não é dada pelos ponteiros do relógio nem pela posição do sol... simplesmente sente-se... quando, de repente, faz sentido.
quinta-feira, março 03, 2011
Nãããã...! Este Sol não me engana!!
quarta-feira, março 02, 2011
Frase do dia
J. Bailey
terça-feira, março 01, 2011
As dores, a luz, as várias línguas e a crescente falta de pachorra!
Ouvimos só de vez em quando mesmo que ouçamos muito mais vezes. Podemos ser bombardeados durante meses e só haver um dia em que a informação, as opiniões, as constatações nos tocam de alguma forma. A minha única resposta para esta surdez selectiva é o coração e as suas razões ou a cabeça e as suas razões. Sinceramente, não sei bem se no fundo não são um só... E o facto é que "ouvir" dói antes de libertar. E quem quer que doa quando é óbvio que não vai passar disso, não vai ser mais nada que dor pura, sem tratamento, dor que só dói? Fechamos assim todas as portas, as auditivas, as sensitivas, e de dedo apontado mandamos a mensagem embora. A sua simples presença já fez estragos suficientes, não convém ter que lidar com ela muito mais. Sabemos, claro, o que ela tem para nos dizer, mas dói. Só dói.
Mas a realidade tem esta coisa chata de não desaparecer, de ser persistente... e, volta e meia, lá se coloca à nossa frente. Mais uma vez tenta, de mansinho ou à bruta, "chapar-se" na nossa cara. A cara é virada muitas vezes, continua a doer, continua a doer, mas há células em nós que começam lentamente a ceder. Porque há células em nós que se foram revestindo de capa protectora e conseguem já olhar de lado, conseguem que o medo já não as domine completamente. A realidade identifica-as imediatamente e não hesita em tocá-las, em tentar comunicar com elas. E vai plantando as suas sementes na parte de nós que se abre ao sol.
Não acredito no dia em que se acorda e se vê a luz. Acredito, sim, que vamos deixando a luz entrar aos poucos e que um dia percebemos que ela penetrou em nós em quantidade suficiente para nos podermos dizer mais iluminados. Nessa altura, a realidade, a mensagem que ela traz encontra acolhimento e pode enfim fazer-se evoluir para a outra fase, a fase em que nos acrescenta algo que não só sofrimento, a fase em que nos mostra o que o seu peso esconde, em que nos auxilia a libertarmo-nos dele, a ver para além dele.
Mas a mente humana é estranha... e embora tentando saborear a nova leveza, tem medo, continua com medo, luta entre embuir-se do espírito e prevenir-se para o que ainda pode vir. Porque a esmola parece demais, porque já não é a primeira vez que tudo volta a descambar quando já não se previa, porque "se calhar eu não tenho jeito para isto, o mais provável é fazer m****...". De repente, é mais fácil voltar à dor conhecida do que abraçar o que está para vir...
É uma luta. Cansativa, esgotante. Faz-me ficar farta de mim, deste ser estranho, cada vez mais estranho e inconsistente. É uma luta quase entre o bem e o mal, como nos filmes, em que num momento sou o "velho do Restelo" e no outro a "Alice no Pais das Maravilhas", em que de manhã digo "força, aproveita a vida e o que há de bom nela" e à tarde me encolho a dizer "cuidado, muito cuidado, it's not over yet...".
Convenhamos... estranha, louca, com múltipla personalidade e com raciocínios poliglotas... já não há quem aguente!
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
domingo, fevereiro 27, 2011
sexta-feira, fevereiro 25, 2011
Porque para tudo há uma primeira vez...
"Sim, portanto, eu tinha pensado então que nesta data façaríamos também aquela reunião..."
Juro! Esta eu nunca tinha ouvido!
A resposta à altura
Mas há outras que, simplesmente, nos preenchem... O assunto até pode ser do mais batido que existe, os argumentos até podem já ter sido discutidos até à exaustão, as pessoas até podem ser exactamente as mesmas e também nada ter acontecido de significativo... mas isso não interessa absolutamente nada. O que interessa é que, naquele momento, reina a absoluta empatia. E não há nada mais reconfortante.
É bom poder falar sem medos, sem vergonhas. É bom poder perguntar "sou uma idiota, não sou?" e ouvir "és mas eu gosto de ti à mesma" ou "és mas no que depender de mim vais deixar de ser". É bom receber sinceridade, genuína preocupação, é bom poder dizer e ouvir as palavras todas, sem rodeios. É bom termos quem nos queira bem ao ponto de nos ameaçar "se for preciso, levas um par de estalos!" e é bom sentir que não somos totais atrasados mentais ou que, pelo menos, se somos, estamos acompanhados porque o outro até concorda connosco e não se coíbe de o dizer. É bom porque nos entendem, é bom porque podemos ser nós próprios e receber o mesmo em troca. É bom porque nos fazem sentir que afinal andar por aqui, por esta vida, vale a pena...
Sim, querida F., considera este post como uma espécie de declaração de amor... digo "espécie" porque, convenhamos, temos o "nosso" marido pelo meio e embora saiba que ele até é um tipo arejado e moderno não sei se, apesar de passados todos este anos, já se habituou à ideia de que quando casou contigo, casou comigo também...
E sim, querida F., disseste "já viste que és uma rapariga com muita sorte?". E eu respondo: já vi, sim, sem dúvida nenhuma que sou! :)
Conhecimento interior
E foi isto que me saiu pela boca fora sobre... mim própria... e é este o resultado de várias sessões de terapia...
E... não é que eu até gosto?!
