Ontem combinámos que a frase de 2011 só podia ser uma:
"'Tou cheia de m'óbiiiire!!"
não é dada pelos ponteiros do relógio nem pela posição do sol... simplesmente sente-se... quando, de repente, faz sentido.
quinta-feira, maio 05, 2011
quarta-feira, maio 04, 2011
O sonho
"Sonhe com aquilo que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem nos seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se magoam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passaram pelas suas vidas."
by Clarice Lispector
terça-feira, maio 03, 2011
Vocabulário
Hipocrisia:
(grego hupokrisía, -as, desempenho de um papel)s. f.
1. Fingimento de bondade de ideias ou de opiniões apreciáveis.
2. Devoção fingida.
2. Devoção fingida.
E eu vou mais além e acrescento à hipocrisia um pormenor que torna tudo ainda mais torpe: selectiva. Tudo o que está em cima mas só à frente de quem lhe interessa impressionar ou junto de quem quer manter determinada imagem. Comigo, não finge, não dissimula, é o que é. Comigo, a máscara cai e não é por acaso. Comigo, não existe vergonha, pudor em mostrar a sua verdadeira natureza. Comigo, a escolha é sempre a mais indecente.
Sinais da crise?
Na rua, rapariga toda modernaça, de uns vinte e qualquer coisa:
- Boa tarde, peço desculpa, não me vendia um cigarrinho?
Para a próxima, cobro... ;)
segunda-feira, maio 02, 2011
Malas de porão
Macerando ideias. Tentando organizar os diferentes pensamentos e sensações que vagueiam pelo meu cérebro. As revelações, as ligações, o amor que nos une, o amor verdadeiro, aquele que subsiste quando todos os outros caiem. Temos sorte, nós as seis, temos muita sorte. Tão diferentes, as pessoas, as histórias de vida, tão iguais, afinal, quando trocamos olhares e brindamos a mais qualquer coisa que é nossa, muito nossa, de cada uma, de todas em conjunto. E o refúgio, perdida do meio do verde, esperando não sei o quê que nunca vem. Como se estivesse ali a resposta. "Hás-de encontrar o teu equilíbrio", diz ele enquanto me abraça. E é a maior ternura do mundo. Porque diz e sente e acredita e deseja-o para mim mesmo que, no momento em que eu o encontre, o abraço não esteja presente. Aperto a mão com força na tentativa de me sentir mais próxima, de te sentir ali, de não estar sozinha. Abraço o ar apertando-o contra mim tentando agarrar o que não se vê. Tenho que acreditar, tenho que acreditar. " O que a prende é a sua necessidade de entender. Tem que aceitar que nem tudo tem uma explicação...". E assim me sento no baú do sentir, mesmo estando o seu interior a abarrotar, com pontas e meios de fora, abarcando mais do que consegue suportar, muito mais. Mas é preciso. Sento-me com todas as minhas forças esperando conseguir amarfanhar o seu volume, pressioná-lo no seu interior de forma a que consiga deitar a mão aos fechos e una tampa e caixa de uma vez. A cara fechada enquanto ando, fechada no meu mundo, sim, querida A., também eu tenho o meu mundinho. Pontadas no coração de cada vez que, no meu mundo, percorro a memória de estradas já calcorreadas, de murros no estômago, de golpes, ainda hoje sentidos. Mesmo que não faça sentido. Pergunto "porquê" e odeio a resposta "porque é quem tu és". Porque não gosto, porque não sei, porque se misturam quem fui, quem achava que era, quem os outros vêem, quem não queria ter sido, quem não sei se vou ser. "Tem que se desculpar...", repete, "tem que se desculpar". O esforço para ultrapassar obstáculos e desatar nós, o esforço para deixar que a vida siga e me deixar seguir com ela. A cara fechada enquanto caminho. Os pensamentos circulares que tanto me levam ao abandono de mim como à certeza de que dei o que podia dar, que fiz o que sentia, que me abri a oportunidades, que as entreguei também. Inspiro fundo, deixo que o ar entre e me abra. E mais uma vez, eu e a minha bagagem, seguimos em frente.
domingo, maio 01, 2011
Because my "sissa" said it reminded her of me...
Let Her Cry
Hottie and the Blowfish
Hottie and the Blowfish
She sits alone by a lamppost
trying to find a thought that's escaped her mind
She says Dar's the one I love the most
but Stipe's not far behind
She never lets me in
only tell me where's she's been
when she's had too much to drink
I say that I don't care I just run my hands
through her dark hair and I pray to God
you gotta help me fly away
And just…
Let her cry…if the tears fall down like rain
Let her sing…if it eases all her pain
Let her go…let her walk right out on me
And if the sun comes up tomorrow
Let her be…let her be.
This morning I woke up alone
found a note by the phone
saying maybe I'll be back some day
I wanted to look for you
You walked in I didn't know just what to do
so I sat back down had a beer and felt sorry for myself.
(Chorus)
(Solo)
(Chorus)
Last night I tried to leave
She cried so much I just
could not believe
she was the same girl I
fell in love with long ago
She went in the back to
get high
I sat down on my couch
and cried
yelling oh mama please
help me
won't you hold my hand.
(Chorus)
(Chorus)
trying to find a thought that's escaped her mind
She says Dar's the one I love the most
but Stipe's not far behind
She never lets me in
only tell me where's she's been
when she's had too much to drink
I say that I don't care I just run my hands
through her dark hair and I pray to God
you gotta help me fly away
And just…
Let her cry…if the tears fall down like rain
Let her sing…if it eases all her pain
Let her go…let her walk right out on me
And if the sun comes up tomorrow
Let her be…let her be.
This morning I woke up alone
found a note by the phone
saying maybe I'll be back some day
I wanted to look for you
You walked in I didn't know just what to do
so I sat back down had a beer and felt sorry for myself.
(Chorus)
(Solo)
(Chorus)
Last night I tried to leave
She cried so much I just
could not believe
she was the same girl I
fell in love with long ago
She went in the back to
get high
I sat down on my couch
and cried
yelling oh mama please
help me
won't you hold my hand.
(Chorus)
(Chorus)
sábado, abril 30, 2011
sexta-feira, abril 29, 2011
Descomplicómetro
Ipad, iphone, tablets, galaxy, android, PDA, pocktet PC... mas que trampa! E que tal simplificar?? Se faz chamadas é telemóvel, o resto são "os outros", pronto!
O cúmulo nem sei de quê!
Pedido de colega de sala no intervalo dos seus próprios comentários sobre os chapéus, o protocolo, quem é quem, as fatiotas...
"Vá... não ponham a televisão mais alto que a T. está a trabalhar"
"Vá... não ponham a televisão mais alto que a T. está a trabalhar"
quinta-feira, abril 28, 2011
quarta-feira, abril 27, 2011
Karate kids
No meu refúgio do costume, cruzo-me com dois fulanos, na casa dos trinta, a fazer jogging.
Diz um deles para o outro:
- Eu entendo, pá, é natural, é mesmo assim. Precisas de um tempo para estar sozinho, para te curares, para lidares com a ressaca da coisa. Mas depois, amigo, depois é voltar à carga e zás!! (e a mão direita corta o ar em gesto karateca), ao ataque outra vez!
Mais uma moedinha, mais uma corrida..!
Tenho que rir, rir muito, rir com gosto, rir, rir porque é, sem dúvida, o melhor que faço.
Uma das coisas que mais me surpreende nas pessoas é a falta de sentido crítico. É uma espécie de cegueira que não se justifica a quem tem olhos. Como se tivessem colocado algures no cérebro uns óculos com um filtro esquisito que só as permitisse ver uma realidade velada, incompleta, deturpada, mesmo quando olham ao espelho. Ou então é o espelho que deturpa a imagem, já não sei.
Costuma-se dizer que é mais fácil conhecer os outros do que a nós mesmos. Se assim é, se esta dificuldade é real, também os outros nos conseguem ler melhor do que a si próprios, correcto? E sendo assim, talvez a sua opinião possa ser considerada um bom indicador do que não conseguimos ver em nós, não será? Pelos vistos não... pelo menos não para toda a gente...
Tenho que rir porque chega a ser ridículo. Tenho que rir porque as tentativas de se agarrar a alguma coisinha de nada já começam a denunciar-se como desesperadas. Tenho que rir porque é patético, infantil, pequenino, tão pequenino...
Pergunto-me muitas vezes "mas não me faltava mais nada, diabos!?". E já me consegui responder. Não é de mim que se trata, é dele. É a ele que falta alguma coisa e é ele que tem que atravessar a sua "floresta escura" para ver se aprende e evolui como ser humano.
Eu, eu sou apenas um obstáculo que se lhe atravessou no caminho para o tornar um bocadinho mais penoso. O azar dele é só um: é que eu sou filha do meu pai. Muito, mas mesmo muito, filha do senhor meu pai.
terça-feira, abril 26, 2011
Das coisas estúpidas que acontecem nas quais só pensamos... quando acontecem!
- Eerr... desculpe mas... acabou de me acontecer a coisa mais estúpida que possa imaginar!
- O quê? Perdeu o bilhete do parque, é isso?
- Não... o meu leitor de CDs "comeu-o"!
- Ah, isso também acontece muitas vezes. Deixe estar, dou-lhe já outro.
E porque é que o bilhete do parque estava no leitor de CDs? Por uma razão perfeitamente plausível! Porque é uma ranhura muito simpática para ter o dito ali à mão até chegar à cancela! Lógico! E pronto, não digo mais nada!
