segunda-feira, outubro 12, 2009

O que eu devia ter dito mas que sei que tu sentes e sabes sem ter sido preciso dizer

Adoro-te.
Adoro falar contigo todos os dias a propósito de tudo e de nada. Adoro sentir que adoras falar comigo também. Adoro que provoquemos ciúmes por andarmos "sempre um atrás do outro". Adoro que me ouças e me dês ouvidos, adoro que me procures para tirar dúvidas e adoro que estejas sempre disponível para tirar as minhas sejam elas quais forem, sobre que assunto for porque para mim tu sabes sempre tudo. Adoro poder perguntar-te onde fica a rua tal, como se vai para lá porque tu conheces sempre todas as ruas e caminhos melhores e até autocarros. Adoro que venhas ao meu lado, quando estou a conduzir, e que faças questão de me indicar o caminho mesmo sabendo que o sei de cor. Adoro que refiles por este país estar todo mal sinalizado.

Adoro que troques os nomes de pessoas e coisas e que, uma vez embirrando, nunca mais consigas acertar e que, por isso, o meu urso Jorge tenha sido sempre Júlio e que a minha amiga Sara tinha ficado para sempre Sissa e que afirmes que o nome da Zé é certamente Joseca e que a noz moscada seja, para ti, noz moscarda porque achas mais piada dizer assim. Adoro que confundas os alhos com os cogumelos no supermercado e que tires a rama ao nabo ainda na banca porque as indicações que tens são de levar nabo para casa e nada mais. Adoro as histórias deste género que existem sempre sobre ti e o que elas me fazem rir. Adoro que sintas a música de uma forma tão especial, que ouças as notas e aprecies os arranjos como não conheço ninguém e que tenhas feito sempre questão de me passar isso. Adoro a paciência com que te proposeste a ensinar-me piano apesar de, entredentes, me dizeres que se calhar era "velha" demais e adoro que tenhas passado toda a minha vida a tocar sabendo que eram as tuas mãos que criavam o último som que eu ouvia antes de adormecer. Adoro ver o brilho nos teus olhos e o teu sorriso quando falas de algo que te entusiasma ou ouves alguém interessante falar. Adoro que tenhas um sentido de humor muito british e que nem sempre te entendam.

Adoro que mostres um orgulho não babado quando conquisto algo ou me saio com uma ideia brilhante. Adoro que te preocupes comigo como ninguém faz. Adoro que tenhas sempre imensa curiosidade em saber o que comi se fui a algum sítio diferente e que fiques danado se alguém fala comigo e não pergunta. Adoro que mostre personalidade até nas pequenas coisas e que às vezes não seja fácil lidar contigo e que tu não te importes porque és assim com convicção. Adoro andar por aí a pensar que doces te posso levar e adoro que digas "vou comer os doces que a T. ME trouxe". Adoro que me ligues a dizer que gostaste e que não comeste tudo para "durar mais". Adoro que saibas de cor expressões e passagens inteiras de qualquer romance de Eça de Queiroz e que me ajudes a interpretá-los quando fico "presa" em algum lado. Adoro que me tenhas ensinado a prever o tempo observando o sentido em que o vento empurra as nuvens. Adoro que fales de futebol comigo, que aprecies o jogo pelo jogo e que saibas sempre a quantos pontos vamos. Adoro que adores comboios e saibas as linhas todas. Adoro que mostres entusiasmo por ter uma razão para pegar numa enciclopédia ou num dicionário e que me tenhas "pegado" esse gosto.

Adoro que aches que as criancinhas são todas parvas por não gostarem de sopa de legumes "uma coisa tão boa". Adoro que contes os doces na mesa de Natal e que digas "irra, são 18, isto assim é impossível...". Adoro que mistures no prato secos e molhados e que aches perfeitamente lógico que a rabanada, sendo seca, tenha que ter molho e que o molho possa perfeitamente ser leite creme. Adoro quando os teus olhos brilham como uma criança quando sabes que vais comer batatas fritas ou gelado.

Adoro que aproveites qualquer ocasião para podermos almoçar ou tomar café por saberes que seremos só nós os dois e adoro contar contigo para me ajudares a fazer a mala atirando ideias ao ar sobre os items dos quais não me posso esquecer. Adoro que me esperes na rua quando sabes que vou lá e que te mostres tão contente por me ver e por ter dinheiro trocado para o parquímetro. Adoro que adores sair e passear comigo e conhecer sítios novos. Adoro que mostres sempre que gostas das minhas prendas e que, de cada vez que as usas, refiras que fui eu que dei. Adoro que me chames "tchinha" porque raramente o fazes e porque só tu o fazes, mais ninguém. Adoro que sejas sincero quando falas comigo a sério e que sintas sempre facilidade em fazê-lo. Adoro que queiras sempre resolver os assuntos pendentes entre nós para teres a certeza que não fica ali nenhum grão de areia a incomodar.

Adoro que sejas meu cúmplice e que troquemos olhares e sorrisos, sem ser preciso falar, quando pensamos ao mesmo tempo na mesma coisa. Adoro olhar ao espelho e ver-te e adoro que digam que sou, sem dúvida, a mais parecida, de cara e de feitio. Adoro que estejas na minha vida de forma tão presente e adoro não conhecer ninguém nas nossas circunstâncias que tenha esta ligação e ouvir dizer isso mesmo. Adoro que sejas o meu melhor amigo, a "minha pessoa" e não quero que termine, nunca.

A propósito...


Para começar a semana. Para me fazer voar, para sair de mim porque a música quando me toca consegue sempre levar-me para um outro mundo...

domingo, outubro 11, 2009

O Pablo e eu (e não só) a pensar da mesma forma

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem destrói o seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajecto, quem não muda as marcas no supermercado, não arrisca vestir uma cor nova, não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projecto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.

Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda

Love is...

"Amor é...". Era o mote para um conjunto de pequenas frases, acompanhadas por um menino e uma menina de mão dada ou abraçados, e que ilustravam uns quantos autocolantes da minha colecção. Alguém se lembra disto? Vim a descobrir que foram criação de Kim Grove Casali (1942-1997) e têm origem nos bilhetes que escrevia ao namorado que, mais tarde, se veio a tornar marido. Ele guardou-os religiosamente e um dia decidiu enviar os cartoons a um jornal que passou publicá-los. A partir daí tornaram-se um sucesso mundial tendo sido traduzidos em várias linguas. Apesar de hoje já não fazerem o mesmo furor continuam a fazer chegar a sua mensagem a quem a quer receber pela mão de um dos filhos do casal.

Amor é... saltar juntos em cima de poças de água; amor é... sentirem-se bem quando estão um ao pé do outro; amor é... só eu e tu; amor é... fazê-lo(a) virar a cabeça quando passas; amor é... o beijo que te diz que é ELE(A); amor é... quando o tempo separados desaparece como que por encanto; amor é... o brilho que ele(a) traz à tua vida; amor é... indestrutível. São algumas das frases que ainda circulam por aí.

Continuo a acreditar nisto. Continuo a acreditar que o amor é feito de grandes e pequenas coisas, que pode ter muitas formas, variantes e ser condicionado por muitas variáveis. Mas no fundo... é isto. É sentir emoção só de olhar, é sentirmo-nos completos, estando ou não ao pé um do outro, é gostar de fazer coisas juntos mesmo que seja só estar sentado no banco do jardim sem dizer nada, é admirar apesar dos defeitos, é não conseguir imaginar a vida sem...

Acredito que também se possa alcançar a felicidade sem sentir desta forma. Acredito que haja outros sentimentos que unem as pessoas. Mas nunca se podem chamar amor. E sendo que a vida é mesmo só uma, recuso-me a contentar-me com algo parecido ou mais ou menos isto. Nope... I want the real thing.

O lado bom

Está concentrada na dor, diz ela, está concentrada na dor. Existem vantagens e desvantagens. A desvantagem é que não consegue sentir mais nada. E há mais coisas para sentir, a vida tem sempre mais coisas. A vantagem é que ao lidar com ela, ao encará-la de frente, ao passar por ela tem muito mais probabilidades de efectivamente a resolver. Quem guarda a dor num canto, numa espécie de arrecadação ilude-se. Não a vê, não tem que viver com ela no dia-a-dia e por isso acha que consegue seguir normalmente e até ser feliz apesar da sua existência. Porque ela está lá mas não se sente, está arrumada num local onde não temos que ir e pode ser que desapareça sem termos que fazer nada. Mas já viu alguma vez as tralhas da arrecadação desaparecerem sem termos que lidar com elas? Não, isso não existe. Mais tarde ou mais cedo temos que as arrumar. Mais tarde ou mais cedo temos que sair de casa, enfrentar a tralha e dar-lhe destino. Dói, pois claro que dói, abana a aparente estabilidade em que nos encontramos, traz-nos memórias e às vezes até levanta dúvidas quando achávamos que só tínhamos certezas. Mas só assim estamos realmente a resolver alguma coisa. Podemos passar anos sem lá ir, podemos viver iludidos muito tempo porque o ser humano agarra-se com muita facilidade à ilusão mas um dia vemos que construímos o nosso caminho em cima de uma base frágil, um dia acordamos e damos conta que afinal criámos na nossa cabeça um cenário de felicidade que não é real. Um dia iremos, inevitavelmente, sofrer as consequências. Por isso, agarre-se a este lado bom. Agarre-se ao facto de ter coragem para enfrentar, de pôr as mãos na massa e arrumar o que há para ser arrumado. Vai ver que assim é que vai encontrar a verdadeira paz de espírito.

Às 3

O silêncio e a porta trancada. O escuro e o vento que não sopra lá fora. Os grilos, só se ouvem os grilos, e a menina, pequenina, cada vez mais pequenina, num cantinho da cama, enroscada sobre si mesma para sentir o seu corpo, com o seu calor e sentir que ele ainda faz sentido, que ele ainda é querido, que está vivo e que vai sobreviver. E chora baixinho. A vontade é gritar, dar murros na parede mas já não são horas, já não são horas. Mas as lembranças não param, o aperto no peito não pára, não dá descanso. As lágrimas caiem sem controlo e a raiva, muita raiva!, domina por completo. E a menina diz, muitas vezes, a si mesma, repete incessantemente mas baixinho "não vale a pena, não vale a pena, descansa, deixa assentar, amanhã vai ser melhor, amanhã vais ser crescida outra vez".

sexta-feira, outubro 09, 2009

E hoje os astros dizem...

Mais vale prevenir do que lamentar, mas não deixe que a prevenção se converta numa obsessão. Seja mais constante.