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
Day off
Reparo agora que não o faço há meses, tantos meses. Reparo agora que não o fazia porque necessitava de rotinas para sobreviver, as poucas rotinas que me restaram, más ou boas, não interessava, a única parte da minha vida que se manteve igual. Podia não fazer nada de jeito, muitas vezes foi exactamente o que aconteceu, mas era a única razão que tinha para me levantar da cama e eu agarrava-a com unhas e dentes. Ia. Fui sempre, sem interrupção. Ia porque necessitava dessa estabilidade, porque era a única que tinha, porque ali eu era eu, a mesma, nada tinha mudado. Em comparação com o resto da vida, era o único sítio onde eu me encontrava de novo comigo.
Folga. Porque se proporcionou, porque olhei para ela e entendemo-nos. Quis tirá-la e tirei. Folga. Para não fazer nada, para fazer o que me apetece, para apanhar sol, para conversar, para descansar. Folga. Para dar ainda mais espaço de manobra áquele que é o meu grande defeito: penso demais e as folgas são amigas dos pensamentos. Penso demais, penso demais... e, na maioria das vezes, sinto-me como a única que pensa alguma coisa.
quarta-feira, fevereiro 23, 2011
Irmãos
Faço mal, já aprendi. Porque, enquanto tento e não tento, posso, e acontece muitas vezes, "meter os pés pelas mãos" quando o podia ter evitado se tivesse partilhado as minhas preocupações. Porque quem está de fora... é a velha história.
Mas pedir ajuda requer aprendizagem. Requer não me deixar levar pela ideia de que vou incomodar, que me vão achar parva, que lhes estou a atirar com um fardo que não é deles e com o qual não têm que levar. Requer, em suma, aprender a pensar que eles, os outros, os "meus" outros, sentem os amigos e as suas maleitas como seus tal como eu faço, e que por isso querem saber e ajudar e estar na minha vida partilhando o que é meu.
Tenho sorte, muita sorte. Estou rodeada de mãos que nunca me deixaram cair mesmo nos momentos de maior queda livre. Mesmo até quando eu queria cair. Porque há dias em que estamos tão cansados que só queremos mesmo deixarmo-nos escorregar pela parede e esparramarmo-nos no chão. Nunca deixaram, nunca quiseram ver-me esparramada fosse onde fosse nem de qualquer forma. Cada uma à sua maneira, deitou-me a mão, o pé, o coração porque, no mínimo, tinham que garantir que, se escorregasse, teria uma almofada fofa onde deitar a cabeça, mesmo que eu não a pedisse. E eu raramente a pedi.
Escrevo isto hoje porque hoje, numa qualquer rede social, faz-me uma homenagem aos irmãos. Estes são os meus "irmãos". Sem os quais a minha alma não teria sobrevivido.
E o Fernando a falar por mim
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.
O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma
E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.
Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.
Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem.
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.
Fernando Pessoa
terça-feira, fevereiro 22, 2011
Estados da alma
Cansada. De corpo, porque estive confinada ao mesmo sítio durante todo o tempo, a olhar numa só direcção. De alma, porque me canso a mim mesma. E estou cansada do cansaço.
Desiludida. Mas... what's new?? Tem sido uma constante e a culpa é minha. Só se desilude quem se ilude e eu tristemente revelo-me mestre em ilusão...
Triste. Porque há recantos meus que são negros. E nunca vão deixar de ser.
Alegre. Porque reparo que, já há uns tempos, me voltei a alegrar com as pequenas coisas. Coisas que provavelmente só me alegram a mim como o chão cheio de folhas ou os pássaros a cantar ou aquela música que surge no momento certo ou ainda perante a possibilidade de comer qualquer coisa de que gosto muito. E às vezes apenas o simples facto de estar...
Compreensiva. Sei bem pelo que passas querida E., sei tão bem...
Sonolenta. Decididamente, levantar-me de madrugada só é para mim se for para apanhar um avião que me leve daqui para qualquer outro lado. Caso contrário, considero um verdadeiro atentado à minha sanidade mental!
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
Porque esta andou o fim-de-semana todo atrás de mim a "pedir" para ser publicada...
If you wait for me
then I'll come for you
Although I've travelled far
I always hold a place for you in my heart
If you think of me
If you miss me once in awhile
Then I'll return to you
I'll return and fill that space in your heart
Remembering
Your touch
Your kiss
Your warm embrace
I'll find my way back to you
If you'll be waiting
If you dream of me
Like I dream of you
In a place that's warm and dark
In a place where I
can feel the beating of your heart
Remembering
Your touch
Your kiss
Your warm embrace
I'll find my way back to you
If you'll be waiting
I've longed for you
And I have desired
To see your face, your smile
To be with you wherever you are
Remembering
Your touch
Your kiss
Your warm embrace
I'll find my way back to you
Please say you'll be waiting
Together again
It would feel so good to be
In your arms
Where all my journeys end
You can make a promise
If it's one that you can keep
I vow to come for you
If you'll wait for me
Say you'll hold a place for me
in your heart
A place for me in your heart
A place for me in your heart
Expiações e outras considerações
Mas a marca dos dias a andar vai adocicando o rasto amargo, amaciando a dureza das expressões, sarando os tecidos. Já não se pergunta se "irá acabar um dia?", pergunta "quando". Com consciência de que nunca nada irá ser igual, pergunta "quando". E se pensar bem, a fundo, alegra-se pela diferença inevitável, alegra-se pela armadura entretando soldada, alegra-se pelo coração multifacetado de agora, alegra-se pelos dias negros que nunca poderão voltar a ser tão negros assim simplesmente porque não existe negritude maior. E alegra-se por perceber que a sua outra face já não está à disposição.
domingo, fevereiro 20, 2011
E já de madrugada...
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
Facilidades
Aparentemente, é este o vaticínio dos astros para mim no dia de hoje.
E não deixa de ser curioso porque a questão que se vem colocando é justamente essa, a aparente facilidade das "coisas" em contraste com a minha visão delas e, mais do que isso, com os sentimentos pesados e angustiantes que a acompanham.
