segunda-feira, abril 04, 2011

"As mulheres têm fios desligados” de António Lobo Antunes

"Há uns tempos a Joana:

- Pai acabei um namoro à homem.

Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda:

- Disse-lhe “o problema não está em ti, está em mim.”

O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de dizer “Já não gosto de ti”, “Não quero mais” e chegam com discursos vagos, circulares como “Preciso de tempo para pensar”, “Não é que não te ame, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas” ou declarações do género “Tu mereces melhor do que eu”, “Estive a reflectir e acho que não te faço feliz”, “Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta”. E dizem aos amigos “Dá-me os parabéns que lá me consegui livrar da chata”, “Custou mas foi”, “Amandei-lhe aquelas lérias do costume e a gaja engoliu”, “Chora um dia ou dois e passa-lhe”.

E pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar (chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore) ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas, pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarradas à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo?

Lembro-me de um sujeito que explicava:

- O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é pensar que durante uma semana estou safo. E depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las.

O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias:

- As mulheres têm fios desligados.

E um outro elucidou-me que eram como os telefones:

- Avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez.

Meu Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam “Já não gosto de ti”, “Não quero mais” aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores (eles que nunca mandavam flores), a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, Che Guevara ou eu, e eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham.

Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhes caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia (para citar noventa por cento dos escritores portugueses): “O problema não está em ti, está em mim”, a mexerem na faca à mesa ou atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Schubert. De Ovídio. De Horácio. De Virgílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto. Fui (espero que não muitas vezes) rasca. Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. “O problema não está em ti, está em mim” que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas?

Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual:

- Mereces melhor que eu.

E levou com a resposta:

- Pois mereço. Rua.

Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra."

Frase do dia

‎"Esses que puxam conversa sobre se chove ou não chove - não poderão ir para o Céu! Lá faz sempre bom tempo."
Mário Quintana

Ou não têm mais nada para dizer ou não querem. Conversa de circunstância para evitar falar do que realmente importa... não contem comigo!

sexta-feira, abril 01, 2011

Parece mentira...

E não é que hoje fazemos anos...? Visto daqui até parece que foi numa outra vida...

E não é que foi mesmo...?

À vontadinha

"À vontade mas não à vontadinha" é uma máxima que me foi apresentada há uns anos e que não poderia traduzir melhor a minha própria noção de como nos devemos todos articular uns com os outros neste mundo onde as nossas vidinhas lá se vão cruzando quando há razão para isso.

Moça dada a distâncias devidas, como eu sou, prezo muito a noção de limites, não tendo qualquer dificuldade em distinguir o traço, para mim bem marcado, da tal linha imaginária que me circunda, que delimita o meu espaço físico, e não só físico, do dos outros.

Mas, claro, não somos todos iguais, e ainda bem senão seria uma chatice e eu não teria assunto para aqui "pespegar".

Não confundo excesso de intimidade com simpatia mas, admito com tristeza, sou das poucas que conheço. Regra geral, as pessoas pensam que ser simpático é estar e deixar as pessoas "à vontade", como se estivesse em casa, como se já nos conhecessemos. E como é que se está e deixa alguém "à vontade"? Falando sem cerimónias, sem formalismos, dizendo graçolas, dando palmadinhas nas costas, contando intimidades, "tu cá, tu lá", "que eu sou mêmo assim, uma pessoa aberta, simples, que diz o que pensa e não tem cá salamaleques!".

Num contexto mais social, em que somos apresentados ao amigo do amigo, ok, ainda vá, tolera-se (no meu caso, com sérias dificuldades, é certo, mas tenho fé de um dia conseguir. Ok, não tenho, mas pronto, iludo-me porque isto é coisa para interferir com o meu sistema nervoso e diz que isso faz mal à saúde). Mas quando toca a relações profissionais/comerciais, convenhamos...! Só que comigo a boa da Lei de Murphy consegue alcançar um outro nível muito além... já não posso considerar só que "tudo o que pode correr mal vai correr" mas também que "tudo o que mais me irrita também me vai acontecer, várias vezes, a mim e só a mim, com o propósito kármico de me fazer baixar a crista e não ter a mania!".

Posto isto, o que tive eu o prazer de ouvir hoje???

Depois de me ter dirigido a uma loja de uma rede imobiliária a pedir algumas informações, onde acabei por deixar o meu contacto para futuras conversações sobre o eventual destino do meu bem imóvel, recebo um telefonema da "colega que foi almoçar" e que era quem tratava do assunto:

- "Boa tarde, sou a ...., estou a telefonar no seguimento da sua visita, tal e tal... 'Tá boa, querida? Olhe, 'atão vamos lá ver, portanto tem uma casa a venda assim e assado, não é? Prontos, tudo bem, temos uma pessoa eventualmente interessada mas queria confirmar: este valor já é com a nossa comissão? É que não convém nada, queridinha, porque a senhora em causa, coitada, só tem X, por acaso é uma situação complicada, diz que ela vivia à grande e à francesa com o marido, numa vivendona em Cascais mas olhe, deixou-o. Deixou de gostar dele, 'tá a ver? Estas coisas acontecem, é mesmo assim! Bom, mas e agora ficou com as duas miúdas e está a querer viver só do seu ordenado, o que eu acho muito bem! Mas, pronto, isto para dizer que ela só pode ir até Y... o que acha, rica, acha que assim fica simpático?? Ai, óptimo, querida, assim é que é! Quando tiver a visita confirmada ligo, ok? Um beijinho, querida, obrigado!!"


Hein? Que tal?? Eu mereço, só pode!, eu mereço... aposto o que quiserem que na próxima encarnação vou ser um docinho de pessoa..!

Deliciada...

A Sombra do Vento

Carlos Ruiz Zafón

quinta-feira, março 31, 2011

O vestido

A querida E. no provador, a experimentar um vestido. Preto e rosa. Algo de preto, muito de rosa. Decotado. Curto. Justo. Daqueles que têm escrito em todas as pregas e dobras "sexy móda foca" ou, para quem não é muito dado às línguas estrangeiras, "boazona como o c*****!". Curto, bastante curto, justo, bastante justo, rosa, bastante rosa... e pergunta-me:

- Diz-me lá, eu posso levar isto para o trabalho, não posso? Assim com uns sapatos rasos, simples, um casaco de malha preto, pronto, para ficar tudo mais discreto, não achas?

Por momentos hesitei. Por segundos. E depois, porque alguém tinha que o fazer, respondi:

- Querida, esse vestido não é discreto nem nunca vai ser em toda a sua existência. Por isso, mentaliza-te, ultrapassa essa parte e compra-o por aquilo que ele é!
- (risos) Tens razão... que se lixe, vou comprá-lo! Eu até tenho coisas bem piores! ;)

Perfil

Just another day in paradise...

Copiando descaradamente.... mas quem diz a verdade não merece castigo, não é..?

"Não posso dizer que seja a primeira vez que o escreva mas nem por isso deixa de ser menos verdadeiro: gosto de regressos.

Este é apenas mais um, em que me passeio por palavras que aqui ficaram ao pó do que já fomos e escrevemos. E no entanto, tão familiares, tão à nossa espera. Foi a ideia do regressar que me convenceu a ocupar esta casa.

Na nossa vida há demasiadas partidas e despedidas e uma falta gritante de regressos. O amor, por exemplo, é sempre uma viagem que se inicia, que, por mais doce que seja, é assustadora. Ficamos sem rumo, não sabemos o que pode acontecer, que imensos icebergues podem estar emboscados e prontos a afundar o Titanic afectivo que tanto trabalho nos deu a construir. E às vezes acontece o naufrágio, e podem ser derivas até ao próximo resgate. Até ao próximo regresso a essa mesma partida que pouco antes juráramos nunca mais fazer.

Nunca compreendi bem o aforismo que diz que nunca devemos regressar aos lugares que nos fizeram felizes. Eu acho que sim, desde que se tenha o cuidado de não ambicionar vivê-los como antes. Esse é um regresso que pressupõe a coragem de lidarmos com o que fomos e com o que somos, mas nem por um minuto mata a felicidade que terá existido. Ela já é parte do nosso património tal como a dor que por vezes se pode seguir. Regressar devolve-nos sempre ao que somos, aqui e agora – nunca ao passado.

Depois, temos a sorte de muitos terem deixado pistas belíssimas, verdadeiras auto-ajudas que nos indicam caminhos e sugerem escolhas. Assim de repente, nesta escrita meia apressada, lembro-me da parábola do Filho Pródigo, que sugere o mais belo dos regressos – o regresso a Deus. Lembro-me de um livro que há tanto tempo me atravessou o coração: Para Sempre, de Vergílio Ferreira, constrói-se a partir de um regresso doloroso mas necessário. Outro célebre regresso foi provocado por uma trincadela num bolo. Resultado: A La Recherche Du Temps Perdu. Também é verdade que muitas vezes, «home is so sad», como garantiu Larkin. Mas é preciso regressar para compreender e voltar a partir.

Regresso ao que disse: não existem suficientes regressos na nossa vida. E sabemos que todos nós – todos – somos Ulisses, Penélope e Ítaca de nós mesmos, em simultâneo- Queremos sempre partir, queremos sempre esperar com zelo e amor, queremos ser o lugar mítico onde alguém irá regressar um dia. Eu continuo à espera, enquanto preparo a nova partida para um novo regresso."

"O regresso" publicado por Nuno Miguel Guedes in http://sinusitecronica.blogs.sapo.pt/74686.html

Frase do dia

"Uma grande quantidade de talento é desperdiçada pela falta de um pouco de coragem. Cada dia envia para os seus túmulos homens obscuros, cuja timidez os impediu de fazer uma primeira tentativa."

