quinta-feira, janeiro 13, 2011

Constatação #31

Nunca a minha casa recebeu tanta visita de gente totalmente desconhecida...!

Miopias

Um dia dos meus, de nevoeiro que por mim até seria mais cerrado. Adoro andar sem ser vista, adoro não ver ninguém, adoro porque me sinto envolta numa nuvem ou o que imagino que isso seja. Sinto-me uma qualquer personagem tirada d'As Brumas de Avalon, sinto-me um ser mágico da corte do Rei Artur. Sinto-me parte de uma lenda fantástica...

Depois, inevitavelmente, saio da névoa e volto à realidade. E à consequente necessidade de "iluminação", esclarecimento... e assim de repente concluo que, no fundo, no fundo, saio de um nevoeiro e entro noutro... mas que seja. A verdade é que já foi muito mais denso e assustador, parece agora mais límpido, mostra-me o que me rodeia com mais nitidez. Só que um pequeno pormenor inviabiliza que se considere este aparente aumento de visibilidade um ponto a mais na escala das melhorias. Vejo, é certo, vejo melhor mas... vejo o quê?

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Blackout

Não há dúvida, as pessoas podem mudar. Não se transformam num outro ser, evidentemente (ou évidemment, em francês, porque gosto do som) mas não é de todo impossível "aprender" a pensar de outra forma e, em consequência, passar a agir de acordo. Fácil também não é mas cada vez mais acredito que temos salvação, que é possível.

Sou exemplo disso. Orgulho-me de julgar que aprendo sempre com os meus erros. Admito, no entanto, que essa aprendizagem me leva, a maior parte das vezes, a reconhecer quando "meto a pata na poça" mas não necessariamente a agir em conformidade, pelo menos, não imediatamente. Preciso de tempo para a assimilar e, mais do que tudo, para deixar que ela me passe a fazer sentido, se entranhe na minha massa. Se bem que sou resistente, essa é a verdade, resistentemente burra e teimosa, o que torna tudo mais difícil...

Só que comecei a reparar, desde há uns tempos para cá, e em relação a algumas pessoas em particular, que acabei por, um pouco sem dar conta, operar uma mudança no meu resistente e burro e teimoso ser. Tomei uma decisão mas, bem mais do que isso, assumi a forma dessa decisão no meu comportamento e na minha postura. Não foi coisa de um dia me levantar e decidir assim ou assado, não senhor, foi um processo. Um dia aqui, uma desilusão acolá, uma atitude da qual não estava à espera dali, um conjunto de pequenas coisinhas que foi enchendo o meu saco de restos e empecilhos e que se começou a tornar incómodo. Esperneei quando tive que espernear, barafustei, manifestei-me, revoltei-me, zanguei-me. E, um dia... parei. Olhei para mim, olhei para essas pessoas, olhei para os factos, olhei para a minha vida e, de repente, tudo o que me incomodava, as atitudes de que não gostei, os seres em causa, em comparação com tanto mais que há no "meu" mundo, tornaram-se pequeninos, mesquinhos, ridículos até, e a sua pequenez ou a pequenez a que os reduzi acabou por me fazer seguir um caminho diferente, estranho para mim, um caminho que me levou a remeter ao silêncio, vejam só...

Pus-me então a pensar: convenhamos, eu raramente me remeto ao silêncio, essa é que é a verdade... Bem ou mal, tenho sempre alguma coisa a dizer. Sou rapariga que "diz", que "fala", que se "manifesta", sendo até acusada de abusar do direito que todos temos à manifestação verbal. Portanto, o que se passou? Concluí que a minha mudança de atitude só podia ter uma razão de ser: calei-me porque não me apetecia mais falar. Tão simples como isto... Calei-me porque deixei de acreditar que valesse a pena dizer alguma coisa, porque deixou de me apetecer lutar por aquelas causas. Não por me parecem perdidas, porque também não sou moça de não tentar 89568742 mil milhões de vezes antes de dar como perdida alguma batalha, e até nem tinha sido o caso... Não. Calei-me porque aquelas pessoas ou aqueles problemas ou empecilhos deixaram de ter importância ou relevância para mim. Calei-me porque analisei a minha vida, olhei para o que sou, quem sou, o que tenho e concluí que tudo isso é muito, mas muito mais importante. Sendo assim, para quê perder o meu tempo e energia?

Eu, a tagarela, a contestatária, a chica-esperta, a refilona... calei-me. E sabem que mais? Continuo calada. Não nos iludamos, continuo a ter o que dizer, a minha inteligência e o meu sentido crítico aqui permanecem, vivinhos da silva e de boa saúde, muito obrigado, mas, sim, calei-me e continuo calada.

E não é que me sabe bem o silêncio...?!

Uma questão de química

Parêntesis:
(Respira, respira, acalma-te... crises de ansiedade sobre algo que não podes controlar, que está fora de ti não te levam a lado nenhum e mais, não te permitem ajudar da forma como deves. Sim, apetece-te gritar, dar uns valentes murros na mesa, uns quantos puxões de orelhas e dizer umas quantas verdades bem direitinhas ao alvo, como sabes tão bem fazer. Mas... será a melhor estratégia? Não sei. Por isso, e como aprendi que "quando não se sabe o que se há-de fazer, o melhor é não fazer nada", espera, acalma a respiração, pensa, pondera. A altura chegará em que hás-de ter que agir e então, com a situação cara-a-cara, logo vês o que podes e como o deves fazer. Até lá, respira e escreve...)

No outro dia falávamos e ela perguntou:
- Mas porque não tentas pensar em coisas boas antes de adormecer?
- Eu até penso... quando as há...!

Desatámos a rir da irritante e desconcertante objectividade da resposta. Mas, apesar de tudo, eu, a autora irritantemente e desconcertantemente objectiva, resolvi tentar o que me foi sugerido.

Deitei a cabeça na almofada, ajeitei-me de forma a estar confortável e preparei-me para o exercício positivo. Dois segundos depois concluo que não escolhi uma boa noite: a cabeça a latejar há horas turva, necessariamente, qualquer positivimismo. Ondas a varrer a cabeça como se originadas pelos impactos consecutivos de uma marreta deitam por terra qualquer esgar de sentimento aprazível que possa surgir ao fundo do túnel. E como já tinha decidido não tomar nenhum medicamento porque senão passava a vida a fazê-lo ("tem que andar sempre com um antiestamínico atrás, é assim, não tem outro remédio, e também convém fazer tratamentos regulares de água do mar...", sim, Dr. R., eu sei disso tudo...), as marretadas continuavam a ressoar... Depois, outro pequenino problema a atrapalhar a concentração. Antes que a minha mente se disponha a atravessar prados verdejantes e nuvens branquinhas, convém tratar de um certo maxilar comprimido. É curioso mas não necessariamente positivo perceber que se calhar sempre fui rapariga de comprimir maxilares. Só que agora, a consciencialização da existência desta... vá, mania!, parece até dar mais força à compressão... e como não me faltava mais nada... Ok, relaxa, distende os músculos, comanda os dentes para que não se toquem... vá, façam-me lá o jeito... não tocar... não tocar... grunf, em mim até os dentes têm personalidade, que treta!

Bom, a dor de cabeça está lá, mais vale admiti-la e jogar com ela. Quando os maxilares me pareceram finalmente dispostos a colaborar, lá me tentei dedicar às paisagens de mar e ondas calminhas, areia branca e sol quente na pele... Até que... um ruído, um ruído estranho, incómodo, irritante, que dá voltade de atacar quem ousa produzi-lo justamente quando consigo dedicar-me ao meu propósito! Mas que raio de coisa vem a ser esta?!?

... era o despertador... e eram também horas de levantar...

Ah, pois é... depois de tanto tempo a preparar o corpo e a mente para o relaxamento interior e para a tentativa de manipulação de sonhos que daí adviessem, as drogas ganharam a corrida...

terça-feira, janeiro 11, 2011

Frase do dia

"Nós vivemos a temer o futuro, mas é o passado que nos atropela e mata."
Mário Quintana

Borboletas

"Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande. As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui para satisfazer as dela. Temos que nos bastar... nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.

As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem gosta de você. O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.

No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!"

Mário Quintana

Perfil

Impotente.

Porque este tipo tem um vozeirão e eu adoro vozeirões!




