não é dada pelos ponteiros do relógio nem pela posição do sol... simplesmente sente-se... quando, de repente, faz sentido.
sexta-feira, agosto 31, 2018
terça-feira, julho 31, 2018
Frase do dia
(...) "Tu, que tens esse abraço casa..."(...)
in Trevo de quatro folhas
Ana Vitória feat. Tiago Iorc
segunda-feira, julho 30, 2018
Domingo. Em família.
Almoço que dura até se transformar em jantar. Os nossos risos pequenos, dos pequenos, e maiores, dos já não tão pequenos assim. Doces. Copos brindados não interessa a que pretexto. Histórias nossas em pequenos. Os nossos mais velhos a anuir. Cães a correr pela casa e a afagar-nos a alma. O sol do fim de tarde que entra pela janela. Bilhar. Eu a lembrar-me que não jogo nada de jeito. Mas insisto. Conversas sérias, também, porque somos agora nós que temos que remar e fazêmo-lo em conjunto, sempre que possível. Irmandade. As mãos pequenas a aprender a pôr o giz e a partida do "giz que cheira a banana" a ser passada para o nariz da geração seguinte, ainda que ainda exija aprimoramento. O chá quente. O café e mais uma partida. Escurece mas não nos vamos embora ainda. Os nossos dias são dias quase completos. "Sabes? No Natal vamos-te oferecer uma mesa de matraquilhos que vimos no OLX. Não sabemos se queres mas nós queremos jogar, por isso... :) "
sexta-feira, julho 27, 2018
Séria antiga, das minhas memórias, com música final à altura
"Six feet under"- Final theme
Help, I have done it again
I have been here many times before
Hurt myself again today
And the worst part is there's no one else to blame
Be my friend, hold me
Wrap me up, unfold me
I am small, I'm needy
Warm me up and breathe me
Ouch, I have lost myself again
Lost myself and I am nowhere to be found
Yeah, I think that I might break
Lost myself again and I feel unsafe
Be my friend, hold me
Wrap me up, unfold me
I am small, I'm needy
Warm me up and breathe me
Be my friend, hold me
Wrap me up, unfold me
I am small, I'm needy
Warm me up and breathe me
quinta-feira, julho 26, 2018
Dos astros
Eu cá não sei mas que alguma coisa se passa, disso não tenho dúvidas. Estes dias semi-quentes parecem emanar uma tal energia cósmica do lado do Deus-me-livre que faz com que ande tudo em erupção ou à beirinha de se lançar às goelas de quem lhe passa pela frente. Sente-se a fluir nas pequenas coisas enquanto que nas grandes nem tempo há para perceber se flui ou não porque nos caiem logo na cabeça. Ainda estamos a tentar perceber de onde vêm e zumbas!, cá vai disto. Sente-se nas reacções, nas vozes, nos olhares, qualquer palavra cai mal, qualquer troca de esgares, ainda que fruto de puro desajeito, é mal interpretada. Nada passa da flor da pele e tudo lá se prepara, tal qual casa de partida, para disparar em grande velocidade à primeira ameaça de tiro.
Eu cá não sei mas, pelo sim pelo não, assumo posição de guarda-redes... em modo "muro"... com picos...
Porque são do melhor que tenho ouvido nos últimos tempos...
Todas mulheres. Todas portuguesas. Coincidência? Acho que não... :)
segunda-feira, julho 23, 2018
sexta-feira, julho 20, 2018
De quando nos sentimos pequeninas outras vez e precisamos do pai para nos dizer o contrário...
E as vezes que eu tenho dúvidas de ser boa ("ó boa!!!!" - não... não é dessas...) o suficiente...?
quarta-feira, julho 18, 2018
sexta-feira, julho 13, 2018
Dos dois lados da moeda...
"Sim, percebe-se que, quando lhe aparecem problemas, não são daqueles de lana caprina, não... são mesmo de a levar para o fundo mais fundo do buraco. Mas a verdade é que conheço pouca gente com a capacidade de se levantar e vir à tona que você tem. Quantos não se ficam pelo meio do caminho e nem precisam cair tanto... No seu caso, não. Cai, vai lá ao fundo mas levanta-se cá com uma força..! É uma sobrevivente, sem dúvida..."
quinta-feira, julho 12, 2018
quarta-feira, julho 11, 2018
segunda-feira, julho 09, 2018
quinta-feira, julho 05, 2018
quarta-feira, julho 04, 2018
segunda-feira, junho 25, 2018
sexta-feira, junho 22, 2018
Há oito anos, como hoje...
"My thoughts are like origami - bent, warped and twisted - but pretty if you look at them in the right light!"
Anonymous
Anonymous
quinta-feira, junho 21, 2018
Vinte e um
Quando dou conta, o vinte e um é a data que se apresenta. Como se, de todos os dias do calendário, este me tivesse sido destinado para viver acontecimentos que, não tendo sido eu tida nem achada na resolução, não escorrem para o poço do, por vezes santo, esquecimento. Vale por não me obrigar a esforçar a memória mas, havendo outros, nenhum se impõe como este, nenhum se força como palco de narrativas de marcas na pele como este. Por vezes, literalmente.
Noto que os "vinte e um" com histórias para contar são tendencialmente os mais quentes, não sei se alguma responsabilidade devo atribuir aos astros por os aproximarem da minha data de nascimento. Será que, tendo eu sido criança de Verão, me vêem mais habilitada a lidar com temperaturas elevadas e deduzem que o acrescento de uns quantos graus centígrados passa despercebido? Ou, se por outro lado, sabendo-me em esforço que a convivência climatérica mais extrema exige, a adição de carga tem como objectivo testar-me e aumentar-me a resistência?