E assim, o Sol, a Lua e as estrelas que se espalham por aí dizem-me, através de uma das últimas páginas de um qualquer jornal, "vê lá se aprendes de uma vez!".
quinta-feira, fevereiro 17, 2011
quarta-feira, fevereiro 16, 2011
Os balanços
A propósito da minha loucura, volto a estar encolhida no chão da banheira, com água quente a escorrer pelas costas. Estou aqui mas estou lá, a balançar o corpo para trás e para a frente sem dar conta, a repetir incessantemente as mesmas palavras, aquelas palavras, a julgar-me louca, a sentir-me louca mas a ignorar a sensatez e a deixar-me levar pela cadência do movimento e do som que eu própria emito. Estou aqui mas o meu coração e a minha mente estão lá, encolhidos e imersos em água quente.
Quem é mais louco? Quem não dá peso à vida e ao tempo que passa ou quem dá peso demais? Quem pede para o céu ou quem nem se dá conta que ele existe? Quem sente cada solavanco ou quem plana por aí? Quem se esquece dos sentidos ou quem os exacerba? Quem espera que os pensamentos voem com direcção certa ou quem os abafa logo à partida?
Quem se encolhe numa banheira a balançar...?
terça-feira, fevereiro 15, 2011
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
Para provar que os animais assumem a personalidade dos donos...
Merecidamente
sábado, fevereiro 12, 2011
Dancing with myself
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
Apresentações
Fui apresentada e respondo agora: é um prazer conhecê-lo. É um grande prazer mesmo..!
Porque é a derradeira declaração de amor
Michael Buble
You're a falling star,
you're the get away car.
You're the line in the sand
when I go too far.
You're the swimming pool,
on an August day.
And you're the perfect thing to say.
And you play it coy
but it's kinda cute.
Ah, when you smile at me you know exactly what you do.
Baby don't pretend
that you don't know it's true.
'cause you can see it when I look at you.
And in this crazy life,
and through these crazy times
It's you, it's you,
you make me sing.
You're every line,
you're every word,
you're everything.
You're a carousel,
you're a wishing well,
And you light me up,
when you ring my bell.
You're a mystery,
you're from outer space,
You're every minute of my everyday.
And I can't believe,
uh that I'm your man,
And I get to kiss you baby just because I can.
Whatever comes our way,
ah we'll see it through,
And you know that's what our love can do.
So, la, la, la, la, la, la, la
So, la, la, la, la, la, la, la
And in this crazy life,
and through these crazy times
It's you, it's you,
you make me sing.
You're every line,
you're every word,
you're everything.
You're every song,
and I sing along.'
Cause you're my everything.
Yeah, yeah
So, la, la, la, la, la, la, la
So, la, la, la, la, la, la, la
quinta-feira, fevereiro 10, 2011
Vapor de água
Enquanto ontem a água quente do chuveiro escorria sobre mim e se formava à minha volta o meu nevoeiro privado, certezas saiam para o ar através dos meus lábios em direcção aos azulejos. E sim, confirmei-lhes as certezas que tinha, que tenho. Mas eles devolveram-me a pergunta fria da sua superfície: sabes que decidiste ir... mas para onde? Não sei. Não sei e agora não me interessa porque decidi ir e isso é o que marca esta noite de banho quente. "Resolvi fazer-me à vida..." dançavam as letras escritas a vapor, "resolvi fazer-me à vida...".
É tão mais fácil quando nos convencemos que tudo tem um sentido, um propósito. Mesmo que não saibamos qual é, é tão mais fácil aceitar que nada acontece por acaso e que tudo encerra em si algo de positivo, até os maiores monstros da memória. Iliba-nos de pensar, dá-nos autorização para ficar quietos e esperar que o que tem que acontecer aconteça. É tão mais fácil mas só às vezes é que sabe bem. De resto, o sabor é estranho, indefinido, amargo. E como eu detesto o amargo...
Mas decidi algumas decisões. Nada de fundamental para a humanidade, nem mesmo para a minha, mas decidi. E pergunto-me se foi de facto necessário todo o caminho para chegar aqui... sim, convenço-me que sim porque não me quero ver como uma perda de tempo. Convenço-me e congratulo-me e acredito, sim acredito, que hoje não seria quem sou se não tivesse passado pela travessia. Digo "passado" por ela porque não sinto que tenha sido eu a decidir fazê-lo mas sim ela que se foi atravessando à minha frente. A travessia atravessou-se, foi assim que foi.
Misturando sensações, como batido de fruta com água em vez de leite porque os meus têm que ser assim, e esperando que o resultado seja... no mínimo, comestível. Porque são as minhas, as dos outros, as que julgo que os outros têm, as que gostaria de ver, as que gostaria de sentir. Demasiados ingredientes para que saia alguma coisa de jeito daqui, é essa a verdade. Mas a tudo a alma se habitua e, às tantas, já não é nada de sólido ou pesado, simplesmente paira à minha volta, como o nevoeiro particular, que é meu, que faz parte de mim, que é assim talvez porque tenha que ser, que é enquanto for.
É quinta, já é quinta-feira.
quarta-feira, fevereiro 09, 2011
terça-feira, fevereiro 08, 2011
Mais vale sorrir!
Mas, claro, lá acabei por chegar... e quando cheguei sorri para dentro e para fora porque não há mesmo mais nada a fazer.
Foi apanhado, essa é que é essa. Foi apanhado numa "esparrela" e não gostou. Foi apanhado e fui EU que o apanhei, ainda por cima com mais gente a assistir. Não pensou, não deu conta que tinha feito asneira e quando percebeu... também já eu tinha percebido e isso deixou-o lixado! Ou melhor, percebeu quando EU me manifestei. E pior do que assumir um erro, é assumir um erro que EU apontei. Portanto, qual foi a escolha? Não assumir, claro. Não ali, não naquele momento, não estando-o EU a pôr em xeque.