I remember one moment, I tried to forget
I lost myself, is it better not said
Now I'm closer to the edge

It was a thousand to one
And a million to two
Time to go down in flames and I'm taking you
Closer to the edge

No, I'm not saying I'm sorry
One day maybe we'll meet again
No, I'm not saying I'm sorry
One day maybe we'll meet again
NO NO NO NO

Can can can you imagine a time when the truth ran free
The birth of a song and the death of a dream
Closer to the edge

This never ending story
Paid for with pride and fate
We all fall short of glory
LOST IN OUR FATE

No, I'm not saying I'm sorry
One day maybe we'll meet again
No, I'm not saying I'm sorry
One day maybe we'll meet again
NO NO NO NO

NO NO NO NO

I will never forget
NO NO
I will never regret
NO NO
I WILL LIVE MY LIFE
NO NO NO NO
I will never forget
NO NO
I will never regret
NO NO
I WILL LIVE MY LIFE

No, I'm not saying I'm sorry
One day maybe we'll meet again
NO NO

No, I'm not saying I'm sorry
One day maybe we'll meet again
NO NO NO NO

Closer to the edge
Closer to the edge
NO NO NO NO

Closer to the edge
Closer to the edge
NO NO NO NO

Closer to the edge

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Constatação #30

Sou uma pessoa cheia de sorte! Adoro criminalistas de algibeira e fui abençoada com uma sala cheia deles!

Pecado capital

"Não tenha medo", diz ela com a calma estudada de quem sabe que, dependendo do tom de voz, a mensagem entra de forma mais ou menos poderosa. Porque um novo ano é uma porta aberta de possibilidades, porque temos que nos abrir ao que pode vir, porque se nos fechamos com medo da dor e raiva e do desgosto, também nos fechamos à felicidade, ao riso e à brisa fresca nos cabelos. Mas a verdade é que a porta se fechou com força e com estrondo, fincando pé na ombreira, quase fundindo-se com ela. Como as janelas de madeira, que quando lá voltava passados meses, encontrava inchadas pelo Inverno sempre rigoroso daquelas paragens...

Tenho inveja das pessoas simples. Aquela simplicidade de alma que lhes permite aproveitar o que a vida lhes dá, por mais pequeno que seja. A simplicidade de não quererem mais do que têm, se viverem os momentos como eles são, se não quererem contrariar as demandas do Universo. São pessoas leves, que se deixam levar pelos ciclos do planeta em vez de os tentar desviar. Não sofrem dos males do atrito, não andam aos encontrões. Não querem muito porque muito já é o que têm, recebem e dão, dão-se sem mais nada, pelo simples prazer de dar. "Mas não vivem grandes emoções..." dizem os arrevesados de feitio. Mas o que vocês não percebem, cara comunidade arrevesada, é que é justamente assim que encontram a sua doçura na vida, trabalhando as emoções em doses homeopáticas. Não necessitam do nosso enfartamento, da barriga cheia até não poder mais. O seu coração palpita mais devagar e alimentando essa cadência simples e branda sentem-se completos. Tenho inveja das pessoas descomplicadas, suaves ao toque, doces e pouco exigentes, com quem é sempre fácil lidar e que lidam bem com toda a gente. Que não deixam que as suas questões as levem ao ponto de ruptura consigo mesmas ou se sobreponham à crença de que tudo irá ficar bem. Tenho inveja das pessoas que têm sempre esperança mesmo quando o mundo ao seu redor parece ruir e que encaram essa ruína com o sorriso de quem acredita que de tudo se pode tirar algo de positivo. Tenho inveja das pessoas que aceitam.

No fundo, tenho inveja das pessoas que não têm inveja.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Verde

Ainda tenho tanto que aprender... Não. Pior que isso, ainda tenho que aprender o mais importante...

O open space, a irresponsabilidade e a estupidez humana, os azares ou... estou a dar em doida não tarda nada!

Mas ainda com muita esperança que esta primeira semana de 2011 não dê o mote para o resto do ano... É que hoje, nem Chopin me está a conseguir salvar...

quinta-feira, janeiro 06, 2011

No meu elemento

No âmbito de uma formação, é-nos pedido um teatrinho. Sentindo-me em casa, participo na elaboração básica de guião, na definição das personagens, dos tempos e deixas necessárias. E lá avançámos, contando que o restante surgisse de improviso.

E assim, volto ao palco, em forma de sala de reuniões, assumindo a minha personagem e às vezes até as dos outros quando estes se perdiam no meio dos risos e dos bloqueios.

E assim, volto ao prazer de viver outras vidas, de sair de mim e dar vida à ficção, de sentir outras almas.

E assim, volto a sentir que, na minha vida, a minha actividade principal é, afinal, o que resta, o resto.

Porque assim, volto à maior parte de mim. E que saudades eu tinha dela...

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Porque me fez pensar




I remember when, I remember,
I remember when I lost my mind
There was something so pleasant about that place.
Even your emotions had an echo
In so much space

And when you're out there
Without care,
Yeah, I was out of touch
But it wasn't because I didn't know enough
I just knew too much

Does that make me crazy?
Does that make me crazy?
Does that make me crazy?
Possibly

And I hope that you are having the time of your life
But think twice,
that's my only advice

Come on now,
who do you, who do you, who do you,
who do you think you are,
Ha ha ha bless your soul
You really think you're in control
Well...

I think you're crazy
I think you're crazy
I think you're crazy
Just like me

My heroes had the heart to lose their lives out on a limb
And all I remember is thinking,
I want to be like them

Ever since I was little,
ever since I was little it looked like fun
And it's no coincidence I've come
And I can die when I'm done

Maybe I'm crazy
Maybe you're crazy
Maybe we're crazy
Probably

V., este é para nós!!

"Olívia Patroa, Olívia Costureira - Ivone Silva"

Perfil

Idiota.

E não, não quer dizer "pessoa com muitas ideias"...

terça-feira, janeiro 04, 2011

Preces

Não é preciso. Acho que não é preciso ser assim. Chega! Chega porque tenho limites, porque já os transpus demasiadas vezes, porque já transbordei as minhas fronteiras... O que querem? Quebrar-me? Já quebrei, não vêem? Já quebrei, já estou de joelhos e testa no chão! O que querem mais??

Peço, mas não sei a quem. A Deus, à Natureza, a Alá, ao Universo, a ti, a mim. Peço mas não sei a quem dirijo as minhas mãos fechadas, os meus dedos cruzados, fincados uns nos outros, não sei quem me observa quando olho para o céu. Peço, acreditando em tudo e não acreditando em nada em simultâneo. Mas mesmo assim, peço. Porque já chega.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Grooooovy, baby!

Frase do dia (e de início de ano!)

‎"Everything has been said before but, since nobody listens, we have to keep going back and beginning all over again. "
Andre Gide

"Entrar, já entrámos. Agora é só sair!"

Cueca azul, no dia da passagem e no dia seguinte porque nunca sei quando é suposto vesti-las. Devemos passar a meia noite a estrear uma cueca azul, certo? Mas sendo que as vestimos de manhã, áquelas horas já não são propriamente novas... Ora, assim sendo, estrear, estrear é no dia 1... por via das dúvidas, adquiri dois pares. E assim, fiz a passagem com o traseiro azul às flores e brindei ao primeiro dia do ano com um traseiro azul às riscas. Pronto, assunto arrumado.

As doze passas, essas, ficaram pelo caminho. Porque eram gordas demais, porque me enjoa "embatucar" uma mão cheia delas de uma vez, porque não tenho doze desejos e acabo por me repetir. Portanto, comi três, pedi três e o espaço que as restantes deixaram foi preenchido com champanhe. Não sei se dá sorte mas que sabe bem melhor, ai isso sabe!

O resto foi passando. Com balões coloridos, chapéus e óculos porque tinha que haver um tema e este era simples e divertido o suficiente, comida e bebida (no meu caso pouco mais do que vodka black), com conversas estendidas em almofadões no chão onde decidimos rejeitar a carga e responsabilidade que um ano novo carrega e por isso, para nós, aquela era uma noite de amigos e copos e pronto.

O resto foi passando, passou, e cá estamos, prontos ou não, para iniciar mais uma caminhada.

sábado, janeiro 01, 2011

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Deslizando por aí...