Vinte e um. Hoje é dia, de memórias recentes e passadas, de me fazer olhar para elas e medir o impacto que têm em mim. Muitas já são memórias suaves, leves apontamentos, passam em câmara lenta, lá ao fundo e dizem adeus enquanto continuam caminho. Outras chegam-se à frente. E ficam mais um bocadinho...
segunda-feira, junho 18, 2018
sexta-feira, junho 15, 2018
quinta-feira, junho 14, 2018
Causas
"Ó diabo, recebi um email do Bloco de Esquerda...??", estranho eu para logo de seguida me lembrar que o grupo parlamentar do dito foi contactado pela minha pessoa, como todos os outros, num email de repudiação colectiva à exploração de hidrocarbonetos em Portugal. Sim porque as minhas reclamações - que já têm direito a uma pasta só para elas - já vão além do âmbito do direito de consumo. Sou uma mulher de causas, o que se há-de fazer. Mas uma mulher daquelas que mexem o rabo e tentam fazer mais que manifestar-se do alto do conforto da cadeira que lhe calhou no almoço familiar. Obrigadinho pela resposta, Bloco, faz mas é o que tens que fazer, tu e os outros, que é para isso que vos pagam.
terça-feira, junho 12, 2018
sexta-feira, junho 08, 2018
Do amor
Liguei-lhe sem saber bem o que esperar. Desde que o diagnóstico foi conhecido, que tento, à medida que a doença galopa, adequar-me ao estado que se vai apresentando, que pode até mudar de um dia para o outro. Às vezes dizem: não vale a pena, amanhã não se vai lembrar: mas cada vez mais me convenço que a memória, a recordação é, decididamente, sobrevalorizada. Insisto: não me interessa. Hoje, enquanto vive, sente, mesmo que depois apague o que sentiu do cérebro, acredito que o mantenha no coração.
Feliz aniversário, disse eu, e do outro lado um gaguejante obrigado representativo da surpresa que lhe estava a causar o facto anunciado, embora tenha a certeza de não ter sido a primeira pessoa a fazê-lo naquele dia. Mas não se desmanchou e, agradada, disse: obrigado, obrigado, pois, não sei se vou jantar fora, pois, acho que já não me lembro bem de quantos anos faço, obrigado.
Despeço-me com um "que continue a ter um dia bom" e ouço: tu também. Aliás, não só hoje! Que tenhas todos, todos, todos os dias muito bons daqui para a frente!
O amor não precisa da cabeça para nada...
A progenitora, acabinha de aterrar vinda do Alasca, diz...
"... adorei andar de hidroavião! Agora já só me falta helicóptero e submarino!"
...
quarta-feira, junho 06, 2018
Porque me traz memórias tão boas...
Oh the wind whistles down
The cold dark street tonight
And the people they were dancing
To the music vibe
And the boys chase the girls, with curls in their hair
While the shocked too many sit way over there
And the songs get louder each one better than before
And you singing the song thinking this is the life
And you wake up in the morning and your head feels twice the size
Where you gonna go, where you gonna go, where you gonna sleep tonight?
And you singing the song thinking this is the life
And you wake up in the morning and your head feels twice the size
Where you gonna go, where you gonna go, where you gonna sleep tonight?
Where you gonna sleep tonight
So you're heading down the road in your taxi for 4
And you're waiting outside jimmy's front door
But nobody's in and nobody's home till 4
So you're sitting there with nothing to do
Talking about Robert Ragger and his 1 leg crew
And where you gonna go, where you gonna sleep tonight?
And you singing the song thinking this is the life
And you wake up in the morning and your head feels twice the size
Where you gonna go, where you gonna go, where you gonna sleep tonight?
And you singing the song thinking this is the life
And you wake up in the morning and your head feels twice the size
Where you gonna go, where you gonna go, where you gonna sleep tonight?
Where you gonna sleep tonight
And you singing the song thinking this is the life
And you wake up in the morning and your head feels twice the size
Where you gonna go, where you gonna go, where you gonna sleep tonight?
And you singing the song thinking this is the life
And you wake up in the morning and your head feels twice the size
Where you gonna go, where you gonna go, where you gonna sleep tonight?
And you singing the song thinking this is the life
And you wake up in the morning and your head feels twice the size
Where you gonna go, where you gonna go, where you gonna sleep tonight?
And you singing the song thinking this is the life
And you wake up in the morning and your head feels twice the size
Where you gonna go, where you gonna go, where you gonna sleep tonight?
Where you gonna sleep tonigh
terça-feira, junho 05, 2018
segunda-feira, junho 04, 2018
Primeira visita...
Quero lá saber. E hei-de ir mais, sim, de noite, de dia, com gente, quase vazia, não me interessa. Tenho a conta a zeros (mais propriamente a 2.66€...) - coisa que não me acontecia desde a adolescência e sempre por boas razões (copos, tabaco, saídas à noite, etc...) - mas não quero saber. A Feira sabe-me a mim.
À Feira, para mim, vai-se de metro. E o agasalho que se leva tem que ser passível de se atar à cintura porque os braços hão-de vir carregados. E começa-se de baixo para cima, do lado esquerdo, voltando-se a descer pelo mesmo passeio para apanhar as barraquinhas mais próximas do jardim central. Só depois se atravessa o parque. E anda-se aos ziguezagues entre barracas. E espreitam-se os livros do dia para bons preços e as laterais das estruturas porque lá há sempre livros diferentes. Perco-me nos livros infantis a admirar o que hoje se faz para chamar os miúdos à leitura. E imagino quantos me daria prazer comprar só porque são bons... E lembro-me de mim a "cheirar" todas as prateleiras para encontrar aquele número daquela colecção ou a decidir que livros levaria para casa, do número reduzido que me era permitido escolher cada vez que lá íamos. Porque não havia, seguramente, dinheiro para todos os que queria. Como hoje continua a não haver... E lembro-me da progenitora embora o leitor mais voraz até fosse o progenitor. Mas não tinha paciência para multidões e grandes caminhadas. Se nos acompanhava, ficava-se com o jornal ou um livro numa qualquer esplanada das redondezas até termos feito a nossa ronda.
