não é dada pelos ponteiros do relógio nem pela posição do sol... simplesmente sente-se... quando, de repente, faz sentido.
sexta-feira, maio 18, 2018
quinta-feira, maio 17, 2018
segunda-feira, maio 14, 2018
Da vida normal
Como é possível ter medo da normalidade? Como se me arriscasse a que ela me pudesse não aceitar o atrevimento de a viver...
domingo, maio 13, 2018
quinta-feira, maio 03, 2018
sexta-feira, abril 27, 2018
A caminho, mais uma vez, daquela que acabou por se tornar a minha segunda cidade...
(Um dia destes até estranho ter os pés no chão...)
sábado, abril 21, 2018
quarta-feira, abril 18, 2018
#andaspoucobebumandas...
Ok, ok, admito que depois de um jejum de 18 horas e de uma aula de Pilates, o que me apeteceu ingerir em primeiro lugar foi uma Somersby... em minha defesa, está calor, pronto! E aquilo tem... sei lá... fruta...
quinta-feira, abril 12, 2018
Do que também é felicidade...
Dia chuvoso, manta, gatos enroscados em mim, chá quente e memórias boas.
sexta-feira, abril 06, 2018
quinta-feira, abril 05, 2018
And this is Africa...
Estávamos no paraíso - calor, mar transparente, água de côco - mas, do meu pescoço às minhas pernas, começava a espalhar-se um mal-estar que me pedia descanso. Não, não pedia, exigia, empurrava o meu ser cada vez mais combalido na direcção de qualquer espreguiçadeira que se cruzasse no meu caminho, de um banco, do chão se tivesse que ser... Naquelas circunstâncias era impossível por mais de quinze minutos pelo que não tive outro remédio se não ignorar os arrepios de frio ao sol de 35ºC e começar a viagem de regresso que ainda levaria duas horas e meia. Vamos a isto, há coisas piores, esta parte do barco é mais atribulada mas depois é só sentar-me no minibus do Hotel Pestana e dormir o resto do caminho. Vamos lá!
Escusado será dizer que a travessia daquele mar foi feita tendo em mente um único propósito para além do óbvio destino: certificar-me que não me ia encontrar com o Criador no fundo do Atlântico. Num barco de pesca com pouco mais que a cabine e varões aqui e ali a acompanhar o rebordo de madeira onde nos sentávamos, foi, no mínimo, interessante... Não obstante, permitiu-me reforçar a musculatura dos membros superiores e aprender novas formas de não deixar que o balanço me fizesse afundar o nariz no colete salva-vidas atribuído que, claramente, não era do meu tamanho e já tinha passado por centenas de outras criaturas com hábitos de higiene um tanto ou quanto diferentes dos meus. Ah, resta-me dizer que os braços só se conseguiam agarrar a um varão que estava nas minhas costas...
Finalmente, entro no minibus. O ar condicionado no máximo suga-me os poucos graus positivos que ainda parecia sentir. Percebo, estão 35ºC. Percebo, está toda a gente a escorrer água. Percebo, que remédio. Enrolo-me na toalha, encolho-me no meu lugar bem encostada à janela para me desviar da trajectória do ar vindo do aparelho e preparo-me para dormir. O autocarro arranca com o mesmo gorducho e prazenteiro condutor que nos tinha trazido o que me assegurou que a viagem seria o mais rápida que ele conseguisse. Boa!
Fecho os olhos e respiro fundo enquanto penso na minha cama de hotel: já não falta tudo. Nisto, a rádio liga-se, ok, música, pode ser que não seja má, e começam-se a ouvir Avé Marias em loop. Sábado de Páscoa, transmissão em directo da missa que se está a realizar na Sé. Certo... três quartos da viagem a ouvir o terço... ninguém, absolutamente ninguém se atreveu a pedir ao gorducho e prazenteiro condutor mas também e, pelo vistos, católico devoto e com tamanho para deitar três homens abaixo só com uma lambada com as costas da mão, que mudasse de estação... Três quartos da viagem...
A dada altura percebo que o meu cansaço começa a transformar-se. Talvez se deva
ao facto de a parte da estrada para a qual houve verba já ter terminado há
muito mas a vontade de chegar do prazenteiro nem por isso pelo que a
cada buraco - e é difícil notar que parte da estrada não os tem - os
meus interiores chocalham, elevam-se e caiem abruptamente dentro de mim,
a minha cabeça resvala no vidro para trás e para a frente (não tem de quê, Dr. Pestana, pode contar comigo para lavar vidros com a cabeça quando quiser...). Estou feita. O
estômago contrai-se, os intestinos revoltam-se e na minha mente ecoa: não acredito que te vais vom**ar e bor**r toda num minibus do Hotel Pestana!!! Pensei que me ficava ali. Pensei que era aquela terra, afinal, que iria ver-me partir deste plano e que a minha ida para lá tinha tido sempre esse intuito embora eu ainda não o soubesse: ia morrer longe da pátria, embrulhada numa toalha de praia, toda bor***da, agarrada ao assento de um veículo pertencente a uma conhecida cadeia de hotéis. Mais fino não podia haver... Não tendo alternativa, agarrei-me também ao Senhor. Repeti tudo quanto era Avé Maria e Pai Nosso que ouvia na rádio com esperança que o terço não acabasse tão cedo de modo a que a ladainha me fizesse concentrar numa dimensão mais espiritual e colocar em segundo plano as emergências físicas e as partidas da natureza. Foi o que me safou.... o organismo acalmou e eu pude respirar de alívio. Afinal, ainda não seria aquele o meu fim. Ámen.