Nada a ver... Maya, amiga, nada a ver. Não tenho nenhuma tendência para desenvolver obsessões. O facto de sentir que o mundo está todo contra mim, que as pessoas são todas uma trampa e ter decidido que, para não me apanharem na curva da próxima vez, o melhor é mudar-me para o Tibete onde só tenho contacto com yaks que, acredito, não têm por hábito esconder debaixo do pêlo lanzudo armas brancas com as quais me poderão surpreender, durante a noite, para a boa da facada nas costas, é pura coincidência...

Ha... mas andam a pé que é uma beleza!

(alegando questões de segurança e de preservação das "tradições")

Pois com certeza! Então mas agora que jeito tem andar com gajas todas enroladas em tecido à pendura?! Têm que se preservar as tradições, e sem as aspas!! Ou bem que têm uma bruta mini-saia de imitação de cabedal comprada na feira a 3 euros, com a boa da "tranca" de fora para se poder pavoneá-la e fazer inveja aos outros machos ou então de que serve levá-la toda envolva em tecido a não deixar ver nem um bocadito de pele?? É como levar uma carpete enrolada presa ao porta-couves!

Além disso, existem de facto questões de segurança a ser tidas em conta... e se aquela gaita se desenrola toda e se prende no eixo da roda? Ou se enfia tubo de escape adentro? Ainda a gaja pega fogo, o veículo vai parar à sucata e depois é um vê se te avias! É só despesas, portanto...

Não... fazem muito bem... de facto, estes gajos do Hamas são muito à frente, sim senhor...


Que a força esteja comigo!

Email recebido no seguimento dos posts de ontem:

"Eiiiiiiiii, não fique assim, não seja negativa!!!!

Dicas para o dia de hoje:
Ocupe a sua mente com coisas positivas;
Veja as coisas pelo lado positivo;
e fundamentalmente
SFF, EVITE COMPORTAMENTOS REACTIVOS! (causam grandes perturbações na força)
Have a nice day :)"


É muito bom saber que, por pior que esteja a ser o dia, há pessoas atentas e que se dão ao trabalho de sair de si... por mim...

quinta-feira, outubro 08, 2009

Carta

Olá. Como vão as coisas? Por aqui tudo andando (lendo uns posts mais abaixo, vais perceber...). A vida mudou muito desde que te foste embora. Principalmente porque te foste embora. Imaginei muitas vezes como seria quando isso acontecesse. Imaginei-me a não sobreviver. E de facto, não sobrevivi. Porque o que eu era antes desapareceu contigo e não só. Não sou a mesma pessoa, nunca mais vou ser.

Esta que agora te fala é alguém que ainda não conheço bem. Mas é, sem dúvida, diferente e, também sem dúvida, bem menos interessante. Mais fria, mais amarga, mais desiludida, mais, muito mais, desconfiada e descrente na vida, no ser humano. Pergunto-me se já adivinhavas que isto fosse acontecer... Talvez. Sempre viste muito mais longe do que eu.

Dou por mim a imaginar que me vês. Dou por mim a ver-te abanar a cabeça e a pensar "esta miúda não tem emenda...". Dou por mim à espera que me guies. Porque és tu e porque não tenho mais ninguém a quem recorrer. Quero dizer, tenho pessoas há minha volta, sim. Pessoas boas e pessoas más. E as pessoas boas são muitas, felizmente, embora as más façam mossa. Mas nem é por aí. A verdade é que... ninguém me lê como tu. Ninguém. Ninguém me conhece como tu. Ninguém me entende como tu.

Eras a minha base de sustentação. O pilar principal desta estrutura que parece tão robusta mas que, no fundo, é tão frágil, muito mais frágil do que sempre quis admitir. Tirando-te, cai tudo. E caiu.

Tenho aprendido muito nos últimos tempos, sabes? Muito mesmo. Mas não tem sido uma aprendizagem nada fácil porque as lições que tenho tirado são lições muito duras, na maioria dos casos. E tristes também. Negativas. Tenho conhecido e sentido na pele o desprezo, a raiva, a solidão, a desilusão, a desconfiança. Tenho aprendido que nada é certo, que a maioria das pessoas não vale o que lhes damos, que o ser humano tem falhas incríveis sendo algumas delas o egoísmo, a insensibilidade, a frieza, o desamor, a falta de amizade e consideração pelo próximo. Tenho aprendido que não consigo lidar com isso e, acima de tudo, que também eu consigo ser esse tipo de ser humano. Tenho aprendido que fui (sou?) ingénua demais. Acreditei demasiado em mim, na vida, nos outros. Acreditei mesmo porque achava que via. E afinal não via nada ( e lá está, o abanar de cabeça e a expressão de quem não se surpreende...).

Disseste-me uma vez que, com o passar dos anos, o que acontece pontualmente dilui-se no mar imenso que é a vida. Que, por vezes, exacerbamos o que nos acontece em determinado momento, que na altura nos parece fulcral, decisivo, e só mais tarde vemos que afinal não tinha assim tanta importância tendo em conta tudo o resto, tendo em conta a vida toda, que é muito maior. Ou até tinha mas que podia ser resolvido, ultrapassado e que, por isso, não nos deviamos agarrar a ele para ditar tudo o resto. Pois eu espero que estejas errado. Porque quero que este momento me sirva de lição. Quero tirar tudo o que posso daqui e aprender a não repetir, nunca mais. Quero que este momento molde a minha vida. Porque, como se diz quando nos referimos a determinados períodos da História, o que se esquece, o que se minimiza tende a repetir-se. Este é o meu holocausto. Não o quero esquecer, não quero que se dilua.

Em relação à nossa pessoa em comum, o percurso não tem sido fácil. É complicado gerir o que se pode dar e o que seria necessário. Sinto que falho, também aí, por incapacidade. Não consigo dar mais do que isto porque corro o risco de esgotar ( e tu sabes como é fácil que se esgote..!) e depois não ter para mim, entendes? E como não tenho onde ir recarregar... Mas tenho noção, todos os dias, que o que dou não é suficiente. Sinto-me egoísta mas aprendi que tem que ser, é necessário. Estando aqui talvez me recriminasses. Tenho esperança que, estando aí, consigas ver mais além.

Às vezes tento ouvir-te. Olho para cima, observo e sinto o vento e esforço-me muito para sentir o que me dizes. Porque sei que me estás a dizer alguma coisa. Sei. Acredito. Porque a sensação de abandono não pode ser total. Tenho que acreditar. Mas não ando a conseguir ultimamente. Ouço o vento, vejo as folhas a pairar, os ramos a abanar mas não consigo ler a mensagem. Mais uma vez, incapacidade minha certamente...

Sabes, uma coisa que me diziam é que os meus olhos falavam. Quando estava feliz, havia brilho, quando não estava havia uma espécie de névoa. Eu até podia estar a sorrir, a disfarçar, a não querer que se percebesse mas os olhos denunciavam tudo o que ia cá dentro. Tenho olhado ao espelho, sabes, tenho olhado muito ao espelho. Queres saber o que vejo? Não vejo brilho, não vejo névoa. Não vejo absolutamente nada.

Desculpa o tom melancólico desta carta. Mas tu conheces a razão, tu sentes, não é? Prometo que vou tentar fazer melhor para a próxima. Porque quero continuar a escrever-te. A falar contigo através da escrita. Quero sentir que me lês. E quero escrever-te sobre coisas boas. Porque elas existem e vão sempre existir, eu sei, embora agora não as consiga ver bem. Ou melhor, sentir. Mas quero que esta carta seja a primeira de muitas e quero que as recebas e guardes como sempre fizeste com as prendinhas que te dava, tão mal amanhadas, feitas na escola primária. Cinzeiros, pisa-papéis e afins, de barro torto e mal pintado, mas que iam enchendo a primeira gaveta da tua mesinha de cabeceira. Tens uma mesinha de cabeceira aí? Pois então pronto, enche-a agora de mim também.

Os 3 Ps

Chega. Acabou. Tem que acabar. Tenho que deixar de ocupar a minha mente com aquilo que me faz mal. O que me faz mal não me merece. Não merece o meu tempo, a minha energia, o meu desgaste. Eu tenho muito mais para dar, sou muito mais que isto e devo usar-me ao serviço do que me faz bem. Devo dar-me ao que de bom me rodeia e que pode, merece, verdadeiramente, usufruir de quem eu sou e do que há de bom em mim. O que me faz mal é mau, é ruim, corrosivo, reles, mesquinho, baixo, menor e deve ser, pura e simplesmente, anulado da minha vida. Não presta, não vale o esforço. Não vale nada. Tem a importância que lhe dou. Logo, é urgente não lhe dar importância nenhuma. E isto inclui pensamentos, posturas, pessoas.

Setback

Hoje acordei a sentir uma enorme desilusão em relação à vida, em relação às pessoas. Acredito que se tenha vindo a acumular ao longo destes últimos tempos. Hoje concentrou-se toda num mesmo pensamento, num mesmo pesar de ombros. De facto, nunca se conhece verdadeiramente ninguém e, o mais provável é que, quem julgamos conhecer melhor seja justamente quem nos vai desiludir mais. E com essa desilusão tão presente pergunto-me: afinal, o que é que havia antes?

quarta-feira, outubro 07, 2009

Cerejas

Uma puxa a outra... era jantar com uma para conversa séria, passou a jantar com duas para conversas, em dose dupla, sérias e nem por isso. Pois que venham elas!

A "nossa" M. E.



E assim chegou, de repente, mais uma fonte de amor à minha vida. E é por estes momentos que vale a pena andar por cá.

Welcome, baby Mary. Welcome.

Que este mundo saiba merecer-te.

O processo (mas não o de Kafka...)

O que nos faz mudar cá dentro? O que faz com que estejamos bem num dia, mal no outro e depois mudemos outra vez, se assim tiver que ser, sem que, muitas vezes, haja uma razão concreta, óbvia, que se possa apontar? O que despoleta a mudança? Porquê? Em que momento ela ocorre exactamente?

Muitas vezes, olhamos para trás e vemos que bastou uma determinada palavra, em determinado momento, ou um determinado gesto. Um olhar ou um sorriso, um abraço ou um voltar de costas. Algo muda naquele instante.

Comigo, regra geral, não é nesse momento que percebo mas sim mais tarde. Não é algo que me faça "ver a luz" automaticamente. Penso que a minha desconfiança natural contribui para que assim seja. À partida, desconfio. Portanto, e sendo perfeitamente inconsciente, necessito de tempo para assimilar e para que o momento produza efeitos em mim, se tiver que produzir. E um dia acordo... e deu-se.

Invariavelmente dou por mim a tentar analisar. O que foi? O que não foi? Quando foi? Será para durar?

Invariavelmente ouço: o que é que isso interessa?

