2011

O que interessa dizer

Aqui sentada, at last.

Munida de coragem, lá me disponho a tentar estruturar o pensamento, a pôr ordem na casa. E escrevo, escrevo, escrevo, um texto profundo, elaborado, com o seu quê de enigmático, estratégia usada de propósito para expôr só o que realmente interessa, o âmago das questões, sem expôr demasiado o que não é relevante como o quando, o quem e o como. Porque estas questões mais corriqueiras distraiem do essencial, não reconheço qualquer utilidade em expôr os detalhes que enfeitam a coisa quando o que interessa é mesmo só o que interessa.

Munida de coragem porque a bagagem, a tal bagagem que todos nós temos, é pesada, difícil de empurrar, e alguma, ainda por cima, é dona de formato estranho, "esquinudo", o que torna ainda mais difícil o seu encaixe no devido lugar. É como certas peças de puzzle, eu até sei que são ali naquela zona mas experimento, viro de cabeça para baixo e experimento outra vez, e mais uma volta e experimento de novo, e aquilo parece não pertencer a lado nenhum (e agora de repente lembrei-me que há uns tempos largos que não faço um puzzle...).

E assim, corajosa, escrevo. E leio e releio. E apago. E escrevo outra vez. E volto a ler e a apagar e a ler até que finalmente desisto do texto bonito e profundo e enigmático e sensível. Desisto porque não me está a preencher, porque está demasiado nem sei bem o quê ou pouco não sei que mais e, decididamente, não me soa, não corresponde à minha exigência, não reflecte a minha cara, não a de hoje. Desisto porque, no fundo, o que quero dizer não precisa de palavras bonitas e profundas e sensíveis. O que quero dizer é tão somente "isto é uma m****, é o que é!".

Porque tudo é demasiado complexo e tortuoso; porque a maioria das pessoas, de facto, não vale um caracol; porque há coisas inaceitáveis, mesmo, mesmo! inaceitáveis e estou farta que me digam que eu tenho que as engolir e aceitar e estou farta da desculpa do "somos todos diferentes, é diferente de pessoa para pessoa", o raio é que é, quando se faz mal, faz-se mal e pronto, não há desculpas; porque a cabeça me dói agora de todas as vezes que acordo, deve ser o meu cérebro que acha que dormir é que é bom e odeia que o tragam à realidade; porque esta é a realidade; porque dói, dói e continua a doer e eu estou farta que doa; porque ser "muito corajosa" é difícil como tudo e eu começo a estar dorida demais; porque as palavras percorrem-me entrecruzando-se, a correr de forma desesperada, um bocado aos encontrões, tentando entender-se entre si porque também elas querem criar uma só e não conseguem e isso é brutalmente cansativo; porque as contradições são factos, eu não sou maluca!, e andam a lixar-me a cabeça há tempo demais; porque me irritam os caminhos enviusados que a maioria das pessoas usa para não dizer o que deve dizer; porque a esperança escasseia quando devia abundar; porque me sinto sempre mais pequena; porque me apetece gritar e não posso; porque acredito que a dignidade está em olhar no olhos, o resto é prosa barata; porque a p*** da escuridão continua a impôr-se como manto abafando a luz; porque o meu coração não me obedece; porque pensei, vezes demais, em pôr um fim a isto tudo, o fim mais definitivo que há; porque as datas dóiem; porque me sinto uma atada; porque a minha única hipótese agora é abraçar o egoísmo, o meu egoísmo; porque se calhar já o devia ter feito há muito mais tempo; porque não tenho medo de dar a cara a chapadas quando acho que assim tem que ser mas, convenhamos, não há chapada que não fira; porque o nosso vocabulário é composto pelas palavras nativas e pelas outras, as que nos são oferecidas ou talvez impostas e, muitas vezes, atiradas sem dó nem piedade e, quando é assim, nós não as deviamos tornar parte de nós; porque o estômago continua embrulhado, sim, há muito para digerir e nem tudo são folhas de alface; porque já não sei o que são noções como felicidade, sentido, amor; porque julgava que sabia mas descubro agora que já não envergam a capa da certeza que vestiam antes, foi arrancada, o que me põem a questionar tudo, até quem fui afinal; porque, assim sendo, não sei o que procurar...

Acima de tudo, um objectivo em mente. Que, se formos a ver, tem sido sempre o mesmo: paz. Paz interior, paz com o que está para trás, paz em relação ao presente e ao futuro. Paz na organização das bagagens, paz para atravessar os dias. Paz daquela paz que só se alcança quando sabemos que fizemos tudo o que estava nas nossas mãos. E paz trazida pela aceitação do que não podemos controlar.

Diz que é agora o momento. Diz que o fecho está aí, ao virar da esquina, que esta é a oportunidade desenhada no mapa do universo. Diz que é agora. E eu espero que isto queira, no fundo, dizer que, da mesma forma que em tempos se abriu um buraco negro no céu no minuto em que eu estava justamente ali, no momento e lugar certos, também agora outra brecha vai acontecer em cima da minha cabeça mas, desta vez, emanando luz. E eu não posso, não posso de todo sequer pestanejar, não posso e tenho um medo horrível de que ela me passe ao lado...

sexta-feira, setembro 09, 2011

quarta-feira, setembro 07, 2011

Constatação #45

Nada como não ter bolsos para descobrir as reais potencialidades de um banal soutien...