Quando a missa termina, o programa muda para uma espécie de "quando o telefone toca" mas de nível técnico semelhante ao das comunicações feitas via fio e copos de plástico na ponta com que brincávamos quando éramos pequenos... "Allô, ouvinte, com quem estou falando? Allô? Allô?? Allô, ouvinte?? Boa tarde! Como se chama?", "Eliseu", "Boa tarde, Eliseu, de onde está falando?", "De Água Porca", "Muito bem, Eliseu, de Água Porca, o que quer dizer a seus familiares e amigos neste sábado de Páscoa?", "Muta saúde e félicidade e que Deus bençoe todos, em meu nome e de Miquinhas e Afrânio e José e Cucuca e Marcelina e Juvenir e Josué e Cristina e Edilson e....", "Obrigado, Eliseu, uma santa Páscoa para si também!!". Entra música, entra telefonema, entra música outra vez. Mais umas duas ou três tentativas de contacto com ouvintes para que se espalhe a santa Páscoa que não dão em nada e a música retorna. Eu atento na letra: moça danada, mulher artimanha, trepo por ti como se fosse uma aranha.... Ooookkkk... Sexto ou sétimo telefonema da emissão: "Allô, boa tarde, ouvinte, como se chama?", "Eeerrr... ai... eeerrr... Manuela!!", "Certo... Manuela, de onde é?", "Sou de Buraco Fundo da Pindaíba", "Muito bem, Manuela de Buraco Fundo da Pindaíba, a quem quer desejar uma boa Páscoa neste sábado?", "Quêria desejar ao meu filho Carlito que tá intrenado. Sabe, ele espetou uma agulha no braço e agora está intrenado e eu queria dizer a ele que vai ficar tudo bem e que ele está longe mas para ficar milhó porque sabe ele espetou uma agulha num braço e como espetou uma agulha num abraço agora está intrenado e...", "Obrigado, obrigado, Manuela, uma santa Páscoa para si!". Entra música. A da aranha...
O programa termina e a locutora começa os anúncios (sim, sempre a mesma pessoa): falecimento do Dr. Jorge Costa Rica comunicado pelos quinze ou mais filhos, todos doutores, o que não deixa de ser devidamente assinalado assim como o nome completo de cada um deles e, finalmente!, local das cerimónias fúnebres. Mais anúncios de passagens para a outra margem mas sem o mesmo glamour (e extensão!!) do comboio de "doutouragem" e eu a imaginar o meu: turista portuguesa falece em minibus de hotel de cinco estrelas, entre Água Porca e Buraco Fundo da Pindaíba, por se ter andado a alambazar de santolas e côcos locais confiante de que nada se lhe pega. Hotel Pestana pede indemnização à família pelo facto de o veículo ter ficado inutilizado derivado aos fluídos e não só que a defunta por lá deixou....
Seguem-se os anúncios de casas, espectaculares oportunidades, uma com três quartos, uma sala e um corredor...
O programa termina e a locutora começa os anúncios (sim, sempre a mesma pessoa): falecimento do Dr. Jorge Costa Rica comunicado pelos quinze ou mais filhos, todos doutores, o que não deixa de ser devidamente assinalado assim como o nome completo de cada um deles e, finalmente!, local das cerimónias fúnebres. Mais anúncios de passagens para a outra margem mas sem o mesmo glamour (e extensão!!) do comboio de "doutouragem" e eu a imaginar o meu: turista portuguesa falece em minibus de hotel de cinco estrelas, entre Água Porca e Buraco Fundo da Pindaíba, por se ter andado a alambazar de santolas e côcos locais confiante de que nada se lhe pega. Hotel Pestana pede indemnização à família pelo facto de o veículo ter ficado inutilizado derivado aos fluídos e não só que a defunta por lá deixou....
Seguem-se os anúncios de casas, espectaculares oportunidades, uma com três quartos, uma sala e um corredor...
E eu sorrio, de intestino controlado mais uns quilómetros. Também é isto São Tomé... :)
quinta-feira, março 08, 2018
It's been a while...
... e se me perguntarem porquê, não saberei dizer.
A afirmação de que há anos que nos fazem perguntas e outros anos há que nos dão respostas ciranda há meses na minha mente, devagar mas de forma constante, serpenteando pelos pensamentos como fita grossa e sedosa de embrulho - que neste caso é azul mas não sei a razão - e, não o encaixando na esquadria de calendário civil, o ano que passou e continua a passar tem sido abundante em respostas, sem dúvida, mesmo a perguntas que nunca foram feitas. E talvez seja essa proliferação de conclusões a culpada de tão parca comunicação. Há muito para arrumar: caixotes poeirentos de tempo passado, casos arquivados sem resolução aos quais agora já se pode atribuir carimbo de conclusão, novas realidades e jeitos de olhar, para mim, para os outros, para o mundo, que necessitam ser devidamente registados e organizados porque passaram a fazer parte do engenho e a circular por mim com naturalidade...