Invariavelmente, e fazendo jus à minha curiosidade inata à qual se junta a necessidade de controlo, penso sempre que interessa imenso e passo tempos a avaliar, a medir, a ponderar, a tentar entender o processo para que ele, eventualmente, se possa repetir sob o meu comando.

Invariavelmente, acabo por desistir. Porque nunca é só uma coisa. Nunca é. Sim, foi o abraço naquele momento, sim, foi a palavra naquele dia, sim, foi o choque no outro e sim, foi a conversa com aquela ou aquelas pessoas. E foi a postura da outra e foi aquele sorriso quando não estava a contar e foi o olhar naquelas circunstâncias a falar mais do que palavras.

E fui eu. Eu. Acima de tudo, eu. Porquê? Quando? Como? Onde? O que é? O que significa? Quanto durará? Acho que não depende de mim. Ou, se calhar, só depende mesmo de mim...

terça-feira, outubro 06, 2009

Guia

Dá-me uma luz. Tu, que já estás num plano superior, acima de tudo, que já não tens a visão turvada pelo entrelaçado das coisas mundanas. Tu, que já conheces o que realmente importa conhecer, que já consegues ouvir o que os corações dizem muito para além do ruído que a nós nos ensurdece. Dá-me uma luz. Encaminha-me.

segunda-feira, outubro 05, 2009

Pesadelo

Sonhei que já não me conseguia lembrar de como soava a tua voz...

É uma casa portuguesa, com certeza...

(neste caso, restaurante português...)




sexta-feira, outubro 02, 2009

Discurso directo

"Uma das coisas mais importantes que já aprendi é que é a vida que nos traz respostas. Por isso, temos que a deixar correr e aprender a esperar. Custa muita controlar a ânsia de resolver, chegar a conclusões, tomar decisões, escolher caminhos. Eu sei que custa! Mas é preciso. E não vale a pena tentar fazer de outra forma. O mais certo é que a ânsia te faça fazer asneiras. Achas que estás a resolver, a escolher um caminho mas o que vai fazer é com que corras, te canses e te iludas porque, efectivamente, não vais conseguir chegar ao lugar que devias. Vais encontrar um lugar, sim, mas não o teu. Acalma-te e espera. Vais ver que vais encontrar as respostas de que precisas. Elas vêm ter contigo, mais cedo ou mais tarde.

E confia no tempo. Ele é amigo, não inimigo. O que tiver que ser, será, por mais que ele passe. Quando algo é verdadeiro, é verdadeiro sempre, hoje e daqui a 2 anos. Se o tempo o fizer desaparecer é porque não tinha valor logo à partida. O tempo encarrega-se de fazer a triagem por ti."

Águas paradas

Morno é igual a sereno, pacato, seguro, quieto. Morno é igual a controlável. Morno é diferente de arrebatado. Morno é diferente de emotivo. O que é morno não tem vida, não tem emoção, não tem energia e facilmente fica estagnado. Morno não é carne nem é peixe. É assim assim.

Há quem goste do morno, há quem se sinta feliz com ele porque permite ter controlo sobre as emoções, boas e más, e não chateia muito, não dá muito trabalho. Está lá e pronto. Não dá luta. Não torna os dias sempre diferentes, aliciantes, com altos e baixos o que para muitos é o melhor. É um sossego...

Para mim, é para quem se contenta com pouco. Para quem se contenta em sentir apenas pela metade. Para quem confunde insipidez com calma e paz interior. Para quem não tem interesse em viver verdadeiramente ou para quem já desistiu de ser mais feliz do que isso.

Eu não desisto. Não quero nada morno para mim.

Power off

Há alguma coisa pior do que perder a esperança? Há. Querer matá-la, ter que a matar e verificar que ela é, tão somente, uma das minhas artérias principais, das que mais me alimenta, que mais me faz viver, das que mais bombeia sangue e energia directamente para o coração. É vital, está entranhada no meu código genético, é parte da base que me sustenta e de onde partiu a minha construção como ser humano.

Extinguindo-a, apago um sem número de luzes que normalmente me iluminam. Extinguindo-a, grande parte de mim fica completamente às escuras. E sou eu que vou desligar o interruptor.

quinta-feira, outubro 01, 2009

Frase do dia de ontem publicada com atraso

Mas mais vale tarde do que nunca...

Pain is inevitable. Suffering is optional.
M. Kathleen Casey

Liguem! Não custa quase nada e pode fazer toda a diferença


Amor é...

... eu e o gato G. partilharmos a almofada todas as noites...

quarta-feira, setembro 30, 2009

D mais O mais I mais D mais A igual a ..?

Chegámos ao fim de Setembro. Reparo agora que foi o mês com mais posts de todo o sempre! Motivo para comemoração? Hardly... E as razões, quais são as razões? Ando mais "faladora"? Não tenho o que fazer? Entrei em alguma competição imaginária de blogs para ver quem diz mais coisas que não interessam a ninguém em menor espaço de tempo? Tenho a cabeça cheia de treta, preciso deitar cá para fora e como já ninguém me atura despejo aqui porque este, ao menos, não se queixa? Estarei a ficar esquizofrénica e, embora na realidade esteja a falar sozinha, acho que o computador é, no fundo, a minha educadora de infância a fazer jogos de palavras comigo?? Anyone..? Anyone..?

Tenho para mim que é bem capaz de ser tudo junto...

Robot

Quero mudar. Quero conseguir que a racionalidade se sobreponha a tudo. Quero que o meu cérebro comande e não o meu coração. Quero dizer a mim própria "não", "sim" e todas as outras palavras definitivas e passar a senti-las. Eu sei que é possível, já vi acontecer. Eu quero isso para mim. Estou cansada de não ter mão no que sinto. Quero controlar o coração para ele sentir apenas o que quero. Quero controlar os meus dias, o meu estado de espírito, quero conseguir rir quando me apetece, quero conseguir não chorar, mesmo quando é só por dentro. Quero conseguir viver o que deve ser vivido e desprezar o que me faz mal bastando para isso dar uma ordem. Quero poder dizer a mim própria o que devo sentir e senti-lo. Quero que dizê-lo seja o bastante.

Isto faz de mim qualquer coisa parecida com uma máquina? So, be it.

Make a wish

Amanhã vai ser melhor, amanhã vai ser melhor, amanhã vai ser melhor...

segunda-feira, setembro 28, 2009

Lá atrás... #2

É esta..!

O gato lambareiro

Era uma velha que vivia numa ilha.
Era uma velha que vivia numa ilha.

E tinha um gato com olhos cor de ervilha.
E tinha um gato com olhos cor de ervilha.

Mas esse gato gato era muito lambareiro.
Mas esse gato gato era muito lambareiro.

Andava sempre, andava sempre ao cheiro.
Andava sempre, andava sempre ao cheiro.

Mas certo dia sem a velha dar por isso.
Mas certo dia sem a velha dar por isso.

Foi à cozinha e comeu o chouriço.
Foi à cozinha e comeu o chouriço.

O velho chega, chega p'ra jantar.
O velho chega, chega p'ra jantar.

E vê a velha na cama a soluçar.
E vê a velha na cama a soluçar.

Mas ó mulher o que tens o que foi isso.
Mas ó mulher o que tens o que foi isso.

Foi o nosso gato que nos comeu o chouriço.
Foi o nosso gato que nos comeu o chouriço.

O velho pega, pega num cacete.
O velho pega, pega num cacete.

E põem o gato a andar de rabanete.
E põem o gato a andar de rabanete.

Nada a declarar

Mais do mesmo, mais de tudo, mais de nada.

Mais vale estar calada.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Palavras

Não.

Areia

Vou deixar de fazer contas. Vou deixar de contar o tempo. Concluir, factualmente, que ele está a passar desespera-me. Quero agarrá-lo e não consigo, ele escorre entre os dedos. Tenho que deixar de fazer contas. Contas dos dias que passaram, dos dias em que a saudade entrou na minha porta e nunca mais saiu, dos dias de distância, afastamento, dos dias que me separam de uma outra vida. Tenho que deixar de contar os dias, as semanas e, agora, principalmente os meses. Os meses doiem mais que qualquer outra medida porque são o ponto de não retorno, são eles que fazem a ponte entre o pouco e o muito tempo. Os meses já não só dias, já não são só semanas e estão a um passo de se tornar anos. E quando se começam a contar anos é porque já estamos longe demais.

quinta-feira, setembro 24, 2009

FarmVille ou o desejo secreto que há em cada um de nós, trabalhadores citadinos, de querer mesmo é plantar batatas

Colega a despedir-se de mim:

"Até amanhã. Vou limpar uma quinta! ;)"

Correnteza

Quebrar o ciclo. É urgente quebrar o ciclo. É imperioso sair da enxurraga, deixar de permitir que nos levem contra vontade. Tomar o destino nas mãos. Só resta saber se se consegue nadar contra a corrente e chegar, finalmente, a terra seca. Mas o ciclo tem que ser quebrado, interrompido porque se continuar corre-se o risco de submergir definitivamente.

Constatação #2

A solidão é, acima de tudo, um estado de espírito.

quarta-feira, setembro 23, 2009

És tu, sopeira... és tu que vens aí?

Sempre me irritaram as pessoas que, ao perguntar-se-lhes "Então, tudo bem?", respondem, com um ar mais ou menos enfadado e encolher de ombros, "tudo andando" ou "vai-se indo". Porque não dizem sim ou não, tudo bem ou tudo mal? O que quer dizer "andando"? Andando andamos todos nós, certo? Tem que ser, anda-se e pronto. Mas a vida não é só isso, é sempre mais qualquer coisa. Dizer "vai-se indo" é redutor, é mole, é assim assim, sem sabor. Vai-se indo como, senhores?!? É uma expressão tão desinteressante... de gente poucochinha, com uma visão redutora das coisas da vida, de quem não vive as coisas em pleno e se contenta com pouco ou não se contenta com nada, sei lá. De quem não sente nada a 100%, de quem anda a meio gás. É morno... e, ainda por cima, não quer dizer nada de especial. Quem ouve fica a saber exactamente o quê? Nada, absolutamente nada!

Mas... como se costuma dizer (embora não seja fã da expressão acho que para aqui não há outra melhor): quem cospe para o ar, arrisca-se a que lhe caia em cima (a imagem, por si, é do pior... mas ok...). E é isso mesmo que me está a acontecer. Nos dias que correm, quando me perguntam sobre o meu estado de espírito, o que me ocorre é isso mesmo: vou andando. Portanto, ando a levar com cuspidela atrás de cuspidela (aargghh..).

Enfim...