- O quê? Perdeu o bilhete do parque, é isso?
- Não... o meu leitor de CDs "comeu-o"!
- Ah, isso também acontece muitas vezes. Deixe estar, dou-lhe já outro.
E porque é que o bilhete do parque estava no leitor de CDs? Por uma razão perfeitamente plausível! Porque é uma ranhura muito simpática para ter o dito ali à mão até chegar à cancela! Lógico! E pronto, não digo mais nada!
Dia não
Odeio segundas-feiras. E odeio dias como este que não são segundas-feiras mas que incham de orgulho por, de vez em quando, poderem "posar" como tal. Porque estes dias, segundas-feiras e "dias-armados-em", parecem tirar prazer de me poder atirar à cara que não!, não posso fazer o que quero como quero. É a obrigatoriedade que me lixa, o "tem que ser porque sim". Não gosto de imposições, de amarras, de ser movida pelas contas a bater à porta no final do mês. Se ganhasse o euromilhões deixava de trabalhar? Não! Nem pensar! Tenho demasiada energia para ficar quieta, acredito que "parar é morrer" e que "o trabalho dignifica o homem", subscrevo inteiramente qualquer um deste conceitos. Seria útil, interessada, interventiva, tentaria fazer a diferença, evoluir como ser humano, dedicar-me a causas, estudar, estudar, produzir, contribuir de forma positiva para a sociedade. Crescer e fazê-la crescer comigo. Tentaria, pelo menos.
O defeito é, certamente, meu. Às vezes, tenho pena de não ser do tipo de pessoa que se satisfaz com o que tem, que faz das pequenas felicidades grandes razões para estar bem, que não pede mais do que aquilo que consegue obter, que dá graças aos céus simplesmente por não viver debaixo da ponte. Sou exigente. Comigo, com a minha vida. Sou muito exigente. Quero mais, quero melhor, quero tudo. É uma chatice...
quinta-feira, abril 21, 2011
quarta-feira, abril 20, 2011
Frase do dia
"Por favor, diga-me quem é e o que quer. E se pensa que estas são questões simples, tenha em mente que a maioria das pessoas vive as suas vidas inteiras sem chegar a uma resposta."
Gary Zukav
Gary Zukav
terça-feira, abril 19, 2011
Ressaca. Ou só uma desculpa esfarrapada para deitar conversa fora.
O dia tal como eu. Chove. Faz sol. Parece simples, não é? Nos dias do tempo, do tempo meteorológico, é simples, é assim, sucedem-se, o sol e a chuva, porque assim tem que ser. Simples.
Quase que me sentei no chão com a caixa redonda apertada entre as pernas em arco. Quase. Visualizei a cena, vi-me de cima para baixo, como se me dependurasse no tecto. A caixa sempre fechada, quase, quase pronta para ser aberta. No último segundo, recuava. Porque a caixa contém um poder adormecido que, ao ver a luz do dia, se escapa para fora do seu invólucro como névoa e envolve-nos. O poder das lembranças, das saudades que não têm fim, porque as saudades são assim, por definição, incompletas. Recuei. Tive medo. E a cena não passou além de uma imagem mental. "Não devemos tentar esquecer, devemos abraçar e guardar o que tem de bom." Mas é mais fácil pôr de lado...
Os olhos pregados no tecto, a noite mal dormida a insinuar-se, abro os braços ao ar e não sei o que faço. Sem me apetecer mexer, sair dali, absorta, sem vontade. E reparo que, se não tenho cuidado, me deixo cair, mais e mais, para dentro de mim, mais reclusa, mais solitária. "A sua alma está fechada, vê-se. Ainda não está disponível." Mas tenho saudades de mim assim.
As palavras e os gestos que ficam por terra. Não têm para onde ir. "Devemos dizer às pessoas quem são elas para nós, o quanto gostamos, o quanto as queremos. Devemos dizer porque não se sabe o dia de amanhã e o peso da palavra não dita pode ser insuportável."
On hold. "É extraordinária a capacidade que o ser humano tem que ficar suspenso."
E consigo ver-me mais autónoma, menos desamparada e disse que essa era a grande diferença. "Já viu? Talvez saia de tudo isto muito mais forte."
Em resumo, sou outra. Mas em resumo, acho que ainda tenho demasiado da mesma.
Frase do dia
"Quão desesperadamente difícil é ser honesto consigo mesmo. É muito mais fácil ser honesto com as outras pessoas."
Edward Benson
segunda-feira, abril 18, 2011
Um só dia, dois novos caminhos
Um, da minha existência. Outro, a nova CRIL.
O primeiro ainda está para se ver. Já o outro só tenho uma coisa a dizer: smooootthhhh....
O primeiro ainda está para se ver. Já o outro só tenho uma coisa a dizer: smooootthhhh....
domingo, abril 17, 2011
sexta-feira, abril 15, 2011
Argumentos
- Que me dizes de ir à praia amanhã? Eu sei que ainda estamos em Abril mas está tempo de Verão e diz que segunda-feira já piora...
- Boa ideia, vamos, vamos! Fiz a depilação esta semana, pá, tenho que a aproveitar!
- Boa ideia, vamos, vamos! Fiz a depilação esta semana, pá, tenho que a aproveitar!
quinta-feira, abril 14, 2011
Os buracos e as curas
"Solidão" por Francisco Buarque de Holanda
"Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma ..."
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma ..."
quarta-feira, abril 13, 2011
Sinais
Descobri, finalmente, quem são as duas colegas que estacionam nos lugares reservados a deficientes. Tenho que confessar que fiquei agradavelmente surpreendida... afinal de contas, nem toda a gente tem um tão elevado sentido de auto-crítica...
Trespassa-se!
Os comentários do cidadão comum às diversas notícias (estou a ser simpática, muitas não são, de facto, notícias. São opiniões de tudo quanto é cão e gato, previsões, suposições, enfim...) que todo o santo dia vão surgindo sobre o estado desta nossa nação, deixam-me com os nervos em franja!
Sim, a coisa está preta, sim, foi feita muita asneira e desconfio que ainda mais haverá a fazer, sim, há muita gente incompetente no país... tudo certíssimo! E o cidadão comum o que vai fazer quanto a isso, hein?? Vai votar ou vai para a praia? Vai participar de alguma forma? Vai dar o exemplo na sua própria casa e com a sua própria postura?? Ou vai continuar simplesmente a deitar abaixo anonimamente, a dizer que o país já não tem salvação? Ou vai afirmar com todas as letras, como ainda agora li, que "Portugal já não é viável" e pronto?
Portugal não é viável? Portugal não é viável??? E o dito anónimo sugere o quê, exactamente? Que fechemos as portas e que tentemos abrir negócio noutro lado, é isso?? E como é que isso se faz, já agora? A inteligência suprema, que está certamente mais que habituada a fechar países e a abrir outros, não me poderá esclarecer, não?
A sério, gente sem cérebro irrita-me... mas gente supostamente com cérebro e que não o utiliza provoca-me ganas assassinas!
Haja...!
"Saturno retrógrado pede um pouco mais de paciência com o tempo, pois os atrasos fazem parte deste momento. O melhor que tem a fazer é aliar-se a ele e deixar o controle de lado, pois nada do que fizer vai antecipá-lo."
Ahahahaa!! Brincalhões, estes astros...
Ahahahaa!! Brincalhões, estes astros...
terça-feira, abril 12, 2011
Os buracos e as almas
Gosto de acreditar que tudo tem uma razão de ser. É mais fácil, digere-se melhor a vida quando a imaginamos com um propósito maior. Gosto de pensar que não há coincidências; gosto de encarar as fases mais negras acreditando que é suposto que o nosso mundo se vire de cabeça para baixo; gosto de pensar que até elas, as fases de maior escuridão, servem para nos ensinar alguma coisa... se acredito ou não, é perfeitamente irrelevante. Gosto e pronto.
A verdade é que, na altura, nem me dei conta. Passou-me ao lado. Não me tocou de forma particularmente positiva mas, para ser franca, nem lhe prestei atenção. Foi apenas mais uma pedra, bem pequena por sinal, que se resolveu acomodar no meu sapato, nessa altura a abarrotar de pedregulhos acabadinhos de chegar e que ainda levariam muito, muito tempo até serem devidamente acomodados, se é que alguma vez ficarão. Uma pedrinha de nada, que se encostou ali a um cantinho e ali esteve quieta durante algum tempo. Ou pelo menos, assim o achei.
Não deixa de ser curioso como a sua chegada coincidiu com todas as outras... a impressão que me dá hoje é que, naquela fase, o céu permitiu que se abrisse em si um buraco negro, daqueles limitados no tempo, fenómeno passageiro e raro, que acontece uma vez em não sei quantos milhões de anos, buraco negro num pedaço de céu que dura apenas alguns segundos e que se fecha à mesma velocidade com que aparece. A questão é que, enquanto aberto, naquele preciso momento, naquele preciso local, pode ter a sorte de sugar algo para o seu interior. E eu, talvez estivesse no sítio errado, na altura errada, sem escudo protector que me permitisse não ser apanhada...