Adiamento

Língua embrulhada, é o que eu sinto. Catadupa de emoções e pensamentos. E parece que o meu cérebro não tem velocidade ou capacidade de processamento suficiente. E ando, por isso, há dias a tentar sentar-me aqui e nada, nada sai porque sai tudo de uma vez, frases e letras enganchadas e encavalitadas umas nas outras, sem nexo, penduradas aqui e ali, sem formar raciocínios escorreitos que originem resumos lógicos para que, por sua vez, se chegue ao que importa dizer.

Talvez amanhã...

Frase do dia... porque vem mesmo, mesmo a calhar...

“God grant me the courage not to give up what I think is right even though I think it is hopeless.”
Chester W. Nimitz

segunda-feira, setembro 05, 2011

Aos que não se conformam

"Já perdoei erros quase imperdoáveis,
Tentei substituir pessoas insubstituíveis,
E esquecer pessoas inesquecíveis.
Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual...
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar."

Bertold Brecht

sexta-feira, setembro 02, 2011

Porque... e a propósito...

With Arms Wide Open
Creed

Well I just heard the news today
It seems my life is going to change
I close my eyes, begin to pray
Then tears of joy stream down my face

With arms wide open
Under the sunlight
Welcome to this place
I'll show you everything
With arms wide open
With arms wide open

Well I don't know if I'm ready
To be the man I have to be
I'll take a breath, I'll take her by my side
We stand in awe, we've created life

With arms wide open
Under the sunlight
Welcome to this place
I'll show you everything
With arms wide open
Now everything has changed
I'll show you love
I'll show you everything
With arms wide open
With arms wide open

I'll show you everything
Oh yeah
With arms wide open
Wide open

If I had just one wish
Only one demand
I hope he's not like me
I hope he understands
That he can take this life
And hold it by the hand
And he can greet the world
With arms wide open

With Arms wide open
Under the sunlight
Welcome to this place
I'll show you everything
With arms wide open
Now everything has changed
I'll show you love
I'll show you everything
With arms wide open

With arms wide open
I'll show you everything oh yeah
With arms wide open
wide open

De peito aberto

Decidi. E tendo decidido, abri os braços à essência dos dias, assumindo-a e aceitando-a como parte de mim em vez de lhe voltar as costas. Porque não vale a pena, já voltei as costas vezes demais para perceber que não vale a pena. Abri os braços ao que daí pode vir, dando a cara e o coração, e espero agora que a vida aceite o meu abraço, mo devolva também. Talvez seja este o caminho para a cura. Se dói? Claro, dói, dói muito e pode até vir a doer mais. Mas há curas que se alcançam sem que haja necessidade de sofrer, há dores que não curam nada, só doiem, e depois há estas, as dores que saram. Que talvez sarem... Acredito, assim, que é este o caminho e preparo-me para ele. E caso a vida decida não me devolver o abraço, então abraço a sua decisão à mesma, despeço-me, fecho a porta e entrego-me ao plano B, seja ele qual for.

quarta-feira, agosto 31, 2011

Perfil

Já sem medo de naufragar...


... ok, talvez só um bocadinho...

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... or not...

Os Actores e os "actores"

A morangada: uma geração rasca de actores
De alguns anos a esta parte, em especial desde que surgiram formatos televisivos amorangados, macacadas com vampiros de mochila às costas e rebeldias do acne que a televisão em Portugal (e parte do cinema por arrasto) se tornou numa espécie de viveiro de actores que apenas o são porque alguém os enganou enquanto espremiam as borbulhas uns aos outros num casting de manequins. Uma bandalheira generalizada. E perdeu-se espaço para o talento que marcou muitas e boas gerações de actores neste país.

A formação hoje em dia vem depois, quando o "actor" está farto de ser "actor" e decide ir estudar qualquer coisinha ligada à representação porque não pode fazer de adolescente toda a vida, normalmente escolhem o estrangeiro, vulgarmente Los Angeles porque " lá fora é que é bom". Para esta malta fazer um curso de representação nos EUA é como ir ali ao Pingo Doce comprar fruta da época, sabe bem. Resultado: em Portugal hoje em dia é comum uma pessoa sem qualquer formação ou aptidão especial para representar começar a fazê-lo, por variadíssimas razões, que vão da simples aparência ao facto de serem sobrinhos do não sei quantos ou, muito frequentemente, por não se importarem de dormir com metade da equipa de produção, som, imagem e ainda com o individuo que estaciona os carros à porta dos estúdios e vá -toma lá umas deixas que começas amanhã às 8 a ser uma vedeta.

Não querendo generalizar mas avaliando o estado geral de coisas (basta sintonizar as televisões portuguesas a algumas horas do dia e estar uns minutos atento - mas sem exageros não quero induzir o coma a ninguém) o vulgar jovem actor português de televisão é hoje uma espécie de batido de estupidez com natas e açúcar. E vale tudo. Do rapazola musculado modelo de roupa interior a fazer de galã mas com a expressividade de um pinheiro até à adolescente "boazona" mas que é necessário ter um tradutor de "troglodita" para português para se entender o que diz. Daí à passagem a apresentadores é apenas um passo, dois castings e três noitadas. Chamam-lhe produção nacional. Eu chamo-lhe disfunção cerebral. Completa estupidez de quem gere este sistema.