Sydney Smith

Sono... muito sono..!

Hoje só lá vou a litradas de chá verde...

quarta-feira, março 30, 2011

Ping pong

Entendo, cada vez entendo mais. As suas razões não me demovem mas diria que o defeito é capaz de ser meu... e entendo.

Fazer valer os nossos direitos dá trabalho. Não devia dar, os direitos de todos nós deveriam ser pontos assentes, inequívocos, parte de nós, subjacentes e implícitos à nossa condição de cidadãos. Não são. E dá trabalho lutar por eles, pois dá, porque, tristemente, e na maioria dos casos, implica de facto luta! Esforço, horas ao telefone, emails, cartas registadas, paciência, tempo, disponibilidade, capacidade para altercações mais ou menos civilizadas, espera, espera, espera, repetição do que já se disse um milhão de vezes, no fundo, nervos de aço, luvas de boxe e, acima de tudo, cabeça dura, muito dura!

Entendo que a maioria das pessoas desista. Entendo que a maioria das pessoas considere que o trabalho que dá reclamar não compense o que se ganha e por isso preferem pagar ou vender ou desistir e comprar novo. Entendo porque estamos cansados, porque já basta o que temos que aturar, o que nos é imposto, não vamos criar mais um problema com as nossas próprias mãos! Por isso, que se lixe, pague-se, venda-se, desista-se...

Entendo mas só em parte. Dá trabalho, dá. Custa explicar e explicar outra vez, custa que a nossa exposição, tão cuidadosamente preparada e fundamentada, muitas vezes nem seja lida com consideração merecendo logo o carimbo do "não é connosco", custa ser enviada de entidade em entidade, cada uma sacundindo a água do capote e, mais grave ainda, nenhuma sequer sabendo informar a que porta podemos, de facto, bater. Pode ser desesperante...! É desesperante!

Mas há um outro lado. E esse lado nada tem a ver com o gosto por causas perdidas ou com alguma tendência socialista, como já ouvi, nem com uma certa ingenuidade, de quem ainda não conseguiu convencer-se que a máxima "e foram felizes para sempre" fica bem é nos livros infantis e não deve sair de lá.

Perdoem-me a eventual pretensão mas esse é um dos lados da natureza de quem faz andar o mundo. É dessa massa que se compõem quem não se resigna, quem questiona, quem tem sentido crítico e quem faz alguma coisa com ele para além de se ouvir.

terça-feira, março 29, 2011

De... terror?!?

E quando dei conta, o estranho de meia idade estava posicionado de forma a ter por cima da sua cabeça... as minhas cuecas fio dental!!!!

Aaaarghh!! A minha vida é um filme!

Perfil

Já chorei, já ri, já dei biqueiros na parede, já disse palavrões, já chamei nomes. Já me acalmei, já esfriei a cabeça, já agi, já pus os pensamentos e sentimentos de lado para fazer o que tem que ser feito. Já relaxei e já me sobressaltei. Já mimei e fui mimada, já perdi a paciência, já a recuperei. Já falhei e já cumpri. Já trabalhei, já pus o trabalho de lado, já desabafei, já ouvi, já escrevi, escrevi, escrevi. Já me ausentei, já me perdi, já me encontrei, já estou aqui.

segunda-feira, março 28, 2011

Porque cada vez gosto mais desta senhora!

Rolling In The Deep
Adele

There's a fire starting in my heart,
Reaching a fever pitch and it's bring me out the dark,
Finally, I can see you crystal clear,
Go ahead and sell me out and I'll lay your shit bare,
See how I'll leave with every piece of you,
Don't underestimate the things that I will do,

There's a fire starting in my heart,
Reaching a fever pitch and it's bring me out the dark,
The scars of your love remind me of us,
They keep me thinking that we almost had it all,
The scars of your love, they leave me breathless,
I can't help feeling,

We could have had it all,
(You're gonna wish you never had met me),
Rolling in the deep,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
You had my heart inside of your hands,
(You're gonna wish you never had met me),
And you played it to the beat,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),

Baby, I have no story to be told,
But I've heard one on you and I'm gonna make your head burn,
Think of me in the depths of your despair,
Make a home down there as mine sure won't be shared,

The scars of your love remind me of us,
(You're gonna wish you never had met me),
They keep me thinking that we almost had it all,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
The scars of your love, they leave me breathless,
(You're gonna wish you never had met me),
I can't help feeling,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),

We could have had it all,
(You're gonna wish you never had met me),
Rolling in the deep,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
You had my heart inside of your hands,
(You're gonna wish you never had met me),
And you played it to the beat,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),

Could have had it all,
Rolling in the deep,
You had my heart inside of your hands,
But you played it with a beating,

Throw your soul through every open door,
Count your blessings to find what you look for,
Turn my sorrow into treasured gold,
You'll pay me back in kind and reap just what you've sown,
(You're gonna wish you never had met me),

We could have had it all,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
We could have had it all,
(You're gonna wish you never had met me),
It all, it all, it all,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),

We could have had it all,
(You're gonna wish you never had met me),
Rolling in the deep,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
You had my heart inside of your hands,
(You're gonna wish you never had met me),
And you played it to the beat,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),

Could have had it all,
(You're gonna wish you never had met me),
Rolling in the deep,
(Tears are gonna fall, rolling in the deep),
You had my heart inside of your hands,
But you played it, You played it, You played it,
You played it to the beat

sexta-feira, março 25, 2011

(Des) necessidades

Às vezes sinto-me sem palavras. Perante situações perfeitamente absurdas e reveladoras de um raciocínio torpe e descabido, de desfragmentação e deturpação das mais básicas noções de bom senso, de comportamento quase esquizofrénico e doente, fico sem palavras. Nos primeiros segundos. A verdade mais absolutamente verdadeira é que fico sem palavras apenas até o meu cérebro reconhecer a crassa estupidez humana com que está a lidar e "ir buscar" ao arquivo a resposta adequada. Uma questão de um certo delay, portanto. A partir daí, as palavras jorram em cascata, encadeadas, cada uma trilhando caminho para a seguinte, cada "abertura de gaveta" activando em cadeia a abertura de todas as outras e dos seus raciocínios subjacentes. Até que o tal arquivo esteja totalmente à superfície, perfeitamente organizado, activo, pronto para ser usado a meu bel-prazer.

Podia aqui expôr com todas as letras o que penso e como penso. Podia "chamar os bois pelo nome", podia "pôr o dedo nas feridas", podia, como tão bem sei fazer, ir directa ao ponto e, certeiramente, atingir o alvo bem no seu âmago, sem deixar margem para dúvidas sobre a minha pretensão. Sem usar metáforas, linguagem mais ou menos velada ou elaborada, podia falar um português corrente, simples, cru, até básico, um português politicamente incorrecto mas altamente eficiente quando se trata de passar a mensagem certa. Podia, sim, sem qualquer subtileza nem remorso pela sua ausência. Podia insultar, deitar abaixo, pisar, escarnecer, ironizar e fazê-lo com a graça rude de quem não tem "papas na língua". Podia, sim. E confesso que até me daria um certo gozo. Mas não o vou fazer. E porquê? Porque... não é preciso.

Astro... lábia

Hoje: "O amor será o tema principal desta semana, apesar de muita demanda no seu trabalho. A sua forma de amar e os romances estão beneficiados."

Esta semana? Mas... é 6ª feira... de que semana estamos a falar exactamente??

Enjôo matinal

Sento-me aqui, preparada para enfrentar com optimismo o dia da semana de que mais gosto, e ouço uma colega ao telefone:

- Ai coitadinha, nem imaginas! O bebé era grande e rasgou-a toda, toda, toda! Coitada, que horror!

Juro! A sorte destas gajas é que eu sou impressionável... não fosse o vómito incontrolável e eu tinha dado dois gritos bem dados! Irra!

quarta-feira, março 23, 2011

Balancé

Me, myself and I

Às vezes dou-me uma irritação..!

Atitude


E à noite a mãe liga...

- Mãe, olá, então, tudo bem?
- Sim, olha, estou a ligar para te dizer o seguinte: ligou-me agora a tia F. e vê lá tu que me disse... blá, blá, blá... mas eu até achei estranho porque... blá, blá blá... e já da outra vez a A. e o J. agiram desta forma! e eu disse... blá, blá, blá... ora não se admite que tendo em conta que... blá, blá, blá... eu acho inacreditável e disse-o com todas as letras... blá, blá, blá... porque é preciso descaramento... blá, blá, blá... já da outra vez foi o que foi e a tia L. também concordou que... blá, blá, blá... é, de facto, impressionante como as pessoas conseguem não ter o mínimo de decência... blá, blá, blá... e eu ainda acrescentei que... blá, blá, blá... ficaram todos admirados porque... blá, blá, blá... mas realmente desta gente não se pode esperar outra coisa... blá, blá, blá... tenho pena é que não me tenham dito directamente que aí haviam de ver!, essa agora... blá, blá, blá... de facto, isto anda tudo ao contrário... blá, blá, blá... as pessoas são uma coisa que não se entende... blá, blá, blá... eu fico furiosa com estas coisas.... blá, blá, blá... não achas que tenho razão??
- Pois, eu ach...
- Ai, pronto, falamos depois. Tenho que desligar que está a recomeçar a novela. Adeus!
(Click, tuuu... tuuu... tuuu... tuuu...)

terça-feira, março 22, 2011

Geração à Rasca — Mia Couto

Um dia, isto tinha de acon­te­cer.
Existe uma gera­ção à rasca?
Existe mais do que uma! Cer­ta­mente!
Está à rasca a gera­ção dos pais que edu­ca­ram os seus meni­nos numa abas­tança capri­chosa, protegendo-os de difi­cul­da­des e escondendo-lhes as agru­ras da vida.
Está à rasca a gera­ção dos filhos que nunca foram ensi­na­dos a lidar com frus­tra­ções.
A iro­nia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e tam­bém estão) à rasca são os que mais tive­ram tudo.
Nunca nenhuma gera­ção foi, como esta, tão pri­vi­le­gi­ada na sua infân­cia e na sua ado­les­cên­cia. E nunca a soci­e­dade exi­giu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exi­gido nos últi­mos anos.