Sorri porque não há mesmo mais nada a fazer. Sorri porque penso que ficou claro para todos o que se tinha passado. Sorri porque a situação me caiu sobre o colo sem que eu tivesse que fazer nada para a provocar. Sorri porque se "enterrou" sozinho. E sorri porque, confesso, me deu um certo gozo... ;)
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
"Another year"
sábado, fevereiro 05, 2011
E lá nos "despedimos"...
Dançámos, dançámos, dançámos; pulámos e pulámos e pulámos; e rimos, rimos muito, rimos até às lágrimas! E no fim, a última música, no rádio já ao pé de casa, foi escolhida por ti, directamente para mim, e foi com ela nos ouvidos e no sorriso que meti a chave à porta.
Foi bom. Foi mesmo muito bom.
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
Vai e volta
Falávamos, no outro dia, eu e a V.. Falávamos desse brilho e do queixo levantado com que se deve encarar a vida, da abertura de espírito, da sede de receber. Falávamos, assim, de um passado, saudosistas, até. Tentei explicar o que muda, como muda, porque é que muda. E, em silêncio, combinámos que havia de mudar outra vez.
Frase do dia
Ivy Baker Priest
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
Da lavadeira ao porco, do porco ao bêbedo de karaoke
Vai daí, optei. Optei pela minha sanidade conseguida através da loucura temporária. E até foi giro.
Depois, voltei para o cantinho de sempre. Encontro tudo calmo, estranhamente calmo, todos armados com auriculares ou concentrados no computador...! E até a "bailarina" da frente e o seu partenére "descanso-de-pés-chiante" primam pela ausência! Boa, pode ser que consiga afinal descansar a cabeça...
Mas, de repente, começo a notar que o silêncio é, por vezes, quebrado por um som estranho, muito estranho, às vezes estridente, às vezes gutural, desconexo, daqueles que nos fazem franzir a cara e correr a tapar os ouvidos tal a má disposição que causa, que nem parece deste mundo, quase alienígena! "Meus Deuses, mas será?? Estamos a ser atacados como os filmes de Hollywood sempre previram? É desta que seres de outros mundos me caçam e me transformam, sei lá... numa morcela de arroz ou assim?!?". Parei o que estava a fazer e a medo espreito por cima do monitor na direcção de onde me parecia vir o som maligno. Continuava tudo com phones... a trabalhar... ninguém se tinha ainda apercebido do ataque iminente! Resolvo levantar-me para dar o alerta "Caramba, são meus colegas! Olha, que se lixe, ponho em perigo a própria vida mas ao menos tento salvar alguém!" e eis senão quando dou de caras com o dito ruído estranho mas desta vez trazendo atrás de si uma boca... uma boca, um nariz, uns olhos e os phones também... tudo humano.
Volto a sentar-me, recomponho-me do susto e penso: Ooookkkk... afinal não há razão para medos... afinal é só uma colega a acompanhar com voz (ela diria "cantar") o que soa nos seus ouvidos...!
Pois... é... e é francamente melhor...
quarta-feira, fevereiro 02, 2011
Decisões
Porque me faz viajar até ao dia em que, a sorrir, comentaste "isto está muito bem feito!"
If the night turned cold
And the stars looked down
And you hug yourself
On the cold cold ground
You wake the morning
In a stranger's coat
No-one would you see
You ask yourself, 'Who'd watch for me?'
My only friend, who could it be?
It's hard to say it
I hate to say it
But it's probably me
When your belly's empty
And the hunger's so real
And you're too proud to beg
And too dumb to steal
You search the city
For your only friend
No-one would you see
You ask yourself, Who'll Watch For Me?'
A solitary voice to speak out and set me free
I hate to say it
I hate to say it
But it's probably me
You're not the easiest person I ever got to know
And it's hard for us both to let our feelings show
Some would say I should let you go your way
You'll only make me cry
If there's one guy, just one guy
Who'd lay down his life for you and die
It's hard to say it
I hate to say it
But it's probably me
When the world's gone crazy, and it makes no sense
And there's only one voice that comes to your defence
And the jury's out
And your eyes search the room
And one friendly face is all you need to see
If there's one guy, just one guy
Who'd lay down his life for you and die
I hate to say it
I hate to say it
But it's probably me
I hate to say it
I hate to say
But it's probably me
I hate to say it
I hate to say
But it's probably me
I hate to say it
I hate to say
But it's probably me
terça-feira, fevereiro 01, 2011
So long, farewell, auf wiedersehen, goodbye...!
Técnicas de venda
Dancing pig
Agora... o que fazer quando a "bailarina" mais próxima usa o descanso dos pés para, de forma nervosa e frenética e "pouco oleada", ir marcando o ritmo e dando os seus passinhos de dança sentada?! Quem entre aqui desprevenido, convence-se, certamente, de que tenho um porco excitado a viver debaixo da mesa do lado...
segunda-feira, janeiro 31, 2011
Porque, às vezes, é tarde demais. Porque, outras vezes, nunca é.
I'm holding on your rope
Got me ten feet off the ground
And I'm hearing what you say
But I just can't make a sound
You tell me that you need me
Then you go and cut me down
But wait, you tell me that you're sorry
Didn't think I'd turn around and say...
That it's too late to apologize, it's too late
I said it's too late to apologize, it's too late
I'd take another chance, take a fall,
Take a shot for you
I need you like a heart needs a beat
(But it's nothing new)
Yeah yeah
I loved you with a fire red, now it's turning blue
And you say sorry
Like the angel heaven let me think was you
But I'm afraid...
It's too late to apologize, it's too late
I said it's too late to apologize, it's too late
It's too late to apologize, it's too late
I said it's too late to apologize, it's too late
I said it's too late to apologize, yeah
I said it's too late to apologize, yeah
I'm holding on your rope
Got me ten feet off the ground...