E nascem assim as novas "vedetas" deste país. Ganham tiques e começam a comportar-se como tal. O ridículo total. Alguns são detidos uns meses mais tarde por posse e venda de estupefacientes num qualquer bairro problematico dos arrabaldes. A passadeira vermelha está estendida a tudo o que é grunho. A maioria destas pessoas é desprovida de talento, capacidade ou inteligência. Infelizmente neste país à beira mar plantado e mal regado quem se dedica de alma a esta nobre arte de entretenimento do público através da representação, quem opta e sonha ser actor e para isso estuda e treina aptidões e a vocação com que nasce (não é coisa que se adquira na Bershka), raramente tem uma verdadeira oportunidade de o demonstrar, pois tem os caminhos tapados por uma fila de morangos deslavados e salas cheias de vampiros de boné na cabeça e brinquinho na orelha. Uma tristeza saloia.

In 100 Reféns
por Tiago Mesquita

terça-feira, agosto 30, 2011

segunda-feira, agosto 29, 2011

Empate a três

Em três semanas, três livros e três latas de leite condensado cozido. Não está mau...

domingo, agosto 28, 2011

Nomes

"Continuei com paixão a desejar essa coisa que eu não sabia como definir porque lhe recusava o único nome que lhe convinha: a felicidade"

Simone de Beauvoir
in "Memórias de uma menina bem comportada"

quinta-feira, agosto 25, 2011

Frase do dia

"Não interessa quão depressa vais, desde que não pares."

Ditado oriental

terça-feira, agosto 23, 2011

Perfil

Estou na "Ilha Teresa"...

domingo, agosto 21, 2011

O dia do silêncio






Baby food

Iogurte natural e banana aos pedaços... fecho os olhos e transporto-me para algures em mim, criança pequena, leve, de sorriso rasgado simplesmente porque cada colherada me estava a saber bem...

sexta-feira, agosto 19, 2011

Perfil

A almoçar à frente do computador...

... and this is only the beginning...

sexta-feira, agosto 12, 2011

Óbito

E parece que o famoso pinheiro, que tanto tem dado que falar no seio da família nos últimos tempos, tem mesmo que ser abatido, segundo opinião de técnico especializado (vulgo Sr. Silveira). Deixamos de ser "a casa do pinheiro", aquela que se distingue do cimo da ponte por praticamente não se ver, protegida que está pelas ramagens altas e frondosas. Agora... vamos ficar a descoberto. Agora... é muito mais provável que comecemos a aparecer nas revistas...

quinta-feira, agosto 11, 2011

Porque "... if you sound like that, all you need is a piano"

Someone Like You
Adele

Os "special ones"

Serei eu maravilhosa o suficiente para merecer as pessoas maravilhosas que tenho à minha volta? Ou é só mesmo uma questão de sorte...?

Faltas


Fonte: Stuff No One Told Me

Paragens

E a vida a andar como tem que ser. E eu, como sempre, a reboque dela, sem a conseguir domar, levada de arrasto pelos dias e pelas horas, pelas palavras, aos empurrões. Vazio e escuro. O buraco negro que nunca mais se fecha e onde me enterro ainda mais com as minhas próprias mãos. Falam-me em propósitos maiores, em razões para além da razão, em entendimentos profundos que nos levam ao verdadeiro preenchimento da alma. Falam. Mas eu ainda não vi nada. Mas eu ainda não senti nada. Sinto, sim, dor e mágoa e tristeza e perda, cada vez mais a perda, e espero ardentemente que estas me levem a um lugar melhor. Porque se assim não for, alguém me diga, por favor, que eu saio já aqui.

quarta-feira, agosto 10, 2011

No escurinho do cinema...

Sim, é um filme cá dos meus, da vida como ela é, de pessoas, com as suas tragédias, com a sua humanidade. E humor, subtis toques de humor que fazem toda a diferença. Exactamente como nós.

A Viagem do Director

Perfil

Restless...

terça-feira, agosto 09, 2011

Constatação #44

Há coisas que só me atrevo a dizer a mim mesma e apenas quando submersa no escuro da cama.

segunda-feira, agosto 08, 2011

A aquecer o motor....

Acabei de criar um lembrete para, na sexta-feira, não me esquecer de activar o aviso de ausência do escritório... sim, porque EU VOU ESTAR AUSENTE DO ESCRITÓRIO, ah pois vou, durante três semanas inteirinhas e não!, já foram todos mais do que avisados ao longo do ano e com mais insistência assim que se dá o solstício de Verão, N-Ã-O A-T-E-N-D-O T-E-L-E-F-O-N-E-M-A-S!!

:)

Despedindo-se

"Receba um forte abraço meu e votos para que a tranquilidade a vá conquistando."


Acho que, nos dias que correm, é mesmo o melhor que se pode desejar a alguém...