Lembro-me bem, não foi há tanto tempo assim. Durou um ano, talvez, não sei, um ano distribuído por dois, quase metades certas. Enredada em mim, lidando com dilemas interiores, praticamente ignorando que o mundo corria lá fora. Não o sentia. Os nós de marinheiro que me compunham iam-se apertando, da ponta dos pés às pontas do cabelo, tornavam-se cada vez mais cegos, mais rígidos, arrepanhando a coluna, arredondando-a, fazendo-me diminuir de tamanho e dobrar sobre mim própria. Tartaruga, caracol, debaixo da carapaça. Os meus dias corriam. Pesados, pareciam ter o triplo da duração, passavam de forma indolente e desinteressante, seca. Os dias reais passavam-me ao lado. Tinham luz, como todos os dias têm, mas eu não a via. Tinham gente, acontecimentos, mudanças de estação mas eu olhava para o outro lado, não deixava que nada disso me afectasse. Porque queria? Não, porque não vivia nele, no mundo exterior. Vivia no meu próprio mundo, ligando-me à vida que corria lá fora apenas e só quando não tinha forma de não o fazer, quando era obrigada.
E é aqui que o problema entra. Na vida exterior, secundária para mim durante tanto tempo. De vez em quando, o meu cérebro ligava-se à terra e assim ia "apanhando" no ar pequenas partículas que, por si só, não acarretavam relevância mas que, passado um tempo, olhando para o seu somatório, me fizerem compôr uma imagem mais completa do que estava à minha frente. Talvez tarde demais ou talvez apenas quando teve que ser.
Mas continuei a subestimá-la, essa é a verdade, dando-lhe a pouca importância que achei que tinha, para mim, para a minha vida, tendo em conta tudo o resto com que tinha que lidar. Continuei a subestimá-la convencida de que era uma daquelas coisas que mói mas não mata e que eu, dona da personalidade e carácter que me foram destinados aquando do meu nascimento e ao longo da minha criação, iria conseguir dar conta do recado. De mais esse recado. Sem medos, sem hesitações, com força e determinação, necessitando para isso apenas de usar a confiança de ser quem sou.
Hoje pergunto-me se deveria ter estado mais atenta. Hoje pergunto-me se poderia ter feito algo diferente. Concluo que não. Mesmo que tivesse enfrentado o "monstro" logo no início, admitindo o seu devido tamanho, acredito que estaria hoje exactamente onde estou. Não... minto. Estaria mais à frente, o choque frontal já se teria dado há mais tempo. E essa é a única diferença.
Porque as almas, essas, são o que são. Hoje, ontem, sempre. A minha e a outra.
A minha foi, em tempos, sugada para o buraco. A outra é composta por ele.
segunda-feira, abril 11, 2011
Perfil
Com um humor arrastado e nervoso, de dentes cerrados e suspiros de cabeça a abanar, de quem até vê o sol lindo que está hoje mas a quem só ocorre mandá-lo à m**** também!
... acho que é melhor ir arejar...
sexta-feira, abril 08, 2011
Aparvalhando
FMA - A!!! FME - E!! FMI - I!! FMO - O!! FMU - U!! Hurra, hurra! Xiribitatatata! Hurra, hurra!
(Ou isto ou choro... prefiro aparvalhar! Assim como assim, já é um território conhecido!)
(Ou isto ou choro... prefiro aparvalhar! Assim como assim, já é um território conhecido!)
quinta-feira, abril 07, 2011
Portugal é o país dos sósias!
No "Corredor do Poder" da RTP1, o representante do PCP podia ser perfeitamente o irmão gémeo perdido do Clark Kent! Nã fosse o sotaqui alentejâno e eu via perfeitamente o moço a rodopiar na cadêra do estúdio e a sair de lá ein vôo com uma capa vermêlha e brilhantina no cabêlo!! Ap, ap end auêííííí!!
quarta-feira, abril 06, 2011
Estatísticas
O meu ano mais produtivo aqui no postigo (que é de onde vem a palavra post, como todos devem saber) foi 2010.
O mês mais atarefado foi Outubro de 2009.
O que é que isto diz? Diz o que tem a dizer. Mais nada.
terça-feira, abril 05, 2011
Exercício mental ou "estou a ver que trabalhas mesmo no sítio certo!"
Não gosto de dias assim, de semanas assim, de horas assim. E desejava ardentemente deitar-me na marquesa, o único momento bom das odiosas segundas-feiras, que teimam em repetir-se todas as semanas, haverá certamente quem já as tenha considerado um dos maiores erros da humanidade, eu subscrevo, não sei quem se lembrou de as inventar mas sei que devia ser fuzilado em praça pública. Desejava, dizia eu, e lá me estendi ao comprido, com a linfa devidamente preparada para receber as mãos da D., com a cabeça mesmo, mesmo a precisar de descanso.
Mas esqueci-me de ter em conta alguns pequenos pormenores muito importantes, pormenores da minha pessoa, se calhar não só, questõezinhas aparentemente menores mas que, bem vistas as coisas, "fazem barulho" e não é pouco.
Quando se pára, quando se acalma o frenesim, cria-se lugar para que, o que está habitualmente em segundo plano, regresse à superfície... o que está inerte porque não há tempo, no qual não se quer pensar... certo? Certo.
Outro pormenor interessante e um pouco bizarro do ponto de vista científico mas que me ocorreu ainda na horizontal e que, para mim, pode ser uma explicação tão válida como outra qualquer: o meu cérebro não é capaz de albergar todos os to do's e os not to do's, este último sendo o nome mais business like para aquilo em que não se quer pensar. Assim, não saindo eles de mim, só resta que se alojem em qualquer outro lado deste corpinho, certo? Certo. Acredito hoje, então, que se espalham por mim afora... Posto isto, não me admiraria se alguém com um qualquer aparelho de ressonância magnética, ou coisa que o valha, preparado para detectar pensamentos e emoções, apanhasse uns quantos agarrados aos ossos, ao baço, aos dentes ou ali encaixados na cartilagem do joelho. E concluí isto tudo porquê? Por causa da D. e das suas mãos.
Portanto, deito a cabeça para relaxar. E relaxo e relaxo e esvazio e esvazio. Uma vez esvaziada, o que é que há? Espaço para ocupar... "ok, ok, pode ser que se mantenha assim, gosto do eco, deixa lá estar isso". Mas já me devia conhecer... as mãos da D. começam a massajar, a soltar os sentimentos e emoções agarrados às várias partes do meu corpo onde conseguiram encontrar poiso, os tipos entram na corrente sanguínea que, como toda a gente sabe vai para cima, e quando dou conta, a sala vazia do meu cérebro está a encher...
Passo assim de momento relax para "momento para pensar na vida e para chegar a conclusões mais profundas sobre o sentido de tudo isto".
Só que... outro pequeno grande pormenor da natureza da minha pessoa: já atingi um grau de qualidade elevadíssimo no que diz respeito à detecção de problemas. Estou quase a zeros quando a matéria é resolução. Assim, a sala cerebral enche, a festa começa, os problemas e sentimentos e emoções lá estão, em amena cavaqueira uns com os outros, começam a beber demais para empurrar os canapés, perdem a noção do ridículo, às tantas já estão aos berros e... e... nada! Não acontece absolutamente nada. Ninguém faz queixa, ninguém tenta acalmar os ânimos, ninguém manda vir a tropa das resoluções para pôr ordem naquilo porque, simplesmente, não há semelhante organismo no meu organismo...
Conclusão, é uma canseira... até o momento calmo das p**** das segundas-feiras é uma canseira...
E eu continuo a não gostar de dias assim, de semanas assim, de horas assim... E continuo a dizer "isto é tudo uma m****, é o que é" e continuo a saber que os problemas estão dentro de mim e que diz que as soluções também. Mas, convenhamos, olhando para este post, acho que restam muito poucas dúvidas sobre a razão pela qual não as encontro...
segunda-feira, abril 04, 2011
E já vai na quarta chávena de chá verde... I wonder why!
Para começar, ao fim da manhã de sexta, é cravada para "desencantar" um doce para o almoço de sábado. O que faz, o que não faz, analisa receitas, faz contas de cabeça, decide experimentar aquele das camadas de bolo e creme e compota e mais bolo e mais creme e mais compota, corre para o supermercado ao fim do dia, põe as mãos na massa ainda antes do jantar porque convém ficar umas horas no frigorífico, termina mesmo a tempo de avançar para o programinha já combinado.
No sábado, "ainda bem que chegaste, estava à tua espera para fazeres o tal queijo no forno", aquele para barrar quentinho nas tostas. Pois que seja, atira-se ao alho e cá vai disto!
Para terminar o fim de semana em beleza, a imagem de caril de peixe que a anda a perseguir há dias torna-se cada vez mais nítida e presente diante da peixaria do supermercado e "é hoje, não passa de hoje". Avança sem medos, faz refogado fininho, junta as especiarias certas e a dose de paciência necessária para deixar apurar, arrisca a inovar com sumo de lima e maçã aos bocadinhos...
O resultado... ficou tudo péssimo, horrível, os convivas raparam o tacho de cada uma das iguarias mas apenas e só por delicadeza, para não parecer mal, porque nos tempos que correm é um crime deitar comida fora, enquanto repetiam incessantemente "estás proibida de fazer mais isto!" E ela, com sacrifício mas por solidariedade, porque também temos que estar unidos na desgraça, lá teve que ajudar também...
No sábado, "ainda bem que chegaste, estava à tua espera para fazeres o tal queijo no forno", aquele para barrar quentinho nas tostas. Pois que seja, atira-se ao alho e cá vai disto!
Para terminar o fim de semana em beleza, a imagem de caril de peixe que a anda a perseguir há dias torna-se cada vez mais nítida e presente diante da peixaria do supermercado e "é hoje, não passa de hoje". Avança sem medos, faz refogado fininho, junta as especiarias certas e a dose de paciência necessária para deixar apurar, arrisca a inovar com sumo de lima e maçã aos bocadinhos...