E tem que haver sol q.b. e farturas e autores por lá a autografar e programa das festas anunciado pelos altifalantes. E tem que se parar para café tomado em qualquer banco do jardim e tenho que me perder em contracapas como me acontece quando consulto uma enciclopédia: vou à procura de coisa ou facto e, quando dou por mim, já vou páginas e páginas à frente, tendo pulado de assunto em assunto porque uns remetem para os outros... Tem que cheirar a pipocas.
Nos últimos anos, perco-me mais entre sinopses por isso a visita às barraquinhas do lado direito adia-se para a segunda vez. À terceira ida vai-se pelo passeio. Nessa altura, os bolsos estão mais que esfarrapados e a consciência de que não terei tempo de vida útil para ler tudo o que levei e quero levar calca-se-me na mente de forma mais marcante. E eu aceito e sei que assim é porque o desejo já foi satisfeito. É sempre mais fácil aceitar ordens de dieta de barriga cheia...
Estes são os da primeira visita. Cada um por razão diferente que só a mim interessa. E já estou ansiando a hora de os abrir...
sexta-feira, junho 01, 2018
Vou-ali-chorar-baba-e-ranho-por-ter-sonhado-mas-nunca-ter-andado-numa-escola-comá'-da-Fame-e-já-volto...
(diz que faz hoje 38 anos que esta série foi lançada...)
quarta-feira, maio 30, 2018
Nós é mais bolos...
Estamos a falar de uma miúda que vai fazer nove anos.
Estamos a falar de uma miúda que vai fazer nove anos e vai ter três bolos ("ó tia, então, um para a escola, uma para a festa de família e outro para a festa com os meus amigos!").
Estamos a falar de uma miúda que vai fazer nove anos e vai ter três bolos e vai fazer uma festa com amigos em conjunto com o irmão.
Estamos a falar de uma miúda que vai fazer nove anos e vai ter três bolos e vai fazer uma festa com amigos em conjunto com o irmão que também vai ter um bolo.
Estamos a falar de uma miúda que vai fazer nove anos e vai ter três
bolos e vai fazer uma festa com amigos em conjunto com o irmão que também
vai ter um bolo sendo que estão os dois a fazer de mim pasteleira nas horas vagas...
(já agora... como é que se faz a cor roxa? Azul e vermelho...? Céus..! Quem me disse que eu tinha jeito para isto??)
segunda-feira, maio 28, 2018
Das sonoridades que me amaciam o ouvido e me fazem cantar...
O que foi feito de ti?
Eras perfeita em mim
Será que foste tentar encontrar
Que te foste libertar
Esperei tanto por ti
E caiu um manto em mim
Será que te perdeste a caminhar?
Ou foi só para me castigar
E agora?
Será que te perdi?
E agora?
Se terminar aqui
O que será de mim sem ti
Corri o mundo por ti
Mas o mundo correu sem mim
Será que tu partiste para além mar?
Só para me abandonar
E agora?
Será que te perdi?
E agora?
Se terminar aqui
O que será de mim sem ti
Não fiques para trás meu bem
Não quero que te percas por aí
Nesta selva de betão
É só confusão
E agora?
Será que te perdi?
E agora?
Se terminar aqui
O que será de mim sem ti
sexta-feira, maio 25, 2018
Pérolas da porca #36, #37 e #38...!
Basta estar atento.
Não. Não é preciso. Porque, a uma pessoa como eu, elas atravessam o ar como seta e perfuram os tímpanos... em dois dias, três. É obra!
#36
Eu tinha um fato saia/casaco que adorava! A saia era invasé...!
#37
A reunião é na sala Almeida Negreiros.
#38
Eu não posso mandar os cavalos à frente dos bois!
E é isto...
segunda-feira, maio 21, 2018
Aforementioned
adjective: afore-mentioned
denoting a thing or person previously mentioned.
"songs from the aforementioned album"
Porque nem só de português vive o meu mundo e as palavras intrigam-me e atraiem-me em qualquer língua.
Se podia ter mais o que fazer? Podia mas já me decidi que me estou a c**** e faço o que me apetece.
Pronto, este post também se podia chamar "ainda só é segunda-feira e ela já está para lá de tinhosa, irra!"
sexta-feira, maio 18, 2018
quinta-feira, maio 17, 2018
segunda-feira, maio 14, 2018
Da vida normal
Como é possível ter medo da normalidade? Como se me arriscasse a que ela me pudesse não aceitar o atrevimento de a viver...
domingo, maio 13, 2018
quinta-feira, maio 03, 2018
sexta-feira, abril 27, 2018
A caminho, mais uma vez, daquela que acabou por se tornar a minha segunda cidade...
(Um dia destes até estranho ter os pés no chão...)
sábado, abril 21, 2018
quarta-feira, abril 18, 2018
#andaspoucobebumandas...
Ok, ok, admito que depois de um jejum de 18 horas e de uma aula de Pilates, o que me apeteceu ingerir em primeiro lugar foi uma Somersby... em minha defesa, está calor, pronto! E aquilo tem... sei lá... fruta...
quinta-feira, abril 12, 2018
Do que também é felicidade...