Recém-passados










sexta-feira, agosto 05, 2011

Frase do dia

"A maior dor da humanidade é o desejo de permanência num mundo impermanente."
Astrolocoach dixit

quinta-feira, agosto 04, 2011

Constatação #43

Há pessoas cuja tendência de ver os outros à sua imagem e semelhança é tão grande que até confundem as nossas "histórias" com as suas.

Agustina

Admito, não foi fácil.

Decididamente, a sua inteligência é demais para que a minha tenha, sequer, a veleidade de a alcançar... Mas como tenho uma estranha mania de não desistir de livros a meio porque acho uma falta de consideração pelos próprios e pelo conhecimento, sabedoria e magia que o abnegado autor resolveu partilhar connosco, comuns mortais, lá continuei, armada com a cara e a coragem que era o que tinha.

Sorri, sorri muito, mesmo quando era um sorriso "não te estou a entender na totalidade mas só a ideia que julgo estar a conseguir apanhar já me parece brilhante". Parei várias vezes, verifiquei os nós que se me tinham instalado nesta ou noutra página, e reli, um, dois parágrafos para trás, na tentativa de absorver o máximo que o meu cérebro conseguia. Sorri de novo pela forma como manuseia a língua com mestria e conhecimento fazendo-o parecer tão fácil, como aprofunda o ser humano como se tivesse estado dentro dele, como põe a nu pensamentos e emoções de forma crua e tão, mas tão, verdadeira.

Não foi fácil, admito. Mas terminei-a. Foi o nosso primeiro encontro e orgulho-me que tenha, afinal, corrido tão bem. Ao contrário de outros autores, sei que quando nos voltarmos a encontrar já vou de pé atrás, preparada para ver o meu entendimento arrebatado e remexido ao ponto de me fazer chegar até a duvidar da sua existência. Mas sorrio ao pensar nisso. Porque já sei que vai dar luta mas que vai valer a pena.

Agora, não contente, pelos vistos, com as chapadas no intelecto que levei daqui, resolvo meter-me com outra senhora, esta com mais um 'S' grande... entra, assim, em cena Simone de Beauvoir, vamos ver se não saio eu de cena de rastos outra vez...

segunda-feira, agosto 01, 2011

Dos entendimentos

Dos entendimentos, sim. Do que leio, do que vejo, do que ouço, do que penso.

Tentativas para encontrar explicações. Sempre, parece vício. Tentativa agora, por uma questão de sanidade mental, de as dispensar. Parece missão impossível. Mas como tudo teria sido tão mais fácil se o tivesse conseguido fazer desde o início, desde que as cartas do jogo mudaram, desde que o "sim" passou a "não", o "sempre" a "nunca", a "vida" a "morte". Mas não deixa de ser curioso como parece importante aceitar não procurando razões acreditando ao mesmo tempo que existe uma razão maior. A razão sem razões. A razão que explica as outras, as outras que não têm explicação em si mesmas. Demasiado metafísico para esta cabeça analítica, sem dúvida.

Dizia eu que bom teria sido se a aceitação fizesse parte intrínseca do meu vocabulário nativo, da minha composição. Acredito que grande parte das minhas angústias tivessem definhado à partida, sem solo fértil onde florescer.

Aceitação. A tal palavra mágica e, ao mesmo tempo, cruel, violenta de tão contra-natura que é. Até parece que nunca fui obrigada a aceitar nada na vida... Fui, pois, como toda a gente, mas não sem luta, sem valentes cabeçadas na parede, sem explorar tudo o que estivesse ao meu alcance, sem espremer todas as possibilidades. Houve tempos em que desisti, aceitei mas conheço-me o suficiente para saber que, até hoje, não vivo bem com isso. E, mais tarde ao mais cedo, o que é abafado vem ao de cima...

Falávamos disso, nós as duas, em como abafei parte de mim em tempos, em como muitos conseguem viver assim. Não, na realidade não vivem. Sobrevivem enquanto definham por dentro. "Queres isso para ti?". Não. Mas pergunto-me se, ao não querer, não estou a dar um passo maior que a perna, não estou a abrir uma caixa de Pandora cujo peso não vou aguentar nos meus braços depois. Não devia eu, como tanta gente, resignar-me, aceitar, pôr de lado alguns sonhos e expectativas e desejos e aceitar o que a vida me dá, a vida como ela se apresenta, o "é o que é" e ser feliz com isso? Pois... ser feita da mesma matéria dos sonhos pode ser muito frustrante...

Pergunto-me se aprendi alguma coisa... Pergunto-me se não seria suposto que as voltas da vida me tivessem ensinado a querer menos, pergunto-me se não foi exactamente essa a mensagem que o Universo me tentou passar mas que eu, cabeça obstinada e teimosa, me recusei a ouvir. Pergunto-me se aprendi alguma coisa afinal...

Porque a sensação é que mudei, sim e depois... mudei outra vez. Iniciei a viagem, dei uma volta de 180º mas, em alguns aspectos, o círculo fechou de novo, tendo voltado ao ponto de partida. Talvez com outra bagagem, sim, mas ao ponto de partida. Ou, por outras palavras, a mim. Com tudo o que isso tem de bom e de mau.