Des­lum­bra­das com a melho­ria sig­ni­fi­ca­tiva das con­di­ções de vida, a minha gera­ção e as seguin­tes (actu­al­mente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das difi­cul­da­des em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e qui­se­ram dar aos seus filhos o melhor.
Ansi­o­sos por subli­mar as suas pró­prias frustrações, os pais inves­ti­ram nos seus des­cen­den­tes: proporcionaram-lhes os estu­dos que fazem deles a gera­ção mais qua­li­fi­cada de sem­pre (já lá vamos…) mas tam­bém lhes deram uma vida desa­fo­gada, mimos e mor­do­mias, entra­das nos locais de diver­são, car­tas de con­du­ção e 1º automóvel, depó­si­tos de com­bus­tí­vel cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes fal­tasse. Mesmo quando as expec­ta­ti­vas de pri­meiro emprego saí­ram gora­das, a famí­lia con­ti­nuou pre­sente, a garan­tir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acre­di­ta­ram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia che­gando para com­prar (quase) tudo, quan­tas vezes em subs­ti­tui­ção de prin­cí­pios e de uma edu­ca­ção para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o tra­ba­lho, garante do orde­nado com que se com­pra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desem­prego… A vaqui­nha ema­gre­ceu, fene­ceu, secou.

Foi então que os pais fica­ram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um con­certo mas os seus reben­tos enchem Pavi­lhões Atlân­ti­cos e fes­ti­vais de música e bares e dis­co­te­cas onde não se entra à borla nem se con­some fiado.
Os pais à rasca dei­xa­ram de ir ao restaurante para pode­rem con­ti­nuar a pagar res­tau­rante aos filhos, num país onde uma festa de ani­ver­sá­rio de ado­les­cente que se preza é no res­tau­rante e vedada a pais.
São pais que con­tam os cên­ti­mos para pagar à rasca as con­tas da água e da luz e do resto e que abdi­cam dos seus peque­nos pra­ze­res para que os filhos não pres­cin­dam da inter­net de banda larga a alta velocidade, nem dos qual­quer­coi­sapho­nes ou pads, sem­pre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca que já não aguen­tam, que come­çam a ter de dizer “não”. É um “não” que nunca ensi­na­ram os filhos a ouvir e que por isso eles não supor­tam nem com­pre­en­dem, por­que eles têm direi­tos, por­que eles têm neces­si­da­des, por­que eles têm expec­ta­ti­vas, por­que lhes dis­se­ram que eles são muito bons e eles que­rem, e que­rem, que­rem o que já nin­guém lhes pode dar!

A soci­e­dade colhe assim hoje os fru­tos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma gera­ção de pais impo­ten­tes e frus­tra­dos.
Eis agora uma gera­ção jovem alta­mente qua­li­fi­cada que andou muito por esco­las e uni­ver­si­da­des mas que estu­dou pouco e que apren­deu e sabe na pro­por­ção do que estu­dou. Uma gera­ção que colec­ci­ona diplo­mas com que o país lhes ali­menta o ego insu­flado mas que são uma ilu­são, pois cor­res­pon­dem a pouco conhe­ci­mento teó­rico e a duvi­dosa capa­ci­dade ope­ra­ci­o­nal.
Eis uma gera­ção que vai a toda a parte mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma gera­ção que tem acesso a infor­ma­ção sem que isso sig­ni­fi­que que é infor­mada; uma gera­ção dotada de trô­pe­gas com­pe­tên­cias de lei­tura e inter­pre­ta­ção da rea­li­dade em que se insere.
Eis uma gera­ção habi­tu­ada a comu­ni­car por abre­vi­a­tu­ras e frus­trada por não poder abre­viar do mesmo modo o cami­nho para o sucesso. Uma gera­ção que deseja sal­tar as eta­pas da ascen­são social à mesma velo­ci­dade que quei­mou eta­pas de cres­ci­mento. Uma gera­ção que dis­tin­gue mal a dife­rença entre emprego e tra­ba­lho, ambi­ci­o­nando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abun­dam.
Eis uma gera­ção que, de repente, se aper­ce­beu que não manda no mundo como man­dou nos pais e que agora quer ditar regras à soci­e­dade como as foi ditando à escola, alar­ve­mente e sem manei­ras.
Eis uma gera­ção tão habi­tu­ada ao muito e ao supér­fluo que o pouco não lhe chega e o aces­só­rio se lhe tor­nou indis­pen­sá­vel.
Eis uma gera­ção con­su­mista, insa­ciá­vel e com­ple­ta­mente deso­ri­en­tada.
Eis uma gera­ção pre­pa­ra­di­nha para ser arras­tada, para ser­vir de mon­tada a quem é exí­mio na arte de caval­gar dema­go­gi­ca­mente sobre o deses­pero alheio.

Há talento e cul­tura e capa­ci­dade e com­pe­tên­cia e soli­da­ri­e­dade e inte­li­gên­cia nesta gera­ção?
Claro que há. Conheço uns bons e valen­tes punha­dos de exem­plos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encai­xam no retrato colec­tivo, pouco se iden­ti­fi­cam com os seus con­tem­po­râ­neos e nem são esses que se quei­xam assim (embora este­jam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impres­são de que, se alguns jovens mais infla­ma­dos pudes­sem, ati­ra­riam ao tapete os seus con­tem­po­râ­neos que tra­ba­lham bem, os que são empre­en­de­do­res, os que con­se­guem bons resul­ta­dos aca­dé­mi­cos, por­que, que inveja!, que cha­tice!, são beti­nhos, cro­mos que só estor­vam os outros (como se viu no último Prós e Con­tras) e, oh, injus­tiça!, já estão a ser capa­zes de abar­ba­tar bons orde­na­dos e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, esta­re­mos em vias de ser caça­dos à entrada dos nos­sos locais de tra­ba­lho, para dei­xar­mos livres os inve­ja­dos luga­res a que alguns acham ter direito e que pelos vis­tos — e a acre­di­tar no que ulti­ma­mente ouvi­mos de algu­mas almas - ocu­pa­mos injusta, ime­re­cida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos esta­mos à rasca.
Ape­sar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena des­tes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve ape­nas para demons­trar a minha firme con­vic­ção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa que não sou­be­mos for­mar nem edu­car, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre sol­teira por­que é de todos, e a soci­e­dade não con­se­gue, não quer, não pode assumi-la.
Curi­o­sa­mente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
Pode ser que tudo isto não passe de alar­mismo, de um exa­gero meu, de uma gene­ra­li­za­ção injusta.
Pode ser que nada/ninguém seja assim.

Mia Couto

Constatação #36

O Francisco Assis é o gémeo perdido do "Newman", a mim já não restam dúvidas!

O senhor que me desculpe, não se ofenda por estar assim a expôr um segredo de família mas olhe, mais tarde ou mais cedo, alguém havia de reparar, certo? Portanto, assuma-o de vez e mande cumprimentos ao maninho, dizendo-lhe da minha parte que eu acho que "ele vai muito bem", que "gosto muito de o ver trabalhar"...!

Frase do dia

‎"A verdadeira viagem da descoberta consiste não em buscar novas paisagens, mas em ter olhos novos."
Marcel Proust

"Sim, é minha... em todos os aspectos!"

Renovação. Mais renovação. Aqui o "burgo" foi ao cabeleireiro...

segunda-feira, março 21, 2011

Equinócio

Renovação. E a estação chega em grande, brindando-nos com um fim-de-semana a saber a bonança. A brisa cheira a mel de flores e entranha-se no meu cabelo moldando-o em ondas doces e irregulares, talvez para ficarmos a combinar ainda mais. Prazer, puro prazer. Vivido, saboreado, não importa o dia que se segue. Antecipação de sorrisos e os sorrisos que não me deixam ficar mal, a lua brilhante e redonda, não sei se maior mas sem dúvida nenhuma, brilhante e redonda, perfeita na sua redondez, que se observa com sortido de bombons belgas a derreter na mão e na boca. O calor que apetece despir, as conversas que se quer ainda mais conversadas mesmo que não se digam todas as sílabas. Não interessa, não interessa mesmo nada. A sombra das árvores perfumadas de verde, os dias que sabem a pouco. E o sono que se entranha, sono bom, recheado de doçura colorida e que embala a serenidade. O cheiro. O cheiro a flores e a flores em mim.

sábado, março 19, 2011

sexta-feira, março 18, 2011

Diz e diz e vai dizendo

Diz que amanhã a lua é imensa, diz que a Primavera está aí à porta. Diz que vou ter o privilégio de receber muitos mimos em forma de "menina", diz também que já me dói não ter que ir à procura de prenda... Diz que o Sol veio para ficar, pelo menos por uns dias, diz que vêm aí chocolates e jantaradas, mais ou menos concorridas. Diz muita coisa, este fim de semana, muita coisa...

quinta-feira, março 17, 2011

Paradoxos

Há coisas que dão vontade de rir! Rir muito, rir alto, rir, sim, mas para não chorar de tão incrivelmente estúpidas que são! Há coisas que dão imensa vontade de rir mas pelos piores motivos. Rir de incredulidade, de pena, de desilusão, do descaramento, das cócegas que ele nos faz nos cantos da boca, que às vezes até se podem confundir com esgares nervosos de quem está prestes a perder as estribeiras. E regra geral, está mesmo mas opta por rir, que faz melhor à saúde. Há coisas que dão mesmo muita vontade de rir. A falta de noção, de bom senso, de sensibilidade até se podem desculpar, coitadinhos não foram dotados de tais características, a culpa é dos genes que vieram dos paizinhos. Mas quando estas "faltas" são mascaradas de carantonha de quem acha que sabe tudo e sente mais ainda, é ver-nos a contorcer a espinha com as risotas a pedir para saltar boca fora! Risotas para não serem chapadas, a verdade é essa. Risotas de quem pensa: não vale a pena mais do que isto.