É tudo "biseness!
... ando-me a sentir uma verdadeira mulher de negócios!
sábado, janeiro 29, 2011
A tartaruga que depois se transforma numa retroescavadora com raios laser que também serve para poste de iluminação!!
Pois... pelos vistos, sermos SÓ nós já não tem piada nenhuma...
sexta-feira, janeiro 28, 2011
Porque é absolutamente maravilhoso alguém escrever assim...
Perfil
quinta-feira, janeiro 27, 2011
Mensagem de uma das "minhas"...
Se fores agressiva as tuas amigas, perdoam;
Se fores egoísta as tuas amigas, perdoam;
Agora experimenta ser magra e linda...
'Tás f.....!
"É o facies, é o facies..."
Nessa altura vi, com olhos de ver. Nessa altura, tive finalmente tempo e cabeça para observar quem se encontrava à minha frente. Uma mulher, de cinquenta e alguns, de mãos nos bolsos do grosso casaco comprido. Sem mala. Percebi pela conversa que morava na zona, deduzi por isso que, sendo "vizinha", saiu só com as chaves de casa com a promessa de um "vou ali e já volto". Incomodou-me. Parece estúpido mas incomodou-me ver o meu imóvel ser tratado como a mercearia da esquina, à qual a visita não merece mais do que umas mãos nos bolsos. Vá lá, não veio de chinelos...
Expedita, fez perguntas praticamente ignorando o intermediário enquanto me informava que queria uma casa para depois alugar dando-me também a entender que a exigência era relativa visto que não era ela que ia lá morar. Irritou-me. E aqui já não acho estúpido que me tenha irritado. Irritou-me ser tratada como dona de imóvel de 2ª, dona de imóvel "para quem é, bacalhau basta". E percebi claramente que estava perante alguém, de mãos nos bolsos e não de chinelos por mero acaso... se calhar tinha acabado de vir da rua e não lhe apeteceu mudar, se calhar os chinelos não agasalhavam o pézinho o suficiente tendo em conta o frio que estava... em todo o caso, alguém que não percebe que há comentários que até podem ser a mais pura das verdades mas que não se fazem.
A conversa prossegue, e enquanto me confirma que sim, gostou muito e até pode estar interessada, permite-me que a observe mais um pouco. Loura, não excessivamente, mas de um louro que não me agrada não sei bem porquê, a condizer com as pulseiras douradas, umas quantas a chocalhar. E as mãos continuavam nos bolsos. Arranjada, um pouco demais para o meu gosto, mas havia ali qualquer coisa que não jogava... o que é que não joga aqui... o que é que não joga aqui...? E, de repente, fez-se luz! Comecei por reparar no que dizia e como, a ouvir a sério, a perceber pequenas nuances revelando ali muita leitura de cabeleireiro mas pouco mais e, voilá!, olhei-a de frente e percebi: era o facies, como dizia o meu pai, era o facies. A cara, a expressão facial denuncia até um mudo, essa é que é essa. E assim lhe tirei a pinta.
No entanto, não me querendo apressar em julgamentos, esperei mais um pouco, deixei que a cena prosseguisse e eis senão quando, a senhora de mãos nos bolsos e não chinelos mas só por acaso, avança sem medos e "espeta-me" com uma proposta "porque eu vou directa ao assunto, que é mesmo assim". O mediador estava a um canto, tentando interferir quando podia, tentando, lá está, mediar!, mas sem grande sucesso. E eu sorri calmamente, sorri porque sou educada e sorri porque a proposta era idiota e aquela fulana devia achar que estava a lidar com uma miúda, desesperada por vender, não habituada a lidar com "velhas raposas" como ela devia achar que era. Pois sim... De velha tinha alguma coisa, é certo, de raposa nem por isso...
E eu... bom, eu disse simplesmente que iria pensar e que depois comunicaria a minha decisão ao profissional do ramo. Ponto final, parágrafo.
O dito foi-me dizendo, quase só por gestos, que já me ligava e quando efectivamente ligou ajudou-me a compôr o quadro final. Muito dinheiro para aplicar, estava até a pensar em comprar não um mas dois imóveis para alugar, que ia ver mais, que até havia outro mais novo e mais barato e por isso tinha feito aquela proposta. Sim senhor, pois concerteza mas a minha posição é esta. "Sabe... não tenho pressa, outras propostas aparecerão certamente por isso, não se preocupe que eu também não."
E assim ficou o caso arrumado.
quarta-feira, janeiro 26, 2011
(Des) Coordenadas
As muitas perguntas, a única resposta
terça-feira, janeiro 25, 2011
Porque hoje ouvi por acaso e já nem me lembrava o quanto gostava dela
Duran Duran
Came in from a rainy Thursday
On the avenue
Thought I heard you talking softly
I turned on the lights, the TV
And the radio
Still I can't escape the ghost of you
What has happened to it all?
Crazy, some are saying
Where is the life that I recognize?
Gone away
But I won't cry for yesterday
There's an ordinary world
Somehow I have to find
And as I try to make my way
To the ordinary world
I will learn to survive
Passion or coincidence
Once prompted you to say
"Pride will tear us both apart"
Well now pride's gone out the window
Cross the rooftops
Run away
Left me in the vacuum of my heart
What is happening to me?
Crazy, some'd say
Where is my friend when I need you most?