Bicharada; "vamos falar de outra coisa"; Nestum Mel mas integral!; dificuldades técnicas e os três "negões" a empurrar; estupidez natural, muita estupidez natural; surpresas; capacete de gato; horas certas; um dia sem internet e quarenta e seis emails; inteligência emocional; perguntar o que se tira de bom dali e concluir: nada; muitas "gajas" e pouco tempo; férias; Natal e tudo o que tem de mau... e o resto, que é bom; cheirinho de bebé que não chega a dois meses; lágrimas encolhidas no chão da cozinha; frascos de doce; jardineiras de ganga em miniatura; resistência, força, energia que aparecem sem se saber como; perseverança; sorrisos e festas na cabeça; saudades; novo "poiso"; óculos dourados XL; mãos a tremer; gula; maratona de hipermercado; como um só dia pode ter tantas coisas boas; como um só dia pode ter tantas coisas más; interrogações, apreensão, desconfiança; quem espera, desespera; total falta de noção; azevias; "A Sombra de Deus"; frio e não me lembro porque raio gosto do Inverno!; malha na meia; saldos e a conta quase a zeros; esperança; chuva gelada a contrastar com o pôr do sol e os tais 18º; telefonemas e vozes amigas; prendas; apertos no peito; vontade.

domingo, dezembro 26, 2010

EA ou a prenda de mim para mim

"Gaja!! Parece novinho em folha!"

"De que cor agora és TU??"

"O EU já não era para ti... (...) porque agora és outra pessoa, certamente melhor e mais preparada para enfrentar novos desafios."

"Sim senhor, todo jeitoso. Como a dona! ;)"

sexta-feira, dezembro 24, 2010

É Natal...

... outra vez.

E são só dois dias, e hei-de passá-los a andar de mansinho, a pensar de mansinho, a sentir de mansinho... ao ritmo da minha avó quando mexia a panela de arroz doce...

quinta-feira, dezembro 23, 2010

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Red alert

Há pessoas manhosas. Declaradamente manhosas. Talvez não se vejam como tal e quem não sabe o que é, não sabe o que há-de esconder... Ou, se calhar, até tentam mas a sua perícia não é suficiente. Há pessoas manhosas e eu, regra geral, topo-as com alguma facilidade. Talvez sinta o cheiro do perigo, talvez consiga ler o que os seus olhos não querem que se veja. Ou talvez a pessoa seja tão cheia de si e tão certa de que a "manhosisse" é o caminho óbvio e legítimo que nem se dá ao trabalho de fingir ser o que não é e tão pouco percebe que existem alternativas. Não sei e também não me interessa. O que interessa, acima de tudo, é não cair na sua conversa supostamente doce e preocupada, supostamente "eu estou do teu lado, eu quero é que tu estejas bem, esta conversa não sai daqui" e não deixar, como já quase aconteceu, que me usem como instrumento para atacar terceiros com as suas manhas. Eu também quero "estar bem" e agradeço o cuidado mas não aceito que o meio para o conseguir seja passar por cima de outros... e acho que ainda não me fiz bem entender. Na verdade, acho que não me fiz entender porque, simplesmente, não falamos a mesma linguagem. Mas ok, deixa-te estar. Estou aqui, no meu cantinho, sem chatear, sem levantar ondas mas de olho aberto, de olho bem aberto. Porque essas pessoas são o que são. E eu também.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Em diferido

Sempre me perguntei porque nunca me tinham pedido a opinião sobre um qualquer assunto naquelas reportagens de rua que aparecem nos telejornais. Sempre me perguntei porque é que o destino nunca me colocou na mira dos jornalistas em plena Baixa ou Av. da República para ser questionada sobre o que acho do estado da nação ou se vou gastar mais ou menos nas prendas de Natal.

O mais certo é terem pressentido que não iria querer responder. A verdade é que dou por mim a ouvir as respostas dos anónimos apanhados desprevenidos, e a pensar no que diria se fosse eu. Mas logo a seguir tomo consciência da vergonha que sinto ao ouvir algumas considerações desses cidadãos incautos e começo a temer fazer a mesma figurinha... Ora, figuras triste eu já faço sem me condicionarem para tal, não há necessidade de o divulgar para todo o país que ainda alguém se engasga a comer a sopa enquanto me ouve.

Mas hoje... hoje!, pela primeira vez na vida, fui abordada para dar o meu testemunho! É verdade, ia eu muito bem na minha vidinha quando alguém se aproxima a perguntar:

- A senhora trabalha aqui? É que sou da SIC e ando a fazer uma reportagem...

Opá, até brilhei! Já me estava a ver a usufruir em pleno da oportunidade de me pronunciar sobre as mais variadas temáticas e partilhar o meu vasto conhecimento e reconhecido bom senso com todos os portugueses à hora do jantar e, quiçá!, contribuir assim para uma sociedade mais esclarecida ou, pelo menos, para uma sociedade que questiona, que abre a sua mente para ouvir outras perspectivas, que deixa que essas outras perspectivas a façam pensar... senti-me como que numa missão..!

Passada apenas uma pequena fracção de segundos, desci à terra. Sorri educadamente, disse "não, muito obrigado" e segui o meu caminho... e o doente mental que me tinha abordado seguiu o seu que certamente já estava atrasado para tomar os comprimidos.

O dia mais pequeno do ano

Diz que hoje começa o Inverno... olha que ninguém diria!!

Frase do dia

"The best way to make your dreams come true is to wake up. "
Paul Valery

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Porque hoje me refrescou o cansaço



I'm staring out into the night,
Trying to hide the pain.
I'm going to the place where love
And feeling good don't ever cost a thing.
And the pain you feel's a different kind of pain.

Well I'm going home,
Back to the place where I belong,
And where your love has always been enough for me.
I'm not running from.
No, I think you got me all wrong.
I don't regret this life I chose for me.
But these places and these faces are getting old,
So I'm going home.
Well I'm going home.

The miles are getting longer, it seems,
The closer I get to you.
I've not always been the best man or friend for you.
But your love, remains true.
And I don't know why.
You always seem to give me another try.

So I'm going home,
Back to the place where I belong,
And where your love has always been enough for me.
I'm not running from.
No, I think you got me all wrong.
I don't regret this life I chose for me.
But these places and these faces are getting old,

Be careful what you wish for,
'Cause you just might get it all.
You just might get it all,
And then some you don't want.
Be careful what you wish for,
'Cause you just might get it all.
You just might get it all, yeah.

Oh, well I'm going home,
Back to the place where I belong,
And where your love has always been enough for me.
I'm not running from.
No, I think you got me all wrong.
I don't regret this life I chose for me.
But these places and these faces are getting old.
I said these places and these faces are getting old,
So I'm going home.
I'm going home.

O copo rachado e colado

"Às vezes, tenho medo". "Às vezes", dizes tu. E eu ouço as palavras, o "às" e o "vezes", e sei o que querem dizer, mas o tom que os acompanha e a expressão do olhar dizem que este "às" é modesto e discreto, não se quer apresentar cheio de si mas, no fundo, não é um "às" mas sim um "muitas"... "Muitas vezes", assim é que é. E é um medo que te sussurra ao ouvido quando deitas a cabeça na almofada e te libertas das capas rígidas de cera moldada que te cobrem a maior parte do tempo. É um medo que se mostra quando não tens nada a perder e estás só contigo e com a escuridão do quarto. Já foi pior? Já. Já te prendeu a respiração, dilatou as pupilas, já te fez fechar as mãos com força para que não tremessem. Já foi pior. Mas ainda assim... ainda assim é um medo chamado "muitas vezes". Um medo menos medonho mas que ainda continua a dar pelo nome de ..."muitas vezes"...

Medo de não ter mais forças um dia, medo dos outros, pessoas e momentos, e das "cartas pretas", do inevitável, do incontrolável, tu ou o que vier, medo da dor, dos murros no estômago, de que voltem os dias de antes, os dias de aperto constante no peito, medo de cair e não te levantares mais, medo de cair outra e outra vez, medo da travessia, medo de não teres aprendido nada e que baste um sopro para que o desequilíbrio se instale. Medo da fragilidade, a tua fragilidade, que se deu a conhecer de forma tão imensa, tão profunda que até se podia julgar que não eras apenas uma pessoa mas muitas mais num corpo só. Medo de ti e dos tremores que de vez em quanto te assolam. Medo de que nunca consigas viver, de forma plena e verdadeira, com o copo, o tal copo, que existe mas que nunca mais vai ser inteiro.
Medo de que tu não o voltes a ser.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Más notícias ou "é assim a vida dos adultos"

Pois... eu prefiro dizer de outra forma: isto é uma m****, é o que é!

Frase do dia

(e é tão a minha cara que até dói...)

"All the things one has forgotten scream for help in dreams."
Elias Canetti

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Carta de despedida

Acabou. Tenho que o assumir, acabou. Tal como tudo acaba na vida, também esta nossa relação chegou ao fim da linha. Não há mais por onde caminhar.