É quase instintivo para os demais concluir que este terá sido o período mais difícil até então mas estão errados: na época já sabia que nunca mais sofreria daquela forma e assim foi. Na época, a minha alma foi sugada, arremessada contra ao chão e rasgada aos pedaços. Na época, morri. Neste período, pelo contrário: renasci em vida e recusei-me a viver de menos. Vivi com ganas, com sede. Este período não me sugou a alma; se algo, desvendou-lhe e acrescentou-lhe força, uma força que me veio sem esforço, uma resistência para não me deixar quebrar que nem sabia que tinha e que se manifestou por instinto. E se a alma não se curva, as costas endireitam-se e o corpo aguenta.
Não falo em fim, esta é uma das minhas novas facetas. Aprender a aceitar a falta de domínio e o que me transcende é uma lição dura mas necessária para a minha sobrevivência. Não me dou a ilusões - o que em mim já não é novo - mas acrescento-lhe a aprendizagem, todos os dias mais um bocadinho, de que não posso dar por terminada a tarefa. E que tenho que viver com a indefinição.
Penso em mim, faço balanços, sinto-me. E vou-me certificando, cada vez com maior consciência dessa necessidade, que o tempo que dispenso me acrescenta e não me subtrai. Pessoas, circunstâncias, momentos, palavras são agora medidos por essa bitola. As guerras que aceito e as das quais deserto, os perdões que dou ou que peço, o que dou e o que considero ser-me devido, as lágrimas que deixo que escorram, as conversas. Viro as costas ao que não se encaixa, ao que peca por superficialidade, falta de conteúdo, falta de noção; abraço com força e emoção o que vai mais além e me faz mais feliz. Escolho com critério o que posso escolher que ocupe lugar em mim e no meu tempo. Não faço favores. Não aceito meias medidas. Não me contento.
Se formos a ver, não, não mudei muito neste tempo. Apenas apurei.
Se formos a ver, não, não mudei muito neste tempo. Apenas apurei.
quinta-feira, fevereiro 01, 2018
quarta-feira, janeiro 31, 2018
segunda-feira, janeiro 01, 2018
quinta-feira, dezembro 28, 2017
Constatação #109
O Natal engana. O Natal ameaça cedo e dessa forma nos ilude fingindo-se imenso. O Natal parece nunca mais acabar até que chega de facto e finda-se, num mesmo sopro. O Natal engana-me. E é por isso que, invariavelmente, concluo que o saboreei de menos....
Está combinado: amanhã atiro-me às azevias, sonhos e rabanadas como se o Natal só voltasse para o ano.
quarta-feira, dezembro 27, 2017
Crónica natalícia
Vi-o chegar com alguma desatenção, de tão cheia que estava de acontecimentos e afazeres. Já não o vivo como antes mas a memória de alguns natais passados espicaçou-me - a prova que há assombrações benditas - e enchi-me o que pude dele: luzes e a costumeira ronda pela cidade para as contemplar regada a vinho quente ou a ginginha; açúcar e canela em medida boa; o forno a testar variações de biscoitos; embrulhos mais ou menos bem conseguidos; os doces tradicionais, os que sempre se fizeram na família e os de tradições mais recentes, da minha geração, mas que já ninguém dispensa - "vais fazer o teu doce, não vais?"- (de forma inusitada, a receita teve o desplante de me desafiar quatro vezes e só um copo de vinho tragado no momento certo me impediu de a fazer voar pela janela fora). E ainda houve tempo para não deixar escapar o Miró. De mãos dadas, barrete de lã e vontade de não nos darmos por garantidos. Nem a nós, nem a nada. Debaixo da árvore jogou-se à sorte com a promessa de viagens a mares quentes e vista para palmeiras já no primeiro trimestre e a família reuniu-se e uniu-se, os mais velhos a requerer cuidados, os mais novos a encher a sala de risos, os homens e mulheres que agora estão ao leme a unir as duas pontas entre piadas e brindes. A seguir vem o novo ano, a seguir vêm os desejos. Não sei qual a carta que rege o meu signo em 2018 mas confesso que não me interessa. Se houve ensinamento dado pelo ano que agora termina foi o de que o futuro é, decididamente, sobrevalorizado.
terça-feira, dezembro 26, 2017
domingo, dezembro 24, 2017
quinta-feira, dezembro 21, 2017
Já ias dormir...
Admites em definitivo que "cabra da vírgula" é a alcunha que nasceu para ti quando, respondendo a um interessado nas tuas vendas no OLX, decides empregar os dois pontos numa frase pondo a hipótese que, do lado de lá, possam aprender, assim, a usá-los...
segunda-feira, dezembro 11, 2017
domingo, dezembro 10, 2017
Porque é uma das minhas, a ouvir em loop...
Nada ficou no lugar, eu quero quebrar essas xícaras
Eu vou enganar o diabo, eu quero acordar sua família...
Eu vou escrever no seu muro, e violentar o seu gosto
Eu quero roubar no seu jogo, eu já arranhei os seus discos...
Que é pra ver se você volta,
Que é pra ver se você vem,
Que é pra ver se você olha,
Pra mim...
Nada ficou no lugar ,eu quero entregar suas mentiras
Eu vou invadir sua alma, queria falar sua língua...
Eu vou publicar os seus segredos, eu vou mergulhar sua guia
Eu vou derramar nos seus planos, o resto da minha alegria...
Que é pra ver se você volta,
Que é pra ver se você vem,
Que é pra ver se você olha,
Pra mim...
Mentiras
Adriana Calcanhoto
Exercitando #3 (em limpezas de arquivo...)