Há coisas que dão mesmo vontade de rir. Mas depois, o que fica, não é a sensação de liberdade, de alívio que nos deixa sempre uma boa gargalhada ou o rasto da energia que o riso faz percorrer pelo corpo, alegrando todos os seus terminais e dando brilho aos olhos. Não, a sensação que depois permanece é a de amargo desconsolo, de baça descrença, de buraco negro que engole a alegria. Porque nada é mais lamentável do que rir do que é triste.

Que é como quem diz... siga!

Move on, move on, embrace your life, enjoy the love that surrounds you, enjoy the sun, enjoy yourself. Move on, move on, don't look back, what's gone is gone, it has moved on too, the past never turns its head. Move on, move on. Hold on to you. Hold on to those who are near and present, to those who choose to be near and present, to those you choose you. Move on, move on, save what's worth to save, let go of what no longer suits you, move on, move on, to the light, to the new walls, to the new smiles. Move on, move on, it's not that hard, the world does it every day.

quarta-feira, março 16, 2011

Moving on

E não é que esta tem potencial..? Hhuummm...

A propósito dos males

Irra, que é demais!!

Hello
??! Hello aí em cima!? Que tal fazermos um trégua, hein?? Que tal carregarem no pause em relação a mim e à minha "rede" e, sei lá, desviarem as atenções para outro lado só para variar um bocadinho, que tal?!? É que começo mesmo a ficar danada com esta trampa!!

Irra! Calma com o andor!! Mas é preciso que desate à chapada, é??!? Irra!!

Porque é daquelas que me faz cantar aos berros no carro!

Love Song
Sara Bareilles

Head under water
And they tell me to breathe easy for a while
The breathing gets harder, even I know that
You made room for me, but it's too soon to see
If I'm happy in your hands
I'm unusually hard to hold on to
Blank stares at blank pages
No easy way to say this
You mean well, but you make this hard on me

I'm not gonna write you a love song
'Cause you asked for it
'Cause you need one, you see
I'm not gonna write you a love song
'Cause you tell me it's make or breaking this
If you're on your way
I'm not gonna write you to stay
If all you have is leaving
I'mma need a better reason to write you a love song today
Today

I learned the hard way
That they all say things you want to hear
My heavy heart sinks deep down under you
And your twisted words, your help just hurts
You are not what I thought you were
Hello to high and dry
Convinced me to please you
Made me think that I need this too
I'm trying to let you hear me as I am

I'm not gonna write you a love song
'Cause you asked for it
'Cause you need one, you see
I'm not gonna write you a love song
'Cause you tell me it's make or breaking this
If you're on your way,
I'm not gonna write you to stay
If all you have is leaving
I'mma need a better reason to write you a love song today

Promise me you'll leave the light on
To help me see with daylight, my guide, gone
'Cause I believe there's a way you can love me because I say
I won't write you a love song
'Cause you asked for it
'Cause you need one, you see
I'm not gonna write you a love song
'Cause you tell me it's make or breaking this
Is that why you wanted a love song

'Cause you asked for it?
'Cause you need one, you see
I'm not gonna write you a love song
'Cause you tell me it's make or breaking this
If you're on your way
I'm not gonna write you to stay
If your heart is nowhere in it
I don't want it for a minute
Babe, I'll walk the seven seas when I believe that there's a reason to
Write you a love song today
Today

Frase do dia

"Nunca implore por aquilo que tem o poder de obter."
Miguel de Cervantes

"Olha...! É a cara de um touro!"

terça-feira, março 15, 2011

Limpezas

Conhecem alguém que aproveite o facto de estar a tomar banho para, de esfregão e detergente em punho, limpar a parte de dentro da cabine de duche?

Eeeerrr... eu também não..!

As "caracolinhas"...

... vão passar o dia juntas, ah pois vão!

Mal sabe a "caracolinha" mais pequena que a "caracolinha" maior engendrou tudo isto, não numa de boa samaritana, mas sim para ter desculpa para comprar uma embalagem familiar de Cerelac lá para casa!! Porque... convenhamos... a "caracolinha" pequena pode querer, claro, há que estar preparada ..! ;)

segunda-feira, março 14, 2011

LinFATicamente falando, como diz a outra

Ela é migas de espargos, ela é batatinha assada, ela é bolinho caseiro, ela é vegetariano (que não, querida E., não é necessariamente dietético!), ela é empadas de galinha feitas de propósito para ela pela amiga cozinheira, ela é sobremesas várias... valham-me o chá verde e as mãozinhas da D. a drenar-me a linfa!!

Meia mais meia laranja

A propósito de constatações, de aceitações, de realidades e factos e evidências... desiste! És feita de duas metades, iguais em tamanho, força e personalidade. E por mais que te tentes chegar mais a uma que a outra, existe sempre a noite, existe sempre a linguagem dos sonhos... Por isso, olha... sorri! Ao menos, enquanto sorris enfeitas o mundo...

sábado, março 12, 2011

Os entretantos dos cancelamentos

Sono, muito sono, de quem dormiu muito aquém do que queria e, afinal, até podia! Porque a interromper estas palavras, surge o telefonema, pois que já não vêm, desmarcaram à última...

E a noite recheada, de pesadelos daqueles que dão medo, como criança a lidar com monstros imaginários. E esta casa era o centro do mal, era aqui que tudo acontecia, era daqui que tinha que sair com urgência.

No meio do nada, uma caixa de recordações onde, perdido e entrelaçado em inúmeros pedaços de papel rabiscados com mensagens várias trocadas de mão em mão nas aulas do liceu, um mais pequeno me chama a atenção. Letra de criança, a criança que eu fui, letra que se esforça para desenhar o A e o B de acordo com o manual da primária, de língua de fora, pressionando com força a caneta no papel para não sair da linha e curvar o C e o G na perfeição. Sem grande sucesso, diga-se de passagem, até hoje consigo ouvir a professora: até escreves bem mas tens uma letra tão feia, credo, é uma pena...!

Mas esse papelinho velho, de letra feia mas esforçada, oferece-me uma cantilena:
Gosto de ti porque gosto
Gosto de ti porque sim
Gosto de ti e aposto
Que tu também gostas de mim.

Tavez a tenha escrito por ser a única que conhecia para praticar a caligrafia, talvez a tenha escrito para a oferecer a algum menino especial certamente pensando que depois receberia em troca um "tens razão, também gosto de ti". Se assim foi, terei arrepiado caminho algures, provavelmente com medo de fazer figuras tristes, criança que eu era já dona de grande sentido crítico, e a cantilena nunca chegou a sair de mim acabando por encontrar acomodação no meio de todas as outras mensagens, essas sim, que passaram de mão em mão.

Gosto de ti porque gosto
Gosto de ti porque sim
Gosto de ti e aposto
Que tu também gostas de mim.

Nada mais sincero, nada mais humano. "Porque sim..", pois claro, que outra razão poderia haver...? Nada mais bonito, simplesmente bonito, para se entregar a alguém.

sexta-feira, março 11, 2011

Porque me toca de uma maneira especial que só eu sei qual é...

David Fonseca

I've walked through dangers,
I've talked to strangers, but they didn't understand
And when the world seems senseless
It's me and you against them
And I love you because you know who I am

All you dreamers keep dreaming
And let those dreams rise into the light
Go find someone who loves you, to live those dreams through
Don't you go and get swallowed by the night

I've walked the stages
I've read the pages and never, I've never reached the end
All the world seems senseless
You're here with me against them
And I love you because you know who I am

Deep inside every soul
There's a sadness on the verge of climbing through
Now don't you try and fix it, why would you do that?
How beautiful when sadness turns to songs

And I'll walk through dangers
I'll dance with strangers, but they'll never understand
We'll never be defenseless
We'll win this war against them
Don't you doubt this, yeah I'm sure we can
And who cares if they don't ever understand
And I love you because you know who I am

Roubada descaradamente

Porque se "colou" a mim de forma tão perfeita que não valia a pena inventar mais nada.