Durante algum tempo, provavelmente tempo demais, eras uma carga que trazia presa aos ombros. Arrastava-te como um atrelado, não tendo coragem ou força para cortar as amarras e deixar-te para trás mas percebendo que o que me acrescentavas de bom era cada vez menos.

O que tínhamos durou anos, alguns anos, com altos e baixos, excelentes momentos, péssimos momentos, como todas as relações costumam ter ou, pelo menos, como eu acho que todas devem ter. Porque um relacionamento sempre estável não é um relacionamento apaixonado, vibrante. É como um buraco negro, está lá sossegado, aparentemente pacífico e inócuo, mas quando penetramos nele, suga-nos os batimentos cardíacos, a energia e torna-nos amorfos. Não tenho feitio para ser amorfa, nunca tive, não acho que as mudanças pelas quais tenho passado tenham vindo a alterar esse facto. Não esse facto. Por isso, assim é, com alegrias e tristezas, que nos temos vindo a acompanhar.

Mas, já há algum tempo que as tristezas, preocupações, incómodos evoluiram para gritos e murros na mesa, intolerância, irritação constante abafando o que daqui poderíamos tirar de bom, não é verdade? Já não temos nada para nos dizer, já não temos nada em comum, já não somos "nós". E, meu caro, isto não é vida para ninguém...

Por isso, acabou. Vou avançar para outra, abro caminho para novos intervenientes, para novas ligações, aconselho-te a fazer o mesmo, dentro das tuas possibilidades, das tuas limitações. Lamento, mas tem que ser. Tudo tem um fim, este é o nosso.

Na minha vida, agora, surge uma nova luz que me tem vindo a iluminar o pensamento. Espero que também ilumine os meus dias e as minhas "caminhadas" porque o que eu preciso é de luz e, mais comezinha, de poucas arrelias.

As diferenças entre vocês os dois são flagrantes e imensas, não vale a pena sequer enumerá-las. Mas, curiosamente, há algo em comum... as vogais. Percebo, assim, no que respeita a "andanças", que sou rapariga de vogais. E, vê só!, uma delas até se mantém e tudo! Demasiada coincidência, não achas? Se calhar é a forma que o Universo arranjou de nos manter afectivamente ligados... não sei bem para quê, mas que seja, aceito, que com o Universo não se deve discutir. Quanto à outra vogal, a troca foi da última pela primeira, o que, convenhamos, até carrega em si um discreto mas simpático simbolismo.

Enfim, é o que é, é o que tem que ser. Espero que tenhas um bom resto de vida, espero sinceramente que a tua nova pessoa te trate com o respeito e consideração que mereces, que te mime, que aproveite bem todo o teu potencial, que ainda é muito!, tenho a certeza que ainda tens capacidade de fazer alguém muito feliz, apesar de tudo, e é essa felicidade que desejo para ti.

Adeus, querido EU (o carro, não o outro, desse ainda não me consegui livrar), God Speed para ti também (de notar que este Speed não está em maiúsculas por acaso, espero que tenhas percebido a laracha...!).

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Qual "rangedora", qual quê! "Bruxa" é o que eu sou! Sempre desconfiei...

Pó dos Livros

(As coisas que se descobrem por mero acaso...)

"Revelhão"

Não interessa como e onde, interessa quem.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Bandas sonoras

Finalmente tenho autorização para aceder ao meu baú musical online. E reparo que não ia lá há muito tempo e reparo que cada tema foi ali guardado por uma razão muito minha e que muitos deles, enquanto soltam as suas notas no meu cérebro, também me fazem sair de mim e voar atrás no tempo. E vôo e aterro de forma absolutamente precisa. E quase todas as viagens me fazem vir lágrimas aos olhos.

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"É essa a pior parte", pensas tu. A parte em que falas mas não és ouvida. A parte em que pedes por sinais e não os tens. A parte que te diz, que te "chapa" na cara que não adianta tentar, o universo tomou a sua decisão e tu tens que viver com ela. Acendeste a vela e pediste "por nós", pequena expressão a abraçar tanta gente. "Será que a chama se vê do outro lado?", perguntas tu. Não prevendo, o olhar devolve-te o peso da realidade, chama-te à terra, recorda-te do que finges que não sabes, do que finges que não te afecta. Finges para sobreviver não porque sejas uma fingidora. Finges para poder andar. Mas há olhares matreiros que, sem que o esperes, mostram-te mais do que uma fotografia onde vês duas pessoas sorridentes de copo na mão. Já não existem, as pessoas de copo na mão, morreram e é a sua morte que toma vida quando as olhas. E é essa morte que te invade. Estranho como algo usualmente relacionado com aridez, ausência, vazio, consegue tomar corpo para se alastrar por ti. E é como uma descarga eléctrica que te eriça e arrepia, e é assim que te sentas para não te desequilibrares. E ali ficas, naquele espaço palco de tantas cenas, e ali voltas a ler a cartilha da tua vida como ela agora é. Para que não te iludas mais , para ver se não te esqueces.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

domingo, dezembro 12, 2010

Deve ser do tempo...

E quando sabes que até sabes, e que até sabes mais do que sabias antes, mas ficas a saber que afinal o que sabes, e que até é mais do que sabias antes, não é suficiente...?

sábado, dezembro 11, 2010

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Constatação #29

Os Deuses dão carros demasiado grandes e potentes a quem tem mais hipóteses de fazer figuras tristes ao tentar estacioná-los. Assim se prova que os Deuses têm sentido de humor.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Ó diabo!



Dizem os astros e as cartas e mais não sei o quê:

"Os nativos do seu signo estão sob influência da carta de Tarot o Diabo em 2011 e, de acordo com esta carta, este ano será intenso e recheado de acontecimentos, novidades e também algumas mudanças. Será necessário que os nativos deste signo façam um esforço de adaptação às circunstâncias, pois são pessoas apegadas à tradição e que precisam de ter segurança na sua vida a todos os níveis. 2011 poderá ajudá-los a ter uma evolução muito positiva, mas exige uma mudança de atitudes - é chegado o momento de se libertar de comportamentos que não o conduzem à felicidade que tanto ambiciona. Não tenha medo de arriscar, pois a energia deste ano ajudá-lo-á a ir em frente, desde que mostre espírito de iniciativa."


Filhos de uma grandessíssima égua..! Para quando uma carta que me dê descanso, senhores?!? Irra!!

O que deve, o que é, o que tem que ser, o que é preciso

Se me perguntarem "quando?", não sei dizer. E acho que também não interessa. Até porque não acredito num "quando" mas sim em vários, apesar de não os saber localizar no espaço e no tempo. Só sei que foram acontecendo, acontecendo, acontecendo. Pequenos passos, somatório deles até chegar hoje a um resultado, que sei que não é final, que quero que não seja final. A este irão somar-se outros porque o caminho continua e os passos também. E é assim que deve ser.

Ontem, as palavras que saíam da minha boca explicavam-me, explicavam-se. Falava também para mim, organizava ideias também para mim. Enquanto ignorávamos a chuva miúda e graúda, continuávamos ao longo do rio, sem pressas, sem tempo para voltar. Porque o passeio tinha que ter a duração do que faltava falar. Ou pelo menos, do que faltava falar ontem.

Falta-me a constante. E, pela primeira vez em muito tempo, essa é uma boa notícia. Porque a minha constante impregnava-se naquele ponto no peito, não me deixava respirar e acompanhava-me sempre, em tudo o que fazia, dizia, pensava, calava. Como música de fundo, banda sonora sempre igual em todas as cenas, fossem elas quais fossem. No início desesperava-me, toldava-me os movimentos, manifestando-se a uns decibéis bem acima do recomendado. Depois, aprendemos a conviver, a sua presença tornou-se mais discreta, menos ensurdecedora mas, mesmo assim, agri-doce. Sim, já me permitia andar mas, não, não era um andar leve, límpido, fresco e requeria esforço, e requeria preparação para navegar em altos e baixos. Havia uma espécie de concentração de humidade e negritude a envolver-me, a abafar-me, a pesar o ar, que eu combatia como podia, que eu tentava gerir de forma a não estancar. Mas que continuava a fazer-me encolher de joelhos ao queixo quando finalmente parava, e a fazer-me virar para dentro de mim, para o meu núcleo, deixando-me, nessa altura, descansar e absorver por tudo o que lá encontrava. Nesses momentos, ficávamos cara a cara, eu, a humidade e a negritude, e eu deixava que me tomassem. Porque elas estavam lá, existiam, por mais que olhasse para o lado, continuavam a estar lá e eu tinha que as aceitar e resolver.