O resultado... ficou tudo péssimo, horrível, os convivas raparam o tacho de cada uma das iguarias mas apenas e só por delicadeza, para não parecer mal, porque nos tempos que correm é um crime deitar comida fora, enquanto repetiam incessantemente "estás proibida de fazer mais isto!" E ela, com sacrifício mas por solidariedade, porque também temos que estar unidos na desgraça, lá teve que ajudar também...
"As mulheres têm fios desligados” de António Lobo Antunes
"Há uns tempos a Joana:
- Pai acabei um namoro à homem.
Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda:
- Disse-lhe “o problema não está em ti, está em mim.”
O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de dizer “Já não gosto de ti”, “Não quero mais” e chegam com discursos vagos, circulares como “Preciso de tempo para pensar”, “Não é que não te ame, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas” ou declarações do género “Tu mereces melhor do que eu”, “Estive a reflectir e acho que não te faço feliz”, “Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta”. E dizem aos amigos “Dá-me os parabéns que lá me consegui livrar da chata”, “Custou mas foi”, “Amandei-lhe aquelas lérias do costume e a gaja engoliu”, “Chora um dia ou dois e passa-lhe”.
E pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar (chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore) ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas, pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarradas à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo?
Lembro-me de um sujeito que explicava:
- O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é pensar que durante uma semana estou safo. E depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las.
O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias:
- As mulheres têm fios desligados.
E um outro elucidou-me que eram como os telefones:
- Avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez.
Meu Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam “Já não gosto de ti”, “Não quero mais” aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores (eles que nunca mandavam flores), a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, Che Guevara ou eu, e eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham.
Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhes caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia (para citar noventa por cento dos escritores portugueses): “O problema não está em ti, está em mim”, a mexerem na faca à mesa ou atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Schubert. De Ovídio. De Horácio. De Virgílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto. Fui (espero que não muitas vezes) rasca. Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. “O problema não está em ti, está em mim” que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas?
Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual:
- Mereces melhor que eu.
E levou com a resposta:
- Pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra."
Frase do dia
"Esses que puxam conversa sobre se chove ou não chove - não poderão ir para o Céu! Lá faz sempre bom tempo."
Mário Quintana
Mário Quintana
Ou não têm mais nada para dizer ou não querem. Conversa de circunstância para evitar falar do que realmente importa... não contem comigo!
sexta-feira, abril 01, 2011
Parece mentira...
E não é que hoje fazemos anos...? Visto daqui até parece que foi numa outra vida...
E não é que foi mesmo...?
À vontadinha
"À vontade mas não à vontadinha" é uma máxima que me foi apresentada há uns anos e que não poderia traduzir melhor a minha própria noção de como nos devemos todos articular uns com os outros neste mundo onde as nossas vidinhas lá se vão cruzando quando há razão para isso.
Moça dada a distâncias devidas, como eu sou, prezo muito a noção de limites, não tendo qualquer dificuldade em distinguir o traço, para mim bem marcado, da tal linha imaginária que me circunda, que delimita o meu espaço físico, e não só físico, do dos outros.
Mas, claro, não somos todos iguais, e ainda bem senão seria uma chatice e eu não teria assunto para aqui "pespegar".
Não confundo excesso de intimidade com simpatia mas, admito com tristeza, sou das poucas que conheço. Regra geral, as pessoas pensam que ser simpático é estar e deixar as pessoas "à vontade", como se estivesse em casa, como se já nos conhecessemos. E como é que se está e deixa alguém "à vontade"? Falando sem cerimónias, sem formalismos, dizendo graçolas, dando palmadinhas nas costas, contando intimidades, "tu cá, tu lá", "que eu sou mêmo assim, uma pessoa aberta, simples, que diz o que pensa e não tem cá salamaleques!".
Num contexto mais social, em que somos apresentados ao amigo do amigo, ok, ainda vá, tolera-se (no meu caso, com sérias dificuldades, é certo, mas tenho fé de um dia conseguir. Ok, não tenho, mas pronto, iludo-me porque isto é coisa para interferir com o meu sistema nervoso e diz que isso faz mal à saúde). Mas quando toca a relações profissionais/comerciais, convenhamos...! Só que comigo a boa da Lei de Murphy consegue alcançar um outro nível muito além... já não posso considerar só que "tudo o que pode correr mal vai correr" mas também que "tudo o que mais me irrita também me vai acontecer, várias vezes, a mim e só a mim, com o propósito kármico de me fazer baixar a crista e não ter a mania!".
Posto isto, o que tive eu o prazer de ouvir hoje???
Depois de me ter dirigido a uma loja de uma rede imobiliária a pedir algumas informações, onde acabei por deixar o meu contacto para futuras conversações sobre o eventual destino do meu bem imóvel, recebo um telefonema da "colega que foi almoçar" e que era quem tratava do assunto:
- "Boa tarde, sou a ...., estou a telefonar no seguimento da sua visita, tal e tal... 'Tá boa, querida? Olhe, 'atão vamos lá ver, portanto tem uma casa a venda assim e assado, não é? Prontos, tudo bem, temos uma pessoa eventualmente interessada mas queria confirmar: este valor já é com a nossa comissão? É que não convém nada, queridinha, porque a senhora em causa, coitada, só tem X, por acaso é uma situação complicada, diz que ela vivia à grande e à francesa com o marido, numa vivendona em Cascais mas olhe, deixou-o. Deixou de gostar dele, 'tá a ver? Estas coisas acontecem, é mesmo assim! Bom, mas e agora ficou com as duas miúdas e está a querer viver só do seu ordenado, o que eu acho muito bem! Mas, pronto, isto para dizer que ela só pode ir até Y... o que acha, rica, acha que assim fica simpático?? Ai, óptimo, querida, assim é que é! Quando tiver a visita confirmada ligo, ok? Um beijinho, querida, obrigado!!"
Hein? Que tal?? Eu mereço, só pode!, eu mereço... aposto o que quiserem que na próxima encarnação vou ser um docinho de pessoa..!
quinta-feira, março 31, 2011
O vestido
A querida E. no provador, a experimentar um vestido. Preto e rosa. Algo de preto, muito de rosa. Decotado. Curto. Justo. Daqueles que têm escrito em todas as pregas e dobras "sexy móda foca" ou, para quem não é muito dado às línguas estrangeiras, "boazona como o c*****!". Curto, bastante curto, justo, bastante justo, rosa, bastante rosa... e pergunta-me:
- Diz-me lá, eu posso levar isto para o trabalho, não posso? Assim com uns sapatos rasos, simples, um casaco de malha preto, pronto, para ficar tudo mais discreto, não achas?
Por momentos hesitei. Por segundos. E depois, porque alguém tinha que o fazer, respondi:
- Querida, esse vestido não é discreto nem nunca vai ser em toda a sua existência. Por isso, mentaliza-te, ultrapassa essa parte e compra-o por aquilo que ele é!
- (risos) Tens razão... que se lixe, vou comprá-lo! Eu até tenho coisas bem piores! ;)
- Querida, esse vestido não é discreto nem nunca vai ser em toda a sua existência. Por isso, mentaliza-te, ultrapassa essa parte e compra-o por aquilo que ele é!
- (risos) Tens razão... que se lixe, vou comprá-lo! Eu até tenho coisas bem piores! ;)
Copiando descaradamente.... mas quem diz a verdade não merece castigo, não é..?
"Não posso dizer que seja a primeira vez que o escreva mas nem por isso deixa de ser menos verdadeiro: gosto de regressos.
Este é apenas mais um, em que me passeio por palavras que aqui ficaram ao pó do que já fomos e escrevemos. E no entanto, tão familiares, tão à nossa espera. Foi a ideia do regressar que me convenceu a ocupar esta casa.
Na nossa vida há demasiadas partidas e despedidas e uma falta gritante de regressos. O amor, por exemplo, é sempre uma viagem que se inicia, que, por mais doce que seja, é assustadora. Ficamos sem rumo, não sabemos o que pode acontecer, que imensos icebergues podem estar emboscados e prontos a afundar o Titanic afectivo que tanto trabalho nos deu a construir. E às vezes acontece o naufrágio, e podem ser derivas até ao próximo resgate. Até ao próximo regresso a essa mesma partida que pouco antes juráramos nunca mais fazer.
Nunca compreendi bem o aforismo que diz que nunca devemos regressar aos lugares que nos fizeram felizes. Eu acho que sim, desde que se tenha o cuidado de não ambicionar vivê-los como antes. Esse é um regresso que pressupõe a coragem de lidarmos com o que fomos e com o que somos, mas nem por um minuto mata a felicidade que terá existido. Ela já é parte do nosso património tal como a dor que por vezes se pode seguir. Regressar devolve-nos sempre ao que somos, aqui e agora – nunca ao passado.
Depois, temos a sorte de muitos terem deixado pistas belíssimas, verdadeiras auto-ajudas que nos indicam caminhos e sugerem escolhas. Assim de repente, nesta escrita meia apressada, lembro-me da parábola do Filho Pródigo, que sugere o mais belo dos regressos – o regresso a Deus. Lembro-me de um livro que há tanto tempo me atravessou o coração: Para Sempre, de Vergílio Ferreira, constrói-se a partir de um regresso doloroso mas necessário. Outro célebre regresso foi provocado por uma trincadela num bolo. Resultado: A La Recherche Du Temps Perdu. Também é verdade que muitas vezes, «home is so sad», como garantiu Larkin. Mas é preciso regressar para compreender e voltar a partir.