Gone away
But I won't cry for yesterday
There's an ordinary world
Somehow I have to find
And as I try to make my way
To the ordinary world
I will learn to survive
Papers in the roadside
Tell of suffering and greed
Here today, forgot tomorrow
Ooh, here besides the news
Of holy war and holy need
Ours is just a little sorrowed talk
And I don't cry for yesterday
There's an ordinary world
Somehow I have to find
And as I try to make my way
To the ordinary world
I will learn to survive
Every one
Is my world, I will learn to survive
Any one
Is my world, I will learn to survive
Any one
Is my world
Every one
Is my world
Sapos
segunda-feira, janeiro 24, 2011
Elogio ao amor
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Miguel Esteves Cardoso
E não é que já não me surpreendo..?
... que é...? Nããã... deixe estar, acho que não quero saber...
Tempos
sexta-feira, janeiro 21, 2011
quinta-feira, janeiro 20, 2011
"Are we human or are we dancers? "
quarta-feira, janeiro 19, 2011
"Pilatando"
terça-feira, janeiro 18, 2011
José e Pilar
Recaída
Por isso, modestamente e pela mais pura das necessidades!, lá enfiei no saco uns quantos acessórios, mais uma calças para o Pilates e mais um mimos da BodyShop...
... porque a saúde mental também é muito importante! E pronto, tenho dito!
segunda-feira, janeiro 17, 2011
Dialogando
Há dias assim, de torpor mental ao qual a dureza do maxilar não é indiferente. Mastigo assim em seco, pressiono em seco e o resultado é apenas mais compressão e nenhuma resolução. Como conseguimos perder tanto tempo com aquilo que não nos leva a lugar nenhum...
Necessidade de ir virando páginas, lá está, necessidade de ler o que está escrito nas próximas linhas "porque se não o fizer, não sai do mesmo lugar". É verdade... e eu que nunca fui de ficar muito tempo no mesmo sítio... "mas já andou muito, nota-se perfeitamente". Ainda bem, significa que afinal pago por alguma coisa. Mas... e agora? "Agora viva!". Mas, não entende que não sei como? Quer dizer, sabia o que era viver na vida passada, nesta ainda não sei. Foi tudo muito rápido, e simultaneamente muito devagar, houve ventos que me atropelaram, outros que me impediram de sair do lugar, houve muitos sonhos, muitos!, muitas compressões de maxilar e não só, e quase à pancada parte da minha massa moldou-se numa outra coisa que eu ainda não sei bem o que é. E eu só consigo ainda reconhecer quem era antes, entende...? Não? Um bocadinho, ok, já não é mau. Mas, sabe, o mais difícil mesmo é conjugar o novo e o velho, quem sou e quem era. Pareço uma manta de retalhos on the making, ainda não percebi qual vai ser a minha forma final. E, no entanto, quero, quero coisas, sentimentos, sei bem quais, quero, quero e volto a querer, quero aquilo que me parece bem só que à luz da outra "encarnação"... faço-me entender? Sim? Ok, boa...
Sim, tem razão, tem toda a razão, quero e não quero ao mesmo tempo... Avanço e fugo, corro e volto para trás, falo alto e remeto-me ao silêncio logo a seguir. Exteriorizo para depois interiorizar, dou-me ao dia para depois ansiar recolher-me ao meu casulo e ficar quieta, sozinha, sem falar nem ouvir, sem nada à volta, metida no meu chão.
É isto, não é? É, pois, claro que é. Parece muita coisa, não é verdade? Mas o resultado é mesmo quase nada...
domingo, janeiro 16, 2011
Marvila's eighties
sexta-feira, janeiro 14, 2011
Time out
Falámos sobre parar o tempo, congelá-lo, travar o mundo e o seguimento dos dias. Para fazer um intervalo, uma interrupção na emissão que nos permitisse parar e pensar, recostarmo-nos de chá quente na mão, respirar fundo e organizar o pensamento e os sentimentos. Para ter tempo, mais tempo, porque o tempo normal não nos chega ou nós não somos céleres e eficientes o bastante. Enquanto isso, o resto da vida não corria, ficava suspensa até novas ordens. Retirávamo-nos de cena e o cenário ficava inalterado à nossa espera. Falámos sobre parar o tempo...
Pássaros
Somos culpados pelo que fazemos,
Podemos prometer atos
Atos são pássaros engailoados,
Mário Quintana
quinta-feira, janeiro 13, 2011
Frase do dia
Luís Fernando Verissímo
Miopias
Depois, inevitavelmente, saio da névoa e volto à realidade. E à consequente necessidade de "iluminação", esclarecimento... e assim de repente concluo que, no fundo, no fundo, saio de um nevoeiro e entro noutro... mas que seja. A verdade é que já foi muito mais denso e assustador, parece agora mais límpido, mostra-me o que me rodeia com mais nitidez. Só que um pequeno pormenor inviabiliza que se considere este aparente aumento de visibilidade um ponto a mais na escala das melhorias. Vejo, é certo, vejo melhor mas... vejo o quê?
quarta-feira, janeiro 12, 2011
Blackout
Sou exemplo disso. Orgulho-me de julgar que aprendo sempre com os meus erros. Admito, no entanto, que essa aprendizagem me leva, a maior parte das vezes, a reconhecer quando "meto a pata na poça" mas não necessariamente a agir em conformidade, pelo menos, não imediatamente. Preciso de tempo para a assimilar e, mais do que tudo, para deixar que ela me passe a fazer sentido, se entranhe na minha massa. Se bem que sou resistente, essa é a verdade, resistentemente burra e teimosa, o que torna tudo mais difícil...