E fui resolvendo, ao ponto de, no momento, nos encontrarmos apenas de vez em quando, apenas quando é útil, acho eu. Porque tenho que assumir a sua utilidade. Mas fui resolvendo e resolvidamente assumo-as úteis e ainda presentes. Mas só de vez em quando.

Vai mudar? Não sei. E agora também não me interessa.

Frase do dia

“As pessoas que consomem chocolate gozam de uma saúde mais constante e são menos propensas a apanhar uma série de pequenos males que ensombram a felicidade da vida…”
Brillat-Savarin


Provado cientificamente... toma!

terça-feira, dezembro 07, 2010

Sem palavras ou com algumas menos próprias...

Formação em Gestão do Tempo, grupinho à porta a conversar no intervalo:

- Pois, pois, isto é tudo muito bonito mas se rentabilizarmos mais o nosso tempo, se formos mais eficazes, os chefes vêem que ainda nos podem atirar com mais trabalho para cima! Isso é que era bom! Sim, sim, gestão do tempo e tal... espera aí que eu já te atendo!

Porque me fez dançar no carro logo de manhã!

Club Can't Handle Me
Flo Rida (feat. David Guetta)

Perfil

Business woman.
(Lady, faz favor!)

Ela é casas, ela é alcofas de gatos, ela é máquinas fotográficas, ela é Rainbows... ela é o que vier pela frente e seja passível de apregoar via internet... de graça, claro!

segunda-feira, dezembro 06, 2010

"Novas novidades"

Diz que em termos de gestão do tempo sou de esquerda... ou esquerdina, como quiserem. E, caramba, se não fosse o testezinho feito na aula, olha que eu não chegava lá...!

domingo, dezembro 05, 2010

O que se faz numa noite muito, muito fria?

Sai-se à rua!




Inevitável

Parece que nunca é suficiente. Dou a volta para evitar males maiores mas essa atitude recebe um dedo apontado que a acusa de carregar menos valor que qualquer outra que implique um caminho diferente, não melhor mas mais sacrificado. Porque é o sacrifício que parece dar sentido às coisas, porque o caminho mais fácil, embora resulte no mesmo ou até se revele uma solução melhor, surge como fraco e desprovido de carga emocional. Nunca é suficiente. E nunca vai ser. Porque, de facto, duas almas distintas não se encontram. Sobrevivem, raspam uma na outra e tentam que a fricção não as fira. Em demasia. Mas é só, é só isso que é possível. E assim ficamos, com essa consciência e com o peso de quem quer mais e diferente do outro e sabe que dificilmente conseguirá. E, no entanto, estamos ligadas e não podemos fazer nada quanto a isso.

sábado, dezembro 04, 2010

A questão é...

... fazer árvore ou não fazer árvore...

Nope, parece-me que ainda não é este ano.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Hoje é um desses

Há dias em que as palavras faltam. Há dias em que são muitas e é difícil contê-las. E há dias em que são tantas, tantas mas tão pesadas e confusas e emaranhadas que não se conseguem libertar para dar a cara.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Russie, dix points!

Grunf...

Gosto taaanto deste país!

"Lusíadas" de Anaquim

Este é o nosso triste fado
Do vamos andando e do pobre coitado
Velha canção em que a culpa é do estado
Por ser o espelho do reinado

A história por mais do que uma vez
Foi mais cruel que a de Pedro e Inês
Levou-nos o que tanta falta nos fez
Sem deixar razões ou porquês

Temos fuga ao fisco estradas de alto risco
Temos valiosos costumes e tradições
Que eu não percebo se nos maldizemos
Quais as razões

Temos Chico espertos burlas e protestos
Temos tantos motivos para sorrir
Que eu nem imagino qual será a desculpa
Que vem a seguir

Gosto tanto deste país
Só não entendo o que o faz feliz
Se é rir da miséria de outros quando a vemos
Ou chorar da nossa própria quando a temos

Gosto tanto deste país
Só não entendo quando ele se diz
Senhor do futuro maduro duro mas seguro
E eu juro que ainda não o vi

Os queixumes, sei-os de cor
Endereçados a nosso Senhor
Intercalados com suspiro ou dor
De um bom sofredor

Dentro de momentos seguem-se os lamentos
Não há dinheiro para os medicamentos
Não há dinheiro para tanto sustento
Tão longe vão outros tempos

Gosto tanto deste país
Só não entendo o que o faz feliz
Se é rir da miséria de outros quando a vemos
Ou chorar da nossa própria quando a temos

Gosto tanto deste país
Só não entendo quando ele se diz
Senhor do futuro maduro duro mas seguro
Eu juro que ainda não o vi

Constatação #28

Na guerra de titãs "despertador-estridente" vs. "gata-felpuda-tricolor-na-ronha" quem perde, invariavelmente, sou eu...

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Porque nunca nos lembramos o que raio estamos a comemorar...

... hoje é feriado porque já no tempo de "outras senhoras" (não só "aquela" mas todas as que vieram antes) esta maltinha, que já cá andava por este pequeno cantinho da velha Europa, era gente com muito pêlo na venta e nunca gostou que malta de fora se pusesse a c**** sentenças naquilo que é nosso. Ora vai daí, começaram a afinar solenemente com o facto de nos quererem transformar numa espécie de anexo nas traseiras do país do lado que, ainda por cima, só tinha por lá espanhóis. É que já não era a primeira vez...!

Portanto, demos dois murros na mesa, dois pontapés aos Filipes e companhia, e aqui vai disto que o pessoal gosta é de Revoluções que ainda por cima depois dêem em feriados! E eu acho muito bem!

1 de Dezembro de 1640

terça-feira, novembro 30, 2010

A batata, o sovaco, D. Sebastião e eu metida no meio disto tudo!

Já era noite e chovia a potes. O limpa pára-brisas a funcionar só de um lado e o vidro, para além de sofrer do normal embaciamento invernoso, ainda se conseguia revestir de uma película gordurosa qualquer que não sei se onde veio. Conclusão: não via um boi! Mas precisava ir, precisava andar, e lá fui eu, cidade afora, a conduzir como podia. Cada vez que parava num sinal limpava, limpava, limpava, ora com toalhetes, ora com lenços de papel, ora com um paninho, ora com a manga do casaco que o desespero já era grande! E só pensava: meu caro, a nossa relação está mesmo a chegar ao fim da linha...

Nisto, páro no último sinal antes de chegar ao meu destino e ouço uma buzinadela ao lado. Olho e o condutor faz sinal para que abra a janela. Desconfiada, lá me disponho a ouvir o que ele me tem a dizer:

- (com sotaque do Norte) Batata! Cum batata!
- Desculpe??
- Batata! Esfregue cum batata que resolbe!
- Errr... com batata? No vidro??
- Sim, esfregue batata (enquanto gesticulava em círculos) que isso sai tudo! Ou então com um cigarro, tombém dá...

O sinal abriu sem me dar tempo de abusar da simpatia do colega condutor do Norte e perguntar mais umas coisitas sobre os conselhos que me dava: mas... batata cozida? Crua? Frita? Se for frita vou já ali ao MacDonalds e esfrego um pacote no vidro! E essa coisa do cigarro... utiliza-se o fumo, é isso? Ou o cigarro propriamente dito? Deduzo que aceso... mas limpa-se a gordura com a brasa??? Porque isto é importante! É que aplicar a sabedoria popular à optimização da performance de peças automóveis não é para qualquer um, é coisa de profissional e eu precisava saber concretamente o que fazer! Mas pronto, não deu tempo e lá nos despedimos com um "obrigadinho, boa noite para si também!" Continuei e só me vinha à cabeça há quanto tempo aquela alma devia vir atrás de mim a ver-me conduzir toda torta e a atirar-me ao vidro feita louca a cada paragem forçada (ou nem por isso) para sentir necessidade de me aconselhar...

Mas enfim. A noite seguiu, com aromas orientais temperados de... sovac... cof, cof, cof... não, quer dizer... café!... (combinamos que aquele odor seria do café, alguma moagem especial, pronto...) enquanto a conversa boa fluia como sempre. Sissas são sempre sissas...

De novo no carro, as duas marrecas a tentar ver a estrada à nossa frente através dos únicos pedaços de vidro minimamente limpos, mesmo juntinho ao tablier... Mas já éramos duas, a tarefa estava facilitada...