Regresso ao que disse: não existem suficientes regressos na nossa vida. E sabemos que todos nós – todos – somos Ulisses, Penélope e Ítaca de nós mesmos, em simultâneo- Queremos sempre partir, queremos sempre esperar com zelo e amor, queremos ser o lugar mítico onde alguém irá regressar um dia. Eu continuo à espera, enquanto preparo a nova partida para um novo regresso."
"O regresso" publicado por Nuno Miguel Guedes in http://sinusitecronica.blogs.sapo.pt/74686.html
Frase do dia
"Uma grande quantidade de talento é desperdiçada pela falta de um pouco de coragem. Cada dia envia para os seus túmulos homens obscuros, cuja timidez os impediu de fazer uma primeira tentativa."
Sydney Smith
quarta-feira, março 30, 2011
Ping pong
Entendo, cada vez entendo mais. As suas razões não me demovem mas diria que o defeito é capaz de ser meu... e entendo.
Fazer valer os nossos direitos dá trabalho. Não devia dar, os direitos de todos nós deveriam ser pontos assentes, inequívocos, parte de nós, subjacentes e implícitos à nossa condição de cidadãos. Não são. E dá trabalho lutar por eles, pois dá, porque, tristemente, e na maioria dos casos, implica de facto luta! Esforço, horas ao telefone, emails, cartas registadas, paciência, tempo, disponibilidade, capacidade para altercações mais ou menos civilizadas, espera, espera, espera, repetição do que já se disse um milhão de vezes, no fundo, nervos de aço, luvas de boxe e, acima de tudo, cabeça dura, muito dura!
Entendo que a maioria das pessoas desista. Entendo que a maioria das pessoas considere que o trabalho que dá reclamar não compense o que se ganha e por isso preferem pagar ou vender ou desistir e comprar novo. Entendo porque estamos cansados, porque já basta o que temos que aturar, o que nos é imposto, não vamos criar mais um problema com as nossas próprias mãos! Por isso, que se lixe, pague-se, venda-se, desista-se...
Entendo mas só em parte. Dá trabalho, dá. Custa explicar e explicar outra vez, custa que a nossa exposição, tão cuidadosamente preparada e fundamentada, muitas vezes nem seja lida com consideração merecendo logo o carimbo do "não é connosco", custa ser enviada de entidade em entidade, cada uma sacundindo a água do capote e, mais grave ainda, nenhuma sequer sabendo informar a que porta podemos, de facto, bater. Pode ser desesperante...! É desesperante!
Mas há um outro lado. E esse lado nada tem a ver com o gosto por causas perdidas ou com alguma tendência socialista, como já ouvi, nem com uma certa ingenuidade, de quem ainda não conseguiu convencer-se que a máxima "e foram felizes para sempre" fica bem é nos livros infantis e não deve sair de lá.
Perdoem-me a eventual pretensão mas esse é um dos lados da natureza de quem faz andar o mundo. É dessa massa que se compõem quem não se resigna, quem questiona, quem tem sentido crítico e quem faz alguma coisa com ele para além de se ouvir.
terça-feira, março 29, 2011
De... terror?!?
E quando dei conta, o estranho de meia idade estava posicionado de forma a ter por cima da sua cabeça... as minhas cuecas fio dental!!!!
Aaaarghh!! A minha vida é um filme!
Perfil
Já chorei, já ri, já dei biqueiros na parede, já disse palavrões, já chamei nomes. Já me acalmei, já esfriei a cabeça, já agi, já pus os pensamentos e sentimentos de lado para fazer o que tem que ser feito. Já relaxei e já me sobressaltei. Já mimei e fui mimada, já perdi a paciência, já a recuperei. Já falhei e já cumpri. Já trabalhei, já pus o trabalho de lado, já desabafei, já ouvi, já escrevi, escrevi, escrevi. Já me ausentei, já me perdi, já me encontrei, já estou aqui.
segunda-feira, março 28, 2011
Porque cada vez gosto mais desta senhora!
Rolling In The Deep
Adele
There's a fire starting in my heart,
Reaching a fever pitch and it's bring me out the dark,
Finally, I can see you crystal clear,
Go ahead and sell me out and I'll lay your shit bare,
Don't underestimate the things that I will do,
There's a fire starting in my heart,
Reaching a fever pitch and it's bring me out the dark,
They keep me thinking that we almost had it all,
The scars of your love, they leave me breathless,
I can't help feeling,
(You're gonna wish you never had met me),
Rolling in the deep,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
You had my heart inside of your hands,
(You're gonna wish you never had met me),
And you played it to the beat,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
But I've heard one on you and I'm gonna make your head burn,
Think of me in the depths of your despair,
Make a home down there as mine sure won't be shared,
(You're gonna wish you never had met me),
They keep me thinking that we almost had it all,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
(You're gonna wish you never had met me),
I can't help feeling,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
(You're gonna wish you never had met me),
Rolling in the deep,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
You had my heart inside of your hands,
(You're gonna wish you never had met me),
And you played it to the beat,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
Rolling in the deep,
You had my heart inside of your hands,
But you played it with a beating,
Count your blessings to find what you look for,
Turn my sorrow into treasured gold,
You'll pay me back in kind and reap just what you've sown,
We could have had it all,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
We could have had it all,
(You're gonna wish you never had met me),
It all, it all, it all,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
(You're gonna wish you never had met me),
Rolling in the deep,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
You had my heart inside of your hands,
(You're gonna wish you never had met me),
And you played it to the beat,
Could have had it all,
(You're gonna wish you never had met me),
Rolling in the deep,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
You had my heart inside of your hands,
But you played it, You played it, You played it,
You played it to the beat
There's a fire starting in my heart,
Reaching a fever pitch and it's bring me out the dark,
Finally, I can see you crystal clear,
Go ahead and sell me out and I'll lay your shit bare,
See how I'll leave with every piece of you,
Don't underestimate the things that I will do,
There's a fire starting in my heart,
Reaching a fever pitch and it's bring me out the dark,
The scars of your love remind me of us,
They keep me thinking that we almost had it all,
The scars of your love, they leave me breathless,
I can't help feeling,
We could have had it all,
(You're gonna wish you never had met me),
Rolling in the deep,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
You had my heart inside of your hands,
(You're gonna wish you never had met me),
And you played it to the beat,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
Baby, I have no story to be told,
But I've heard one on you and I'm gonna make your head burn,
Think of me in the depths of your despair,
Make a home down there as mine sure won't be shared,
The scars of your love remind me of us,
(You're gonna wish you never had met me),
They keep me thinking that we almost had it all,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
The scars of your love, they leave me breathless,
(You're gonna wish you never had met me),
I can't help feeling,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
We could have had it all,
(You're gonna wish you never had met me),
Rolling in the deep,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
You had my heart inside of your hands,
(You're gonna wish you never had met me),
And you played it to the beat,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
Could have had it all,
Rolling in the deep,
You had my heart inside of your hands,
But you played it with a beating,
Throw your soul through every open door,
Count your blessings to find what you look for,
Turn my sorrow into treasured gold,
You'll pay me back in kind and reap just what you've sown,
(You're gonna wish you never had met me),
We could have had it all,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
We could have had it all,
(You're gonna wish you never had met me),
It all, it all, it all,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
We could have had it all,
(You're gonna wish you never had met me),
Rolling in the deep,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
You had my heart inside of your hands,
(You're gonna wish you never had met me),
And you played it to the beat,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
Could have had it all,
(You're gonna wish you never had met me),
Rolling in the deep,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
You had my heart inside of your hands,
But you played it, You played it, You played it,
You played it to the beat
domingo, março 27, 2011
sexta-feira, março 25, 2011
(Des) necessidades
Às vezes sinto-me sem palavras. Perante situações perfeitamente absurdas e reveladoras de um raciocínio torpe e descabido, de desfragmentação e deturpação das mais básicas noções de bom senso, de comportamento quase esquizofrénico e doente, fico sem palavras. Nos primeiros segundos. A verdade mais absolutamente verdadeira é que fico sem palavras apenas até o meu cérebro reconhecer a crassa estupidez humana com que está a lidar e "ir buscar" ao arquivo a resposta adequada. Uma questão de um certo delay, portanto. A partir daí, as palavras jorram em cascata, encadeadas, cada uma trilhando caminho para a seguinte, cada "abertura de gaveta" activando em cadeia a abertura de todas as outras e dos seus raciocínios subjacentes. Até que o tal arquivo esteja totalmente à superfície, perfeitamente organizado, activo, pronto para ser usado a meu bel-prazer.
Podia aqui expôr com todas as letras o que penso e como penso. Podia "chamar os bois pelo nome", podia "pôr o dedo nas feridas", podia, como tão bem sei fazer, ir directa ao ponto e, certeiramente, atingir o alvo bem no seu âmago, sem deixar margem para dúvidas sobre a minha pretensão. Sem usar metáforas, linguagem mais ou menos velada ou elaborada, podia falar um português corrente, simples, cru, até básico, um português politicamente incorrecto mas altamente eficiente quando se trata de passar a mensagem certa. Podia, sim, sem qualquer subtileza nem remorso pela sua ausência. Podia insultar, deitar abaixo, pisar, escarnecer, ironizar e fazê-lo com a graça rude de quem não tem "papas na língua". Podia, sim. E confesso que até me daria um certo gozo. Mas não o vou fazer. E porquê? Porque... não é preciso.