Só que comecei a reparar, desde há uns tempos para cá, e em relação a algumas pessoas em particular, que acabei por, um pouco sem dar conta, operar uma mudança no meu resistente e burro e teimoso ser. Tomei uma decisão mas, bem mais do que isso, assumi a forma dessa decisão no meu comportamento e na minha postura. Não foi coisa de um dia me levantar e decidir assim ou assado, não senhor, foi um processo. Um dia aqui, uma desilusão acolá, uma atitude da qual não estava à espera dali, um conjunto de pequenas coisinhas que foi enchendo o meu saco de restos e empecilhos e que se começou a tornar incómodo. Esperneei quando tive que espernear, barafustei, manifestei-me, revoltei-me, zanguei-me. E, um dia... parei. Olhei para mim, olhei para essas pessoas, olhei para os factos, olhei para a minha vida e, de repente, tudo o que me incomodava, as atitudes de que não gostei, os seres em causa, em comparação com tanto mais que há no "meu" mundo, tornaram-se pequeninos, mesquinhos, ridículos até, e a sua pequenez ou a pequenez a que os reduzi acabou por me fazer seguir um caminho diferente, estranho para mim, um caminho que me levou a remeter ao silêncio, vejam só...
Pus-me então a pensar: convenhamos, eu raramente me remeto ao silêncio, essa é que é a verdade... Bem ou mal, tenho sempre alguma coisa a dizer. Sou rapariga que "diz", que "fala", que se "manifesta", sendo até acusada de abusar do direito que todos temos à manifestação verbal. Portanto, o que se passou? Concluí que a minha mudança de atitude só podia ter uma razão de ser: calei-me porque não me apetecia mais falar. Tão simples como isto... Calei-me porque deixei de acreditar que valesse a pena dizer alguma coisa, porque deixou de me apetecer lutar por aquelas causas. Não por me parecem perdidas, porque também não sou moça de não tentar 89568742 mil milhões de vezes antes de dar como perdida alguma batalha, e até nem tinha sido o caso... Não. Calei-me porque aquelas pessoas ou aqueles problemas ou empecilhos deixaram de ter importância ou relevância para mim. Calei-me porque analisei a minha vida, olhei para o que sou, quem sou, o que tenho e concluí que tudo isso é muito, mas muito mais importante. Sendo assim, para quê perder o meu tempo e energia?
Eu, a tagarela, a contestatária, a chica-esperta, a refilona... calei-me. E sabem que mais? Continuo calada. Não nos iludamos, continuo a ter o que dizer, a minha inteligência e o meu sentido crítico aqui permanecem, vivinhos da silva e de boa saúde, muito obrigado, mas, sim, calei-me e continuo calada.
E não é que me sabe bem o silêncio...?!
Uma questão de química
(Respira, respira, acalma-te... crises de ansiedade sobre algo que não podes controlar, que está fora de ti não te levam a lado nenhum e mais, não te permitem ajudar da forma como deves. Sim, apetece-te gritar, dar uns valentes murros na mesa, uns quantos puxões de orelhas e dizer umas quantas verdades bem direitinhas ao alvo, como sabes tão bem fazer. Mas... será a melhor estratégia? Não sei. Por isso, e como aprendi que "quando não se sabe o que se há-de fazer, o melhor é não fazer nada", espera, acalma a respiração, pensa, pondera. A altura chegará em que hás-de ter que agir e então, com a situação cara-a-cara, logo vês o que podes e como o deves fazer. Até lá, respira e escreve...)
No outro dia falávamos e ela perguntou:
- Mas porque não tentas pensar em coisas boas antes de adormecer?
- Eu até penso... quando as há...!
Desatámos a rir da irritante e desconcertante objectividade da resposta. Mas, apesar de tudo, eu, a autora irritantemente e desconcertantemente objectiva, resolvi tentar o que me foi sugerido.
Deitei a cabeça na almofada, ajeitei-me de forma a estar confortável e preparei-me para o exercício positivo. Dois segundos depois concluo que não escolhi uma boa noite: a cabeça a latejar há horas turva, necessariamente, qualquer positivimismo. Ondas a varrer a cabeça como se originadas pelos impactos consecutivos de uma marreta deitam por terra qualquer esgar de sentimento aprazível que possa surgir ao fundo do túnel. E como já tinha decidido não tomar nenhum medicamento porque senão passava a vida a fazê-lo ("tem que andar sempre com um antiestamínico atrás, é assim, não tem outro remédio, e também convém fazer tratamentos regulares de água do mar...", sim, Dr. R., eu sei disso tudo...), as marretadas continuavam a ressoar... Depois, outro pequenino problema a atrapalhar a concentração. Antes que a minha mente se disponha a atravessar prados verdejantes e nuvens branquinhas, convém tratar de um certo maxilar comprimido. É curioso mas não necessariamente positivo perceber que se calhar sempre fui rapariga de comprimir maxilares. Só que agora, a consciencialização da existência desta... vá, mania!, parece até dar mais força à compressão... e como não me faltava mais nada... Ok, relaxa, distende os músculos, comanda os dentes para que não se toquem... vá, façam-me lá o jeito... não tocar... não tocar... grunf, em mim até os dentes têm personalidade, que treta!
Bom, a dor de cabeça está lá, mais vale admiti-la e jogar com ela. Quando os maxilares me pareceram finalmente dispostos a colaborar, lá me tentei dedicar às paisagens de mar e ondas calminhas, areia branca e sol quente na pele... Até que... um ruído, um ruído estranho, incómodo, irritante, que dá voltade de atacar quem ousa produzi-lo justamente quando consigo dedicar-me ao meu propósito! Mas que raio de coisa vem a ser esta?!?
... era o despertador... e eram também horas de levantar...
Ah, pois é... depois de tanto tempo a preparar o corpo e a mente para o relaxamento interior e para a tentativa de manipulação de sonhos que daí adviessem, as drogas ganharam a corrida...
terça-feira, janeiro 11, 2011
Borboletas
As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem gosta de você. O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!"
Mário Quintana
Porque este tipo tem um vozeirão e eu adoro vozeirões!