Volto a casa através do nevoeiro (e o que eu gosto de nevoeiro!), tal qual D. Sebastião dos tempos modernos (faltava-me o colarinho em harmónio, é certo...), a piorar a visibilidade mas que se lixe, é bonito que se farta, adoro andar lá pelo meio!... e assim me brinda a meia-noite.

Paralelamente, o Universo a dar tréguas. Pode não parecer, amiga, mas é, acho que é essa a intenção d'Ele.

Paralelamente, a noção estranha que forças ocultas podem mesmo existir. Talvez por serem ocultas nunca lhes dei grande crédito mas sei lá, já não sei nada...

Paralelamente, a vida a correr. Muitas vezes embaciada também.

segunda-feira, novembro 29, 2010

Perfil

Outra vez capaz de devolver bofetadas na cara ou até mesmo de as dar por iniciativa própria... em vez de só levar.

(Este "até mesmo" caiu bem, não caiu? A dar a ideia de que só avanço quando não há outro remédio... suckers!!! ;))

Frase do dia

‎"Dreams are illustrations... from the book your soul is writing about you."
Marsha Norman


A minha alma anda muito ocupada, então... e deve estar a escrever um calhamaço!

Hot!

Quando as meias polares não resolvem o problema de pés congelados, o que é que há a fazer?!? Só me resta enfiá-los numa caldeira!

sábado, novembro 27, 2010

Carta V

Tenho hesitado muito em escrever-te. Tenho hesitado porque estou numa fase em que me falha a capacidade de verbalização... estranho, não é? Logo eu, que tenho sempre algo a dizer e digo... Mas desta vez é diferente. Tenho o que contar, o que explorar, o que dissecar mas... não sei como. E como se escreve sobre algo quando não se sabe como o verbalizar?

As coisas mudaram desde a última carta, como é suposto, como seria de esperar. O tempo foi passando, como é seu hábito, através de mim, comigo ou levando-me, foi passando e eu passei com ele como pude. E fomos mudando os dois, muitas vezes não a par e passo, mas lá fomos seguindo o nosso trajecto. E se o tempo por si só não muda nada, é um precioso auxiliar quando queremos ou temos que mudar e tomamos essa decisão. Tempera, favorece, acolhe a mudança e mima-a, fazendo-a crescer.

Mas, o tempo e eu, levámos-me a um determinado patamar que não consigo definir. Houve escuridão absoluta, fundo de buraco, floresta tenebrosa e densa, e eu lá estava "etiquetada" dessa forma. Mas agora não sei bem onde estou...

Por isso, hesitei em escrever-te. Porque queria dizer qualquer coisa como "agora estou assim e assado e fiz isto e aquilo e penso e sinto desta e daquela maneira" e não um "não sei...". Porque ninguém escreve a ninguém para dizer "não sei".

Mas confio. Confio que não precises das minhas cartas ou da minha verbalização para me entender. Confio até que estejas mais à frente do que eu e já saibas bem o que tudo isto significa. Por isso, e partindo desse pressuposto, aqui vamos então...

Estou a andar e não andando. Talvez seja essa a grande diferença. Estou a andar de cabeça mais direita, de passada mais convicta, estou a andar para a frente. Ainda não sei onde vou mas sei hoje, com toda a certeza, que não quero mais ficar às voltas no meio do buraco e que é fundamental que de lá saia. Às vezes pergunto-me o que achas de tudo isto... será que sentes desilusão? Será que me consideravas mais forte? Será que esperavas o retomar de um caminho mais cedo? Será.. que te desiludi..?

Vou fazendo o que posso, como posso. Há dias difíceis mas já aprendi a aceitá-los e a esperar com mais fé por dias melhores. Mas já há dias em que me revejo como eu sou, partes de mim só minhas que não se deixaram levar pela enxurrada. Acho que hoje voltei a ser mais quem tu conheceste. Mas diferente, apesar de tudo, mas até melhor, gosto eu de pensar. E só uma coisa me entristece nesta melhoria... é o facto de não ta poder mostrar.

A nossa pessoa em comum tem também os seus dias. E os "seus" dias não são fáceis de ir levando... porque, como sabes tão bem, os "seus" dias transbordam de si e escorrem num largo perímetro, molhando quem esteja mais próximo. E eu sou que lá está. Estou a ver o teu sorriso agora, dizendo-me "eu sei, conheço a "peça" há 40 anos, sei muito bem como é!" Estou a ver o teu sorriso e a sorrir contigo.

Nem imaginas a quantidade de vezes que sorrio contigo, nem imaginas. Tudo, qualquer coisinha de nada, me faz pensar no que dirias, farias, pensarias... e quase sempre sei bem o que seria. E sorrio por te conhecer tão bem, sorrio por sentir assim a tua presença como se nada tivesse mudado. Nem imaginas a quantidade de vezes que me esqueço que tudo mudou...

Estou a andar, é o que posso dizer, estou a andar. Peço desculpa pela indefinição mas é o que tenho para dar de momento. Estou a andar e, por incrível que pareça, sinto sempre que, enfiada num buraco, a dar passadas largas ou a recuar, a estancar no espaço e no tempo, seja o que for, tu o fazes comigo. É o meu grande segredo, acho eu. É o meu grande truque, é o meu grande privilégio.

sexta-feira, novembro 26, 2010

"Prostibrutas"

Recebo um email com uma proposta. Digo que "não, obrigado, os valores não me agradam, fica para a próxima". Em menos de 5 minutos, é-me devolvido e já falam a mesma língua que eu... Tão simples como isto. Será a crise? Talvez. As empresas e as pessoas estão-se a vender ao desbarato! Já não vamos "a quem dá mais", já vamos "a quem dá alguma coisinha" porque já é uma sorte ter quem queira alguma coisa connosco. Anda tudo feito barata tonta, aos ziguezagues, para chegar a todo o lado, para apanhar o que resta, para apanhar mais que os outros porque não chega para todos, não havendo qualquer preocupação com o facto de se comprometer a qualidade, a coerência, os valores, a dignidade, a postura. Não interessa nada, o que interessa é chegar ao fim do mês. Entendo, por um lado, mas irrita-me. Irrita-me ver-me no meio da pilha de roupa na feira, de marca falsificada e qualidade duvidosa. Irrita-me que o país SEJA a feira e as pessoas as suas barracas.

quinta-feira, novembro 25, 2010

Ranger, é o que sou, uma power ranger!!

Sou uma "rangedora de dentes", diz ele. E continua: "deve fazê-lo durante a noite, sem dar conta." Ahahah! Não amigo, é durante o dia mesmo! Dá jeito, apertar os maxilares um contra o outro altera a minha fisionomia de forma a que não haja dúvidas sobre o que estou a pensar. Isso em complemento com o olhar "não te estou a achar piadinha nenhuma e daqui a nada sai-me uma daquelas pela boca fora" fazem milagres sem ser preciso cansar-me a dar dois murros na mesa.

-"Pois é, isto vai prejudicá-la com o tempo... desgasta... talvez um molde de borracha para dormir...". (Certo.. e dia, como faço? Molde de borracha de dia?? Havia de ser bonito...)
- Mas ok, então, ó dótôre, diga lá quanto... (money, graveto, pilim, pasta, carcanhol, cappicce?)
- Então... isso é coisa para andar aí à volta de... unsdoisnumerosemuitoszeros euros....
- Ahahahahahahahahah! Caramba, dótôre, você é um piadista de primeira, pá! Olhe que não fazia ideia! Ahahahaah! Que coisa, até estou a chorar de tanto rir! Aaaiiiiii... ok... já acalmei... pare lá de reinar comigo e diga lá a sério...
- ................................................
- Eerrr... ceerrttoo... eerrr... só uma perguntinha... e uma tábua? Não faria o mesmo efeito? É que assim dava para travar a mordedura e, nas horas vagas, dava com ela na cabeça para aprender!!! Hein, o que acha, dótôre?!?!?

quarta-feira, novembro 24, 2010

Num abrir e fechar de olhos

É incrível como certos hábitos se gravam em nós e voltam sem que demos conta. Hábitos de anos mas que foram deixados cair já há algum tempo e que, de repente, surgem do nada e guiam as minhas mãos. Porque naquela gaveta era onde ia buscar "aquilo"... mas "aquilo" já não está lá, eu própria o mudei, já faz tanto tempo também... E o mesmo se aplica às outras gavetas, aquelas que não são físicas, que só funcionam sobre calhas invisíveis, aplicadas aos diversos cantinhos do nosso cérebro. É incrível a nitidez com que determinados pensamentos surgem, pensamentos antigos, distantes, que assumem lugar na minha realidade de agora, à qual já não pertencem, como se nunca se tivessem retirado. É incrível e estranho porque as fracções de segundo que medeiam entre o gesto mental irreflectido e a sua consciencialização mostram-me todo um filme, de lá para cá, à velocidade da luz, com cenas e contra-cenas onde eu me vejo como era e como sou. E é estranho ver como não sou a mesma.

terça-feira, novembro 23, 2010

WTF....!?!