E porquê? Porque digo "vou andando"? Parece complicado mas é mais ou menos simples:

Ando porque tem que ser, essa é a primeira razão. Eu e toda a gente. Na vida anda-se para a frente mesmo que não se queira. O mundo gira, os dias vão passando e nós vamos passando por eles também, sempre em frente. É assim que a coisa funciona.

Por outro lado, não posso dizer que está tudo bem. Não está, seria mentir. Como é óbvio, se for preciso, minto. Se o interlocutor for a vizinha do lado ou a senhora de mercearia, a resposta é, acompanhada de sorriso mais ou menos estonteante, "tudo óptimo!", por razões óbvias. Mas para quem me conhece... Além disso, apesar de todos os cursos e workshops na área, não sou assim tão boa actriz quando se trata da realidade. Essa, infelizmente, e para quem vê para além do óbvio, está espelhada na minha cara, na minha voz, nos meus olhos (as p**** das rugas, portanto...).

Podia dizer: tudo mal. Podia... mas não está tudo mal. Penso sempre que há quem esteja muito pior. Há pessoas a dormir na rua, a sofrer com guerras mesmo na soleira da sua porta, há pessoas com fome. Isso sim, é estar mal. E, comparando, não posso dizer que estou. Além de que... já chateia, francamente! Eu já estou farta de me sentir mal e calculo que os outros, que me ouvem, também devem estar! Deve ser extremamente aborrecido, passado um certo tempo, continuar a ouvir lamúrias e lamentos e a ver olhos de carneiro mal morto! Eu sei que, a mim, já começa a fartar! (E com isto acabei de chegar à conclusão que estou cansada de mim mesma... olha que bonito...).

Bom, posto isto... resta o quê? O "vou andando", nem mais. Que não é coisa nenhuma, que é assim assim, que é uma seca de uma resposta e que critico veementemente! Mas é o que é.

Mais uma vez, e visto que parece que estou em maré de assumpções, há que assumir também isto com frontalidade: nos dias que correm, sou uma pessoa do "vou andando". Sou a D. Amélia, dona de casa reformada, que ocupa os dias a falar com as vizinhas sobre as suas artroses e sobre as discussões que ouve vindas do 3º esquerdo; sou a porteira do prédio cuja ambição maior é comprar um candeeiro de tecto, tamanho XL, todo feito de vidrinhos brilhantes para cair sobre a mesa da casa de jantar que, por sua vez, nunca é usada a não ser quando recebe os primos da Suíça, e aí poder dizer-lhes que aquilo "foi para lá de um dinheirão!"; sou o TóMané cujo maior sonho é instalar um avançado na sua roulotte do parque de campismo da Costa da Caparica para que, no próximo Verão, possa assar sardinhas à sombra enquanto bebe umas valentes "jolas" e mete inveja à restante malta do complexo...

É verdade... sou, actualmente, uma pessoa do "vou andando" e temo que esteja a um passo de começar a ir "andando" de bata e rolos na cabeça ao minimercado da esquina... Meeeeedo! Muito!!

terça-feira, setembro 22, 2009

Uma outra visão da coisa ou uma história para boi dormir

Sou um pequeno comboio de mercadorias (Um comboio, vês? Um comboio...).

Ali vou eu, no meu caminho, na minha linha, a fazer o meu percurso, calmamente, dentro do horário. De repente, um choque frontal com uma composição bem maior. Sem aviso, sem fuga possível. Saio dos carris com violência, a mercadoria no vagão é projectada para todos os lados. E eu vou, empurrado pelo impacto, parar algures, uns quilómetros, muitos quilómetros!, afastado da minha linha.

Durante um tempo ali fico. Sem andar, danificado, sem qualquer capacidade de voltar aos carris sozinho.

Mas os dias vão passando, os estragos são analisados e os arranjos vão-se fazendo. Peças velhas são recuperadas, outras só servem para deitar fora. A pintura tem que ser refeita e há muitos ferros amolgados, a precisar ser endireitados. Aos poucos, a pequena composição vai tomando forma de novo. Não a forma inicial mas alguma forma, a forma possível.

O chefe de estação agita-se, o comboiozinho tem que se fazer à vida! Há que voltar à linha, recomeçar a andar, fazer o seu percurso. Há outras estações, mais adiante, à sua espera. Há horários a cumprir e há mercadoria nova à espera no cais.

Mas ainda não é possível. O novo mecanismo ainda não está oleado a 100%, a máquina antiga ainda não o reconhece. E a velha mercadoria, antes arrumada e organizada dentro do vagão, jaz agora sem qualquer nexo. Caixas por cima de caixas. Objectos espalhados por todo o lado. É necessário tempo para pôr tudo em ordem de novo. Há que recolher o que caiu, ver o que se aproveita e o que se dispensa, encaixotar, catalogar, organizar nos seus devidos lugares. Só assim a mercadoria nova pode entrar. Só assim há espaço para ela.

Enquanto isso, enquanto arrumo e não arrumo, aguardo na estação, a ver os outros comboios passar. E espero. Até que a bandeirola dê outra vez o meu sinal de partida.

Boreal



E assim, finalmente, acaba o Verão mais comprido da minha vida. Recebo o Outono de braços abertos e espero, à semelhança do que acontece com as árvores, que vêem as suas folhas cair e forrar o chão, poder assistir, também eu, à minha própria renovação.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Ora nem mais!

Danos colaterais

Aqueles que não são parte da guerra mas que, por estarem perto, apanham também com os estilhaços. Aqueles que não têm culpa ou acção ou mão em qualquer acontecimento mas que estão no nosso mundo e, como tal, acabam por sofrer também as consequências quando este se vira do avesso. Aqueles que são afectados sem nada ter feito e sem nada poder fazer.

domingo, setembro 20, 2009

Domingo domingueiro

Dia calmo, sem nada planeado, sem nada de especial para fazer. Dia de cafezinho no sítio do costume, ainda de manhã, para apanhar sol e arejar. Dia de almoço tipicamente português, no forno, bacalhau com azeite e alho. Dia de colagem de gato partido e sintonização da tv emprestada. Dia de biscoitos, os tais, que acabaram por ficar iguais aos primeiros, e de deitar conversa fora, sobre tudo e sobre nada, e de não dizer nada também. Dia de fazer sopa para a semana e companhia aos gatos embora tivesse sido trocada pelo sol a bater na parte de trás da casa. Dia caseiro, calmo, sem nada planeado, para fazer frente à semana que aí vem.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Bons modos

Reparei agora que o corrector ortográfico do Outlook não reconhece a palavra "merda". Mas existe vocábulo mais português do que este?!

(Para aqueles que, neste momento, se interrogam sobre o facto de eu ter estado a escrever "merda" num email... don't ask...)

"Uma meia meia feita, outra meia por fazer. Diga lá, minha senhora, quantas meias vêm a ser?"

Era o ponto de partida para a minha mãe começar a despejar uma série de adivinhas do mesmo género que me deliciavam quando era pequena. E eu alegremente respondia, perante a cara estupefacta da minha progenitora: 5!! (pronto, a matemática nunca foi o meu forte... mas o que interessa é participar, certo?? e eu tinha outras qualidades...)

Nunca fui muito pessoa de "meias". Não me refiro às de calçar, dessas gosto até porque os meus pés têm tendência a gelar mais do que qualquer outra parte do meu corpo. Mas coisas a "meias" ou meias estações ou fazer as coisas pela metade... Meus caros, ou é ou não é, ou se come tudo ou não se come nada, ou é uma coisa ou é outra! Por exemplo: comer um doce a meias. Complicado. Geralmente acedo e até proponho com o intuito de me ajudar a controlar a lambarice. Assim só ingiro metade das calorias. Mas desgraçado de quem partilhar comigo... é que vou comendo, comendo, comendo, e se a pessoa não está atenta, vou à parte dela sem dar conta e pronto. É mais forte que eu! Porque se está lá... está a olhar para mim... está a pedir para ser comida... Complicado.

As meias estações, essas então, dão cabo de mim. Ou bem que está calor, ou bem que está frio, caramba! Eu sou pessoa ou de sandálias ou de botas! Tudo o resto me parece um desperdício de tempo, de recursos, de energia. Mas as ditas meias estações existem e eu tenho que lidar com elas... e quando começam... "bolas! não tenho roupa de meia estação, não tenho sapatos de meia estação... bolas, de manhã está frio, ao almoço está calor, à noite está frio outra vez, levo casaco?... e agora chove, e agora está sol... argghh! Decidam-se!". Complicado...

E fazer as coisas pela metade... dá-me nervoso miudinho! É coisa de gente pouco decidida. Se é para fazer, então que se faça de uma vez! "Ah... faço agora meio xixi e daqui a bocado mais meio.." ou "ah.. penduro agora meio quadro e depois o resto". Faz algum sentido?? Então porque não se aplica a norma a tudo? Que necessidade há de arrumar parte do armário hoje e a outra amanhã? Parece que se cansam pelo meio, não sei. É muito mais fácil, já que estamos com a mão na massa, arrumar tudo de uma vez e ficarmos despachados, não é?

E neste seguimento, tudo o que se relaciona com estar no "meio". Há quem lhe chame equilíbrio. Pois, depende dos casos. Eu também lhe chamo "síndrome da Suíça". Muitas vezes estar no meio significa não se comprometer com uma posição. Nem para um lado, nem para o outro. Não assumir uma escolha. Andar ali a ver para onde pende a balança, a analisar, a ponderar... E eu detesto ver-me assim. E mais detesto quando sei e sinto que não estou a conseguir agir de outra forma. Dou voltas à cabeça, penso, penso, e... não chego a lugar nenhum. Se formos a ver... há ainda um terceiro nome para isto: limbo.

Ironia das ironias: para uma pessoa como eu, que gosta de tudo bem definido e arrumado e decidido, olho à minha volta, dentro do "meu" mundo tresloucado, e só vejo "meios xixis"! Está tudo a meio, pela metade, assim assim, nem para um lado nem para o outro!

E, para piorar, o Outono está aí à porta...

Não hei-de eu andar a precisar de drogas... irra!

quinta-feira, setembro 17, 2009

Pescadinha

Parece que não tenho sono, deito-me tarde. Deito-me tarde, não me consigo levantar de manhã a horas decentes porque nessa altura estou cheia de sono. Não me consigo levantar de manhã a horas decentes porque nessa altura estou cheia de sono, ando a correr e chego tarde. Ando a correr e chego tarde, fico danada porque assim também não consigo sair cedo e o dia parece que se arrasta porque estou podre. O dia parece que se arrasta porque estou podre mas à hora de, finalmente!, sair parece que recupero energias. Recupero energias e parece que não tenho sono, deito-me tarde.