Penso que não houve ninguém que não te tivesse alertado: exageraste, continuavas a exagerar. Consumido pela dor que te trespassava a pele não olhaste a meios para me cobrar o que achavas que te devia: dor igual. Medias as palavras certificando-te que a tua escolha recaía sobre as mais afiadas, as que provocariam maior estrago. Formatavas o modo de maneira a que não me restassem dúvidas: eras agora um muro, qualquer tentativa da minha parte de o escalar e chegar a ti seria draconianamente repelida. Um dia, cansei-me: tu continuaste a exagerar - sozinho.
quinta-feira, novembro 16, 2017
sexta-feira, novembro 10, 2017
terça-feira, novembro 07, 2017
Dos dias bons
Vai-se a ver perdi a prática, a elasticidade. Vai-se a ver os efeitos das drogas legais e prescritas alongam-se no espectro e as células que me regem as emoções não conseguiram escapar. Dou por mim a tentar encontrar razões, motivos, argumentos racionais - eu igual a mim própria - até que desisto e resolvo render-me às evidências. Mas chateia-me. Gostava dessa parte de mim.
Olho para trás, para os últimos tempos, não para os revistar mas para perceber se já é evidente que transformação operaram em mim. Não é a primeira vez na minha vida que me vejo a braços com a constatação de que sou pouco permeável aos embates. Costuma-se falar em acontecimentos que mudam a vida, a partir dos quais nunca mais nos vemos os mesmos, a partir dos quais se passa a assumir um "antes" e um "depois". Comigo, mesmo vítima de choque frontal, parece ser processo de passos lentos: os ventos de mudança provocam movimentos quase imperceptíveis, dir-se-ia que não me mexo, que não se conseguem impregnar em mim assim de repente. Vou assimilando e as transformações parecem ocorrer devagar, devagarinho, a uma velocidade de processamento muito minha, no fundo, aquela que eu autorizo que exista.
Hoje é um dia bom. E escrevo-o para o registar porque os dias bons parecem estar condenados a ver-se submergir na lama da guerra com os outros e raro se lhes é dado o devido valor.
E a resposta à pergunta "porquê eu?" só pode ser uma: e porque não?
Mas hoje é um dia bom.
Hoje é um dia bom. E escrevo-o para o registar porque os dias bons parecem estar condenados a ver-se submergir na lama da guerra com os outros e raro se lhes é dado o devido valor.
E a resposta à pergunta "porquê eu?" só pode ser uma: e porque não?
Mas hoje é um dia bom.
segunda-feira, outubro 23, 2017
Frase do dia
“Monsters are real, and ghosts are real too, they live inside us, and sometimes they win.”
Stephen King
sexta-feira, outubro 06, 2017
Constatação #108
Há algo de nauseante em, ignorando como irá ser a nossa vida, saber já como não será...
quinta-feira, setembro 21, 2017
Parágrafos ou "qual é a frase que melhor define a tua vida...?"
E disse-me "tome nota dos seus sonhos" mas eu ignorei. Ou melhor, adiei, fui adiando, agora não, talvez amanhã, até que me assumi que não me apetece. E ainda bem. Não creio que o meu caderninho preto tolerasse tal engorda das suas páginas. Porque tem sido uma constante: vívidos, marcantes, a cores, de formas concretas, detalhados. Acordo cansada e conseguindo apontar o dedo a caras, locais e circunstâncias; revejo saudades, revisito questões, até assumo missões a levar a cabo ao acordar. Vivo uma vida paralela, portanto...
E ouço "acho-te muito bem, estás óptima" e pergunto-me se devia estar "muito bem" e "óptima". Cada vez que me elogiam, intrigam-me, plantam dúvidas no meu sentir. Mas eles não sabem nem sonham que o meu sentir também sabe e sente que há-de haver um dia em que hei-de quebrar, em que a minha realidade, que até agora parece apenas levitar em torno da minha pessoa, se me há-de cair em cima e encharcar até aos ossos. Dá-me ideias que tenho estado demasiado ocupada a geri-la para a sentir...
E pergunto "há ironia maior?". Deve haver mas esta é das grandes. Anos e anos de deserto, alguns deles de uma sede quase mortal, e agora a vida acena e ri-se, de braço dado à oportunidade que eu não posso agarrar. Devem ir ao cinema... "Mas vai também", dizem-me, e eu rio-me mas sem vontade...
E exijo-me "não te deixes intimidar, agarra o momento pelos cornos e faz dele o que queres que seja". E eu sei que chegou a hora..
sexta-feira, setembro 15, 2017
domingo, setembro 10, 2017
Parabéns
Estás comigo, eu sei que estás. Demorei a compreendê-lo, talvez o rejeitasse. Ou tudo ou nada, devia pensar. Mas a verdade é que estamos juntos. E sinto-o nas mais pequenas coisas. Senti-o no vento a bater-me na cara à medida que me voltava a atrever a pedalar, cada vez mais rápido. Foste tu que me ensinaste, lembras-te? Senti-me pequena outra vez mas livre, tão livre. Nos caminhos de terra, na poeira a levantar-se, no sabor a Verão. E contigo a segurar o selim... Senti-o no sol a aquecer-me e no cheiro dos pinheiros, senti-o no contacto com os bichos e nas tuas palavras a ecoar, as palavras que sei que dirias. Parabéns. Estamos juntos. E eu sou mais feliz assim.
terça-feira, agosto 22, 2017
segunda-feira, agosto 21, 2017
quinta-feira, agosto 17, 2017
Camuflagem
Não estou habituada a toda esta atenção. Como se, de uma hora para a outra, me tivesse tornado visível como nunca antes, quase luminosa, quase néon. Como se a Terra agora tivesse parado de girar permitindo que os olhos se fixem sem vertigens e me observem como se fosse a primeira vez. Silêncio. Respiração suspensa. Olhos perscrutantes que rodam sobre si mesmos em busca de entender o que agora vêem, em busca de adivinhar o que virá depois para melhor decidir o que dizer agora.