Televisão pifada, vidro do carro rachado, consulta de vet. com análises e mais não sei o quê, nova ração xpto, IMI, certificado energético... não se arranja pr'aí outro subsídiozinho de Natal, não...??

Perfil

De volta aos pequenos entusiasmos...

O tomate e a cenoura

"Elas" sabem do que falo... ;)

segunda-feira, novembro 22, 2010

Os dias em que o mundo dá voltas depressa demais

Não sei, juro que não sei. Avancei porque o meu íntimo dizia que era importante que o fizesse, avancei de alma e coração e vontade de fazer diferença, alguma diferença. Mas não sei. Espero que sim mas não sei. Ponho-me a pensar tão somente: quem és tu? Quem és tu se tu própria não sabes que rota deves seguir? Quem és tu para sugerir caminhos, alternativas, soluções, tentativas? Quem és tu para ter a veleidade de alcançar a verdadeira dimensão das coisas, conseguir prever as suas consequências, conseguir acompanhar o ritmo alucinado da vida que se complica e desmorona? Não sei, juro que não sei. Mas não almejo mais do que tentar.

domingo, novembro 21, 2010

E... é domingo

E o tempo começa, finalmente, a tomar velocidade. Já desliza por mim, em parte, e só eu sei a importância dessa leveza. Continua a emperrar, sim, quando assim tem que ser, mas já não pesa como dantes, já não é um fardo, desliza pelas horas amaciando-as.

E o passeio no parque que tento não dispensar. Vou sentir falta dele quando me for embora, vou sentir falta de me perder na sua amplitude, de me tornar apenas mais uma árvore ou uma folha caída no chão quando lhe ofereço os meus passos. Vou sentir falta do cheiro e da brisa, dos bocadinhos de sol e sombra aqui e ali. Mas ele fica, no mesmo lugar de verde e castanho, cabe a mim a responsabilidade de nos voltarmos a encontrar.

E as pequenas árvores que também pela minha mão encontraram terra para crescer, a energia minha e de outros, tantos outros, que tiveram vontade de sair de suas casas e dedicar-se ao resto do mundo.

E o dia que é de chuva e de sol e eu hesito entre abrir o chapéu ou colocar os óculos escuros. E escolho os dois não me importando com o ridículo da situação porque o dia assim o merece e porque de chapéu bem aberto e óculos escuros por baixo é que se vê bem o arco-íris.

E as outras esferas que roçam o meu perímetro. Umas deixo que se liguem a mim nos seus elos e penetro eu também nelas para me dar a quem as habita. Outras afasto com mão, suavente as empurro, tal qual bolha de sabão, para fora de mim. Porque não são minhas, de todo, não são minhas, em nada se ligam a mim e qualquer intersecção será contra-natura.

E a velhota gorducha com a sua cadela velhota e gorducha... dizem que os cães assumem a personalidade dos donos. Pois, ora cá está. Acho, assim, que não devo ter um cão...

E o tempo que começa a deslizar, a adocicar algumas horas.

E a certeza de que perdi muito, não ganhei outro tanto mas alguma coisa, e que há pedaços que se viram engolidos pela vida onde foram criados e que lá ficaram para sempre. Mas há outros, que julgava perdidos, mas que agora vejo que continuam a pairar à minha volta apenas aguardando a hora de que eu lhes deite a mão e os volte a incorporar em mim.

E a vida que consegue pregar tantas rasteiras e nós que a vivemos vamos ter que ir aprendendo a cair e levantar, a equilibrarmo-nos em cima do muro, a decidir se e quando nos devemos deixar levar por ela ou devemos domá-la para que não nos ultrapasse e não nos afunde, mais e mais, nos seus calabouços.

sábado, novembro 20, 2010

Perfil

Viciada... em vícios vários.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Frase do dia

"All changes, even the most longed for, have their melancholy; for what we leave behind us is a part of ourselves; we must die to one's life before we can enter another."
Anatole France

Orando... que também quer dizer "rezando"!

Quem me conhece sabe que eu ODEIO falar em público! Quem me conhece sabe que fico nervosa três dias antes, que perco o apetite, que desenvolvo autênticos enxames no estômago, que tenho pesadelos! Porque imagino sempre que me vou engasgar, tropeçar e cair redonda no chão, perder o raciocínio, bloquear, não saber responder a alguma questão que me coloquem, em suma, passar a vergonha da vida! Eu sou assim...

Agora, vamos imaginar esta situação meramente hipotética: ter que dar formação a três grupos diferentes quase de seguida, sem ter tido grande tempo para me preparar por razões várias e... de garganta inflamada... bom, não é?

Melhor ainda só mesmo... isto não ter nada de hipotético!

quarta-feira, novembro 17, 2010

Constatação #27

O barulho de um comboio a passar ao longe é igual ao bater do coração.

(Talvez por isto gostasses tanto deles, talvez já soubesses e apenas esperasses que eu, um dia, o descobrisse também... )

Rabiscos


segunda-feira, novembro 15, 2010

Mais uma, daquelas...




Bad day, looking for a way home,looking for the great escape.
Gets in his car and drives away,
far from all the things that we are.
Puts on a smile and breathes it in
and breathes it out, he says,
bye bye bye to all of the noise.
Oh, he says, bye bye bye to all of the noise.

Doo doo doo doo doo noo noo
Doo doo doo doo doo noo noo noo noo
Doo doo doo doo doo doo doo
Doo doo doo doo doo doo noo noo noo

Hey child, things are looking down.
That’s okay, you don’t need to win anyways.
Don’t be afraid, just eat up all the gray
and it will fade all away.
Don’t let yourself fall down.

Doo doo doo doo doo noo noo
Doo doo doo doo doo noo noo noo noo
Doo doo doo doo doo doo doo
Doo doo doo doo doo doo noo noo noo

Bad day, looking for the great escape.
He says, bad day, looking for the great escape.
On a bad day, looking for the great escape,
the great escape.

Para onde...?

Amor é...

... adormecer de mão dada com a gata A.

domingo, novembro 14, 2010

É trê cem, é trê cem...!!!

Mais uma edição da FLAG. Troca por troca, "dou-te este casaco e levo o teu vestido". Muito bom! E assim se vê que, no que toca a trapos, estas cinco estão preparadíssimas para enfrentar a crise!

Sem palavras ou com algumas...

Comovente, humano, sincero, com interpretações daquelas que me enchem a alma e uma das cenas mais bonitas que vi na vida, ao som do "Lago dos Cisnes" e sem qualquer diálogo porque simplesmente não era preciso. As lágrimas caíram-me de emoção...

Des Hommes et des Dieux

sábado, novembro 13, 2010

Salta da cama, arruma, corre, recebe, visita, voa...!

Isto de ser uma "porca capitalista" é muito cansativo!

sexta-feira, novembro 12, 2010

Frase do dia

"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente."
Clarice Lispector

Porque é que não te deixas ficar quieta!?!

Fui analisar a minha conta bancária. Fiquei deprimida. Merda.

Triturando

Cansaço, puro cansaço. Sem me dar conta, adormeci no regresso. Sem me dar conta, a tensão acumulou-se e, ao libertar-se, deixou-me sem forças. Mas a jornada tinha um propósito e esse foi cumprido. Fui e estive como queria estar. Fiz o que achava que devia, senti-me bem ao fazê-lo. E paralelamente, acabei por trazer comigo mais de mim de que não estava à espera.

Trouxe a certeza de que, apesar de tudo, sou uma pessoa bem resolvida. Senti na nuca os olhares e a energia negativa que emanavam e deixei-me estar não deixando que me afectassem. Ali fiquei, no meu espaço, meu por direito, meu porque eu quero, assumi-o sem que qualquer intimidação me tocasse. Fui eu, estive eu e o resto é conversa.

Ouvi um suspiro entre lágrimas que me disse: nunca mais foi o mesmo. E, pela primeira vez na vida, senti empatia com aquele ser que conheci tão pouco... nunca mais fomos os mesmos, pela mesma razão, pela mesma pessoa.