A sério... eu juro que já fui uma pessoa normal... não me lembro bem, mas já fui, de certeza...

quarta-feira, setembro 16, 2009

Desabafos de quem quer encontrar algum sentido na confusão mas não consegue até porque, às vezes, nem faz por isso

Há alturas na vida assim, parece que o mundo está contra nós. Coisas grandes, coisas pequenas, coisas assim assim. Tudo se junta. E nós a termos que as gerir conforme podemos.

Há coisas que não podem ser resolvidas. São o que são e não há nada a fazer. Temos que as aceitar e viver com elas. Há outras, regra geral mais pequenas, que até são de fácil resolução. Mas, e se calhar justamente por isso, vão sendo deixadas para trás. Só que... pequenas, pequenas mas não invisíveis. Continuam lá, quietinhas, mas devolvem o olhar quando olhamos para elas e dizem: "estou aqui, estou aqui, ainda não me resolveste...". E se há coisa que me tira do sério são, justamente, coisas por resolver...

Mas o ser humano é um bicho estranho. Ou melhor, pelo menos este ser que vos fala é. Irritam-me as pendências mas não trato delas como e quando gostaria. Depois irrito-me porque não tratei o que, por sua vez, origina ainda mais falta de disposição que se vai juntar ao rol de desculpas para continuar a não tratar! É a p*** da bola de neve! E lá vou eu rolando, rolando, montanha abaixo, cada vez a ficar mais presa enquanto a bola aumenta de volume. E diz que a coisa só se resolve quando chegar ao sopé da dita e a bola se desfizer. Ou então se, no caminho, me espetar contra uma árvore ou entrar, inadvertidamente, numa casa em chamas e a neve derreter, sei lá. Enquanto isso, lá vou rolando, rolando e engolindo pirolitos... ou flocos, não sei bem o que se aplica neste caso.

O meu carro é uma dessas pendências. Temos pena, coitadinho, velho e valente amigo, mas há que encarar com frontalidade: o meu "EU" (o carro, não o outro... ou se calhar também o outro...) já deu o que tinha a dar. Anda nas horas se assim lhe for solicitado mas tremelica por todos os lados, tipo cadeira de massagem para dar conta da celulite, e faz um barulho ensurdecedor! Por um lado, tenho sorte, como vivo perto do aeroporto os vizinhos não levam a mal porque acham que é um avião a descolar. O pior é que o barulho está lá mas o gajo não voa, o que até dava um certo jeito em determinadas circunstâncias. E também não elimina a celulite. Mas adiante.

Para além disso, bebe demais. Não sei se é assim desde o início da nossa relação e o amor impedia-me de ver, se com a idade está pior... o que é certo é que já começa a não haver dinheiro para lhe sustentar o vício! Volta e meia, e quando achava que ainda ia levar o seu tempo até voltar à bomba, lá dou por ele só a andar a vapores. Não há carteira que aguente. Tenho sorte que não me bate mas mesmo assim... não sou mulher de sustentar bêbedos!

Para rematar, e aqui a culpa não é dele, 'tadinho, há que assumir, ele anda... vá... quero ver se sou meiguinha... nojento!! Não é lavado há... err... muitos dias! E porquê? Porque quero lavar por dentro e por fora e, à excepção dos Mister não o quê que existem nos centros comerciais, não encontro uma alma caridosa que faça o serviço completo, salvo seja. Ora... sendo assim, não vou gastar uma pipa de massa para ficar brilhante por fora sendo que lá dentro continuam a formar-se comunidades de fauna diversa. Não faz sentido. E para aumentar um bocadinho mais a camada de porcaria, há a trampa dos folhetos de tudo e mais alguma coisa que me espetam nos vidros! (Sim, sim, esta é a minha mais nova guerra de estimação. Tenho algumas considerações a fazer sobre o tema, incluindo propostas de lei e devidas coimas/castigos corporais a quem não cumprir as regras mas isso fica para um outro post). Não há direito, passo a vida a guardá-los no porta luvas para não os deitar para o chão e, claro, nem sempre me lembro deles lá e o tempo vai passando e já se vê onde quero chegar.

Para piorar, houve um dia que decidi borrifar-me num determinado folheto que estava mesmo à frente do lugar do condutor (tudo planeado, claro está, pelas mentes brilhantes que distribuem aquela treta, para obrigar o desgraçado a pegar naquilo se quiser conduzir sem atropelar nenhuma velhinha) e deixei-o estar. E ele ali ficou. Choveu, fez sol, choveu outra vez e o danado, a dada altura, lá desapareceu. Mas, curiosamente, deixou marcas. O folheto era sobre uma clínica de próteses ali da zona e tinha uma senhora loura, muito sorridente, a anunciar as promoções. Ora, as intempéries fizeram das suas, a tinta manhosa do folheto também ajudou, o folheto saiu mas a senhora não! Fiquei portanto com a loura colada no vidro, meia de lado, a sorrir para mim!

Bom, mas isto tudo para dizer que há coisas da treta que atrapalham a vida por si só já complicada. São simples de resolver, não são nada demais, não são problemas graves. Mas chateiam. E eu ando numa fase que quero tudo menos que me chateiem.

De qualquer forma, e dado que de momento a minha cabeça não dá mesmo para mais, que se lixe! Assumo a bola de neve e cá continuo a rolar, a rolar sendo que tenho agora uma protésica (é assim que se diz?) para me acompanhar nas minhas viagens por essa montanha fora, sempre a olhar para mim... se formos a ver, podia ser muito pior!

Conselhos para saber viver #3

"Quando não se sabe o que se há-de fazer, o melhor é não fazer nada."

terça-feira, setembro 15, 2009

Lá atrás... #1

Este ano, o dia do meu aniversário foi um dos dias mais tristes da minha vida. Felizmente, para minimizar essa tristeza, tive a atenção de muita gente que não se esqueceu de mim. Telefonemas, visitas pessoais, abraços, beijos e prendas, com direito a papel de embrulho colorido e fitas e tudo!, de quem me quis animar nem que fosse só um bocadinho. De quem não quis deixar de o festejar, de quem não quis deixar que eu o esquecesse, que eu ME esquecesse. E tenho que confessar: hoje, olhando para trás e apesar de tudo, o que recebi nesse dia foram as melhores prendas do mundo.

Inconveniência

Amiga vai, pela 1ª vez a um determinado local, para fazer a depilação. Começa a preparar-se e eis senão quando...

Esteticista/depiladora: Ah..! Está de bebé?
Amiga: Errr... não... isto é mesmo assim...
Esteticista/depiladora: Ah...
Amiga (de si para consigo): Há-des ter hemorróidas, porca...!


O resto da sessão decorreu em pleno silêncio...

Quááá!

Sim, o Patrick Swayze morreu. Sim, todos temos pena, era um homem ainda muito novo, dançava que se fartava e parecia pessoa do bem o que faz sempre falta neste mundo. Mas... o colega de sala escusa de se pôr a cantalorar o "(I've had) The time of my life" em homenagem! O moço, que os deuses o tenham, lá onde estiver, deve estar a arrepiar-se e nós, os vivos, nem se fala! Tenha piedade, guarde a veia de pato canoro lá para casa...

segunda-feira, setembro 14, 2009

Back to basics

Para terminar em beleza uma noite de neura nada como umas quantas bolachas Maria embebidas em leite morno...

A verdade nua e crua

Nada como envolver alguns grandes e bons amigos para levar a cabo um pequeno exercício de autoconhecimento. A coisa era simples: cada um deles deveria nomear três características minhas. Teriam quer ser características marcantes, daquelas que não deixam dúvidas quando se fala de mim, que são "a minha cara", que me definem enquanto pessoa.

Antes dos resultados, apenas algumas notas importantes:

1. Todos, sem excepção, responderam.
2. As respostas variaram na sua apresentação de forma muito curiosa: houve quem nomeasse tipo lista de supermercado (arroz, farinha, teimosa, inteligente...), quem fizesse comparações (és assim e eu vejo isso porque eu sou mais assado ou sou igualzinha e como tal...), quem explicasse cada uma (digo isto porque aquilo e está, de certa forma, também relacionado com aquela outra que também faz sentido...) e quem dividisse entre o que sou verdadeiramente e o que mostro aos outros (para quem não te conhece pareces assim mas depois vai-se a ver...).
3. Ninguém, e repito, NINGUÉM nomeou só três! (Não sei se este tipo de exercício "puxa pela língua" ou se sou eu que sou muito complicadinha...)
4. Houve muito poucas características repetidas. (Mais uma vez... complicadinha...?)
5. Por último, não houve nada que me tivesse surpreendido. Houve menções das quais gostei mais, outras menos mas nenhuma me surpreendeu. O que me leva a nomear mais uma característica que ninguém apresentou mas apresento eu: a grandessíssima capacidade de autocrítica da minha modesta pessoa, ah pois é!

E posto isto, aqui vai a listinha maravilha organizada por ordem alfabética e sem rodeios! Aos que participaram o meu agradecimento.

O que sou:
Amiga - Antipática - Boa ouvinte - Brutinha - (Com) Carácter - Carinhosa - Controladora/Controlada - Convicta das suas ideias - Culpabilizada - Egocêntrica - Desconfiada - Determinada - Directa - Disponível - Divertida/Com sentido de humor - Doce - Espirituosa - Forte - Gentil - Insegura - Justa - Lúcida - Meiga - Perfeccionista - Perseverante - Recta - Responsável - Simpática - Teimosa

O que pareço:
Insensível - Fria - Sisuda - Snob


P.S.1: não houve uma alminha que fosse que seguisse as minhas sugestões... linda, inteligente que até dói, etc... não percebo porquê...

P.S.2: nope... ainda não foi desta que consegui a droga... aparentemente houve elogios a mais. Se tivesse sido uma lista profundamente negativa, aí sim, era droga, era camisa de forças, era internamento, era lobotomia até! Mas assim não deu...

Uma espécie de cookies... ou assim...

A ideia de fazer biscoitos ficou-me na cabeça. E o blog do costume não ajudou. Por isso, lá me enchi de coragem e resolvi experimentar esta receita. Parecia uma ideia engraçada, original e, acima de tudo, boa o suficiente para matar de vez o bicho guloso que me andava aqui a infernizar. Posto isto, aqui vamos nós! Saca do kit bolos, da batedeira e mãos à obra!

Uma coisa que me caracteriza é que, em princípio, sigo as receitas à risca. Mas não deixo que me espartilhem. Sou perfeitamente capaz de adaptá-las um pouco (há quem lhe chame inventar) se, por exemplo, não tiver algum ingrediente ou se antes dos 20 minutos de forno indicados o prato já me parecer em condições. Digamos que a vou moldando à minha medida, ao meu gosto, às minhas condições na cozinha se for preciso. E foi: por exemplo, tinha tudo menos os chips de chocolate. Ora, não faz mal, coloca-se outra coisa. Gosto de nozes, biscoitos com nozes é sempre bom. Aliás... bom, bom eram avelãs... e uma pitada de caramelo... boa! E se tostar as avelãs antes ainda melhor... isso! É mesmo assim que vai ser.