Porque é suposto os tempos difíceis ensinarem-nos o que não conseguimos ver, ou melhor dizendo, sentir. Sabemos que existem, até somos capazes de subscrever como nossos determinados conceitos e valores como humildade, tolerância, abnegação, altruísmo, paciência, amizade, amor mas verificamos depois que o fazemos apenas em teoria. A prática só acontece quando somos forçados a "pormo-nos nos cornos do touro" e a sentir a força das suas marradas. Aí sim, vamos de cara ao chão. E aí sim, parte de nós racha e, olhando lá para dentro, vemos com olhos de ver, à luz do dia, o que realmente somos, o que apenas subscrevemos, o que gostariamos de ser a partir daí. Vemos os nossos erros, os nossos defeitos escancarados de fora do corpo. Vemo-los e pensamos: sim, era demasiado isto ou aquilo; sim, errei muito aqui e ali; sim, quero aprender com isso e fazer melhor.

Passaste por lá, não foi? Passei. Passei e revi cada um dos erros e defeitos à lupa para ter a certeza de que não me escapava nada. Passei e peguei-lhes na mão de forma a senti-los verdadeiramente. Passei para aprender tudo o que podia e utilizar essa aprendizagem no futuro. Passei porque me quis tornar numa pessoa melhor.

Mas o tempo passa... e passado também esse momento de humildade extrema em que o mea culpa e o tormento levam a melhor, os ânimos acalmam, a ferida começa a fechar, a cabeça começa a erguer-se. E dá entrada a fase seguinte: aplicar o que retivemos, o que julgamos ter aprendido na vida real. Deixamos-nos de análises e passamos à prática. Em teoria... Mas também aqui se dá início à separação entre trigo e joio. E aqui começam os problemas, as dúvidas, a análise fria do que se trouxe e daquilo para que nos serve. Sim, aprendi isto e mais isto mas, afinal, e o que está a adiantar? Porque há mudanças nossas que não parecem ter efeito nenhum na vida ou nos outros ou no que nos rodeia. Na prática, o nosso exterior continua igual sem que a nossa mudança interior o afecte. De que serve então se não produz nada, nenhum efeito para além da tão prometida mas tão eventual ou, para mim, quase utópica paz interior e mais não sei o quê? Convenhamos, olha bem para ti, tu és mesmo assim ou estás-te a fazer porque dizem que é bom? E chego à conclusão que não, não sou assim. E reparo que não, não passei a boazinha, a benevolente, a abnegada, a mais tolerante, à amiga que tudo aceita, áquela que dá amor incondicional sem esperar nada em troca. É verdade, uma verdade talvez triste, mas que se lixe, esta não sou eu. Aprendi umas coisas, sim, mas não o suficiente para deturpar a essência do meu ser. Devia? Talvez. Talvez ganhasse mais com isso...

E agora? Chegada aqui, vou para onde? Algo me diz que ainda vou ter que esperar mais um bocadinho para saber...

sexta-feira, julho 29, 2011

Outra daquelas que nem vale a pena explorar

- (disse eu) Bem, este mês a coisa correu mesmo bem! Tudo a tempo e horas, poucos erros, sim senhor, foi muito bom.
- (ouvi eu): Realmente! Foi, de facto, fantasmagórico!



...vale a pena massacrar o meu cansado cérebro a tentar descobrir que raio queria ela dizer??? Nããã, deixa lá isso...

Este desafio constante que é a vida...

Encaixar na minha rotina acelerada de manhã a decidida-à-última-hora lavagem e secagem de cabelo e até chegar mais cedo ao trabalho... yes, we can!

quinta-feira, julho 28, 2011

Consegues..?


Fonte: Stuff No One Told Me

"És uma pessoa extremamente inteligente mas essa tua inteligência é também a tua pior inimiga... Tens que aceitar que nem tudo tem uma explicação lógica, que a vida e os outros nem sempre fazem sentido, que a soma de dois mais dois não é sempre igual a quatro. Tens que parar de tentar analisar e entender tudo, tens que desistir de tentar obter explicações para o inexplicável. Porque ele existe, quer tu queiras, quer não. Aceita-o e vives melhor."

terça-feira, julho 26, 2011

Autorização...

"É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto..."

Antoine de Saint-Exupery
in O Principezinho

segunda-feira, julho 25, 2011

As estrelas a falar francês

"Les rencontres dans le milieu amical ou associatif sont favorisées, l’amitié se transforme en amour, l’amour se consolide sur le plan amical. Ne sous estimez pas les occasions qui ne manqueront pas de se présenter. Vous n’êtes pas à l’abri d’un coup de foudre, ou d’une révélation soudaine en milieu de semaine. Les prises de conscience sont favorisées, vous ne referez pas les mêmes erreurs car vous comprendrez vraiment là ou vous avez agi par trop de légèreté dans le passé."

Frase do dia

"Eu tenho uma espécie de dever, de dever de sonhar, de sonhar sempre, pois sendo mais do que um espectador de mim mesmo, eu tenho que ter o melhor espectáculo que posso."

Bernardo Soares
in Livro do Desassossego

sexta-feira, julho 22, 2011

Gata A. versus Agustina Bessa-Luís




"Nope, tu agora não vais ler... vais é dar-me atenção..!"

quinta-feira, julho 21, 2011

Curioso... para dizer no mínimo...