E, por último, aquele quase estranho foi-me sendo apresentado através de outros, através das suas palavras e olhares, através da sua dor. Em poucas horas, passou a ser um quase conhecido. E, em poucas horas, compreendi um pouco mais de quem era afinal e, acima de tudo, vislumbrei o que tu sempre conheceste. Sou mais rica cá dentro por isso.

De resto... bom, o resto aqui continua, sendo amassado e amassado de novo, devagar, devagarinho, ao meu ritmo, caminhando para que se desfaça. Uns dias consegue enublar-me os olhos, outros, é o sol que irradia em mim. E nestes últimos, volto a ser aquela que consegue entusiasmar-se com as pequenas coisas. E isso é bom.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Sem remédio

Novamente, a maldade pura a olhar para mim, tal qual dragão chinês que, interrompendo o seu serpenteio, me fixa com os seus olhos enormes.

Pergunto-me: se nem a morte o trava, quem o pode fazer...?

Constatação #26

Uns segundos são o bastante para a vida mudar de forma irreversível.

terça-feira, novembro 09, 2010

Carta preta

Acho que também eu só vou dizer isto uma vez na vida: ainda bem que não estás cá.

Mães...

Mãe: Não percebo, estás agastada comigo porquê??? Essa agora!
Filha: Mas... eu não estou agastada...
Mãe: Estás, estás que eu bem te conheço!
Filha: Mas... mas...
Mãe: Só que também te digo, sou tua mãe desde o dia em que nasceste até ao dia em que uma de nós morrer por isso digo o que tenho a dizer e pronto! Era o que mais me faltava!
Filha: Eu não estou agastada!!!! Pronto, agora já estou...! Mas não estava!
Mãe: Vês?!?!

(Respira, conta até dez, respira... 1... 2... 3...)

Megafones

Estou cansada só de ouvir esta gente!!!

Lá atrás #5

Lembro-me dos cheiros, principalmente dos cheiros. Doces, frutados, intensos. Lembro-me da brisa morna que até se podia julgar fria em comparação com o calor com que fui recebida. Lembro-me dos sorrisos afáveis e compreensivos, da calma e à vontade em que me deixaram, como se fosse normal eu estar ali, como se fosse normal eu estar ali daquela forma. Deixaram-me sossegada, deram-me o meu espaço e o seu para eu utilizar como entendesse. Sem pressões, sem julgamentos, sem pena. Olharam-me de coração aberto e deixaram que eu entrasse quando quisesse. Olharam-me e viram-me para lá da tristeza que inundava os meus olhos, para lá da escuridão que eu emanava, não as desprezando mas conseguindo que elas não ditassem as regras. Não me conheciam e conheceram-me assim. Aceitaram-me assim. Ofereceram-me o que tinham assim. Há pessoas realmente fantásticas.

segunda-feira, novembro 08, 2010

Perfil

Bombeira. E com muito gosto!

Privilégios

Éramos quatro, depois cinco. Cinco almas a gravitar, tão diferentes e, no entanto, tão iguais naquele momento. Em círculo, espalhadas pelo chão e pelos sofás. No meio, o alimento perfeito para os interiores que estão expostos e vulneráveis: chocolate, batata frita, rebuçados, gin, vodka, cigarros.

Houve risos. Houve choro. Houve mãos dadas, carinhos, gargalhadas, estupidez natural e saudável, empatia. Houve histórias más, emoções desenfreadas, corpo a tremer. Houve dores no peito e na alma, houve alívio, tristeza e alegria. Houve amor. As cinco entrelaçadas, cada uma com a sua carga, houve espaço e tempo para cada uma e para todas em conjunto.

É um privilégio, sem dúvida, um enorme privilégio.

A noite seguiu e o carro levou-nos, a gargalhar também, para que seguíssemos o resto das nossas vidas. Houve abraços e sorrisos, mãos quentes à chegada. Houve calma e desespero, noite mal dormida e sonhos, houve o continuar depois de tudo isso. Na mente, as conversas, as palavras, as expressões das cinco almas gravadas na minha memória, o que disseram, o que sentiram, o que calaram. Na minha mente, a certeza de que ainda não acabou para nenhuma, que está só no início para algumas, que para mim ainda há caminho a trilhar. Mas... nós estamos lá, eu sei, nós estamos lá.

Disseram-me antes que é assim "a vida dos adultos". Repetiram "caga nisso" e acrescentaram mais palavras duras e verdadeiras, palavras que tento absorver por mais que me doa, palavras que passo adiante para quem precisa de as receber também.

sexta-feira, novembro 05, 2010

O J.(inho) descrito pela tia...

"Tem pata, mão e perna grande. De resto, é igual a todos os outros bebés. Não são bonitos...!"

:))

Intervalo

Já há algum tempo que ando a tentar escrever. Já há algum tempo que penso e elaboro e tento explicar para mim mesma tudo o que me ocorre, tudo o que me assola e percorre o corpo. Cheguei à conclusão que não sei como fazê-lo. Vejo-me como um corredor de uma casa senhorial, escuro, de madeira, ladeado por milhentas portas, escuras, de madeira. Mas cada uma delas está numa posição diferente. Muitas permanecem fechadas, trancadas e não se vê luz pelas frestas. Completamente opacas, invioláveis, encerrando em si a escuridão. De vez em quando vou lá, bato, ao de leve primeiro, com mais força depois e houve vezes que me arremessei de encontro a elas. Outras vezes metem-me medo e nem me aproximo. Deixo-as ali, escuras, de madeira, fechadas hermeticamente e passo-lhes ao lado. Não penso se um dia se vão abrir ou não, medo e expectativa lado a lado, prefiro deixá-las para trás. Mas há outras, muitas outras. Umas começam a abrir-se e a revelar o seu interior, outras fecham-se lentamente, por si, porque chegou a sua hora. Outras ainda estão a meio, paradas, esperando a minha decisão de escancará-las de vez ou encerrá-las para a eternidade, aquela eternidade que o é enquanto durar. E outras que tais estão abertas de par em par. Já lá entrei e vi o que escondem, já não escondem nada.

Mas... todas as portas são minhas, todas ladeiam o corredor de casa senhorial que eu sou. Mesmo as que encerram o escuro, são minhas, minhas e só minhas, e sou eu que tenho que decidir o que lhes fazer. Todas esperam a minha resolução, a minha definição do seu destino. Mas eu não sei.

Tentei explicar a mim mesma cada uma delas. Mas a multiplicidade de condições, abertas, semi-abertas, fechadas, com interior branco ou roxo, herméticas ou medrosas, de estrutura grossa ou assim assim... ultrapassa-me. Ultrapassam-me. Resta-me sentar no chão de madeira escura e recuperar o fôlego. Resta-me esperar que a respiração normalize, que as ideias assentem, que consiga prioritizá-las. Resta-me descansar um bocadinho para depois me levantar e, a pouco e pouco, dar conta delas outras vez.

quinta-feira, novembro 04, 2010

Piadinha do dia

"O que é que diz o tubarão para a tubaroa?
...
Tubaralhas-me!"

J. (inho)

Hoje vai ser um dia especial... :)

quarta-feira, novembro 03, 2010

Poeiras

Diferentes emoções percorrem o meu corpo. Pára! Assim não consegues perceber nada.

Sonhos "pesadelados", preocupações, nervoso miudinho e, por outros lados, descobertas, pequenas descobertas que me atiram para anos antes, que me fazem sentir tão pequenina, saudades, orgulho, alma cheia, lágrimas como palavras das emoções. Pontadas. Pontadas de algo nas profundezas que tento calar ou, pelo menos, apaziguar mas que, de vez em quando, ainda dá sinal da sua existência. Que seja, já foi pior e sobrevivi. Nada me diz que não consiga continuar com a cabeça erguida. Mas é frustrante, tão frustrante... porque me dou conta que passamos a maior parte do nosso tempo a tentar manter-nos à tona, apenas e só. Demasiado cansados para nadar seja em que sentido, a levar com as ondas "de chapa", a lutar, apenas e só, para não afundar de vez. À volta, só água, e a bússola não diz para onde está a terra. Eu e outros à tona e à deriva...

Pára! Pára. Assim não consegues perceber nada. Pára, deixa assentar.

terça-feira, novembro 02, 2010

Peeping Tom

Anda alguém a espreitar pelo buraco da fechadura... e eu não sei se gosto...