Astro... lábia
Hoje: "O amor será o tema principal desta semana, apesar de muita demanda no seu trabalho. A sua forma de amar e os romances estão beneficiados."
Esta semana? Mas... é 6ª feira... de que semana estamos a falar exactamente??
Enjôo matinal
Sento-me aqui, preparada para enfrentar com optimismo o dia da semana de que mais gosto, e ouço uma colega ao telefone:
- Ai coitadinha, nem imaginas! O bebé era grande e rasgou-a toda, toda, toda! Coitada, que horror!
Juro! A sorte destas gajas é que eu sou impressionável... não fosse o vómito incontrolável e eu tinha dado dois gritos bem dados! Irra!
quarta-feira, março 23, 2011
E à noite a mãe liga...
- Mãe, olá, então, tudo bem?
- Sim, olha, estou a ligar para te dizer o seguinte: ligou-me agora a tia F. e vê lá tu que me disse... blá, blá, blá... mas eu até achei estranho porque... blá, blá blá... e já da outra vez a A. e o J. agiram desta forma! e eu disse... blá, blá, blá... ora não se admite que tendo em conta que... blá, blá, blá... eu acho inacreditável e disse-o com todas as letras... blá, blá, blá... porque é preciso descaramento... blá, blá, blá... já da outra vez foi o que foi e a tia L. também concordou que... blá, blá, blá... é, de facto, impressionante como as pessoas conseguem não ter o mínimo de decência... blá, blá, blá... e eu ainda acrescentei que... blá, blá, blá... ficaram todos admirados porque... blá, blá, blá... mas realmente desta gente não se pode esperar outra coisa... blá, blá, blá... tenho pena é que não me tenham dito directamente que aí haviam de ver!, essa agora... blá, blá, blá... de facto, isto anda tudo ao contrário... blá, blá, blá... as pessoas são uma coisa que não se entende... blá, blá, blá... eu fico furiosa com estas coisas.... blá, blá, blá... não achas que tenho razão??
- Pois, eu ach...
- Ai, pronto, falamos depois. Tenho que desligar que está a recomeçar a novela. Adeus!
(Click, tuuu... tuuu... tuuu... tuuu...)
terça-feira, março 22, 2011
Geração à Rasca — Mia Couto
Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos…) mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego… A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca que já não aguentam, que começam a ter de dizer “não”. É um “não” que nunca ensinaram os filhos a ouvir e que por isso eles não suportam nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos — e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.
Pode ser que nada/ninguém seja assim.
Mia Couto
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos…) mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego… A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca que já não aguentam, que começam a ter de dizer “não”. É um “não” que nunca ensinaram os filhos a ouvir e que por isso eles não suportam nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos — e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.
Pode ser que nada/ninguém seja assim.
Mia Couto
Constatação #36
O Francisco Assis é o gémeo perdido do "Newman", a mim já não restam dúvidas!
O senhor que me desculpe, não se ofenda por estar assim a expôr um segredo de família mas olhe, mais tarde ou mais cedo, alguém havia de reparar, certo? Portanto, assuma-o de vez e mande cumprimentos ao maninho, dizendo-lhe da minha parte que eu acho que "ele vai muito bem", que "gosto muito de o ver trabalhar"...!
Frase do dia
"A verdadeira viagem da descoberta consiste não em buscar novas paisagens, mas em ter olhos novos."
Marcel Proust
"Sim, é minha... em todos os aspectos!"
Renovação. Mais renovação. Aqui o "burgo" foi ao cabeleireiro...
segunda-feira, março 21, 2011
Equinócio
Renovação. E a estação chega em grande, brindando-nos com um fim-de-semana a saber a bonança. A brisa cheira a mel de flores e entranha-se no meu cabelo moldando-o em ondas doces e irregulares, talvez para ficarmos a combinar ainda mais. Prazer, puro prazer. Vivido, saboreado, não importa o dia que se segue. Antecipação de sorrisos e os sorrisos que não me deixam ficar mal, a lua brilhante e redonda, não sei se maior mas sem dúvida nenhuma, brilhante e redonda, perfeita na sua redondez, que se observa com sortido de bombons belgas a derreter na mão e na boca. O calor que apetece despir, as conversas que se quer ainda mais conversadas mesmo que não se digam todas as sílabas. Não interessa, não interessa mesmo nada. A sombra das árvores perfumadas de verde, os dias que sabem a pouco. E o sono que se entranha, sono bom, recheado de doçura colorida e que embala a serenidade. O cheiro. O cheiro a flores e a flores em mim.
sábado, março 19, 2011
sexta-feira, março 18, 2011
Diz e diz e vai dizendo
Diz que amanhã a lua é imensa, diz que a Primavera está aí à porta. Diz que vou ter o privilégio de receber muitos mimos em forma de "menina", diz também que já me dói não ter que ir à procura de prenda... Diz que o Sol veio para ficar, pelo menos por uns dias, diz que vêm aí chocolates e jantaradas, mais ou menos concorridas. Diz muita coisa, este fim de semana, muita coisa...
quinta-feira, março 17, 2011
Paradoxos
Há coisas que dão vontade de rir! Rir muito, rir alto, rir, sim, mas para não chorar de tão incrivelmente estúpidas que são! Há coisas que dão imensa vontade de rir mas pelos piores motivos. Rir de incredulidade, de pena, de desilusão, do descaramento, das cócegas que ele nos faz nos cantos da boca, que às vezes até se podem confundir com esgares nervosos de quem está prestes a perder as estribeiras. E regra geral, está mesmo mas opta por rir, que faz melhor à saúde. Há coisas que dão mesmo muita vontade de rir. A falta de noção, de bom senso, de sensibilidade até se podem desculpar, coitadinhos não foram dotados de tais características, a culpa é dos genes que vieram dos paizinhos. Mas quando estas "faltas" são mascaradas de carantonha de quem acha que sabe tudo e sente mais ainda, é ver-nos a contorcer a espinha com as risotas a pedir para saltar boca fora! Risotas para não serem chapadas, a verdade é essa. Risotas de quem pensa: não vale a pena mais do que isto.
Há coisas que dão mesmo vontade de rir. Mas depois, o que fica, não é a sensação de liberdade, de alívio que nos deixa sempre uma boa gargalhada ou o rasto da energia que o riso faz percorrer pelo corpo, alegrando todos os seus terminais e dando brilho aos olhos. Não, a sensação que depois permanece é a de amargo desconsolo, de baça descrença, de buraco negro que engole a alegria. Porque nada é mais lamentável do que rir do que é triste.
Que é como quem diz... siga!
Move on, move on, embrace your life, enjoy the love that surrounds you, enjoy the sun, enjoy yourself. Move on, move on, don't look back, what's gone is gone, it has moved on too, the past never turns its head. Move on, move on. Hold on to you. Hold on to those who are near and present, to those who choose to be near and present, to those you choose you. Move on, move on, save what's worth to save, let go of what no longer suits you, move on, move on, to the light, to the new walls, to the new smiles. Move on, move on, it's not that hard, the world does it every day.
quarta-feira, março 16, 2011
A propósito dos males
Irra, que é demais!!
Hello??! Hello aí em cima!? Que tal fazermos um trégua, hein?? Que tal carregarem no pause em relação a mim e à minha "rede" e, sei lá, desviarem as atenções para outro lado só para variar um bocadinho, que tal?!? É que começo mesmo a ficar danada com esta trampa!!
Irra! Calma com o andor!! Mas é preciso que desate à chapada, é??!? Irra!!
Porque é daquelas que me faz cantar aos berros no carro!
Love Song
Sara Bareilles
Head under water
And they tell me to breathe easy for a while
The breathing gets harder, even I know that
You made room for me, but it's too soon to see
If I'm happy in your hands
I'm unusually hard to hold on to
Blank stares at blank pages
No easy way to say this
You mean well, but you make this hard on me
I'm not gonna write you a love song
'Cause you asked for it
'Cause you need one, you see
I'm not gonna write you a love song
'Cause you tell me it's make or breaking this
If you're on your way
I'm not gonna write you to stay
If all you have is leaving
I'mma need a better reason to write you a love song today
Today
I learned the hard way
That they all say things you want to hear
My heavy heart sinks deep down under you
And your twisted words, your help just hurts
You are not what I thought you were
Hello to high and dry
Convinced me to please you
Made me think that I need this too
I'm trying to let you hear me as I am
I'm not gonna write you a love song
'Cause you asked for it
'Cause you need one, you see
I'm not gonna write you a love song
'Cause you tell me it's make or breaking this
If you're on your way,
I'm not gonna write you to stay
If all you have is leaving
I'mma need a better reason to write you a love song today
Promise me you'll leave the light on
To help me see with daylight, my guide, gone
'Cause I believe there's a way you can love me because I say
I won't write you a love song
'Cause you asked for it
'Cause you need one, you see
I'm not gonna write you a love song
'Cause you tell me it's make or breaking this
Is that why you wanted a love song
'Cause you asked for it?