E lá começam os trabalhos. Ok, a massa está um bocado líquida, deixa cá ler melhor... grunf! diz na receita que tem que ir ao congelador umas 8 horas antes! Mas eu queria comer agora! Por isso, que se lixe, isto tem bom ar, sabe bem, é massa de biscoitos, certamente que dá para pôr já no forno. Portanto, toca de fazer os montinhos no tabuleiro. Pronto... os montinhos estão a desfazer-se um bocadinho, é certo, mas de certeza que, com o calor, assumem forma de... vá lá, bolachas ou assim. O que também é bom. E portanto, forno com eles (ou elas)!

Aguarda-se então um bocado, vai-se espreitando a ver como vai... ok, o facto de, no momento, os montinhos estarem-se a juntar e a formar um monobolo mole não estava propriamente planeado. Mas não há-de ser nada, uma vez cá fora, cortam-se e pronto. E quanto à consistência, diz na receita para tirar do forno mesmo assim e deixar arrefecer. Cá está! Depois de arrefecer ficam, de certeza, com consistência de bolacha (monobolacha, no caso)! E cheiram bem que se farta... hhumm....

Tirados do forno, resta esperar então...

O resultado foi este:



Lindos, não são?

Pronto... nunca ficaram crocantes ou estaladiços ou whatever que os biscoitos ou bolachas devem ser. Ficaram mais a atirar para a panqueca do que outra coisa, a bem da verdade. Mas isso não interessa nada! O que interessa é que os fiz e me lambuzei!

(Como não sou totalmente louca, guardei um restinho de massa e essa, sim, pus no congelador. Quem sabe, da próxima, a coisa já sai mais ou menos como deve ser.)

sexta-feira, setembro 11, 2009

Amargo de boca

Não sou pessoa do amargo. Sou pessoa do doce, do salgado, do picante, do ácido mas do amargo não. O amargo é corrosivo, não mata mas mói. É companhia desagradável que vai ficando, ficando, e mesmo que subtilmente, acaba por estragar o ambiente. Parece que já nada é bem o mesmo depois de o amargo se instalar.

Ultimamente, quase tudo me sabe a amargo. Ou melhor, o sabor que perdura é amargo. Café, cigarros, bife com ovo a cavalo, mousse de chocolate, tudo. Diria que o dente em processo de desvitalização não deve ajudar mas este é só mais um "penetra" que se veio juntar à festa. Porque é coisa que vem de dentro, existe para além das fronteiras gustativas, é o amargo instalado no geral.

Mente amarga que gera pensamentos amargos, conclusões amargas, visão amarga das coisas. O amargo que assume a forma de palavras, olhares, trejeitos. Que condiciona a postura da alma, a maneira como se enfrenta a vida. E o amargo que dobra as costas, que tenciona os ombros e o pescoço. Que faz aparecer borbulhas de adolescente já fora do prazo e que afunda as olheiras e as rugas. O amargo que tira o gosto pela cor, pelo espelho, pelas pequenas coisas que pintalgam a vida. O amargo que se manifesta na forma de desinteresse generalizado.

Não é bom e quase que nos leva ao engano de dizer que não é mau. Porque não é violento, agressivo, contundente, barulhento. Não faz chorar, não desespera, não dói. É simplesmente... amargo. Mas é mesquinho, manhoso e infiltra-se. Envolve como névoa, daquelas bem espessas e negras, e faz-nos deixar de sentir. Coloca-nos num estado de dormência tal que nos torna imunes a qualquer tipo de sentimento ou emoção. Do bem ou do mal.

Não sou pessoa do amargo. And yet... abri-lhe a porta sem dar conta. Agora só me resta fazer-lhe sala até ele se decidir por outras paragens.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Parabéns

Wherever you are...

Conselhos para saber viver #2

Quando, a meio da manhã de um dia de trabalho, lhe ocorrer que uma boa desculpa para se ausentar durante meia hora poderia ser "tenho que ir ver se o meu carro está bem estacionado", então dê-a. Está claramente em causa a sua sanidade mental por isso minta com todos os dentes, fazendo fé no que diz, e borrife-se para a cara de incrédulo do chefe. Aquilo passa-lhe.

Home made

Este tempo meio cinza faz acordar uma pequena parte de mim, regra geral adormecida (ultimamente ferrada no sono!), mais ligada às lides domésticas, nomeadamente à culinária... não sei, parece que me inspira a ficar em casa e a fazer fornadas de biscoitos caseiros, quentinhos, para comer com chá. Ou bolos de fatia... hhhuummm... quase que consigo sentir o cheirinho...

O problema é que quando tento passar à prática a coisa perde a piada. Quando o síndrome de "dona de casa prendada" ou "avozinha de outros tempos que faz compotas num abrir e fechar de olhos" dá de caras com a falta de tempo, com mais louça para lavar, com a cozinha em pantanas, com as receitas que parecem fáceis mas depois não são, com as calorias a mais... começo logo a pensar que se calhar o melhor é fazer aqui uma torrada rapidamente e está o assunto arrumado.

Mas é pena... gostava de ser mais como esta senhora...

quarta-feira, setembro 09, 2009

S'tou a ffallare s'torto...

Fui ao dentista. Metade da boca não sinto, a outra metade, que começa a acordar, dói. No meio disto tudo, estou com fome... porque é que de repente estas duas situações me parecem incompatíveis?!

And... we're back!

"Opá, vocês podem imaginar, né? Com o miúdo a espirrar e febre e um caso mau no infantário, o meu irmão e a minha cunhada ficaram logo em polvoró!"

terça-feira, setembro 08, 2009

Ressaca

Primeiro dia de trabalho depois das (curtas, muito curtas, demasiado curtas!) férias. E eu só tenho vontade de fumar cigarros e beber litradas de café. Porque será?!? É porque isto é muito bom, com certeza...

Guilherme?




segunda-feira, setembro 07, 2009

O Domingo que foi assim mas devia ter sido outra coisa

Dia dedicado ao "que tem que ser, tem muita força". As comadres que se pegam, a mãe que viaja com bagagem a mais mas em carro alheio e agora não quer pedir favores, a filha que tem que ir em socorro para ajudar com a tralhas. E para isto faz uma viagem de 300 km. Duas vezes no mesmo dia. E a começar logo de manhãzinha (praticamente madrugada!). O brinde? Gatinho novo para a família, para ajudar a amaciar as asperezas dos últimos tempos e, nos entretantos, dar conta do que resta dos sofás "olha que querido, como ele se pendura...!". A caminho para lá, tempo de sobra para pôr conversas importantes em dia, pensar muito e apreciar a vista, estendida ao comprido para o lugar do lado que, por sorte, ninguém ocupou. À vinda, com espaço bem mais condicionado por três gatos a dormir regalados nos seus cestos, paciência para ouvir as "tricas" e "trecas" das irmãs tão diferentes, tão iguais... Chegada a casa ao fim da tarde acompanhada pela certeza de que fiz muito... mas nada do que queria. E por isso, amanhã (hoje!) não trabalho. Como ando a "sofrer dos nervos" sempre tenho desculpa para meter "à cão" mais um dia de férias. É para quem pode!

sábado, setembro 05, 2009

Frase

"Se não roda, vai de arrasto!"

quinta-feira, setembro 03, 2009

Conselhos para saber viver #1

Quando começar a sentir-se inferiorizado em relação a outras pessoas, a achar-se a pessoa mais decadente e sem valor deste mundo e arredores, dê valentes chapadas a si próprio. Não resolve mas, enquanto dá e não dá, não pensa no assunto.

Constatação

Cerelac não é uma farinha láctea qualquer... é o alimento da alma...!

Já está na hora?

Vou dormir. Quando for para viver outra vez, acordem-me. Até lá prefiro o torpor que o sono tão generosamente oferece.

quarta-feira, setembro 02, 2009

Round 1 - 0 pontos para mim

Um "está com um ar cansado" a abrir o dia. A conversa que puxa pelas lágrimas que não se fazem rogadas em cair cara abaixo. A constatação, brutal constatação da realidade a ter que entrar à força numa mente que se agarra desesperadamente à ilusão, ao que foi e já não é, ao que idealizou para si, aos sonhos, às expectativas, à negação. A tentativa de fuga para não ver o que está à frente dos olhos. Finalmente, a assunção da queda anunciada, até agora suspensa por fios que iriam, inevitavelmente, acabar por se partir. Um "é um caminho que não se pode contornar, tem mesmo que ser feito " que acabou por ficar a ecoar durante o resto do dia. E o veredicto final: é oficial, a tristeza levou a melhor.

terça-feira, setembro 01, 2009

Para ouvir...



Ana Carolina & Seu Jorge
"P'ra rua me levar"

domingo, agosto 30, 2009

Road to liberation

Já tenho o meu portátil... já tenho o meu portátil..!

quarta-feira, agosto 26, 2009

Limpeza

Finalmente, tempo e disposição para começar a pôr ordem onde ela faltava. O roupeiro foi o primeiro, outros móveis se seguirão. Ao ritmo "quando pego, pego mesmo e vai tudo à minha frente", que é o meu, foram-se enchendo sacos e sacos de t-shirts, camisolas, calças e afins, o que não servia, o que não se usava, o que já não combina comigo, com quem sou hoje. Limpo o roupeiro e "limpo-me" também. Entre as peças, recordações, momentos, memórias. É a vida a andar para a frente. E o outro armário a começar a ser usado, a ser cheio, por mim e de mim, porque espaços vazios só servem para fazer eco e esse eco é, muitas vezes, uma má companhia.

domingo, agosto 23, 2009

Vida boa...

Haverá coisa melhor que saber que hoje é domingo e que amanhã... continua a ser?

sexta-feira, agosto 21, 2009

Allez de vacances para mim também!

A partir de hoje e nos próximos dias vou estar de férias.