"Prece
Dear mind,
Could you please shut off until further notice so that my body, soul and sanity can get some rest?
I'll let you know when you're needed again.
Sincerely yours,
(...)"

quinta-feira, março 10, 2011

Frase do dia

‎"Quando paramos de lutar contra a realidade, a acção torna-se simples, fluida e sem medo."
Byron Katie

quarta-feira, março 09, 2011

O "S" que se transformou em "M", ou qualquer coisa a caminho disso, e o que veio a seguir

Na loja, pedi para trocar a peça de roupa que já andava na mala do carro há uma semana à espera da sua sorte. Na caixa responderam-me que não era possível porque a peça já tinha sido usada uma vez. Dei as minhas explicações, tentei fazê-lo entender que só me dei conta que afinal não devia ter trazido aquele tamanho ao usar porque nessa altura é que vi que o tecido alargava deixando de corresponder ao que eu pretendia. Respondeu que entendia mas que não podia ser, que não podem trocar peças que já foram usadas e que era óbvio que aquele material cedia... Resignei-me e disse: com certeza, entendo, deixa estar então, para a próxima tento ser mais atenta. E quando já estava mesmo a virar as costas, o rapaz disse: ok, vou abrir uma excepção. Repare, nós não podemos fazer isto mas pronto, desta vez passa...

Fiquei espantada, não era propriamente uma pessoa de trato fácil, até se podia dizer um pouco antipática e, mais do que isso, tinha a razão do seu lado. Sorri meio incrédula, tentando perceber se não tinha ouvido mal e lá entreguei a etiqueta do produto que tinha tirado entretanto da mala.

Enquanto a operação do regista e não regista e do troca e não troca decorria, dei por mim a pensar: caramba, não estamos a falar de algo fundamental. Eu não morria se não trocasse a peça, o meu mundo não acabava, não ficava nem mais pobre nem mais rica. Ele, o fulano da caixa, por seu turno, também não ganhava nem perdia. Não era um assunto de vida ou morte, de muito milhões, de nada importante. Mas... ele foi amável. Podia não ter sido, tinha legitimidade para não o ser e ninguém lhe podia apontar o dedo. Estava a fazer o seu trabalho, a cumprir as regras, e bem. Mas... DECIDIU ser amável. Simplesmente isso.

Não posso deixar de escrever sobre o assunto. Não posso porque me dei conta que a amabilidade, pura e simples, é cada vez mais rara. Não posso porque é bom perceber que ainda existem pessoas assim, é bom destacá-las, é bom reconhecer-lhes o mérito. Não posso porque há muito tempo que ninguém era tão amável assim comigo, simplesmente amável, sem ganhar nada com isso, sem pensar muito, sem... mais nada.


P.S: Para aqueles que estão, neste momento, a pensar "pois, és mulher, o rapaz derreteu-se e fez-te o jeito", acho que posso afirmar com quase, quase, quase! cem por cento de certeza que não me parece que faça o "género" dele ;).

Mascarados

Durante estes dias, olhei várias vezes para aqui. Apeteceu-me escrever mas, ao mesmo tempo, a ideia de me deparar com a caixa de texto em branco causava-me uma espécie de repulsa. Não soube como ultrapassar esta sensação, por isso fiz descansar a "pena".

Senti muitas coisas, lutei com todas elas, desgastei-me, recompus-me, desgastei-me mais um bocado, sacudi a cabeça na ilusão de fazer saltar para fora de mim as nuvens negras, pensei, pensei, pensei, cansei-me de pensar. Voltei atrás, andei para a frente, tomei decisões, desfiz as decisões que tomei, pensei mais, tentei chegar a conclusões para logo a seguir as esquecer e logo a seguir também voltar a elas como tábua de salvação. Senti. Senti muito, senti tudo.

Estou cansada, muito cansada. Talvez seja porque este ano me fartei de pular ao Carnaval...

sábado, março 05, 2011

O jantar fora que se transformou em jantar dentro

E. e E., a dupla maravilha, uns copos de vinho tinto a banhar a salada XL, depressões e piadas da treta mas, acima de tudo, a certeza de que ali é seguro cair.

sexta-feira, março 04, 2011

Interiores

Percorri os corredores, as divisões, fiz contas de cabeça, mimei o gato laranja que se roçava nas minhas pernas. Já cá fora, a profissional do ramo, que não parou de tagarelar sobre as maravilhas do que me apresentava, pergunta: E então, gostou? Tem alguma dúvida?

Fiquei-me pela resposta politicamente correcta do "sim, sim, obrigado, não tenho dúvida nenhuma, depois digo alguma coisa".

Mas o que me apetecia mesmo dizer era: gostei de umas coisas, odiei outras, a sua voz já me começava a dar nos nervos e, convenhamos, para a próxima avise a dona que deixar um soutien azul rendado, qualquer número, copa C, exposto logo à entrada do quarto, é estar a dar informação a mais, que eu não quero ter, e que não, não vai vender a casa mais rápido só por se conseguir adivinhar que até tem um belo par de mamas!

"Falta o click!"

Dizia a V...., e eu disse: faltam dois clicks, não um.

Mas isso sou eu, que tenho a mania...

As costuras

O que se faz com as saudades? O que se faz com essa matéria imaterial que somos obrigados a embrulhar em papel pardo, a atar com fio e a guardar algures em nós sendo que não há lugar onde elas se encaixem verdadeiramente? O que se faz quando o pacote é estranho em qualquer lugar onde se coloque e por isso, tal qual costura de meia a roçar e a entrelaçar-se nos dedos, sente-se sempre, incómodo, arestas mal limadas, alienígena? Perguntei e ouvi a resposta: nada. Podemos tentar ajeitar, ao longo do caminho, e com o tempo habituarmo-nos à sua presença porque o corpo e a mente a tudo se habituam. Mas não podemos fazer nada. Podemos contar com que murche com a passagem dos dias, perca dimensão, diminua o estorvo mas nada. Não podemos fazer mais nada. Porque as saudades, aquelas que fazem jus ao nome, são muito mais do que letras ou expressão bonita utilizada em canções. São donas de uma profundidade inalcansável, compostas por sentimentos sem norte, aos quais cortaram a raiz, impossíveis de fazer reviver. São donas do insondável, do "nunca mais", do "para sempre", da invisibilidade, da parede de vidro à prova de bala. São matéria do esquecimento, da perda, da vida que virou as costas, de quem se foi embora e nos deixou para trás. Não têm qualquer remédio. Só podemos esperar que murche.

Viagem na maionese

Ir almoçar a casa da mãe tem muitas vantagens. Uma delas é que a mãe em causa já faz comida a contar com o jantar da filha... Bom, muito bom, iguarias já preparadas, é só aquecer, caseirinhas, de boa qualidade...

Mas há mais! Tenho ultimamente reparado que, para além dos benefícios acima enumerados, um tupperware bem recheado pode-nos proporcionar toda uma experiência sensorial... vá... diferente! E ontem pude vivê-la em pleno...!

Nada como ter uma caixinha de arroz à valenciana a aguardar por nós dentro do carro, já há umas horas e com algum calor.... A caminho de casa, percorrendo estas estradas da vida, senti que o meu veículo já não era um qualquer citadino de 5 portas, não...!! Como que por magia, fui transportada para um outro universo, de cheiros e cores... por uns quilómetros senti-me uma outra pessoa, numa outra história de vida... por uns quilómetros, envolvida por aquela aroma, eu pude jurar que afinal era, nem mais nem menos do que uma condutora de roulotte de cachorros e couratos em início de jogo!

E não é que foi um gosto?! É o que vos digo, um gosto...

quinta-feira, março 03, 2011

Banho de rio

Perfil

Desistência e inteligência... será só por acaso que rimam?

Nãããã...! Este Sol não me engana!!

Sim, mantenho o pijama de flanela e as meias polares. Porque se a gata A. continua a optar por dormir debaixo do edredon isso significa que, lá em casa, ainda é Inverno rigoroso! O posto de "galo metereológico" é dela, ela é que sabe e eu nem discuto!

quarta-feira, março 02, 2011

Frase do dia

‎"A primeira e pior de todas as fraudes é enganar-se a si mesmo. Depois disto, todo o pecado é fácil."
J. Bailey

terça-feira, março 01, 2011

As dores, a luz, as várias línguas e a crescente falta de pachorra!

A mente humana é, de facto, estranha. Bom, pelo menos a mente desta humana em particular é...

Ouvimos só de vez em quando mesmo que ouçamos muito mais vezes. Podemos ser bombardeados durante meses e só haver um dia em que a informação, as opiniões, as constatações nos tocam de alguma forma. A minha única resposta para esta surdez selectiva é o coração e as suas razões ou a cabeça e as suas razões. Sinceramente, não sei bem se no fundo não são um só... E o facto é que "ouvir" dói antes de libertar. E quem quer que doa quando é óbvio que não vai passar disso, não vai ser mais nada que dor pura, sem tratamento, dor que só dói? Fechamos assim todas as portas, as auditivas, as sensitivas, e de dedo apontado mandamos a mensagem embora. A sua simples presença já fez estragos suficientes, não convém ter que lidar com ela muito mais. Sabemos, claro, o que ela tem para nos dizer, mas dói. Só dói.

Mas a realidade tem esta coisa chata de não desaparecer, de ser persistente... e, volta e meia, lá se coloca à nossa frente. Mais uma vez tenta, de mansinho ou à bruta, "chapar-se" na nossa cara. A cara é virada muitas vezes, continua a doer, continua a doer, mas há células em nós que começam lentamente a ceder. Porque há células em nós que se foram revestindo de capa protectora e conseguem já olhar de lado, conseguem que o medo já não as domine completamente. A realidade identifica-as imediatamente e não hesita em tocá-las, em tentar comunicar com elas. E vai plantando as suas sementes na parte de nós que se abre ao sol.