Dia chuvoso, manta, gatos enroscados em mim, chá quente e memórias boas.
sexta-feira, abril 06, 2018
quinta-feira, abril 05, 2018
And this is Africa...
Estávamos no paraíso - calor, mar transparente, água de côco - mas, do meu pescoço às minhas pernas, começava a espalhar-se um mal-estar que me pedia descanso. Não, não pedia, exigia, empurrava o meu ser cada vez mais combalido na direcção de qualquer espreguiçadeira que se cruzasse no meu caminho, de um banco, do chão se tivesse que ser... Naquelas circunstâncias era impossível por mais de quinze minutos pelo que não tive outro remédio se não ignorar os arrepios de frio ao sol de 35ºC e começar a viagem de regresso que ainda levaria duas horas e meia. Vamos a isto, há coisas piores, esta parte do barco é mais atribulada mas depois é só sentar-me no minibus do Hotel Pestana e dormir o resto do caminho. Vamos lá!
Escusado será dizer que a travessia daquele mar foi feita tendo em mente um único propósito para além do óbvio destino: certificar-me que não me ia encontrar com o Criador no fundo do Atlântico. Num barco de pesca com pouco mais que a cabine e varões aqui e ali a acompanhar o rebordo de madeira onde nos sentávamos, foi, no mínimo, interessante... Não obstante, permitiu-me reforçar a musculatura dos membros superiores e aprender novas formas de não deixar que o balanço me fizesse afundar o nariz no colete salva-vidas atribuído que, claramente, não era do meu tamanho e já tinha passado por centenas de outras criaturas com hábitos de higiene um tanto ou quanto diferentes dos meus. Ah, resta-me dizer que os braços só se conseguiam agarrar a um varão que estava nas minhas costas...
Finalmente, entro no minibus. O ar condicionado no máximo suga-me os poucos graus positivos que ainda parecia sentir. Percebo, estão 35ºC. Percebo, está toda a gente a escorrer água. Percebo, que remédio. Enrolo-me na toalha, encolho-me no meu lugar bem encostada à janela para me desviar da trajectória do ar vindo do aparelho e preparo-me para dormir. O autocarro arranca com o mesmo gorducho e prazenteiro condutor que nos tinha trazido o que me assegurou que a viagem seria o mais rápida que ele conseguisse. Boa!
Fecho os olhos e respiro fundo enquanto penso na minha cama de hotel: já não falta tudo. Nisto, a rádio liga-se, ok, música, pode ser que não seja má, e começam-se a ouvir Avé Marias em loop. Sábado de Páscoa, transmissão em directo da missa que se está a realizar na Sé. Certo... três quartos da viagem a ouvir o terço... ninguém, absolutamente ninguém se atreveu a pedir ao gorducho e prazenteiro condutor mas também e, pelo vistos, católico devoto e com tamanho para deitar três homens abaixo só com uma lambada com as costas da mão, que mudasse de estação... Três quartos da viagem...
A dada altura percebo que o meu cansaço começa a transformar-se. Talvez se deva
ao facto de a parte da estrada para a qual houve verba já ter terminado há
muito mas a vontade de chegar do prazenteiro nem por isso pelo que a
cada buraco - e é difícil notar que parte da estrada não os tem - os
meus interiores chocalham, elevam-se e caiem abruptamente dentro de mim,
a minha cabeça resvala no vidro para trás e para a frente (não tem de quê, Dr. Pestana, pode contar comigo para lavar vidros com a cabeça quando quiser...). Estou feita. O
estômago contrai-se, os intestinos revoltam-se e na minha mente ecoa: não acredito que te vais vom**ar e bor**r toda num minibus do Hotel Pestana!!! Pensei que me ficava ali. Pensei que era aquela terra, afinal, que iria ver-me partir deste plano e que a minha ida para lá tinha tido sempre esse intuito embora eu ainda não o soubesse: ia morrer longe da pátria, embrulhada numa toalha de praia, toda bor***da, agarrada ao assento de um veículo pertencente a uma conhecida cadeia de hotéis. Mais fino não podia haver... Não tendo alternativa, agarrei-me também ao Senhor. Repeti tudo quanto era Avé Maria e Pai Nosso que ouvia na rádio com esperança que o terço não acabasse tão cedo de modo a que a ladainha me fizesse concentrar numa dimensão mais espiritual e colocar em segundo plano as emergências físicas e as partidas da natureza. Foi o que me safou.... o organismo acalmou e eu pude respirar de alívio. Afinal, ainda não seria aquele o meu fim. Ámen.
Quando a missa termina, o programa muda para uma espécie de "quando o telefone toca" mas de nível técnico semelhante ao das comunicações feitas via fio e copos de plástico na ponta com que brincávamos quando éramos pequenos... "Allô, ouvinte, com quem estou falando? Allô? Allô?? Allô, ouvinte?? Boa tarde! Como se chama?", "Eliseu", "Boa tarde, Eliseu, de onde está falando?", "De Água Porca", "Muito bem, Eliseu, de Água Porca, o que quer dizer a seus familiares e amigos neste sábado de Páscoa?", "Muta saúde e félicidade e que Deus bençoe todos, em meu nome e de Miquinhas e Afrânio e José e Cucuca e Marcelina e Juvenir e Josué e Cristina e Edilson e....", "Obrigado, Eliseu, uma santa Páscoa para si também!!". Entra música, entra telefonema, entra música outra vez. Mais umas duas ou três tentativas de contacto com ouvintes para que se espalhe a santa Páscoa que não dão em nada e a música retorna. Eu atento na letra: moça danada, mulher artimanha, trepo por ti como se fosse uma aranha.... Ooookkkk... Sexto ou sétimo telefonema da emissão: "Allô, boa tarde, ouvinte, como se chama?", "Eeerrr... ai... eeerrr... Manuela!!", "Certo... Manuela, de onde é?", "Sou de Buraco Fundo da Pindaíba", "Muito bem, Manuela de Buraco Fundo da Pindaíba, a quem quer desejar uma boa Páscoa neste sábado?", "Quêria desejar ao meu filho Carlito que tá intrenado. Sabe, ele espetou uma agulha no braço e agora está intrenado e eu queria dizer a ele que vai ficar tudo bem e que ele está longe mas para ficar milhó porque sabe ele espetou uma agulha num braço e como espetou uma agulha num abraço agora está intrenado e...", "Obrigado, obrigado, Manuela, uma santa Páscoa para si!". Entra música. A da aranha...