I remember one moment, I tried to forget
I lost myself, is it better not said
Now I'm closer to the edge
It was a thousand to one
And a million to two
Time to go down in flames and I'm taking you
Closer to the edge
No, I'm not saying I'm sorry
One day maybe we'll meet again
No, I'm not saying I'm sorry
One day maybe we'll meet again
NO NO NO NO
Can can can you imagine a time when the truth ran free
The birth of a song and the death of a dream
Closer to the edge
This never ending story
Paid for with pride and fate
We all fall short of glory
LOST IN OUR FATE
No, I'm not saying I'm sorry
One day maybe we'll meet again
No, I'm not saying I'm sorry
One day maybe we'll meet again
NO NO NO NO
NO NO NO NO
I will never forget
NO NO
I will never regret
NO NO
I WILL LIVE MY LIFE
NO NO NO NO
I will never forget
NO NO
I will never regret
NO NO
I WILL LIVE MY LIFE
No, I'm not saying I'm sorry
One day maybe we'll meet again
NO NO
No, I'm not saying I'm sorry
One day maybe we'll meet again
NO NO NO NO
Closer to the edge
Closer to the edge
NO NO NO NO
Closer to the edge
Closer to the edge
NO NO NO NO
Closer to the edge
segunda-feira, janeiro 10, 2011
Constatação #30
Pecado capital
Tenho inveja das pessoas simples. Aquela simplicidade de alma que lhes permite aproveitar o que a vida lhes dá, por mais pequeno que seja. A simplicidade de não quererem mais do que têm, se viverem os momentos como eles são, se não quererem contrariar as demandas do Universo. São pessoas leves, que se deixam levar pelos ciclos do planeta em vez de os tentar desviar. Não sofrem dos males do atrito, não andam aos encontrões. Não querem muito porque muito já é o que têm, recebem e dão, dão-se sem mais nada, pelo simples prazer de dar. "Mas não vivem grandes emoções..." dizem os arrevesados de feitio. Mas o que vocês não percebem, cara comunidade arrevesada, é que é justamente assim que encontram a sua doçura na vida, trabalhando as emoções em doses homeopáticas. Não necessitam do nosso enfartamento, da barriga cheia até não poder mais. O seu coração palpita mais devagar e alimentando essa cadência simples e branda sentem-se completos. Tenho inveja das pessoas descomplicadas, suaves ao toque, doces e pouco exigentes, com quem é sempre fácil lidar e que lidam bem com toda a gente. Que não deixam que as suas questões as levem ao ponto de ruptura consigo mesmas ou se sobreponham à crença de que tudo irá ficar bem. Tenho inveja das pessoas que têm sempre esperança mesmo quando o mundo ao seu redor parece ruir e que encaram essa ruína com o sorriso de quem acredita que de tudo se pode tirar algo de positivo. Tenho inveja das pessoas que aceitam.
No fundo, tenho inveja das pessoas que não têm inveja.
sexta-feira, janeiro 07, 2011
Verde
O open space, a irresponsabilidade e a estupidez humana, os azares ou... estou a dar em doida não tarda nada!
quinta-feira, janeiro 06, 2011
No meu elemento
E assim, volto ao palco, em forma de sala de reuniões, assumindo a minha personagem e às vezes até as dos outros quando estes se perdiam no meio dos risos e dos bloqueios.
E assim, volto ao prazer de viver outras vidas, de sair de mim e dar vida à ficção, de sentir outras almas.
E assim, volto a sentir que, na minha vida, a minha actividade principal é, afinal, o que resta, o resto.
Porque assim, volto à maior parte de mim. E que saudades eu tinha dela...
quarta-feira, janeiro 05, 2011
Porque me fez pensar
I remember when, I remember,
There was something so pleasant about that place.
Even your emotions had an echo
In so much space
And when you're out there
Without care,
Yeah, I was out of touch
But it wasn't because I didn't know enough
I just knew too much
Does that make me crazy?
Does that make me crazy?
Does that make me crazy?
Possibly
And I hope that you are having the time of your life
But think twice,
that's my only advice
Come on now,
who do you, who do you, who do you,
who do you think you are,
Ha ha ha bless your soul
You really think you're in control
Well...
I think you're crazy
I think you're crazy
I think you're crazy
Just like me
My heroes had the heart to lose their lives out on a limb
And all I remember is thinking,
I want to be like them
Ever since I was little,
ever since I was little it looked like fun
And it's no coincidence I've come
And I can die when I'm done
Maybe I'm crazy
Maybe you're crazy
Maybe we're crazy
Probably
terça-feira, janeiro 04, 2011
Preces
Peço, mas não sei a quem. A Deus, à Natureza, a Alá, ao Universo, a ti, a mim. Peço mas não sei a quem dirijo as minhas mãos fechadas, os meus dedos cruzados, fincados uns nos outros, não sei quem me observa quando olho para o céu. Peço, acreditando em tudo e não acreditando em nada em simultâneo. Mas mesmo assim, peço. Porque já chega.
segunda-feira, janeiro 03, 2011
Frase do dia (e de início de ano!)
"Entrar, já entrámos. Agora é só sair!"
As doze passas, essas, ficaram pelo caminho. Porque eram gordas demais, porque me enjoa "embatucar" uma mão cheia delas de uma vez, porque não tenho doze desejos e acabo por me repetir. Portanto, comi três, pedi três e o espaço que as restantes deixaram foi preenchido com champanhe. Não sei se dá sorte mas que sabe bem melhor, ai isso sabe!
O resto foi passando. Com balões coloridos, chapéus e óculos porque tinha que haver um tema e este era simples e divertido o suficiente, comida e bebida (no meu caso pouco mais do que vodka black), com conversas estendidas em almofadões no chão onde decidimos rejeitar a carga e responsabilidade que um ano novo carrega e por isso, para nós, aquela era uma noite de amigos e copos e pronto.
O resto foi passando, passou, e cá estamos, prontos ou não, para iniciar mais uma caminhada.

