Não acredito no dia em que se acorda e se vê a luz. Acredito, sim, que vamos deixando a luz entrar aos poucos e que um dia percebemos que ela penetrou em nós em quantidade suficiente para nos podermos dizer mais iluminados. Nessa altura, a realidade, a mensagem que ela traz encontra acolhimento e pode enfim fazer-se evoluir para a outra fase, a fase em que nos acrescenta algo que não só sofrimento, a fase em que nos mostra o que o seu peso esconde, em que nos auxilia a libertarmo-nos dele, a ver para além dele.

Mas a mente humana é estranha... e embora tentando saborear a nova leveza, tem medo, continua com medo, luta entre embuir-se do espírito e prevenir-se para o que ainda pode vir. Porque a esmola parece demais, porque já não é a primeira vez que tudo volta a descambar quando já não se previa, porque "se calhar eu não tenho jeito para isto, o mais provável é fazer m****...". De repente, é mais fácil voltar à dor conhecida do que abraçar o que está para vir...

É uma luta. Cansativa, esgotante. Faz-me ficar farta de mim, deste ser estranho, cada vez mais estranho e inconsistente. É uma luta quase entre o bem e o mal, como nos filmes, em que num momento sou o "velho do Restelo" e no outro a "Alice no Pais das Maravilhas", em que de manhã digo "força, aproveita a vida e o que há de bom nela" e à tarde me encolho a dizer "cuidado, muito cuidado, it's not over yet...".

Convenhamos... estranha, louca, com múltipla personalidade e com raciocínios poliglotas... já não há quem aguente!

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

domingo, fevereiro 27, 2011

Surprised?

Why?

It's time for you to see what everyone has always seen...

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Porque para tudo há uma primeira vez...

Gestora de projecto de uma qualquer empresa de consultoria da nossa praça quando tratávamos de alterar um determinado documento:

"Sim, portanto, eu tinha pensado então que nesta data façaríamos também aquela reunião..."


Juro! Esta eu nunca tinha ouvido!

A resposta à altura

Há conversas que não nos acrescentam nada. Seja porque os diferentes interlocutores não estão em dia de falar a mesma linguagem, porque a nossa cabeça não está preparada para receber o que ouve, porque nada há de novo, no limite, porque o céu está cinzento e chove e o humor arrasta-se pelas ruas da amargura.

Mas há outras que, simplesmente, nos preenchem... O assunto até pode ser do mais batido que existe, os argumentos até podem já ter sido discutidos até à exaustão, as pessoas até podem ser exactamente as mesmas e também nada ter acontecido de significativo... mas isso não interessa absolutamente nada. O que interessa é que, naquele momento, reina a absoluta empatia. E não há nada mais reconfortante.

É bom poder falar sem medos, sem vergonhas. É bom poder perguntar "sou uma idiota, não sou?" e ouvir "és mas eu gosto de ti à mesma" ou "és mas no que depender de mim vais deixar de ser". É bom receber sinceridade, genuína preocupação, é bom poder dizer e ouvir as palavras todas, sem rodeios. É bom termos quem nos queira bem ao ponto de nos ameaçar "se for preciso, levas um par de estalos!" e é bom sentir que não somos totais atrasados mentais ou que, pelo menos, se somos, estamos acompanhados porque o outro até concorda connosco e não se coíbe de o dizer. É bom porque nos entendem, é bom porque podemos ser nós próprios e receber o mesmo em troca. É bom porque nos fazem sentir que afinal andar por aqui, por esta vida, vale a pena...

Sim, querida F., considera este post como uma espécie de declaração de amor... digo "espécie" porque, convenhamos, temos o "nosso" marido pelo meio e embora saiba que ele até é um tipo arejado e moderno não sei se, apesar de passados todos este anos, já se habituou à ideia de que quando casou contigo, casou comigo também...

E sim, querida F., disseste "já viste que és uma rapariga com muita sorte?". E eu respondo: já vi, sim, sem dúvida nenhuma que sou! :)

Conhecimento interior

"Porque eu não sou uma vaca mansa, que fica ali a ruminar, sossegadinha... eu sou uma cabra do monte!"

E foi isto que me saiu pela boca fora sobre... mim própria... e é este o resultado de várias sessões de terapia...

E... não é que eu até gosto?!

Em ombros

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Day off

Não é à segunda-feira, como eu normalmente gosto, mas foi o que se conseguiu arranjar.

Reparo agora que não o faço há meses, tantos meses. Reparo agora que não o fazia porque necessitava de rotinas para sobreviver, as poucas rotinas que me restaram, más ou boas, não interessava, a única parte da minha vida que se manteve igual. Podia não fazer nada de jeito, muitas vezes foi exactamente o que aconteceu, mas era a única razão que tinha para me levantar da cama e eu agarrava-a com unhas e dentes. Ia. Fui sempre, sem interrupção. Ia porque necessitava dessa estabilidade, porque era a única que tinha, porque ali eu era eu, a mesma, nada tinha mudado. Em comparação com o resto da vida, era o único sítio onde eu me encontrava de novo comigo.

Folga. Porque se proporcionou, porque olhei para ela e entendemo-nos. Quis tirá-la e tirei. Folga. Para não fazer nada, para fazer o que me apetece, para apanhar sol, para conversar, para descansar. Folga. Para dar ainda mais espaço de manobra áquele que é o meu grande defeito: penso demais e as folgas são amigas dos pensamentos. Penso demais, penso demais... e, na maioria das vezes, sinto-me como a única que pensa alguma coisa.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Irmãos

Raramente peço ajuda. Não porque considere um sinal de fraqueza mas porque acho sempre que vou e tenho que conseguir sozinha. Que é suposto, que tenho que fazer pela vida, ser independente, que já sou grandinha e antes de me pôr a choramingar para os outros e a chateá-los, devo tentar até à última, até esgotar todas as possibilidades.

Faço mal, já aprendi. Porque, enquanto tento e não tento, posso, e acontece muitas vezes, "meter os pés pelas mãos" quando o podia ter evitado se tivesse partilhado as minhas preocupações. Porque quem está de fora... é a velha história.

Mas pedir ajuda requer aprendizagem. Requer não me deixar levar pela ideia de que vou incomodar, que me vão achar parva, que lhes estou a atirar com um fardo que não é deles e com o qual não têm que levar. Requer, em suma, aprender a pensar que eles, os outros, os "meus" outros, sentem os amigos e as suas maleitas como seus tal como eu faço, e que por isso querem saber e ajudar e estar na minha vida partilhando o que é meu.

Tenho sorte, muita sorte. Estou rodeada de mãos que nunca me deixaram cair mesmo nos momentos de maior queda livre. Mesmo até quando eu queria cair. Porque há dias em que estamos tão cansados que só queremos mesmo deixarmo-nos escorregar pela parede e esparramarmo-nos no chão. Nunca deixaram, nunca quiseram ver-me esparramada fosse onde fosse nem de qualquer forma. Cada uma à sua maneira, deitou-me a mão, o pé, o coração porque, no mínimo, tinham que garantir que, se escorregasse, teria uma almofada fofa onde deitar a cabeça, mesmo que eu não a pedisse. E eu raramente a pedi.

Escrevo isto hoje porque hoje, numa qualquer rede social, faz-me uma homenagem aos irmãos. Estes são os meus "irmãos". Sem os quais a minha alma não teria sobrevivido.

E o Fernando a falar por mim

Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.

O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma
E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.

Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.

Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem.
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.

Fernando Pessoa

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Estados da alma

Preenchida. Com mais conhecimento. Oito horas que valeram a pena.

Cansada. De corpo, porque estive confinada ao mesmo sítio durante todo o tempo, a olhar numa só direcção. De alma, porque me canso a mim mesma. E estou cansada do cansaço.

Desiludida. Mas... what's new?? Tem sido uma constante e a culpa é minha. Só se desilude quem se ilude e eu tristemente revelo-me mestre em ilusão...

Triste. Porque há recantos meus que são negros. E nunca vão deixar de ser.

Alegre. Porque reparo que, já há uns tempos, me voltei a alegrar com as pequenas coisas. Coisas que provavelmente só me alegram a mim como o chão cheio de folhas ou os pássaros a cantar ou aquela música que surge no momento certo ou ainda perante a possibilidade de comer qualquer coisa de que gosto muito. E às vezes apenas o simples facto de estar...

Compreensiva. Sei bem pelo que passas querida E., sei tão bem...

Sonolenta. Decididamente, levantar-me de madrugada só é para mim se for para apanhar um avião que me leve daqui para qualquer outro lado. Caso contrário, considero um verdadeiro atentado à minha sanidade mental!

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

E por trás do pano...

Porque esta andou o fim-de-semana todo atrás de mim a "pedir" para ser publicada...

... e eu dedico-a a ti sabendo que estarás sempre à minha espera.