Valem-me os de sempre, aqueles cujos olhares me miram em família, desinteressados, para quem não sou novidade; aqueles para quem não brilho em particular porque sempre me conheceram na luz e na camuflagem; aqueles que comigo brilham e partilham no meu escuro. Valem-me esses porque desses o amor não é nem conveniente nem passageiro.
Valem-me os de sempre, aqueles cujos olhares me miram em família, desinteressados, para quem não sou novidade; aqueles para quem não brilho em particular porque sempre me conheceram na luz e na camuflagem; aqueles que comigo brilham e partilham no meu escuro. Valem-me esses porque desses o amor não é nem conveniente nem passageiro.
sexta-feira, agosto 11, 2017
Estado de alma
Talvez seja chegada a altura de não mais tentar adaptar os sonhos a mim e, sim, moldar-me eu a eles: aceitá-los como são, como me chegam, e viver o que eles querem que eu viva. Porque me começa a parecer que os sonhos são oriundos de república independente e a sua existência em momento algum depende dos nossos desejos, das nossas fantasias. Estão-nos destinados a ser sonhados. Mas à sua maneira. Talvez seja esse o tal grande segredo da felicidade...
terça-feira, agosto 08, 2017
terça-feira, julho 25, 2017
Irrealidades
Acho que eu própria esperava uma torrente de criatividade. Imaginava-me sempre de pena em punho, em ânsias de despejar para o papel as golfadas de sentimentos, numa tentativa de os capturar a todos antes que desaparecessem empurrados pelos que vinham a seguir. Imaginava-me a perder o fôlego, a ter que me agarrar à escrita para recuperar o equilíbrio, o sentido, a calma, para apaziguar a dor. Imaginava-me em produção desenfreada...
Não sei que me diga. Vejo-me dona de uma espécie de inconsciência que me assusta. Ao contrário do que já me foi usual em épocas de cheias e tormentas, sinto mas não me desmancho. E eu não me reconheço assim tão apaziguada. Dir-me-ão que é a fé, eu cá aposto no oposto e voto na incredulidade. Talvez porque nada pareça tão irreal como a morte em vida...
domingo, julho 23, 2017
Constatação #107
Decididamente, e por mais do que uma razão, estou bem mais para Dalila do que para Sansão.
terça-feira, julho 18, 2017
sexta-feira, julho 14, 2017
sábado, julho 08, 2017
sexta-feira, julho 07, 2017
quinta-feira, julho 06, 2017
Parabéns...
Sim, parabéns. Por teres chegado até aqui inteira, talvez mais inteira do que alguma vez foste. Inteira com vazios, com buracos de alma, com malhas no teu tecido, sinónimos de saudades, e saudades são sempre sinónimo de algo que falta. Mas inteira. Inteira em quem és e em quem queres ainda vir a ser. Inteira de vontades e sonhos e ânsia de ir mais além e do muito que sentes que ainda tens para viver. Inteira de certezas, inteira por ti própria.
A vela apaga-se mas não será a última. Uma vela, um festejo. Uma vela por cada momento de amor que tens a sorte de viver nestes dias, que no teu caso nunca são só um. A vela apaga-se para que se acenda a sorte de mais um ano que começa.
Um dia vai agradecer, ouviste tu. Sim, acreditas cada vez mais... um dia vais agradecer e essa será a suprema conquista.
domingo, julho 02, 2017
sexta-feira, junho 30, 2017
Se a vida te dá limões, junta-lhes tequilla. Ou gin... ou vodka... ou...
Parece coisa de pretenso guru motivacional, que agora está tanto na moda, mas há que reconhecer-lhe mérito (não aos "pretensos" mas aos princípios deste tipo de filosofia): a vida pode ser uma grande m****. Na maioria das vezes, até o é, de facto. Mas nós temos que a viver, não há saída... não será de responder ao fatalismo escolhendo saborear verdadeiramente o resto?
Se pensarmos bem, o mais fácil é deixar-nos afundar na dita ( errr... m****? Sim, m****) porque não requer qualquer tipo de esforço, basta fazer corpo mole e lá vamos nós. Difícil é nadar contra a corrente e tentar que a cabeça fique à tona. Dir-me-ão: isso é tudo muito bonito, uma linda alegoria, ainda que por demais batida, mas nem sempre temos forças. Verdade. É a mais pura das verdades! E ninguém pode ser condenado por isso. A dor pesa. O sofrimento pesa. São pesos extra amarrados aos pés. Há dias, há fases, às vezes, há meses e anos em que levam a melhor: os pesos, a m**** da vida, a corrente de forças contrárias à nossa vontade, ao que nos faz feliz. É uma pena, é um desperdício de tempo que não volta mas é verdade e é humano e, talvez, até faça parte do caminho, não sei. Sei, sim, que devemos - a nós próprios, a mais ninguém -, quando encontramos um sopro de força cá dentro que nos dê um empurrão, tentar apanhar a onda, como podermos. Esqueçam-se do perfeccionismo, se só conseguirem encavalitar-se na prancha de joelhos ou agarrá-la com as mãos, que seja. Que seja! Não tem que ser bonito, não tem que ser vistoso, basta ser. Porque há vida para além da m****. Há dores no corpo mas também há beijos ternos de manhã que ajudam a aliviá-las. Há tardes sisudas e fracas de espírito mas também há Chopin ao piano que atravessa as paredes vindo da casa ao lado. Há ordens para não sair e há amigos que, sendo assim, entram, carregados de almoço ou lanche pronto a ser consumido e que riem connosco na nossa clausura. Há medo mas há esperança e rezas de tio adorado mas já velhinho todas as noites. Há vómitos e cabeça a latejar mas há medalha de santa com o nosso nome trazida de propósito por amigo que considerávamos distante. Há amor, há amizade, há solidariedade, há carinho, há presença, há atenção, há família, de sangue e alargada e que se escolhe. E há dias sem dores. E sem má disposição. E com apetite. E em que o café nos volta a saber bem...