'Cause you need one, you see
I'm not gonna write you a love song
'Cause you tell me it's make or breaking this
If you're on your way
I'm not gonna write you to stay
If your heart is nowhere in it
I don't want it for a minute
Babe, I'll walk the seven seas when I believe that there's a reason to
Write you a love song today
Today
Sara Bareilles
Head under water
And they tell me to breathe easy for a while
The breathing gets harder, even I know that
You made room for me, but it's too soon to see
If I'm happy in your hands
I'm unusually hard to hold on to
Blank stares at blank pages
No easy way to say this
You mean well, but you make this hard on me
I'm not gonna write you a love song
'Cause you asked for it
'Cause you need one, you see
I'm not gonna write you a love song
'Cause you tell me it's make or breaking this
If you're on your way
I'm not gonna write you to stay
If all you have is leaving
I'mma need a better reason to write you a love song today
Today
I learned the hard way
That they all say things you want to hear
My heavy heart sinks deep down under you
And your twisted words, your help just hurts
You are not what I thought you were
Hello to high and dry
Convinced me to please you
Made me think that I need this too
I'm trying to let you hear me as I am
I'm not gonna write you a love song
'Cause you asked for it
'Cause you need one, you see
I'm not gonna write you a love song
'Cause you tell me it's make or breaking this
If you're on your way,
I'm not gonna write you to stay
If all you have is leaving
I'mma need a better reason to write you a love song today
Promise me you'll leave the light on
To help me see with daylight, my guide, gone
'Cause I believe there's a way you can love me because I say
I won't write you a love song
'Cause you asked for it
'Cause you need one, you see
I'm not gonna write you a love song
'Cause you tell me it's make or breaking this
Is that why you wanted a love song
'Cause you asked for it?
'Cause you need one, you see
I'm not gonna write you a love song
'Cause you tell me it's make or breaking this
If you're on your way
I'm not gonna write you to stay
If your heart is nowhere in it
I don't want it for a minute
Babe, I'll walk the seven seas when I believe that there's a reason to
Write you a love song today
Today
terça-feira, março 15, 2011
Limpezas
Conhecem alguém que aproveite o facto de estar a tomar banho para, de esfregão e detergente em punho, limpar a parte de dentro da cabine de duche?
Eeeerrr... eu também não..!
Eeeerrr... eu também não..!
As "caracolinhas"...
... vão passar o dia juntas, ah pois vão!
Mal sabe a "caracolinha" mais pequena que a "caracolinha" maior engendrou tudo isto, não numa de boa samaritana, mas sim para ter desculpa para comprar uma embalagem familiar de Cerelac lá para casa!! Porque... convenhamos... a "caracolinha" pequena pode querer, claro, há que estar preparada ..! ;)
segunda-feira, março 14, 2011
LinFATicamente falando, como diz a outra
Ela é migas de espargos, ela é batatinha assada, ela é bolinho caseiro, ela é vegetariano (que não, querida E., não é necessariamente dietético!), ela é empadas de galinha feitas de propósito para ela pela amiga cozinheira, ela é sobremesas várias... valham-me o chá verde e as mãozinhas da D. a drenar-me a linfa!!
Meia mais meia laranja
A propósito de constatações, de aceitações, de realidades e factos e evidências... desiste! És feita de duas metades, iguais em tamanho, força e personalidade. E por mais que te tentes chegar mais a uma que a outra, existe sempre a noite, existe sempre a linguagem dos sonhos... Por isso, olha... sorri! Ao menos, enquanto sorris enfeitas o mundo...
sábado, março 12, 2011
Os entretantos dos cancelamentos
Sono, muito sono, de quem dormiu muito aquém do que queria e, afinal, até podia! Porque a interromper estas palavras, surge o telefonema, pois que já não vêm, desmarcaram à última...
E a noite recheada, de pesadelos daqueles que dão medo, como criança a lidar com monstros imaginários. E esta casa era o centro do mal, era aqui que tudo acontecia, era daqui que tinha que sair com urgência.
No meio do nada, uma caixa de recordações onde, perdido e entrelaçado em inúmeros pedaços de papel rabiscados com mensagens várias trocadas de mão em mão nas aulas do liceu, um mais pequeno me chama a atenção. Letra de criança, a criança que eu fui, letra que se esforça para desenhar o A e o B de acordo com o manual da primária, de língua de fora, pressionando com força a caneta no papel para não sair da linha e curvar o C e o G na perfeição. Sem grande sucesso, diga-se de passagem, até hoje consigo ouvir a professora: até escreves bem mas tens uma letra tão feia, credo, é uma pena...!
Mas esse papelinho velho, de letra feia mas esforçada, oferece-me uma cantilena:
Gosto de ti porque gosto
Gosto de ti porque sim
Gosto de ti e aposto
Que tu também gostas de mim.
Tavez a tenha escrito por ser a única que conhecia para praticar a caligrafia, talvez a tenha escrito para a oferecer a algum menino especial certamente pensando que depois receberia em troca um "tens razão, também gosto de ti". Se assim foi, terei arrepiado caminho algures, provavelmente com medo de fazer figuras tristes, criança que eu era já dona de grande sentido crítico, e a cantilena nunca chegou a sair de mim acabando por encontrar acomodação no meio de todas as outras mensagens, essas sim, que passaram de mão em mão.
Gosto de ti porque gosto
Gosto de ti porque sim
Gosto de ti e aposto
Que tu também gostas de mim.
E a noite recheada, de pesadelos daqueles que dão medo, como criança a lidar com monstros imaginários. E esta casa era o centro do mal, era aqui que tudo acontecia, era daqui que tinha que sair com urgência.
No meio do nada, uma caixa de recordações onde, perdido e entrelaçado em inúmeros pedaços de papel rabiscados com mensagens várias trocadas de mão em mão nas aulas do liceu, um mais pequeno me chama a atenção. Letra de criança, a criança que eu fui, letra que se esforça para desenhar o A e o B de acordo com o manual da primária, de língua de fora, pressionando com força a caneta no papel para não sair da linha e curvar o C e o G na perfeição. Sem grande sucesso, diga-se de passagem, até hoje consigo ouvir a professora: até escreves bem mas tens uma letra tão feia, credo, é uma pena...!
Mas esse papelinho velho, de letra feia mas esforçada, oferece-me uma cantilena:
Gosto de ti porque gosto
Gosto de ti porque sim
Gosto de ti e aposto
Que tu também gostas de mim.
Tavez a tenha escrito por ser a única que conhecia para praticar a caligrafia, talvez a tenha escrito para a oferecer a algum menino especial certamente pensando que depois receberia em troca um "tens razão, também gosto de ti". Se assim foi, terei arrepiado caminho algures, provavelmente com medo de fazer figuras tristes, criança que eu era já dona de grande sentido crítico, e a cantilena nunca chegou a sair de mim acabando por encontrar acomodação no meio de todas as outras mensagens, essas sim, que passaram de mão em mão.
Gosto de ti porque gosto
Gosto de ti porque sim
Gosto de ti e aposto
Que tu também gostas de mim.
Nada mais sincero, nada mais humano. "Porque sim..", pois claro, que outra razão poderia haver...? Nada mais bonito, simplesmente bonito, para se entregar a alguém.
sexta-feira, março 11, 2011
Porque me toca de uma maneira especial que só eu sei qual é...
David Fonseca
I've walked through dangers,
I've talked to strangers, but they didn't understand
And when the world seems senseless
It's me and you against them
And I love you because you know who I am
All you dreamers keep dreaming
And let those dreams rise into the light
Go find someone who loves you, to live those dreams through
Don't you go and get swallowed by the night
I've walked the stages
I've read the pages and never, I've never reached the end
All the world seems senseless
You're here with me against them
And I love you because you know who I am
Deep inside every soul
There's a sadness on the verge of climbing through
Now don't you try and fix it, why would you do that?
How beautiful when sadness turns to songs
And I'll walk through dangers
I'll dance with strangers, but they'll never understand
We'll never be defenseless
We'll win this war against them
Don't you doubt this, yeah I'm sure we can
And who cares if they don't ever understand
And I love you because you know who I am
Roubada descaradamente
Porque se "colou" a mim de forma tão perfeita que não valia a pena inventar mais nada.
"Prece
Dear mind,
Could you please shut off until further notice so that my body, soul and sanity can get some rest?
I'll let you know when you're needed again.
I'll let you know when you're needed again.
Sincerely yours,
(...)"
(...)"
quinta-feira, março 10, 2011
Frase do dia
"Quando paramos de lutar contra a realidade, a acção torna-se simples, fluida e sem medo."
Byron Katie
quarta-feira, março 09, 2011
O "S" que se transformou em "M", ou qualquer coisa a caminho disso, e o que veio a seguir
Na loja, pedi para trocar a peça de roupa que já andava na mala do carro há uma semana à espera da sua sorte. Na caixa responderam-me que não era possível porque a peça já tinha sido usada uma vez. Dei as minhas explicações, tentei fazê-lo entender que só me dei conta que afinal não devia ter trazido aquele tamanho ao usar porque nessa altura é que vi que o tecido alargava deixando de corresponder ao que eu pretendia. Respondeu que entendia mas que não podia ser, que não podem trocar peças que já foram usadas e que era óbvio que aquele material cedia... Resignei-me e disse: com certeza, entendo, deixa estar então, para a próxima tento ser mais atenta. E quando já estava mesmo a virar as costas, o rapaz disse: ok, vou abrir uma excepção. Repare, nós não podemos fazer isto mas pronto, desta vez passa...
Fiquei espantada, não era propriamente uma pessoa de trato fácil, até se podia dizer um pouco antipática e, mais do que isso, tinha a razão do seu lado. Sorri meio incrédula, tentando perceber se não tinha ouvido mal e lá entreguei a etiqueta do produto que tinha tirado entretanto da mala.