If you wait for me
then I'll come for you
Although I've travelled far
I always hold a place for you in my heart

If you think of me
If you miss me once in awhile
Then I'll return to you
I'll return and fill that space in your heart

Remembering
Your touch
Your kiss
Your warm embrace
I'll find my way back to you
If you'll be waiting

If you dream of me
Like I dream of you
In a place that's warm and dark
In a place where I
can feel the beating of your heart

Remembering
Your touch
Your kiss
Your warm embrace
I'll find my way back to you
If you'll be waiting

I've longed for you
And I have desired
To see your face, your smile
To be with you wherever you are

Remembering
Your touch
Your kiss
Your warm embrace
I'll find my way back to you
Please say you'll be waiting

Together again
It would feel so good to be
In your arms
Where all my journeys end
You can make a promise
If it's one that you can keep
I vow to come for you
If you'll wait for me

Say you'll hold a place for me
in your heart

A place for me in your heart

A place for me in your heart

Expiações e outras considerações

"Foi uma violência, foi uma violência...", repete ela em modo de expiação de pecados. Pois, foi uma violência para a qual não estava preparada, em nenhum aspecto. Aliás, quem está? Por um lado nascida em si, por outro imposta, em alguns casos, gratuita, em quase todos, em demasia. Mas, acima de tudo, avançou como torrente, veio sem controlo, alagou tudo à sua volta e teima agora em não se deixar escorrer completamente. Saco de pancada, é como se sente muitas vezes, e não se suporta mais. A violência gerada pelas suas próprias mãos corrói-a, de mansinho, desintegrando os tendões e os músculos, desintegrando a espinha dorsal. A outra, a imposta, pela vida, por outras mãos, por outros dias, apresenta-se como botifarra de montanha a pressionar o diafragma, constante, presente. Duas forças, com origens opostas, que se encontram frente a frente e chocam num mesmo corpo. O resultado nunca é bom.

Mas a marca dos dias a andar vai adocicando o rasto amargo, amaciando a dureza das expressões, sarando os tecidos. Já não se pergunta se "irá acabar um dia?", pergunta "quando". Com consciência de que nunca nada irá ser igual, pergunta "quando". E se pensar bem, a fundo, alegra-se pela diferença inevitável, alegra-se pela armadura entretando soldada, alegra-se pelo coração multifacetado de agora, alegra-se pelos dias negros que nunca poderão voltar a ser tão negros assim simplesmente porque não existe negritude maior. E alegra-se por perceber que a sua outra face já não está à disposição.

domingo, fevereiro 20, 2011

E já de madrugada...

... pus-me a pensar: é espectacular gostar de dormir. Porque é espectacular gostar de alguma coisa e poder fazê-la todos os dias!

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Facilidades

"Porque se sente melhor consigo poderá finalmente perceber que as coisas às vezes são mais fáceis do que parecem."

Aparentemente, é este o vaticínio dos astros para mim no dia de hoje.

E não deixa de ser curioso porque a questão que se vem colocando é justamente essa, a aparente facilidade das "coisas" em contraste com a minha visão delas e, mais do que isso, com os sentimentos pesados e angustiantes que a acompanham.

E assim, o Sol, a Lua e as estrelas que se espalham por aí dizem-me, através de uma das últimas páginas de um qualquer jornal, "vê lá se aprendes de uma vez!".

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Os balanços

A propósito da loucura, pontual ou nem por isso, pergunto-me quem é mais louco... quem acredita, apesar de o mundo abanar a cabeça num redondo "não", ou quem faz por não acreditar, não importando de onde sopra o vento? Quem é mais louco, quem deixa que as decisões se anseiem antes mesmo da concretização ou quem as segue sem conversar bem com elas, sem se dar ao trabalho de perceber bem a sua natureza? Quem é mais louco, aquele que vira as costas ou aquele que está disposto a dobrá-las? Quem "paga para ver" ou quem não é capaz de olhar nos olhos?

A propósito da minha loucura, volto a estar encolhida no chão da banheira, com água quente a escorrer pelas costas. Estou aqui mas estou lá, a balançar o corpo para trás e para a frente sem dar conta, a repetir incessantemente as mesmas palavras, aquelas palavras, a julgar-me louca, a sentir-me louca mas a ignorar a sensatez e a deixar-me levar pela cadência do movimento e do som que eu própria emito. Estou aqui mas o meu coração e a minha mente estão lá, encolhidos e imersos em água quente.

Quem é mais louco? Quem não dá peso à vida e ao tempo que passa ou quem dá peso demais? Quem pede para o céu ou quem nem se dá conta que ele existe? Quem sente cada solavanco ou quem plana por aí? Quem se esquece dos sentidos ou quem os exacerba? Quem espera que os pensamentos voem com direcção certa ou quem os abafa logo à partida?

Quem se encolhe numa banheira a balançar...?

terça-feira, fevereiro 15, 2011

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Para provar que os animais assumem a personalidade dos donos...

Como explicar a um gato, neste caso um gato B., que o facto de uma bola de ténis, que pula num determinado sentido, fazer ricochete algures e voltar para trás não significa que ela tenha personalidade e que se tenha fartado da perseguição e decidido atacá-lo???

Merecidamente

Mereço que lutem por mim. Como mulher, como amiga, como ser humano, mereço que lutem por mim, pela minha amizade, pelo meu amor, pela minha presença, pelo meu sorriso. Mereço que lutem por mim por quem sou, por tudo o que sou. Eu mereço. Mereço que lutem por mim e desse direito não abdico.

sábado, fevereiro 12, 2011

Dancing with myself

Houve alturas em que pensei que ia dar em louca. And you know what? Às vezes, ainda penso.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Apresentações

Fui apresentada a Machado de Assis através do "Memorial de Aires" e da mão de minha mãe, que não gosta de ter coisas repetidas em casa.

Fui apresentada e respondo agora: é um prazer conhecê-lo. É um grande prazer mesmo..!

Constatação #35

Livros velhos, para a minha mão, devem vir com anti-histamínico de brinde...

Porque é a derradeira declaração de amor

Everything
Michael Buble

You're a falling star,
you're the get away car.
You're the line in the sand
when I go too far.

You're the swimming pool,
on an August day.
And you're the perfect thing to say.

And you play it coy
but it's kinda cute.
Ah, when you smile at me you know exactly what you do.
Baby don't pretend
that you don't know it's true.
'cause you can see it when I look at you.

And in this crazy life,
and through these crazy times
It's you, it's you,
you make me sing.
You're every line,
you're every word,
you're everything.

You're a carousel,
you're a wishing well,
And you light me up,
when you ring my bell.

You're a mystery,
you're from outer space,
You're every minute of my everyday.

And I can't believe,
uh that I'm your man,
And I get to kiss you baby just because I can.
Whatever comes our way,
ah we'll see it through,
And you know that's what our love can do.

So, la, la, la, la, la, la, la
So, la, la, la, la, la, la, la

And in this crazy life,
and through these crazy times
It's you, it's you,
you make me sing.
You're every line,
you're every word,
you're everything.

You're every song,
and I sing along.'
Cause you're my everything.
Yeah, yeah

So, la, la, la, la, la, la, la
So, la, la, la, la, la, la, la

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Vapor de água

É quinta, já é quinta. Que bom. Como se os dois dias de fim de semana fossem aqueles, os únicos, que permitem evasão, desprendimento, resgate da vida obrigatória sendo apenas essas 48 horas que me dão espaço para perceber um outro sentido, avançar por outros caminhos, descobrir o que está para lá das horas. Como se no fim de semana houvesse ordem de soltura para fugir do molde e assim pensar e elaborar tudo o que o tempo quadrado dos dias úteis não permite.

Enquanto ontem a água quente do chuveiro escorria sobre mim e se formava à minha volta o meu nevoeiro privado, certezas saiam para o ar através dos meus lábios em direcção aos azulejos. E sim, confirmei-lhes as certezas que tinha, que tenho. Mas eles devolveram-me a pergunta fria da sua superfície: sabes que decidiste ir... mas para onde? Não sei. Não sei e agora não me interessa porque decidi ir e isso é o que marca esta noite de banho quente. "Resolvi fazer-me à vida..." dançavam as letras escritas a vapor, "resolvi fazer-me à vida...".

É tão mais fácil quando nos convencemos que tudo tem um sentido, um propósito. Mesmo que não saibamos qual é, é tão mais fácil aceitar que nada acontece por acaso e que tudo encerra em si algo de positivo, até os maiores monstros da memória. Iliba-nos de pensar, dá-nos autorização para ficar quietos e esperar que o que tem que acontecer aconteça. É tão mais fácil mas só às vezes é que sabe bem. De resto, o sabor é estranho, indefinido, amargo. E como eu detesto o amargo...

Mas decidi algumas decisões. Nada de fundamental para a humanidade, nem mesmo para a minha, mas decidi. E pergunto-me se foi de facto necessário todo o caminho para chegar aqui... sim, convenço-me que sim porque não me quero ver como uma perda de tempo. Convenço-me e congratulo-me e acredito, sim acredito, que hoje não seria quem sou se não tivesse passado pela travessia. Digo "passado" por ela porque não sinto que tenha sido eu a decidir fazê-lo mas sim ela que se foi atravessando à minha frente. A travessia atravessou-se, foi assim que foi.

Misturando sensações, como batido de fruta com água em vez de leite porque os meus têm que ser assim, e esperando que o resultado seja... no mínimo, comestível. Porque são as minhas, as dos outros, as que julgo que os outros têm, as que gostaria de ver, as que gostaria de sentir. Demasiados ingredientes para que saia alguma coisa de jeito daqui, é essa a verdade. Mas a tudo a alma se habitua e, às tantas, já não é nada de sólido ou pesado, simplesmente paira à minha volta, como o nevoeiro particular, que é meu, que faz parte de mim, que é assim talvez porque tenha que ser, que é enquanto for.

É quinta, já é quinta-feira.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Perfil

"Resolvi fazer-me à vida..."

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Constatação #34

Há dias em que só não mando a vida à m**** porque sei que a p*** não me ouve..!

Mais vale sorrir!

A princípio não percebi. Não percebi a irritação latente, não percebi a má diposição com algo já tão esmiuçado, tão discutido, do qual todos, ele até mais do que qualquer outro naquela sala, tinham conhecimento. Não percebi porque se esforçou para me contradizer, para "dar o ar" de que eu estava a levantar problemas onde eles não existiam, para, de início, não querer parecer dar importância, para, mais à frente, se empenhar, de forma até exagerada, para me provar por "a mais b" que afinal até estava tudo certo. Não percebi o tom, o olhar irritado, o clima de "picardia" que se instalou.