O programa termina e a locutora começa os anúncios (sim, sempre a mesma pessoa): falecimento do Dr. Jorge Costa Rica comunicado pelos quinze ou mais filhos, todos doutores, o que não deixa de ser devidamente assinalado assim como o nome completo de cada um deles e, finalmente!, local das cerimónias fúnebres. Mais anúncios de passagens para a outra margem mas sem o mesmo glamour (e extensão!!) do comboio de "doutouragem" e eu a imaginar o meu: turista portuguesa falece em minibus de hotel de cinco estrelas, entre Água Porca e Buraco Fundo da Pindaíba, por se ter andado a alambazar de santolas e côcos locais confiante de que nada se lhe pega. Hotel Pestana pede indemnização à família pelo facto de o veículo ter ficado inutilizado derivado aos fluídos e não só que a defunta por lá deixou....
Seguem-se os anúncios de casas, espectaculares oportunidades, uma com três quartos, uma sala e um corredor...
O programa termina e a locutora começa os anúncios (sim, sempre a mesma pessoa): falecimento do Dr. Jorge Costa Rica comunicado pelos quinze ou mais filhos, todos doutores, o que não deixa de ser devidamente assinalado assim como o nome completo de cada um deles e, finalmente!, local das cerimónias fúnebres. Mais anúncios de passagens para a outra margem mas sem o mesmo glamour (e extensão!!) do comboio de "doutouragem" e eu a imaginar o meu: turista portuguesa falece em minibus de hotel de cinco estrelas, entre Água Porca e Buraco Fundo da Pindaíba, por se ter andado a alambazar de santolas e côcos locais confiante de que nada se lhe pega. Hotel Pestana pede indemnização à família pelo facto de o veículo ter ficado inutilizado derivado aos fluídos e não só que a defunta por lá deixou....
Seguem-se os anúncios de casas, espectaculares oportunidades, uma com três quartos, uma sala e um corredor...
E eu sorrio, de intestino controlado mais uns quilómetros. Também é isto São Tomé... :)
quinta-feira, março 08, 2018
It's been a while...
... e se me perguntarem porquê, não saberei dizer.
A afirmação de que há anos que nos fazem perguntas e outros anos há que nos dão respostas ciranda há meses na minha mente, devagar mas de forma constante, serpenteando pelos pensamentos como fita grossa e sedosa de embrulho - que neste caso é azul mas não sei a razão - e, não o encaixando na esquadria de calendário civil, o ano que passou e continua a passar tem sido abundante em respostas, sem dúvida, mesmo a perguntas que nunca foram feitas. E talvez seja essa proliferação de conclusões a culpada de tão parca comunicação. Há muito para arrumar: caixotes poeirentos de tempo passado, casos arquivados sem resolução aos quais agora já se pode atribuir carimbo de conclusão, novas realidades e jeitos de olhar, para mim, para os outros, para o mundo, que necessitam ser devidamente registados e organizados porque passaram a fazer parte do engenho e a circular por mim com naturalidade...
É quase instintivo para os demais concluir que este terá sido o período mais difícil até então mas estão errados: na época já sabia que nunca mais sofreria daquela forma e assim foi. Na época, a minha alma foi sugada, arremessada contra ao chão e rasgada aos pedaços. Na época, morri. Neste período, pelo contrário: renasci em vida e recusei-me a viver de menos. Vivi com ganas, com sede. Este período não me sugou a alma; se algo, desvendou-lhe e acrescentou-lhe força, uma força que me veio sem esforço, uma resistência para não me deixar quebrar que nem sabia que tinha e que se manifestou por instinto. E se a alma não se curva, as costas endireitam-se e o corpo aguenta.
Não falo em fim, esta é uma das minhas novas facetas. Aprender a aceitar a falta de domínio e o que me transcende é uma lição dura mas necessária para a minha sobrevivência. Não me dou a ilusões - o que em mim já não é novo - mas acrescento-lhe a aprendizagem, todos os dias mais um bocadinho, de que não posso dar por terminada a tarefa. E que tenho que viver com a indefinição.
Penso em mim, faço balanços, sinto-me. E vou-me certificando, cada vez com maior consciência dessa necessidade, que o tempo que dispenso me acrescenta e não me subtrai. Pessoas, circunstâncias, momentos, palavras são agora medidos por essa bitola. As guerras que aceito e as das quais deserto, os perdões que dou ou que peço, o que dou e o que considero ser-me devido, as lágrimas que deixo que escorram, as conversas. Viro as costas ao que não se encaixa, ao que peca por superficialidade, falta de conteúdo, falta de noção; abraço com força e emoção o que vai mais além e me faz mais feliz. Escolho com critério o que posso escolher que ocupe lugar em mim e no meu tempo. Não faço favores. Não aceito meias medidas. Não me contento.
Se formos a ver, não, não mudei muito neste tempo. Apenas apurei.