Revisitei há uns dias uma frase feita daquelas bonitas que inundam as redes sociais e que adornam perfis no campo dos motes de vida. Dizia qualquer como coisa: a vida é o que queremos que seja. Pois, às vezes não é. Uma parte, talvez bem maior do que gostaríamos de admitir, não é. Ainda apanhei a febre do empowerment no meu crescimento enquanto pessoa mas, talvez felizmente, tenha ido ainda a tempo de o saber finito, com limites. Temos sempre poder para tentar mudar a nossa vida. Sempre. Mas a nossa força também reside na aceitação do que não passa por nós decidir e, acima de tudo, na capacidade de viver o melhor possível as entrelinhas, as entrelinhas que cosem os momentos uns aos outros e que os enfeitam, as entrelinhas que são, nem mais nem menos, a nossa expressão e a forma como decidimos viver tudo o que a vida nos impõe e todo o terreno que lá lhe vamos conseguindo conquistar.
quarta-feira, junho 28, 2017
segunda-feira, junho 26, 2017
sexta-feira, junho 09, 2017
Primeira pergunta num questionário sobre determinado exame médico...
... "Sente grande ansiedade por ir realizar este exame?"
Eerrr... não sentia, não... obrigado...
Eerrr... não sentia, não... obrigado...
quinta-feira, junho 01, 2017
sexta-feira, maio 26, 2017
quinta-feira, maio 25, 2017
Perfil
Oscilo vertiginosamente entre cenários. Quando me sinto a afundar no tenebroso grito-me para cima e de um salto inebrio-me de optimismo. Mas este salto parece-me sempre grande demais, bom demais, irreal demais... e daí o vice-versa... Ainda não encontro o equilíbrio. A realidade poderá encontrar-se algures no meio...
segunda-feira, maio 22, 2017
Da semana...

"Na semana que passou, a energia do Arcano 16, a Torre, veio derrubar os nossos muros e deixar-nos perante as possibilidades que a destruição permite. Agora vem a carta seguinte, o Arcano Maior 17. A Luz-Guia da Estrela (ou das estrelas, no plural, como foi primitivamente também chamada) vem para iluminar a nossa semana, de dentro para fora, feita de inspiração e esperança."
quinta-feira, maio 18, 2017
quarta-feira, maio 17, 2017
segunda-feira, maio 15, 2017
Do Sol em Saturno...
Vêm-me à cabeça as imagens dos tornados que, ciclicamente, assolam determinadas parte do mundo. Vem-me à cabeça o seu poder de destruição em forma de força centrípeta que suga para dentro de si tudo o que encontra pelo caminho. Pessoas, animais, objectos grandes e pequenos sem qualquer poder para lhe resistir, rodopiados em ventania, perdidos nos seus braços, atordoados nas suas voltas sem saber qual será o seu fim. Do meu tornado pessoal também não escapo. Cada vez que me sinto a conseguir pôr finalmente os pés do chão, sou de novo levada, sugada, manipulada, arremessada. Sem poder. Sem remédio. Obrigada a aceitar.
"Vieste para morrer uma pessoa diferente daquela que nasceu. Esta tua existência servirá para que mudes, exigirá que mudes, que te transformes. Vieste para mudar e vais mudar. Porque mesmo que resistas, a vida vai-se pôr à tua frente e obrigar-te a isso. Não há como escapar. Por isso, não batas de frente, vai ser pior para ti. Aceita, assume, abraça."
segunda-feira, maio 08, 2017
sexta-feira, maio 05, 2017
Dos espantos
"Mas... mas... tia... como é que tu ainda consegues fazer a "roda"?!?"
(não fosse eu gostar tanto dela, levava-me uma lambada naquela cara... ainda!?... essa agora! miúda, tenho que te ensinar a ter noção do perigo...)
quarta-feira, maio 03, 2017
Definições
Jeté, (French jeté: “thrown”), ballet leap in which the weight of the dancer is transferred from one foot to the other.
Contusão muscular, lesão traumática aguda, sem corte, decorrente de trauma directo aos tecidos moles, e que provoca dor e edema.
Agora é só fazer as contas...
.................
- Ó T., desculpe lá mas pôr a perna em cima do módulo de gavetas... fica demasiado elevada, não?... consegue?
- Claro! Então não havia de conseguir... eu faço jetés !!!!"
terça-feira, maio 02, 2017
Wishful thinking
Bolo de aniversário mega duchess + chá drenante de ervas.