Enquanto a operação do regista e não regista e do troca e não troca decorria, dei por mim a pensar: caramba, não estamos a falar de algo fundamental. Eu não morria se não trocasse a peça, o meu mundo não acabava, não ficava nem mais pobre nem mais rica. Ele, o fulano da caixa, por seu turno, também não ganhava nem perdia. Não era um assunto de vida ou morte, de muito milhões, de nada importante. Mas... ele foi amável. Podia não ter sido, tinha legitimidade para não o ser e ninguém lhe podia apontar o dedo. Estava a fazer o seu trabalho, a cumprir as regras, e bem. Mas... DECIDIU ser amável. Simplesmente isso.
Não posso deixar de escrever sobre o assunto. Não posso porque me dei conta que a amabilidade, pura e simples, é cada vez mais rara. Não posso porque é bom perceber que ainda existem pessoas assim, é bom destacá-las, é bom reconhecer-lhes o mérito. Não posso porque há muito tempo que ninguém era tão amável assim comigo, simplesmente amável, sem ganhar nada com isso, sem pensar muito, sem... mais nada.
P.S: Para aqueles que estão, neste momento, a pensar "pois, és mulher, o rapaz derreteu-se e fez-te o jeito", acho que posso afirmar com quase, quase, quase! cem por cento de certeza que não me parece que faça o "género" dele ;).
Mascarados
Durante estes dias, olhei várias vezes para aqui. Apeteceu-me escrever mas, ao mesmo tempo, a ideia de me deparar com a caixa de texto em branco causava-me uma espécie de repulsa. Não soube como ultrapassar esta sensação, por isso fiz descansar a "pena".
Senti muitas coisas, lutei com todas elas, desgastei-me, recompus-me, desgastei-me mais um bocado, sacudi a cabeça na ilusão de fazer saltar para fora de mim as nuvens negras, pensei, pensei, pensei, cansei-me de pensar. Voltei atrás, andei para a frente, tomei decisões, desfiz as decisões que tomei, pensei mais, tentei chegar a conclusões para logo a seguir as esquecer e logo a seguir também voltar a elas como tábua de salvação. Senti. Senti muito, senti tudo.
Estou cansada, muito cansada. Talvez seja porque este ano me fartei de pular ao Carnaval...
sábado, março 05, 2011
O jantar fora que se transformou em jantar dentro
E. e E., a dupla maravilha, uns copos de vinho tinto a banhar a salada XL, depressões e piadas da treta mas, acima de tudo, a certeza de que ali é seguro cair.
sexta-feira, março 04, 2011
Interiores
Percorri os corredores, as divisões, fiz contas de cabeça, mimei o gato laranja que se roçava nas minhas pernas. Já cá fora, a profissional do ramo, que não parou de tagarelar sobre as maravilhas do que me apresentava, pergunta: E então, gostou? Tem alguma dúvida?
Fiquei-me pela resposta politicamente correcta do "sim, sim, obrigado, não tenho dúvida nenhuma, depois digo alguma coisa".
Mas o que me apetecia mesmo dizer era: gostei de umas coisas, odiei outras, a sua voz já me começava a dar nos nervos e, convenhamos, para a próxima avise a dona que deixar um soutien azul rendado, qualquer número, copa C, exposto logo à entrada do quarto, é estar a dar informação a mais, que eu não quero ter, e que não, não vai vender a casa mais rápido só por se conseguir adivinhar que até tem um belo par de mamas!
"Falta o click!"
Dizia a V...., e eu disse: faltam dois clicks, não um.
Mas isso sou eu, que tenho a mania...
As costuras
O que se faz com as saudades? O que se faz com essa matéria imaterial que somos obrigados a embrulhar em papel pardo, a atar com fio e a guardar algures em nós sendo que não há lugar onde elas se encaixem verdadeiramente? O que se faz quando o pacote é estranho em qualquer lugar onde se coloque e por isso, tal qual costura de meia a roçar e a entrelaçar-se nos dedos, sente-se sempre, incómodo, arestas mal limadas, alienígena? Perguntei e ouvi a resposta: nada. Podemos tentar ajeitar, ao longo do caminho, e com o tempo habituarmo-nos à sua presença porque o corpo e a mente a tudo se habituam. Mas não podemos fazer nada. Podemos contar com que murche com a passagem dos dias, perca dimensão, diminua o estorvo mas nada. Não podemos fazer mais nada. Porque as saudades, aquelas que fazem jus ao nome, são muito mais do que letras ou expressão bonita utilizada em canções. São donas de uma profundidade inalcansável, compostas por sentimentos sem norte, aos quais cortaram a raiz, impossíveis de fazer reviver. São donas do insondável, do "nunca mais", do "para sempre", da invisibilidade, da parede de vidro à prova de bala. São matéria do esquecimento, da perda, da vida que virou as costas, de quem se foi embora e nos deixou para trás. Não têm qualquer remédio. Só podemos esperar que murche.
Viagem na maionese
Ir almoçar a casa da mãe tem muitas vantagens. Uma delas é que a mãe em causa já faz comida a contar com o jantar da filha... Bom, muito bom, iguarias já preparadas, é só aquecer, caseirinhas, de boa qualidade...
Mas há mais! Tenho ultimamente reparado que, para além dos benefícios acima enumerados, um tupperware bem recheado pode-nos proporcionar toda uma experiência sensorial... vá... diferente! E ontem pude vivê-la em pleno...!
Nada como ter uma caixinha de arroz à valenciana a aguardar por nós dentro do carro, já há umas horas e com algum calor.... A caminho de casa, percorrendo estas estradas da vida, senti que o meu veículo já não era um qualquer citadino de 5 portas, não...!! Como que por magia, fui transportada para um outro universo, de cheiros e cores... por uns quilómetros senti-me uma outra pessoa, numa outra história de vida... por uns quilómetros, envolvida por aquela aroma, eu pude jurar que afinal era, nem mais nem menos do que uma condutora de roulotte de cachorros e couratos em início de jogo!
E não é que foi um gosto?! É o que vos digo, um gosto...
quinta-feira, março 03, 2011
Nãããã...! Este Sol não me engana!!
Sim, mantenho o pijama de flanela e as meias polares. Porque se a gata A. continua a optar por dormir debaixo do edredon isso significa que, lá em casa, ainda é Inverno rigoroso! O posto de "galo metereológico" é dela, ela é que sabe e eu nem discuto!
quarta-feira, março 02, 2011
Frase do dia
"A primeira e pior de todas as fraudes é enganar-se a si mesmo. Depois disto, todo o pecado é fácil."
J. Bailey
J. Bailey
terça-feira, março 01, 2011
As dores, a luz, as várias línguas e a crescente falta de pachorra!
A mente humana é, de facto, estranha. Bom, pelo menos a mente desta humana em particular é...
Ouvimos só de vez em quando mesmo que ouçamos muito mais vezes. Podemos ser bombardeados durante meses e só haver um dia em que a informação, as opiniões, as constatações nos tocam de alguma forma. A minha única resposta para esta surdez selectiva é o coração e as suas razões ou a cabeça e as suas razões. Sinceramente, não sei bem se no fundo não são um só... E o facto é que "ouvir" dói antes de libertar. E quem quer que doa quando é óbvio que não vai passar disso, não vai ser mais nada que dor pura, sem tratamento, dor que só dói? Fechamos assim todas as portas, as auditivas, as sensitivas, e de dedo apontado mandamos a mensagem embora. A sua simples presença já fez estragos suficientes, não convém ter que lidar com ela muito mais. Sabemos, claro, o que ela tem para nos dizer, mas dói. Só dói.
Mas a realidade tem esta coisa chata de não desaparecer, de ser persistente... e, volta e meia, lá se coloca à nossa frente. Mais uma vez tenta, de mansinho ou à bruta, "chapar-se" na nossa cara. A cara é virada muitas vezes, continua a doer, continua a doer, mas há células em nós que começam lentamente a ceder. Porque há células em nós que se foram revestindo de capa protectora e conseguem já olhar de lado, conseguem que o medo já não as domine completamente. A realidade identifica-as imediatamente e não hesita em tocá-las, em tentar comunicar com elas. E vai plantando as suas sementes na parte de nós que se abre ao sol.
Não acredito no dia em que se acorda e se vê a luz. Acredito, sim, que vamos deixando a luz entrar aos poucos e que um dia percebemos que ela penetrou em nós em quantidade suficiente para nos podermos dizer mais iluminados. Nessa altura, a realidade, a mensagem que ela traz encontra acolhimento e pode enfim fazer-se evoluir para a outra fase, a fase em que nos acrescenta algo que não só sofrimento, a fase em que nos mostra o que o seu peso esconde, em que nos auxilia a libertarmo-nos dele, a ver para além dele.
Mas a mente humana é estranha... e embora tentando saborear a nova leveza, tem medo, continua com medo, luta entre embuir-se do espírito e prevenir-se para o que ainda pode vir. Porque a esmola parece demais, porque já não é a primeira vez que tudo volta a descambar quando já não se previa, porque "se calhar eu não tenho jeito para isto, o mais provável é fazer m****...". De repente, é mais fácil voltar à dor conhecida do que abraçar o que está para vir...
É uma luta. Cansativa, esgotante. Faz-me ficar farta de mim, deste ser estranho, cada vez mais estranho e inconsistente. É uma luta quase entre o bem e o mal, como nos filmes, em que num momento sou o "velho do Restelo" e no outro a "Alice no Pais das Maravilhas", em que de manhã digo "força, aproveita a vida e o que há de bom nela" e à tarde me encolho a dizer "cuidado, muito cuidado, it's not over yet...".
Convenhamos... estranha, louca, com múltipla personalidade e com raciocínios poliglotas... já não há quem aguente!
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