Se formos a ver, não, não mudei muito neste tempo. Apenas apurei.
quinta-feira, fevereiro 01, 2018
quarta-feira, janeiro 31, 2018
segunda-feira, janeiro 01, 2018
quinta-feira, dezembro 28, 2017
Constatação #109
O Natal engana. O Natal ameaça cedo e dessa forma nos ilude fingindo-se imenso. O Natal parece nunca mais acabar até que chega de facto e finda-se, num mesmo sopro. O Natal engana-me. E é por isso que, invariavelmente, concluo que o saboreei de menos....
Está combinado: amanhã atiro-me às azevias, sonhos e rabanadas como se o Natal só voltasse para o ano.
quarta-feira, dezembro 27, 2017
Crónica natalícia
Vi-o chegar com alguma desatenção, de tão cheia que estava de acontecimentos e afazeres. Já não o vivo como antes mas a memória de alguns natais passados espicaçou-me - a prova que há assombrações benditas - e enchi-me o que pude dele: luzes e a costumeira ronda pela cidade para as contemplar regada a vinho quente ou a ginginha; açúcar e canela em medida boa; o forno a testar variações de biscoitos; embrulhos mais ou menos bem conseguidos; os doces tradicionais, os que sempre se fizeram na família e os de tradições mais recentes, da minha geração, mas que já ninguém dispensa - "vais fazer o teu doce, não vais?"- (de forma inusitada, a receita teve o desplante de me desafiar quatro vezes e só um copo de vinho tragado no momento certo me impediu de a fazer voar pela janela fora). E ainda houve tempo para não deixar escapar o Miró. De mãos dadas, barrete de lã e vontade de não nos darmos por garantidos. Nem a nós, nem a nada. Debaixo da árvore jogou-se à sorte com a promessa de viagens a mares quentes e vista para palmeiras já no primeiro trimestre e a família reuniu-se e uniu-se, os mais velhos a requerer cuidados, os mais novos a encher a sala de risos, os homens e mulheres que agora estão ao leme a unir as duas pontas entre piadas e brindes. A seguir vem o novo ano, a seguir vêm os desejos. Não sei qual a carta que rege o meu signo em 2018 mas confesso que não me interessa. Se houve ensinamento dado pelo ano que agora termina foi o de que o futuro é, decididamente, sobrevalorizado.
terça-feira, dezembro 26, 2017
domingo, dezembro 24, 2017
quinta-feira, dezembro 21, 2017
Já ias dormir...
Admites em definitivo que "cabra da vírgula" é a alcunha que nasceu para ti quando, respondendo a um interessado nas tuas vendas no OLX, decides empregar os dois pontos numa frase pondo a hipótese que, do lado de lá, possam aprender, assim, a usá-los...
segunda-feira, dezembro 11, 2017
domingo, dezembro 10, 2017
Porque é uma das minhas, a ouvir em loop...
Nada ficou no lugar, eu quero quebrar essas xícaras
Eu vou enganar o diabo, eu quero acordar sua família...
Eu vou escrever no seu muro, e violentar o seu gosto
Eu quero roubar no seu jogo, eu já arranhei os seus discos...
Que é pra ver se você volta,
Que é pra ver se você vem,
Que é pra ver se você olha,
Pra mim...
Nada ficou no lugar ,eu quero entregar suas mentiras
Eu vou invadir sua alma, queria falar sua língua...
Eu vou publicar os seus segredos, eu vou mergulhar sua guia
Eu vou derramar nos seus planos, o resto da minha alegria...
Que é pra ver se você volta,
Que é pra ver se você vem,
Que é pra ver se você olha,
Pra mim...
Mentiras
Adriana Calcanhoto
Exercitando #3 (em limpezas de arquivo...)
Penso que não houve ninguém que não te tivesse alertado: exageraste, continuavas a exagerar. Consumido pela dor que te trespassava a pele não olhaste a meios para me cobrar o que achavas que te devia: dor igual. Medias as palavras certificando-te que a tua escolha recaía sobre as mais afiadas, as que provocariam maior estrago. Formatavas o modo de maneira a que não me restassem dúvidas: eras agora um muro, qualquer tentativa da minha parte de o escalar e chegar a ti seria draconianamente repelida. Um dia, cansei-me: tu continuaste a exagerar - sozinho.
quinta-feira, novembro 16, 2017
sexta-feira, novembro 10, 2017
terça-feira, novembro 07, 2017
Dos dias bons
Vai-se a ver perdi a prática, a elasticidade. Vai-se a ver os efeitos das drogas legais e prescritas alongam-se no espectro e as células que me regem as emoções não conseguiram escapar. Dou por mim a tentar encontrar razões, motivos, argumentos racionais - eu igual a mim própria - até que desisto e resolvo render-me às evidências. Mas chateia-me. Gostava dessa parte de mim.
Olho para trás, para os últimos tempos, não para os revistar mas para perceber se já é evidente que transformação operaram em mim. Não é a primeira vez na minha vida que me vejo a braços com a constatação de que sou pouco permeável aos embates. Costuma-se falar em acontecimentos que mudam a vida, a partir dos quais nunca mais nos vemos os mesmos, a partir dos quais se passa a assumir um "antes" e um "depois". Comigo, mesmo vítima de choque frontal, parece ser processo de passos lentos: os ventos de mudança provocam movimentos quase imperceptíveis, dir-se-ia que não me mexo, que não se conseguem impregnar em mim assim de repente. Vou assimilando e as transformações parecem ocorrer devagar, devagarinho, a uma velocidade de processamento muito minha, no fundo, aquela que eu autorizo que exista.