O segundo anula o primeiro, certo..?!
sexta-feira, abril 28, 2017
quarta-feira, abril 26, 2017
segunda-feira, abril 24, 2017
Reacção, ao telefone com uma colega, ao constatar que o 1º de Maio calha a uma segunda...
"AAAAAAAAAHHHHHHHHHH..... GRAÇAS A DEEEEEEEEUS.....!!!!!"
quinta-feira, abril 20, 2017
quarta-feira, abril 19, 2017
De mãos dadas
Foi há pouco tempo. Não sei que pernas me tinham levado ali nem tão pouco onde estava. Como é apanágio dos sonhos, há explicações que não dadas, deixam-se à dedução ou votam-se ao conformismo. Mas senti, sem dúvida, a tua mão no meu ombro. Era uma mão apaziguadora, quente, a tua mão como me lembro dela, a tua mão dona do dedo mindinho que eu agarrava com força quando a minha era pequena demais para mais. A tua mão que sem palavras me disse: não faz mal, não há problema, vai, avança. Estou contigo, sempre.
Quando acordei e me sentei na cama como sempre faço a dar tempo para que os sonhos se retirem, recordei a tua mão com nitidez como se a voltasse a sentir. E confirmei-lhe a mensagem. Sem equívocos. Percebi, então, que tinha estado à espera dessa resposta, da resposta a uma pergunta que não tinha tido nunca coragem de fazer mas que me gritava de dúvida havia muito. Percebi e fiquei em paz, finalmente.
Não há processos de paz rápidos, eu acho. Como os que se encetam entre pessoas ou organizações ou estados, também os processos de paz internos, de nós para connosco, requerem tempo e negociação. Há que macerar as ideias, tirar-lhes o sumo para que se fundam melhor em nós. Há que aceitar os retrocessos, os passos atrás. Há que pesar as consequências, as práticas e as que nos pesam na alma. Há que nos habituarmos a uma nova ordem das coisas. Há que descobrir os pontos-chave que interessa manipular para que se proceda à abertura das portas que nunca pensámos transpor mas contra as quais andamos a embater de frente...
O meu processo já tinha começado antes. Vem sendo levado adiante, com paciência comigo mesma, com amor pela minha dor. A tua mão no meu ombro, como mão na minha mão, levou-me em paz um passo à frente. O passo que faltava dar.
segunda-feira, abril 17, 2017
2ª feira...
Porque depois de uma hora em pé, em jejum, à espera de ser chamada para fazer análises, nada completa o ramalhete como encontrar o carro bloqueado pela minha velha amiga EMEL...
"Bom dia para si também. Lamento mas antes de qualquer outra coisa, faça o favor de retirar a fita para que eu possa aceder à comida que tenho no carro. Caso contrário, terá que lidar com dois bloqueios: o do carro e o meu, estatelada no meio do chão. "
quarta-feira, abril 12, 2017
terça-feira, abril 11, 2017
segunda-feira, abril 10, 2017
quinta-feira, abril 06, 2017
Perfil
Tenho coisas para fazer... tenho coisas para fazer... tenho coisas para fazer....
...ok, amanhã também é dia...
quarta-feira, abril 05, 2017
sexta-feira, março 31, 2017
quinta-feira, março 30, 2017
terça-feira, março 28, 2017
Bye, bye também de BB
E assim chegamos ao dia em que nos separamos... Mais um "fim", como destacou a progenitora. A ela disse que não exagerasse, era só um carro, um carro do qual já te terias desfeito se tivesse cabido a ti fazê-lo. Vinte e não sei quantos anos já é idade mais que suficiente para merecido descanso. Acho que a convenci. Mas a mim abriu-se alçapão de memória...
Lembro-me de o ter ido ver pela primeira vez contigo. Lembro-me de irmos ao stand que já não existe, levados pelo velhinho Citroen Visa vermelho. E lembro-me da arrogância do vendedor, a desvalorizar o Visa com vista a melhor negócio e eventual melhor comissão. Lembro-me de o deixares falar e falar e falar para no fim, quando ele, arrogante mais uma vez, te disse "então vamos lá assinar a papelada", responderes com um sorriso satisfeito e seguro "calma, meu caro amigo, eu só vim ver e saber quais as condições, ainda não me decidi a comprar nada, pelo menos aqui". Piscaste-me o olho e nesse dia eu aprendi como se lida com a arrogância. É deixá-la inchar. Quanto mais inchada, mais gozo dá a estocada final.
Lembro-me que foi nele que aprendi a conduzir. Sim, porque tinhas razão quando me dizias que as aulas de condução só ensinam a pôr a máquina em andamento. O resto aprende-se na vida real, no trânsito, na confusão, no dia-a-dia, sem instrutor ao lado para pressionar o travão.