Há uns dias, o meu computador informou-me que tinha que mudar a palavra-passe. Todas as vezes que isto acontece, tento sempre pensar em alguma palavra ou expressão que tenha significado para mim para não a esquecer facilmente. Digamos que "bife", a não ser que me refira a algum fulano nórdico em particular, é capaz de facilmente se me resvalar na memória, por associação, para "carne assada" ou "empadão de miúdos" e deixo de saber a quantas ando.

Tento sempre, também, que não seja ridícula ao ponto de não a poder transmitir a alguém em caso de ausência prolongada da minha parte. Portanto, "o meu 'morzinho é lindo e azul e fofinho como as nuvens e chama-me pirolita doce de barraca de feira popular", até hoje, nunca foi uma hipótese.

Há uns dias, o meu computador informou-me que tinha que mudar a palavra-passe... Escolhi "renovação". E não é que, desde então, de todas as vezes, mas mesmo todas as vezes!, que tive que a escrever, me tem saído sempre, antes de qualquer outra coisa, "reclamação"???

I wonder why...

quarta-feira, julho 20, 2011

Frase do dia

"Não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos."
Anais Nin

Significados


"Roubado" de um dos meus blogs preferidos: http://duas-ou-tres.blogspot.com/

terça-feira, julho 19, 2011

Porque está na minha natureza

Drive
Incubus

Sometimes, I feel the fear of uncertainty stinging clear
And I can't help but ask myself how much I let the fear
Take the wheel and steer
It's driven me before
And it seems to have a vague, haunting mass appeal
But lately I'm beginning to find that I
Should be the one behind the wheel

Whatever tomorrow brings,
I'll be there
With open arms and open eyes yeah
Whatever tomorrow brings,
I'll be there
I'll be there

So if I decide to waiver my chance to be one of the hive
Will I choose water over wine and hold my own and drive?
It's driven me before
And it seems to be the way that everyone else gets around
But lately I'm beginning to find that
When I drive myself my light is found

Whatever tomorrow brings,
I'll be there
With open arms and open eyes yeah
Whatever tomorrow brings,
I'll be there
I'll be there

Would you choose water over
the wheel and drive

Whatever tomorrow brings,
I'll be there
With open arms and open eyes yeah
Whatever tomorrow brings,
I'll be there
I'll be there

segunda-feira, julho 18, 2011

Frase do dia por ser este dia

"Amor não se conjuga no passado, ou se ama para sempre ou nunca se amou verdadeiramente."
M. Paglia

Dois

Ontem, deitada, as lágrimas silenciosas e a gata A., que as ouviu, enroscada cada vez mais em mim... Tentei falar-te mas não consegui dizer nada. Tentei falar e também ouvir-te no vento que ia soprando lá fora. Desisti. Tenho esperança que me tenhas lido o pensamento.

sexta-feira, julho 15, 2011

Dos arrastões

Talvez seja isso, uma questão de formatação. Curioso como hoje em dia é tão fácil que a terminologia associada ao que é mecânico e programável se possa aplicar tão bem quando falamos de um ser humano.

Mas talvez seja isso, sim.

Somos dois polos opostos no geral. E o que temos em comum só nos afasta ainda mais: teimosia, obstinação, persistência, crença. Dificilmente conseguimos encontrarmo-nos a meio. Forjadas em fornos e formas diferentes, donas cada uma de seu muro, as pontas finais das rectas de um vértice que é a nossa realidade.

De lá, arrastões dos quais me tento desenvencilhar antes de cair na sua teia. Envia-os de propósito para me puxar para o seu lado? Não. Esse nunca é o objectivo. O objectivo é ser como é e pronto. De cá, as minhas tentativas de enviar algo de positivo que acalme o arrastão, para me proteger mas também por ter noção de como pode ser tão prejudicial para a própria. E as tentativas a bater no muro e a ser devolvidas uma e outra vez, só conseguindo abrir uma brecha com paciência, repetição, paciência, desgate, e mais paciência ainda. Como se ao aceitá-las se tornasse menos digna, porque quem não se entrega ao sofrimento, não está realmente a sofrer, e quem não sofre não é digno dos céus... Paciência. Aquela que tenho que ter, que às vezes não tenho, aquela que me aponta o dedo por parecer sempre de menos.

E a morte. A morte a rodear-nos. Porque a vida também nos rodeia. A morte, as datas, as queimaduras no braço e as tartes esborrachadas no chão... e nós, cada uma a tentar sobreviver, e nós, cada uma presa à sua armadura. E não obstante, a tentar arrastar o seu peso de forma a chegar ao meio, porque também dessa caminhada depende a nossa sobrevivência, mas sem nunca conseguir totalmente.

quinta-feira, julho 14, 2011

Porque "if only I don't bend and break"...