Não sei o que vou fazer, não sei para onde vou. Mas uma coisa é certa: vou dormir mmmmuuuuiiittttooo!!!

quinta-feira, agosto 20, 2009

Iniciativa



Campanhas para recolha de alimentos para distribuir por associações e particulares, com animais, em dificuldade:
AGOSTO
Dias 22 e 23 Pão de Açucar Cascais
Dias 29 e 30 Jumbo de Alverca

SETEMBRO
Dias 4,5 e 6 Lidl de Albufeira
Dias 19 e 20 Jumbo Maia

OUTUBRO
Dias 3 e 4 Jumbo Matosinhos (MarShopping)

quarta-feira, agosto 19, 2009

A peça

(Sozinha, em palco, sentada numa cadeira. Não se vê mais nada. Apenas ela, com uma única luz a incidir sobre si, um único foco. Não há música de fundo, não há mais qualquer tipo de som. E a voz ecoa na sala quase vazia. O público, esse, está nas últimas filas. Uns bocejam, outros dormem, outros prestam genuína atenção, outros ouvem sem se dar ao trabalho de pensar no texto, outros observam com estranheza, outros sentem pena pela fraca venda de bilheteira. E ela começa... )


"É assim, é assim. A minha vida é assim e não há nada a fazer. Estava escrito, certamente, estava destinado e não havia como fugir. Estava programado nas linhas da mão que ia perder o norte, que ia ser forçada a mudar tudo da forma mais abrupta. Eu estava ali, num determinado sítio, e agora acordo noutro, completamente diferente. O tal tsunami, terramoto, o que seja, arrasou com tudo e levou-me para outro lugar, para começar de novo mas sem qualquer tipo de base, num território desconhecido, sozinha, a ter que me agarrar ao que posso para tentar dar algum sentido, alguma organização à vida. É assim. E parece que não acabou. Há-de haver mais coisas a acontecer antes que se possa fechar o pano desta peça completamente surreal.


Muitas vezes penso que foram as minhas atitudes que me trouxeram para este lugar. Muitas vezes tenho a sensação que mexi, sem saber, em algo em que não devia ter mexido e que isso despolotou uma reacção no universo que o fez virar sobre si mesmo e mudar completamente o curso das coisas. Num segundo, um segundo definitivo. Um segundo em que dei um mínimo toque numa alavanca que não sabia estar ligada a coisa alguma mas que afinal controlava tudo o que me rodeava. Mexi onde não devia. Irritei os deuses, toquei na base do castelo de cartas. Sem querer, sem a mínima noção das consequências.


E agora? Pois agora há que lidar com o que se segue, seja lá o que for, enquanto se tenta emendar o que pode ser emendado e construir de novo o que caiu por terra. Sempre com a devastadora noção de que nada será como antes. "


(O pano não fecha mas o público sabe que aquele acto terminou. Sai para intervalo que não se sabe quanto tempo vai durar. E ela mantém-se em palco, quieta. Ela, a cadeira e o foco. À espera que alguém escreva o texto que deverá dizer a seguir.)

terça-feira, agosto 18, 2009

32

Dias de ausência. Dias de vazio. Dias de conversa com as árvores. Dias a tentar ler-te no vento. Dias de espera. Dias de uma nova vida que eu ainda não sei para onde vai. Dias de uma outra pessoa, diferente, que não sou eu mas sou.

sexta-feira, agosto 14, 2009

"Natureza Humana"

Cheguei.
Sinto de novo a natureza
Longe do pandemônio da cidade
Aqui tudo tem mais felicidade
Tudo é cheio de santa singeleza
Vagueio pela múrmura leveza
Que deslumbra de verde e claridade
Mas nada.
Resta vívida a saudade
Da cidade em bulício e febre acesa
Ante a perspectiva da partida
Sinto que me arranca algo da vida
Mas quero ir.
E ponho-me a pensar
Que a vida é esta incerteza que em mim mora
A vontade tremenda de ir-me embora
E a tremenda vontade de ficar.

Vinicius de Moraes

quinta-feira, agosto 13, 2009

Conversas no parque



"Leva-me. Não, não quero esperar, pode ser já. Leva-me. Leva-me agora e falamos melhor depois."

Invasão




Fofinha, não é? É... é...

Tudo começou com uma meia dúzia na cozinha. Depois, mais que meia dúzia na taça dos biscoitos do gato, hummm... já não estou a gostar... O que faço, o que não faço... insecticida, claro! Pois, não dá... senão aniquilo as formigas e os gatos também... e não era bem essa a ideia. Pesquisa na net, lá encontro um produto que diz que funciona, ecológico e seguro para as outras bichezas lá de casa, boa! Mas a loja é fora de Lisboa, tenho que arranjar tempo para lá ir. Enfim... Enquanto isso, vou dando uma limpeza com detergente amoniacal, pode ser que dê algum resultado. E deu, durante... vá, 2 ou 3 horas. Porque afinal... elas também vêm da casa de banho... porque afinal... também há no quarto e no quarto vêm da janela e da janela vêm da rua, sobem quatro andares pela parede do prédio e entram alegremente em minha casa! Montes e montes delas! Ok... calma, não stressa, se matar as cá de dentro, elas deixam de passar a palavra lá para fora, interrompe-se o circuito de comunicação e começam a marchar noutro sentido. É isso! Mais água, mais amoniacal, tudo se resolve...

Ou não...

Porque ontem, ao chegar a casa, deparei-me com um verdadeiro exército, visivelmente bem preparado, com uma estratégia perfeitamente delineada, a atravessar a casa toda, preparadíssimo para a tomar de assalto! Gatos inclusivé, digo eu!

Ora vejamos, vindas da janela do quarto, formavam várias filas que, ao passar pela casa de banho, eram engrossadas por um segundo batalhão vindo do cano do bidé. Depois, continuando a marchar, passavam pela despensa sendo enviado um pequeno grupo de reconhecimento nessa direcção para inspeccionar e verificar se valia a pena a investida. As restantes, o grosso da coluna portanto, continuavam em frente rumo à cozinha. Aí chegadas, separavam-se em dois grupos, um para a esquerda, outra para a direita, para garantir a cobertura de todo o perímetro. E aí... era o festim! Era mergulhos na taça dos gatos, era escalada de frigorífico, de bancada, de parede, do diabo!, era invasão da máquina de lavar louça, era a festança rija das danadas! Centenas e centenas e centenas delas...

AAHHH! Mas comigo não brincam mais! Mas o que vem a ser isto?!? Já estão a passar das marcas! Até a gata, ao pisar o carreiro sem querer, começou aos pulos com comichões nos pés!! Nãaaaaao senhor! Quem manda aqui sou eu e isto acaba-se hoje! (Ok... não hoje porque ainda não tenho o produto indicado mas que vou provocar baixas valentes, ai isso vou!) Guerra é guerra!

Na rua, ataca-se o ninho. Não há insecticida, vai lixívia mesmo. Líxiva também pelas paredes do prédio abaixo, lixívia também no cano do bidé. Na janela do quarto tapa-se o buraco de entrada com papel embebido em amoniacal. Atacados os acessos, resta então dar conta das presentes na casa, que são mais que muitas. E cá vai disto! Por junto e atacado foram... vá... 4 baldes de água com amoniacal, 5 ou 6 lavagens da própria esfregona para eliminar os cadáveres e mais de 1 hora de volta disto!

De manhã, ainda vi umas quantas perdidas e sei que vão voltar em força se não for lá comprar o tal insecticida maravilha. Mas, pelo menos por uns tempos, julgo que a notícia do massacre deve quebrar o espírito das forças inimigas...

quarta-feira, agosto 12, 2009

Ananáses

Calor abrasador, alguns termómetros marcam 40 graus. Lisboa a meio gás. Eu a menos. Consulta atrasada, exame mais exame. Está tudo bem. Não há razão para doer logo há-de passar um dia destes. Correria pela cidade, o volante a queimar. Almoço rápido composto por uma treta qualquer. Café, esse tem mesmo que ser. Ver o correio da casa vazia. Entrar lá, sentir presenças. Telefonar a avisar "chegou isto e mais aquilo e onde está aquela coisa?". Procurar no sítio indicado e vir de volta de mãos a abanar. Calor, o suor a escorrer, o cabelo a colar. Inveja, muita inveja da moça do carro lado, impecável, com o seu ar condicionado. De regresso, hoje ainda não fiz nada de jeito. Se calhar vou continuar a não fazer. Está calor demais.

terça-feira, agosto 11, 2009

O que vale é que não mordo! Ainda...

Conversa com novo director:

Eu: Desculpe mas tenho aqui tarefas dependentes de mim que não consigo fazer seguir porque a ferramenta não está a funcionar convenientemente.
Ele: Ah pois, mas olhe, está a contar o tempo! Do seu lado! Ahahahaha!!
..........
Ele: Claro que estou a brincar ... não me leve a mal... caramba, também escusa de ficar com essa cara!


(eu juro que não disse nada...)

segunda-feira, agosto 10, 2009

Amizade

Segundo o dicionário, é "afeição recíproca entre dois entes."

Conceito que, para alguns, parece ser vago, não entendido na sua plenitude. Para mim é claro, muito claro.

Amizade é mais do que amor. É mais sólida, mais real, mais intemporal, menos descartável. É estar lá, para o que der e vier. É largar tudo quando é preciso para dar a mão, o ombro, o que for. É saber ouvir. É saber guardar silêncio quando ele faz sentido. É dizer o que às vezes não se quer, porque nos dói só de pensar mas dizemos porque sabemos que é o melhor. É sair de nós. É esquecer mágoas, atritos, mal-entendidos, passar por cima disso tudo e estar presente, de corpo e alma. É dar, dar, dar.

Mas também é receber. Também é reconhecer valor a quem nos dá valor. Também é confiar em quem confia em nós. Também é retribuir o choro no ombro de quem já chorou no nosso. Também é darmo-nos a quem se dá a nós. É retribuir, na mesma medida. Em palavras, em gestos, em acções, em abraços, em lágrimas. É pedir ajuda, sem vergonha, sem orgulho, e aceitá-la quando ela chega. É receber, de braços abertos, o que têm para nos oferecer.

Não funciona de outra forma, não resiste se for incompleta. Pura e simplesmente não existe.

Eu tenho amigos, grandes amigos. Pessoas que vêem a amizade como eu e a "regam" e a fazem crescer. E depois... tenho o resto. Sem os meus amigos não sobrevivo. Sem o resto passo bem.

Lengalenga

"Concentra-te no que podes ganhar e não no que perdestes"
"Valoriza quem te dá valor, anula o resto"
"Não gastes energias com o que não vale a pena"
"A dor e a desilusão tornam-nos mais fortes"
"Não deixe que a desilusão te faça ficar ainda mais fria e distante"
"Entrega-te à vida e aniquila o que te faz mal"


Frases sábias, que tenho ouvido ultimamente, e que repito todos os dias para mim própria.

Quando eu era pequena, nas aulas de inglês de Miss Louise, utilizava-se o método da repetição para aprender vocabulário básico. Assim, todos em coro, lá passávamos meia hora a dizer: pão... bread, pão... bread, manteiga... butter, manteiga... butter...