Hoje é um dia bom. E escrevo-o para o registar porque os dias bons parecem estar condenados a ver-se submergir na lama da guerra com os outros e raro se lhes é dado o devido valor.
E a resposta à pergunta "porquê eu?" só pode ser uma: e porque não?
Mas hoje é um dia bom.
Hoje é um dia bom. E escrevo-o para o registar porque os dias bons parecem estar condenados a ver-se submergir na lama da guerra com os outros e raro se lhes é dado o devido valor.
E a resposta à pergunta "porquê eu?" só pode ser uma: e porque não?
Mas hoje é um dia bom.
segunda-feira, outubro 23, 2017
Frase do dia
“Monsters are real, and ghosts are real too, they live inside us, and sometimes they win.”
Stephen King
sexta-feira, outubro 06, 2017
Constatação #108
Há algo de nauseante em, ignorando como irá ser a nossa vida, saber já como não será...
quinta-feira, setembro 21, 2017
Parágrafos ou "qual é a frase que melhor define a tua vida...?"
E disse-me "tome nota dos seus sonhos" mas eu ignorei. Ou melhor, adiei, fui adiando, agora não, talvez amanhã, até que me assumi que não me apetece. E ainda bem. Não creio que o meu caderninho preto tolerasse tal engorda das suas páginas. Porque tem sido uma constante: vívidos, marcantes, a cores, de formas concretas, detalhados. Acordo cansada e conseguindo apontar o dedo a caras, locais e circunstâncias; revejo saudades, revisito questões, até assumo missões a levar a cabo ao acordar. Vivo uma vida paralela, portanto...
E ouço "acho-te muito bem, estás óptima" e pergunto-me se devia estar "muito bem" e "óptima". Cada vez que me elogiam, intrigam-me, plantam dúvidas no meu sentir. Mas eles não sabem nem sonham que o meu sentir também sabe e sente que há-de haver um dia em que hei-de quebrar, em que a minha realidade, que até agora parece apenas levitar em torno da minha pessoa, se me há-de cair em cima e encharcar até aos ossos. Dá-me ideias que tenho estado demasiado ocupada a geri-la para a sentir...
E pergunto "há ironia maior?". Deve haver mas esta é das grandes. Anos e anos de deserto, alguns deles de uma sede quase mortal, e agora a vida acena e ri-se, de braço dado à oportunidade que eu não posso agarrar. Devem ir ao cinema... "Mas vai também", dizem-me, e eu rio-me mas sem vontade...
E exijo-me "não te deixes intimidar, agarra o momento pelos cornos e faz dele o que queres que seja". E eu sei que chegou a hora..
sexta-feira, setembro 15, 2017
domingo, setembro 10, 2017
Parabéns
Estás comigo, eu sei que estás. Demorei a compreendê-lo, talvez o rejeitasse. Ou tudo ou nada, devia pensar. Mas a verdade é que estamos juntos. E sinto-o nas mais pequenas coisas. Senti-o no vento a bater-me na cara à medida que me voltava a atrever a pedalar, cada vez mais rápido. Foste tu que me ensinaste, lembras-te? Senti-me pequena outra vez mas livre, tão livre. Nos caminhos de terra, na poeira a levantar-se, no sabor a Verão. E contigo a segurar o selim... Senti-o no sol a aquecer-me e no cheiro dos pinheiros, senti-o no contacto com os bichos e nas tuas palavras a ecoar, as palavras que sei que dirias. Parabéns. Estamos juntos. E eu sou mais feliz assim.
terça-feira, agosto 22, 2017
segunda-feira, agosto 21, 2017
quinta-feira, agosto 17, 2017
Camuflagem
Não estou habituada a toda esta atenção. Como se, de uma hora para a outra, me tivesse tornado visível como nunca antes, quase luminosa, quase néon. Como se a Terra agora tivesse parado de girar permitindo que os olhos se fixem sem vertigens e me observem como se fosse a primeira vez. Silêncio. Respiração suspensa. Olhos perscrutantes que rodam sobre si mesmos em busca de entender o que agora vêem, em busca de adivinhar o que virá depois para melhor decidir o que dizer agora.
Valem-me os de sempre, aqueles cujos olhares me miram em família, desinteressados, para quem não sou novidade; aqueles para quem não brilho em particular porque sempre me conheceram na luz e na camuflagem; aqueles que comigo brilham e partilham no meu escuro. Valem-me esses porque desses o amor não é nem conveniente nem passageiro.
Valem-me os de sempre, aqueles cujos olhares me miram em família, desinteressados, para quem não sou novidade; aqueles para quem não brilho em particular porque sempre me conheceram na luz e na camuflagem; aqueles que comigo brilham e partilham no meu escuro. Valem-me esses porque desses o amor não é nem conveniente nem passageiro.
sexta-feira, agosto 11, 2017
Estado de alma
Talvez seja chegada a altura de não mais tentar adaptar os sonhos a mim e, sim, moldar-me eu a eles: aceitá-los como são, como me chegam, e viver o que eles querem que eu viva. Porque me começa a parecer que os sonhos são oriundos de república independente e a sua existência em momento algum depende dos nossos desejos, das nossas fantasias. Estão-nos destinados a ser sonhados. Mas à sua maneira. Talvez seja esse o tal grande segredo da felicidade...
terça-feira, agosto 08, 2017
terça-feira, julho 25, 2017
Irrealidades
Acho que eu própria esperava uma torrente de criatividade. Imaginava-me sempre de pena em punho, em ânsias de despejar para o papel as golfadas de sentimentos, numa tentativa de os capturar a todos antes que desaparecessem empurrados pelos que vinham a seguir. Imaginava-me a perder o fôlego, a ter que me agarrar à escrita para recuperar o equilíbrio, o sentido, a calma, para apaziguar a dor. Imaginava-me em produção desenfreada...