Bend & Break
Keane

When you, when you forget your nameWhen old faces all look the same
Meet me in the morning when you wake up
Meet me in the morning then you'll wake up

If only I don't bend and break
I'll meet you on the other sideI'll meet you in the lightIf only I don't suffocateI'll meet you in the morning when you wake

Bitter and hardened heartAching, waiting for life to startMeet me in the morning when you wake upMeet me in the morning then you'll wake up

If only I don't bend and breakI'll meet you on the other sideI'll meet you in the lightIf only I don't suffocateI'll meet you in the morning when you wake

If only I don't bend and break
I'll meet you on the other side
I'll meet you in the light
If only I don't suffocate
I'll meet you in the morning when you wake


I'll meet you on the other side
I'll meet you in the light
If only I don't suffocate
I'll meet you in the morning when you wake

quarta-feira, julho 13, 2011

Frase do dia

“Don’t take anything personally. Nothing other people do is because of you. It is because of themselves.”
Don Miguel Ruiz

terça-feira, julho 12, 2011

Civilidades

A cena:
Uma camioneta bate na traseira de uma mota. O "motoqueiro" (de fato e gravata) encosta, o outro pára mais à frente. Encontram-se a meio caminho e trocam algumas palavras. O "motoqueiro" pára o trânsito para ir buscar uma peça caída no meio da estrada e entrega-a ao "camioneiro" que agradece e responde qualquer coisa como "não, não se preocupe, então, eu agora trato disto, obrigado." E os dois seguem caminho.

A câmara faz uma panorâmica da rua em movimento e foca depois, em grande plano, as três turistas/mirones no passeio, com ar desconsolado. E ouve-se "Olha que trampa! Então é só isto? Nada de palavrões, gritaria, um estalo ou outro, sei lá, uma peixeirada à italiana..? E fomos nós parar para isto, olha que realmente..."

Constatação #42

Há casos em que me dou demais. Há outros em que me dou de menos. And yet... a compensação que, em teoria, se gera fica ainda aquém do equilíbrio...

Idades

Ontem, na aula de dança, diz a professora:
- Dêem-me os parabéns, fiz anos no sábado!

Curioso, pensei eu, só três dias depois de mim, se calhar digo que também fiz...

Depois de algumas perguntas, a moça responde:
- Fiz 27! Estou quase nos 30!!

Curioso, continuei eu a pensar, mais uma do mesmo signo, se calhar comento o facto...


Mas espera... é impressão minha ou estou, pela primeira vez, a ter noção da diferença de idades (para cima!) em relação a mim e a uma outra pessoa já ADULTA?!?


Ceeerto... sorri e continuei calada...

Não fui eu que escrevi mas podia ter sido...

A Raiz da Pele

Guardo na raiz da pele
os gritos, as emoções,
os desesperos, os medos,
a raiva, o ódio, a perfídia,
os sonhos, as frustrações,
as cicatrizes das feridas
que a vida em mim foi abrindo,
os mistérios, os segredos.

Guardo na raiz da pele
a verdade do que sou.

Deixo que à flor da pele
emerja a máscara, o sorriso,
o jogo de gato-e-rato
onde, estando, nunca estou.

Guilherme de Melo

segunda-feira, julho 11, 2011

domingo, julho 10, 2011

Porque o domingo é um dia "quase bom"...

O mote para me sentar à frente do computador: um documentário. Nele Gorbachev dizia sobre Raíssa, a sua mulher de toda a vida, mesmo depois da dela se extinguir "Não falávamos de amor. Nunca fizemos grandes declarações. Fazíamos mais do que isso... agíamos."

Ouvi, corri a anotar no telemóvel e lá ficou. Os dias passaram e ela até então adormecida no seu formato electrónico lá me apareceu ontem à frente. E fez-me pensar. Sou de agir, não de falar no que toca a matérias amorosas. Mesmo quando ajo mal. Talvez devesse falar mais. Talvez se falasse mais agisse menos mal...

O wok faz a sua magia com o resto da lata de atum que serviu para a sandes da praia de ontem. Porque sou esquisita mesmo no que toca a sandes. Porque uma sandes de fiambre é coisa para me pôr doente. Quero lá saber se as fatias são "finíssimas" e vieram da pá. É fiambre. É pão com fiambre e um estraga o outro. O pão merece mais, o fiambre também. Coisa desenxabida, é o que é. Nesse aspecto, certa menina M., caracolinha que, sem saber, vai buscar à tia/madrinha umas manias, é cá das minhas: fiambre é para comer sozinho, à gulosa, o pão quanto muito e nesse caso, é só o recipiente.

Voltando ao wok, lá está ele cheio de alho e coentros como convém. Promete... mas não cumpre. A massa ficou mais ou menos. Portanto, quase boa. Ainda na sexta me aconteceu isso em determinado restaurante. Tinha tudo para ser óptimo: o nome do prato, os ingredientes, o aspecto, o cheiro mas depois... não era. Era quase bom, só quase bom. Se fosse cozinheiro diria que era o pior que me podia acontecer. Acho que preferia que estivesse intragável. Como cozinheiro quereria que os meus pratos provocassem reacções avassaladoras. "Óptimo!", "Excelente", "De fugir!" ou "Até me vomitei!". Nunca um "quase bom". Um "quase bom" não tem corpo suficiente, um "quase bom" nem dá vontade de reclamar. Reclamar de quê? Mas está mau? Não... Então está bom? Não... Então está o quê? Não sei... É como a roupa da loja dos chineses, é quase gira...