Lembro-me que foi nele que nos levaste a todas - acho que seriamos umas oito -, mascaradas até ao tutano, à festa de Carnaval que organizámos naquela discoteca de índole duvidosa alugada para esse dia (aluguer que não compreendia serviço de pessoal a não ser o do bar, bem entendido). Lembro-me da CL no banco de trás toda curvada por causa da sua comprida pena-enfeite-de-cabeça, parte integrante de indumentária dos anos 20. E lembro-me que essa curta viagem foi antecedida por uma tarde lá em casa dedicada a pôr toda a gente bem equipada de respectiva fatiota, o meu quarto feito camarim de teatro ou bastidor de desfile de moda - roupa, acessórios, pinturas espalhados por todo o lado -, a progenitora a alimentar-nos a tarte de maçã caseira e sumo e a colaborar como costureira-cabeleireira-maquilhadora e o que mais fosse preciso para garantir que aquelas oito amigas, de sempre e até hoje, saíssem das suas mãos impecáveis: o esfregão (sim, esfregão...) e as toneladas de laca no cabelo anos 40 da C., as frutas bem cosidas (com "s"...) e seguras da Carmen Miranda da A., os teus óculos antigos, quadrados e de lentes verdes, que pareciam ter sido guardados de propósito para que eu os pusesse naquele momento, a completar o visual anos 70 juntamente com os sapatos de madeira compensados de outra progenitora de outra de nós. Estarias calmamente na sala a ler o jornal não te envolvendo em nada disto, esperando apenas pelo momento em que fosses chamado a intervir como chauffeur das miúdas. O chinfrim que fizemos nessa curta viagem...
Lembro-me de as minhas amigas se referirem a ele como Brigitte Bardot ou simplesmente Brigitte... (e já viste que também tem no nome o ano anterior e o ano posterior ao do meu nascimento? De certeza que sim, muito primeiro que eu, eu diria que logo no momento em que o recebeste...)
Lembro-me da manta que exigias que o banco de trás apresentasse para permitir que o cão lá se pusesse à janela. E não me lembro mas acredito que esta cedência tenha levado meses e meses, se não anos, a ser conseguida, "era o que faltava, que disparate, é um animal, tem que ir no chão, agora à janela..!".
Lembro-me de, no banco ao meu lado e enquanto eu conduzia, me pores a ponderar a
relação espaço disponível/distância/velocidade...
Lembro-me de mo passares para a mão assim que cheguei a casa anunciando que tinha passado no exame de condução para irmos nele almoçar e comemorar no já extinto Caleidoscópio ali no Campo Grande. E lembro-me de te ver e crer confiante nas minhas capacidades enquanto a progenitora, no banco de trás, soltava "ais" a cada curva.
Lembrei-me de tudo isto enquanto almoçava há bocado: "guizadinho de grão com enchidos". Pareceu-me boa ideia quando temperada com a fome mas fiquei-me enjoadamente a meio, o estômago e o fígado a pedir clemência. Até me admira estar a conseguir escrever. Tal qual cobra que engoliu boi, pasmo como consigo que o sangue aflua ao cérebro...
Até sempre, Brigitte. Foi bom, muito bom. E assim te guardo. Correcção: guardamos.
segunda-feira, março 27, 2017
Das preces
Talvez já tenha pedido demais. Talvez a minha quota de preces desesperadas tinha sido já excedida. Aceito. Agradeço. Foi-me concedida uma nova vida. Trocaria? Não. Definitivamente, não. E este talvez seja o único "não", de todos os "nãos", que me conforta em vez de me magoar - a mim, menina-mulher, de pêlo na venta, que se recusa à derrota sem antes se digladiar com ela, que acredita sempre que "sim", que refuta, contesta, nega, repele os "nãos" -... Aceito. Agradeço. Estou aqui. Agora é só comigo, aos deuses não posso pedir mais.
sexta-feira, março 24, 2017
quinta-feira, março 23, 2017
quinta-feira, março 16, 2017
Quem sai aos seus...
Fiquei a saber há pouco tempo que, em determinadas instâncias a nível profissional, era conhecida como "a cabra da vírgula"...
Tenho que confessar que não desgosto... ;)
quarta-feira, março 15, 2017
Perfil
O estômago embrulhou-se. Tirou-me a fome, no lugar dela só um bolo indigesto. Tenho medo, as concretizações dos outros aterrorizam-me enquanto as minhas parecem nunca conseguir sair do papel. Tenho medo da dor da inveja que não quero sentir. Estou tão cansada de fracasso...
sexta-feira, março 10, 2017
De quando os "maus fígados" dormem connosco
Só hoje já seguiram três emails. Três. E ainda não são 11 da manhã.
Um deles ponderado de ontem para hoje porque aprendi, muito e muito às minhas custas, que, por vezes, o sono e as horas que passam amaciam a rudeza da impulsividade e dotam-na de uma superioridade interessante. A tal "chapada" de luva branca.
Os outros dois foram como tinham que ir: sem misericórdia. Porque há "chapadas" que têm que ser dadas de mão aberta, a doer.
Pronto. Já estou mais aliviada.
quinta-feira, março 09, 2017
Perfil
Eu, hoje, estou a "estalar". Eu, hoje, sinto-me no fio da navalha, a um passo... passo?!? milímetro!! de me saírem umas quantas pela boca fora. Os "maus fígados", hoje, estão ao rubro, inchados no seu limite. Eu hoje estou de me deixarem quieta porque a mordedura mais que provável será da família da cobra, não vai só doer, é capaz de envenenar, retesar até a mais indulgente das almas. Sinto cada palavrinha como lixa na minha santa paciência que, por si só, já de santa pouco tem. Eu, hoje, tenho que respirar fundo, tenho que inspirar até me doerem os alvéolos, tenho que me dotar de abstracção reforçada porque sinto, temo e sinto-me balão a roçar em alfinetes. Hoje não há sol que me valha.
Considerem-se avisados.
segunda-feira, março 06, 2017
Perfil
Nada como ir ali num instantinho passar um fim-de-semana a uma outra cidade europeia para abrir falência logo no início do mês...
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