Não sei que me diga. Vejo-me dona de uma espécie de inconsciência que me assusta. Ao contrário do que já me foi usual em épocas de cheias e tormentas, sinto mas não me desmancho. E eu não me reconheço assim tão apaziguada. Dir-me-ão que é a fé, eu cá aposto no oposto e voto na incredulidade. Talvez porque nada pareça tão irreal como a morte em vida...
domingo, julho 23, 2017
Constatação #107
Decididamente, e por mais do que uma razão, estou bem mais para Dalila do que para Sansão.
terça-feira, julho 18, 2017
sexta-feira, julho 14, 2017
sábado, julho 08, 2017
sexta-feira, julho 07, 2017
quinta-feira, julho 06, 2017
Parabéns...
Sim, parabéns. Por teres chegado até aqui inteira, talvez mais inteira do que alguma vez foste. Inteira com vazios, com buracos de alma, com malhas no teu tecido, sinónimos de saudades, e saudades são sempre sinónimo de algo que falta. Mas inteira. Inteira em quem és e em quem queres ainda vir a ser. Inteira de vontades e sonhos e ânsia de ir mais além e do muito que sentes que ainda tens para viver. Inteira de certezas, inteira por ti própria.
A vela apaga-se mas não será a última. Uma vela, um festejo. Uma vela por cada momento de amor que tens a sorte de viver nestes dias, que no teu caso nunca são só um. A vela apaga-se para que se acenda a sorte de mais um ano que começa.
Um dia vai agradecer, ouviste tu. Sim, acreditas cada vez mais... um dia vais agradecer e essa será a suprema conquista.
domingo, julho 02, 2017
sexta-feira, junho 30, 2017
Se a vida te dá limões, junta-lhes tequilla. Ou gin... ou vodka... ou...
Parece coisa de pretenso guru motivacional, que agora está tanto na moda, mas há que reconhecer-lhe mérito (não aos "pretensos" mas aos princípios deste tipo de filosofia): a vida pode ser uma grande m****. Na maioria das vezes, até o é, de facto. Mas nós temos que a viver, não há saída... não será de responder ao fatalismo escolhendo saborear verdadeiramente o resto?
Se pensarmos bem, o mais fácil é deixar-nos afundar na dita ( errr... m****? Sim, m****) porque não requer qualquer tipo de esforço, basta fazer corpo mole e lá vamos nós. Difícil é nadar contra a corrente e tentar que a cabeça fique à tona. Dir-me-ão: isso é tudo muito bonito, uma linda alegoria, ainda que por demais batida, mas nem sempre temos forças. Verdade. É a mais pura das verdades! E ninguém pode ser condenado por isso. A dor pesa. O sofrimento pesa. São pesos extra amarrados aos pés. Há dias, há fases, às vezes, há meses e anos em que levam a melhor: os pesos, a m**** da vida, a corrente de forças contrárias à nossa vontade, ao que nos faz feliz. É uma pena, é um desperdício de tempo que não volta mas é verdade e é humano e, talvez, até faça parte do caminho, não sei. Sei, sim, que devemos - a nós próprios, a mais ninguém -, quando encontramos um sopro de força cá dentro que nos dê um empurrão, tentar apanhar a onda, como podermos. Esqueçam-se do perfeccionismo, se só conseguirem encavalitar-se na prancha de joelhos ou agarrá-la com as mãos, que seja. Que seja! Não tem que ser bonito, não tem que ser vistoso, basta ser. Porque há vida para além da m****. Há dores no corpo mas também há beijos ternos de manhã que ajudam a aliviá-las. Há tardes sisudas e fracas de espírito mas também há Chopin ao piano que atravessa as paredes vindo da casa ao lado. Há ordens para não sair e há amigos que, sendo assim, entram, carregados de almoço ou lanche pronto a ser consumido e que riem connosco na nossa clausura. Há medo mas há esperança e rezas de tio adorado mas já velhinho todas as noites. Há vómitos e cabeça a latejar mas há medalha de santa com o nosso nome trazida de propósito por amigo que considerávamos distante. Há amor, há amizade, há solidariedade, há carinho, há presença, há atenção, há família, de sangue e alargada e que se escolhe. E há dias sem dores. E sem má disposição. E com apetite. E em que o café nos volta a saber bem...
Revisitei há uns dias uma frase feita daquelas bonitas que inundam as redes sociais e que adornam perfis no campo dos motes de vida. Dizia qualquer como coisa: a vida é o que queremos que seja. Pois, às vezes não é. Uma parte, talvez bem maior do que gostaríamos de admitir, não é. Ainda apanhei a febre do empowerment no meu crescimento enquanto pessoa mas, talvez felizmente, tenha ido ainda a tempo de o saber finito, com limites. Temos sempre poder para tentar mudar a nossa vida. Sempre. Mas a nossa força também reside na aceitação do que não passa por nós decidir e, acima de tudo, na capacidade de viver o melhor possível as entrelinhas, as entrelinhas que cosem os momentos uns aos outros e que os enfeitam, as entrelinhas que são, nem mais nem menos, a nossa expressão e a forma como decidimos viver tudo o que a vida nos impõe e todo o terreno que lá lhe vamos conseguindo conquistar.
quarta-feira, junho 28, 2017
segunda-feira, junho 26, 2017
sexta-feira, junho 09, 2017
Primeira pergunta num questionário sobre determinado exame médico...
... "Sente grande ansiedade por ir realizar este exame?"
Eerrr... não sentia, não... obrigado...
Eerrr... não sentia, não... obrigado...
quinta-feira, junho 01, 2017
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