E lá estamos nós, eu e o meu estômago, avessos aos "assim-assim", aos morninhos, aos simpáticos, aos poucochinhos, aos "doces da avó" e aos molotovs, origem dos bleeerrgggh que a minha língua atira para fora da boca em tom de desolação e com expressão a condizer...

A verdade é que não me tem apetecido escrever. Há a viagem para contar, as fotografias para escolher, os costumeiros "sinto isto e aquilo" mas não, não me puxa... Talvez porque a viagem tenha servido mais para abstracção do que para análise, organização e conclusão. E talvez assim tenha sido porque não há mais nada para analisar quanto mais para concluir. É o que é, disseram-me um dia já há muito tempo, ouvi eu repetido mais recentemente da boca de outros. É o que é. Só falto eu, ser o que sou. O pior é que isso não me agrada. O pior é que o que sou hoje é "assim-assim", é molotov... e eu não sou moça para me contentar com isso.

Mantenho perguntas, sim. Mas não espero respostas. Ou então já as sei e o que sei já me serve mesmo que elaboradas por mim. O que é certo o que é facto é que a calmaria nocturna se mantém. Talvez já tenha mesmo respondido a tudo.

Mas já não gosto de aqui estar. Não sou eu aqui, não é a minha casa. Ou melhor, é, na papelada e na vertente prática. Mas funciona mais como albergue que me permite não dormir ao relento e que tem lugares certos para as coisas do que como casa, casa a sério, com C grande. Sugeriram no outro dia, tendo por base a conjuntura péssima em que estamos sentados: pinta as paredes, muda as coisas de lugar, transforma numa coisa diferente. Boa ideia... se me apetecesse. Só que penso em tudo isso mas noutro lugar, não aqui. Isto já se transformou em local de passagem há tanto tempo que não é possível voltar atrás. Já só grita "temporário", mais nada. Para quê gastar tinta com o temporário?

Li algures que "a realidade só é má se fugires dela". As porcarias que as pessoas escrevem na net só com esperança que depois as citem em qualquer site de frases famosas ou dizeres profundos. "A realidade só é má se fugires dela", pois sim! A realidade é boa ou má ou o que tiver que ser, estejas perto ou longe, fujas ou não, ó energúmeno cibernáutico! Aliás, porque fugiriam as pessoas se assim fosse? Se fogem é porque é uma trampa, não?! Digo eu porque eu nunca fugi. Não porque não quisesse mas porque o meu cocktail genético tem um raio de uma mania de dar a cara às chapadas que chega a ser doentio, mas enfim... "Ai, mas encaras, olhas de frente, não tens medo". Exacto... olha que bom para mim...!

Ai... estou cansada. O domingo cansa-me. É fim-de-semana mas já quase não é, é dia em que não se faz nada de jeito porque o que adianta se amanhã começa a semana e eu devia mas é aproveitar para fazer limpezas ou coisa que o valha...

Ai, deixa-me mas é ir que a solidão em demasia faz-me pensar em demasia também e já se viu que é coisa para a qual não tenho o mínimo jeito...

quinta-feira, julho 07, 2011

Porque é uma de muitas que me foram (literalmente!) oferecidas ontem

Coldplay

Come up to meet you,
tell you I'm sorry
You don't know how lovely you are

I had to find you,
tell you I need you
Tell you I set you apart

Tell me your secrets
and ask me your questions
Oh let's go back to the start

Running in circles,
coming up tails
Heads on a silence apart

Nobody said it was easy
Oh it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said that it would be this hard
Oh take me back to the start

I was just guessing
at numbers and figures
Pulling your puzzles apart

Questions of science,
science and progress
Do not speak as loud as my heart

Tell me you love me,
come back and haunt me
Oh and I rush to the start

Running in circles,
chasing our tails
Coming back as we are

Nobody said it was easy
Oh it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be so hard
I'm going back to the start

Oh ooh ooh ooh ooh ohh (x4)

terça-feira, julho 05, 2011

Happy... day?

Pois é, é um misto... de alegria e tristeza, de doce e amargo.

De memórias boas, tão boas, de pequenina, criança em êxtase que vibrava com a antecipação, de bolo de chocolate e morangos com chantilly porque eram as minhas três coisas preferidas e juntá-las num bolo só era simplesmente perfeito. E de surpresas e telefonemas e amigos e prendas e espumante.

Mas também de outras, de coloração intensificada mas pela dor, que cortam a respiração, que se revivem no corpo, que até parece que nos picam a pele. Outras, de emoções que perfuram, de olhares, aquele olhar, aquele olhar que eu vi nesse dia, nesse mesmo dia, e que se me cravou na memória...

Há dois anos que é assim. Talvez nunca mais deixe de ser.

sábado, julho 02, 2011

De barriga cheia

De mil aventuras e expressões e pensamentos e risos e situações mais ou menos caricatas e côr e sol e paisagens e amizade e amor e beleza e cultura e línguas misturadas. Acima de tudo, de mente mais aberta e alma mais completa como só uma viagem pode proporcionar. E de caneta mental em punho para, um dia destes, fazer um resumo à altura.