Tenho esperança que, apesar de já não ter a cabeça aberta e disponível que tinha naquela idade, ainda consiga que o método funcione. Preciso dele como nunca precisei antes...

sexta-feira, agosto 07, 2009

Em paralelo

Sonho que é um sonho. Que a vida não deu as voltas que deu e continua a dar. Sonho atribulado, confuso mas a criar a ilusão de que tudo está na mesma. E sinto paz apesar da dor aguda que me vai despertando lentamente, quase como que a não querer deixar esquecer que a realidade é outra. Quando finalmente acordo, vejo que a dor se mantém porque é real. Algo no meu ouvido lateja. E lateja também a minha cabeça com a constatação do contraste, da paz que sentia há uns minutos com o caos instalado. O carrossel não pára. Ou melhor, a montanha russa. Mas, estranhamente, estou calma. Talvez por saber que, aconteça o que acontecer a partir de agora, nada vai ser pior. Talvez por saber que por mais voltas que dê, por mais alta e íngreme que seja, por mais velocidade que atinja, esta montanha russa já não me vai tirar o fôlego daquela forma, não me vai acelerar o coração como se fosse explodir, não me vai fazer tremer e sentir o medo que senti. Acho que a isto também se pode chamar "paz podre". Ou então puro congelamento da alma.

quinta-feira, agosto 06, 2009

quinta-feira, julho 30, 2009

Regra de condução #1

Se decidir gritar, revoltar-se contra o mundo e dar murros no volante como uma tresloucada, não o faça estando a conduzir, sabe-se lá a que velocidade!, no meio da cidade de Lisboa e, se o fizer, não acuse os carros estacionados de vir contra si.

quarta-feira, julho 29, 2009

Desconheço-me

O que fazer quando não aguentamos o nosso próprio peso? O que fazer quando sentimentos como a angústia, o medo, a perda, a desilusão nos começam a tratar por "tu"? O que fazer para obrigar o cérebro a trazer algum sentido às coisas? O que fazer para manter o equilíbrio quando vemos o chão a fugir dos nossos pés? O que fazer para acreditar? O que fazer para que a saudade não nos mate? O que fazer para que a dor não nos molde?

E o que fazer quando o espelho nos mostra alguém que não conhecemos?

segunda-feira, julho 27, 2009

Volátil

Que não se mantém; que muda facilmente = inconstante, instável, variável, volúvel

sábado, julho 25, 2009

Uno

Aconteceu. O meu maior medo aconteceu. O que mais me aterrorizava, atormentava é agora a realidade com a qual tenho que lidar. E lido. Nem sei como mas lido. Quase não sinto nada mas sinto mais do que tudo. Quase não choro mas choro mais do que ninguém. E eu sei que tu sabes.

Platão falava de almas gémeas explicando que cada pessoa é apenas metade de um ser, metade essa separada da sua totalidade. E atribuía ao amor a capacidade de restaurar o antigo estado de perfeição, juntando ambos num só.

Eu tive a sorte de conseguir juntar-me a ti desde o início e viver esse estado durante toda a minha ainda curta existência.

Somos almas gémeas, sempre fomos. Ao ler um determinado romance de Laura Esquível há uns anos atrás, dei-me conta disso. Quando acabei, percebi que tinha encontrado a explicação, que nunca tinha procurado por simplesmente não precisar dela, mas ela ali estava, à minha frente, e nada me fez tanto sentido. Porque somos algo que ultrapassa o grau de parentesco. Porque o que nos une, o que nos torna num ser único, é muito mais do que as grandes parecenças físicas ou de personalidade. É algo que não se explica, sente-se. Nós e qualquer pessoa à nossa volta. Entendemo-nos sem falar, completamo-nos sem esforço. É assim que somos e que vamos sempre ser.

Lembro-me da última conversa que tivemos os dois. A última conversa de muitas que só nós conseguiamos ter. Hoje, como nessa altura, fico feliz por ela ter acontecido, por termos tido essa oportunidade. E agora vejo também que não podia ter sido de outra forma, o destino não nos ia deixar separar sem que ela acontecesse. Viviamos uma fase difícil e, no meio do turbilhão, precisámos garantir, um ao outro e para todo o sempre, que o "nós" não era afectado. E não foi. Nunca era, nunca seria, nunca será.

Não sei como vai ser a minha vida a partir de agora. Sinto que não sou a mesma, nunca mais vou ser. Sinto que a minha vida se vai dividir claramente entre o "antes" e o "depois". Sinto que começou um novo ciclo. Mas uma coisa é certa, vamos voltar a encontarmo-nos. Porque as almas gémeas são assim, estão destinadas a encontrar-se. Sempre. Porque partilham a mesma luz, porque são as duas metades de um todo. Não interessa quando, não interessa sob que forma, não interessa em que estado, não interessa em que dimensão. Encontram-se. Uma e outra e outra vez. Sempre.

É mais forte que nós, é assim que tem que ser.

Por isso, eu não te digo adeus. Digo até um dia. Até lá, vamo-nos encontrando no vento que sopra nas árvores.

sexta-feira, julho 17, 2009

quinta-feira, julho 16, 2009

Dieta


'Tá explicado!

Horóscopo Mensal Julho 2009 - Caranguejo
"O ciclo de eclipses de 18 anos está a chegar a Caranguejo, o que faz com que os próximos dois anos sejam muito importantes para si, para o seu estilo de vida e para as suas relações. O eclipse lunar de dia 7 de Julho vai realçar a forma como lida com as suas emoções e irá trazer ao de cima questões familiares. É provável que surjam intensas discussões neste período, ligadas a obrigações domésticas, crianças, viagens e comunicação.
(...)
O eclipse solar que terá lugar no dia 22 de Julho vai trazer um período intenso e emocionante, quando as suas perspectivas de vida forem dramaticamente alargadas. Vai ser um período de auto conhecimento e descobertas pessoais, em que irá conhecer pessoas que vão abrir a sua mente e imaginação. Com o final do mês vai querer gastar dinheiro e sentir-se-á atraído por itens de luxo. Provavelmente tem dinheiro para isso, e a vida é para se viver, por isso força!"


Ora pois, não podia ser só um, não... tinha que ser um "porradão" deles...! E agora digam-me: com um ciclo de eclipses de 18 anos à perna não havia de isto estar tudo destrambelhado!? Pois claro...!

quarta-feira, julho 15, 2009

Here kitty, kitty, kitty...

Após mais uma manhã em que "caí da cama" tarde e a más horas, cheguei a uma conclusão: os meus gatos não são gatos normais. São seres do mal, do demo, que incentivam, alimentam a preguiça e a "lanzeira"! São seres programados para me fazer cair em desgraça!

E eu já percebi como funcionam... estão a noite toda em stand by... mas quando o sol desperta lá em casa, às 7.35h da manhã mais precisamente, são activados pelo som do meu despertador! Nessa altura, dirigem-se a mim, vindos de onde for, tendo-me fixada no seu radar, e trepam para cima da cama. Analisam a situação e, à vez, cada um escolhendo o seu lado, encostam-se, quentinhos e fofinhos, ronronando-me ao ouvido para me ajudar a embalar. E ali ficam... ficam... ficam... o ronronar a impedir-me de ouvir as repetições do alarme... o calor do pêlo a tornar-se cada vez mais aconchegante...

A dada altura consigo ter um momento de lucidez e espanto-os com todas as minhas forças! Mas apenas para, invariavelmente, reparar que é tarde demais...

Será "mimice assassina de gatos dos infernos" argumento legal para justificar o atraso junto dos Recursos Humanos?!? Devia ser...

segunda-feira, julho 13, 2009

O lado de dentro

É escusado! A minha usual capacidade de processamento não está a dar conta das encomendas. É o que acontece quando, num curto espaço de tempo, curto demais!, o céu resolve "despencar" em cima da minha cabeça. E não tenho conseguido fazer mais nada para além de sentir, sentir, sentir. A racionalização, essa, foi deixada para mais tarde.

Apesar do turbilhão em que ainda vivo, dou por mim um pouco mais calma. Talvez me esteja a habituar à confusão, não sei... e esta ainda frágil paz permite-me espreitar um pouco lá para dentro, penetrar no meu cérebro e avaliar o estado da nação. Mau, muito mau. Deparo-me com um monte de entulho, daquele tipo que resulta de um terramoto. A poeira ainda está no ar, a confusão reina por todo o lado, ainda não se consegue bem avaliar o nível de estragos e, de todo!, se vê o que se via antes. Partes de paredes, janelas, vigas, bocados de tudo e de nada, uns em cima dos outros. O início de tudo, os primeiros destroços, esses, jazem algures debaixo de pedras grandes caídas entretanto, as da réplica maior. E essas ferem a vista, de tão colossais e esmagadoras.

Não reconheço este lugar mas sei que é o meu. Pareço não me encaixar aqui mas é esta a minha realidade. Precisa de limpeza, arrumação, reconstrução. Precisa de mim. Mas, por agora, varro para baixo do tapete. Ainda não é a hora.

quinta-feira, julho 02, 2009

Quem é besta, quem é?!

"Quem tem a responsabilidade de deitar os sobreiros [do Vale da Rosa, em Setúbal] abaixo que o faça rapidamente, para que a Quercus não interfira de novo."

Luís Lourenço, ex-presidente da Comissão de Gestão do Vitória de Setúbal, 30-06-2009

quarta-feira, julho 01, 2009

E.R.

Cena de filme sentida na pele, na alma, no coração. A lembrar que somos frágeis, tão frágeis... Ele e eu. A realidade a ter que ser pensada, encaixada, encarada como nossa. A ter que fazer sentido, por mais que não se queira, a ter que ser vivida se for o caso. A noção de que nada podemos. A certeza de que nada será como dantes.

Os pensamentos a fervilhar, os sentimentos a misturarem-se, a necessidade de me agarrar a algo e não saber para que lado me hei-de virar ao mesmo tempo que sabia que não me poderia agarrar a mais nada. A ajuda que veio, chegou de formas diferentes, cada uma do seu jeito, no seu ritmo, com a sua cor. A sensação de solidão a inundar-me para, logo a seguir, sentir o calor das mãos de quem me ampara. O passado e o presente misturados e o futuro a espreitar, à minha espera, à espera dos meus passos que vão formar o caminho. A alma, ao mesmo tempo, disponível e fechada, a querer avançar e a ter medo, a olhar também para trás enquanto anseia por andar para a frente. A doçura, o carinho, o sorriso que vão tomando o seu lugar, conquistando o seu espaço; a desilusão e a constatação de que nada é certo, mesmo aquilo que tudo indicava ser. A esperança, a imensa esperança de vir a encontrar o meu lugar a contrastar com a indefinição que é viver no desconhecido.

Puro estado de emergência.