Mas, claro, lá acabei por chegar... e quando cheguei sorri para dentro e para fora porque não há mesmo mais nada a fazer.

Foi apanhado, essa é que é essa. Foi apanhado numa "esparrela" e não gostou. Foi apanhado e fui EU que o apanhei, ainda por cima com mais gente a assistir. Não pensou, não deu conta que tinha feito asneira e quando percebeu... também já eu tinha percebido e isso deixou-o lixado! Ou melhor, percebeu quando EU me manifestei. E pior do que assumir um erro, é assumir um erro que EU apontei. Portanto, qual foi a escolha? Não assumir, claro. Não ali, não naquele momento, não estando-o EU a pôr em xeque.

Sorri porque não há mesmo mais nada a fazer. Sorri porque penso que ficou claro para todos o que se tinha passado. Sorri porque a situação me caiu sobre o colo sem que eu tivesse que fazer nada para a provocar. Sorri porque se "enterrou" sozinho. E sorri porque, confesso, me deu um certo gozo... ;)

Dream, dream, dream...


segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Frase do dia

"Cada um descobre o seu anjo tendo um caso com o demónio."
Mia Couto

"Another year"

Boas interpretações são do que mais me emociona, do que mais me toca a alma. E este filme está recheado delas...

sábado, fevereiro 05, 2011

E lá nos "despedimos"...

... e foi bom.

Dançámos, dançámos, dançámos; pulámos e pulámos e pulámos; e rimos, rimos muito, rimos até às lágrimas! E no fim, a última música, no rádio já ao pé de casa, foi escolhida por ti, directamente para mim, e foi com ela nos ouvidos e no sorriso que meti a chave à porta.

Foi bom. Foi mesmo muito bom.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Vai e volta

A inércia mental muda-nos. A resignação muda-nos. A tristeza muda-nos. A incapacidade de definir um rumo, um propósito, muda-nos. A ausência da suposta luz ao fundo do túnel, de metas, muda-nos. Muda a forma como os nossos olhos recebem um novo dia, como nos vemos ao espelho, como sentimos a água fria na cara quando a tentamos acordar. Muda o pequeno almoço para apressado e em pé, mudam as conversas que temos com as paredes, altera-se o ritmo como se conduz até ao trabalho. Muda a posição das costas ao longo do dia, mudam os pensamentos a vaguear pela cabeça, muda a música que ouvimos no rádio. Muda a perspectiva de fim de semana e a atenção que damos ao que os amigos nos confidenciam. Muda a postura com que estamos nos lugares da cidade e da vida. Mudam-se os sorrisos e a posição das mãos, mudam-se as tensões no corpo. Muda o brilho dos olhos.

Falávamos, no outro dia, eu e a V.. Falávamos desse brilho e do queixo levantado com que se deve encarar a vida, da abertura de espírito, da sede de receber. Falávamos, assim, de um passado, saudosistas, até. Tentei explicar o que muda, como muda, porque é que muda. E, em silêncio, combinámos que havia de mudar outra vez.

Frase do dia

‎"The world is round and the place which may seem like the end may also be the beginning."
Ivy Baker Priest

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Da lavadeira ao porco, do porco ao bêbedo de karaoke

Vinda de uma sala de formação onde tive oportunidade de usufruir de algumas paragens cerebrais. E porquê? Porque me obriguei a elas, paragens induzidas, portanto, alguns segundos de pura papa mental, de cérebro a babar e de língua de fora, sem conseguir articular qualquer palavra quanto mais pensamento lógico. E porquê? Por uma questão de sobrevivência. Porque se, naqueles preciosos segundos, não me tivesse escapado para as profundezas da minha Crinabel pessoal, tinha ofendido alguém. Ou batido. E batido mais um bocadinho e mais um bocadinho e até mais um bocadinho até deixar de ouvir a voz de mão na anca que soou, vezes demais, ao fundo da sala, ainda por cima sempre acompanhada de uma ou outra barbaridade com o puro objectivo de se fazer notar. E a formadora a dar-lhe conversa e por isso também a merecer dois berros bem dados!

Vai daí, optei. Optei pela minha sanidade conseguida através da loucura temporária. E até foi giro.

Depois, voltei para o cantinho de sempre. Encontro tudo calmo, estranhamente calmo, todos armados com auriculares ou concentrados no computador...! E até a "bailarina" da frente e o seu partenére "descanso-de-pés-chiante" primam pela ausência! Boa, pode ser que consiga afinal descansar a cabeça...

Mas, de repente, começo a notar que o silêncio é, por vezes, quebrado por um som estranho, muito estranho, às vezes estridente, às vezes gutural, desconexo, daqueles que nos fazem franzir a cara e correr a tapar os ouvidos tal a má disposição que causa, que nem parece deste mundo, quase alienígena! "Meus Deuses, mas será?? Estamos a ser atacados como os filmes de Hollywood sempre previram? É desta que seres de outros mundos me caçam e me transformam, sei lá... numa morcela de arroz ou assim?!?". Parei o que estava a fazer e a medo espreito por cima do monitor na direcção de onde me parecia vir o som maligno. Continuava tudo com phones... a trabalhar... ninguém se tinha ainda apercebido do ataque iminente! Resolvo levantar-me para dar o alerta "Caramba, são meus colegas! Olha, que se lixe, ponho em perigo a própria vida mas ao menos tento salvar alguém!" e eis senão quando dou de caras com o dito ruído estranho mas desta vez trazendo atrás de si uma boca... uma boca, um nariz, uns olhos e os phones também... tudo humano.

Volto a sentar-me, recomponho-me do susto e penso: Ooookkkk... afinal não há razão para medos... afinal é só uma colega a acompanhar com voz (ela diria "cantar") o que soa nos seus ouvidos...!

Pois... é... e é francamente melhor...

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Decisões

É nestas alturas que me sinto absolutamente sozinha. Como se nenhuma palavra fosse convincente o bastante ou carregasse consigo certeza suficiente. É nestas alturas que me sinto sozinha, desamparada, medrosa como miúda pequena que necessita que lhe dêem a mão para atravessar a estrada, para avançar no mundo. Mas não é qualquer mão, não é qualquer palavra. É nestas alturas que olho para cima, para o céu que hoje está azul, e peço ajuda sem saber muito bem o que esperar lá do alto mas porque, por alguma razão que me transcende, não me faz sentido pedir olhando em mais nenhuma direcção. Como se essa fosse a única forma de comunicar com um plano superior, o plano onde moram todas as verdades e tudo o que é certo, esperando depois um sinal que acabe de preencher o vazio, que complete os meus pensamentos, as minhas indecisões com aquele bocadinho de massa que falta para que tomem corpo e deixem de o ser. É nestas alturas que me sinto, total e irremediavelmente, só.

Porque me faz viajar até ao dia em que, a sorrir, comentaste "isto está muito bem feito!"

It's Probably me, Sting

If the night turned cold
And the stars looked down
And you hug yourself
On the cold cold ground

You wake the morning
In a stranger's coat
No-one would you see
You ask yourself, 'Who'd watch for me?'
My only friend, who could it be?
It's hard to say it
I hate to say it
But it's probably me

When your belly's empty
And the hunger's so real
And you're too proud to beg
And too dumb to steal

You search the city
For your only friend
No-one would you see
You ask yourself, Who'll Watch For Me?'
A solitary voice to speak out and set me free
I hate to say it
I hate to say it
But it's probably me

You're not the easiest person I ever got to know
And it's hard for us both to let our feelings show
Some would say I should let you go your way
You'll only make me cry
If there's one guy, just one guy
Who'd lay down his life for you and die
It's hard to say it
I hate to say it
But it's probably me

When the world's gone crazy, and it makes no sense
And there's only one voice that comes to your defence
And the jury's out
And your eyes search the room
And one friendly face is all you need to see

If there's one guy, just one guy
Who'd lay down his life for you and die
I hate to say it
I hate to say it
But it's probably me
I hate to say it
I hate to say
But it's probably me
I hate to say it
I hate to say
But it's probably me
I hate to say it
I hate to say
But it's probably me

terça-feira, fevereiro 01, 2011

So long, farewell, auf wiedersehen, goodbye...!

Acabei de receber um convite para uma "despedida de casada"! Minha queridíssima E., não digas mais, já lá estou...! :)

Técnicas de venda

Mas onde é que esta gente tira os cursos? Será que do seu plano curricular não consta o Português? Mas refiro-me ao Português mais básico, aquele que ensina o que é que as palavras significam... tipo, sei lá... "casa" quer dizer "aquele sítio com quatro paredes e telhado onde moramos", "dinheiro" quer dizer "moeda de troca em notas ou moedas" e "não", vejam só que engraçado!, quer efectivamente dizer "NÃO"!!

Dancing pig

A combinação foi o uso de headphones. Somos muitos, se cada um partilhar a sua música isto fica mais para recinto de feira aos domingos do que para sala de trabalho. Todos vão cumprindo.

Agora... o que fazer quando a "bailarina" mais próxima usa o descanso dos pés para, de forma nervosa e frenética e "pouco oleada", ir marcando o ritmo e dando os seus passinhos de dança sentada?! Quem entre aqui desprevenido, convence-se, certamente, de que tenho um porco excitado a viver debaixo da mesa do lado...

Calor...