terça-feira, maio 05, 2009

Sul

Está oficialmente inaugurada a minha época balnear!


quinta-feira, abril 30, 2009

Seremos "grandes"...?

"A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo como os seus animais são tratados"
Mahatma Gandhi

terça-feira, abril 28, 2009

É para refrescar...!

No Alentejo aqui tão perto, comemoração do 25 de Abril, numa vilinha perdida nas planícies. O Sr. Presidente da Junta entrega as taças e medalhas àqueles que participaram nas provas desportivas amadoras. As colunas de som, espalhadas pelas ruas, e de forma roufenha, dão conta da cerimónia a quem não pode estar junto do palanque. E eis senão quando...

"E agora, vamos entregar os prémios aos participantes na corrida, escalão masculino, dos 16 aos 19 anos:
João Silva, 5º lugar, palmas para ele!
Manuel José, 4º lugar, palmas para ele!
Ricardo Francisco, 3º lugar... Atenção, não admitimos bebidas alcoólicas no pódio!"

Ventania

O tempo, a vida a passar a correr e eu embrulhada neles... como se me fugissem das mãos sem eu dar conta. E quando dou, estou no meio do remoinho. A vivê-lo, sim, mas porque não tenho outro remédio. Já fugiram do meu controlo e levam-me com eles. E, às vezes, é bom deixar-me ir.

sexta-feira, abril 24, 2009

Murphy

Não..! Espera lá... recua! Não, não é isso que eu quero... era mais o sol e o calor que estavam ontem se não se importam! É só uma ideia, não sei... mas já que vai começar o fim de semana e que por acaso até vou sair de Lisboa e passear e pretendia inaugurar a minha época balnear... não sei... era simpático! Digo eu...

quarta-feira, abril 22, 2009

terça-feira, abril 21, 2009

Coisas boas

Enviaram-me um email, daqueles que é suposto passar adiante para 35698 pessoas, sobre as coisas boas da vida. Não passei a ninguém, é uma lista imensa. Aqui ficam as que, para mim, fazem mais sentido:

1. Apaixonar-se (por pessoas, por coisas, por momentos)
2. Rir tanto até que as faces doam (no meu caso, até chorar)
3. Conduzir numa estrada linda (conduzir, seja para onde for)
4. Ouvir a nossa música preferida no rádio (e dançar e cantar aos altos berros!)
5. Um banho de espuma (troco por massagem mas também está bom assim...)
6. Uma boa conversa (para mim, quase nada bate isto)
7. Rir-se de si mesmo (ai, faço tanto...!)
8. Correr entre os jactos de água de um aspersor (já fiz! já fiz! num dia super quente... é do melhor!)
9. Rir por nenhuma razão especial (por ser parva talvez... check!)
10. Ouvir alguém dizer que és o máximo (mesmo sabendo que não sou... é bom...)
11. Acordar e verificar que ainda há algumas horas para continuar a dormir
12. Fazer novos amigos ou passar tempo com os velhos
13. Brincar com um cachorrinho (ou qualquer outro bicho bebé ou qualquer outro bicho, ponto final)
14. Chocolate quente (num dia frio e em boa companhia...)
15. Balançar-se num balancé (também já fiz! e não estou a contar as vezes em que tinha idade para isso...)
16. Letra de canções na capa do CD para podermos cantá-las sem nos sentirmos estúpidos (e decorar e depois fazer um brilharete nos concertos!)
17. Trocar um olhar com um belo/a desconhecido/a
18. Ver o sorriso e ouvir as gargalhadas dos amigos
19. Andar de mão dada com quem gostamos
20. Encontrar por acaso um velho amigo e ver que algumas coisas (boas) nunca mudam...

segunda-feira, abril 20, 2009

Gata fedorenta

Nova assistente administrativa no meu departamento:
- Ai, Doutora, já comecei a fazer o trabalho que me pediu. Já estive aqui a dizer ao Doutor, Doutora, que interrompi o trabalho do Doutor para fazer o trabalho da Doutora, que é mais urgente, não é, Doutora? E já agora, Doutor, depois para quando eu acabar este trabalho da Doutora e pegar no trabalho do Doutor, como é que faço aquelas etiquetas, Doutor?

Novos amigos depois dos 30

É possível! E é bom. Afinal, este puzzle não estava completo, havia um espaço que não se via mas que, pelos vistos, esteve sempre lá...

sábado, abril 18, 2009

As caixas

Mark Gungor - Men's Brain Women's Brain

Eu gosto de pensar na minha pessoa como rapariga de "caixas". Mas tenho um problema... um pequeníssimo pormenor que impossibilita que este conceito seja 100% verdadeiro em mim... sou mulher. E isso lixa tudo...

sexta-feira, abril 17, 2009

Handygirl

Ao contrário da maioria das mulheres que conheço, não delego necessariamente os trabalhos de bricolage nos homens. Sou rapariga que se ajeita com pregos e parafusos sem grande problema e até com algum gosto. Por isso, quando foi preciso substituir a mola da porta de um armário, lá me ofereci para ajudar. O problema, como dizia o outro, são dois: a minha força de braços que é ridícula... e a falta de um aparafusador eléctrico! Conclusão, quando dei por mim, estava a usar a minha força máxima, com todo o meu corpo, enquanto girava (toda! quase a fazer fumo com os pés no chão!) à volta do mínimo parafuso... ! Mas consegui! Tchaaaraaaannn!




Pronto, não ficou brilhante, entortou um bocado mas funciona. Abre e fecha como é suposto! Pontos para mim!

quarta-feira, abril 15, 2009

Temos quorum?

Reunião de condomínio. Chegados ao ponto 3 da ordem de trabalhos, segundo o qual temos que eleger a nova administração para 2009 (o facto de já irmos em Abril parece não incomodar), e após uns segundos de silêncio pesado, estranhamente toda a gente começa a tossir, a espirrar, a estranhar "o frio que está hoje"... o hall de entrada do prédio faz destas coisas, digo eu... Acabadas as hipóteses de tossir mais sem que os outros comecem a achar que está tuberculosa, a vizinha do 6º lá arrisca dizer que "em equipa que ganha não se mexe, não é assim?". Pontapé de saída para que todos os outros se sintam à vontade para bajular a administração corrente e assim adiar por mais um ano a sua própria responsabilidade.

A administração agradece, diz que tudo bem, não se importa e cá vamos nós outra vez...

Portanto, aqui a yours truly é administradora pelo 3º ano consecutivo. Porque é que não "espingardei"? Porque tenho uma sorte danada de ter dois companheiros de tarefa extremamente organizados e pró-activos que, basicamente, só me chamam para assinar cheques. Quando, humildemente, referi isso na reunião, ainda ouvi de um dos comparsas: "sabe, às vezes quem está no banco tem um papel mais importante do quem está a jogar!"

Fofinho... assim é tão fácil... e eu também fui fofinha a agradecer...

Frase do dia

"Eu era muito melhor mãe quando ainda não tinha filhos..."

terça-feira, abril 14, 2009

Concordo, concordo e concordo!


Concordo em género, número e grau! É que parece que já não conseguimos falar de outra forma ou que a língua portuguesa não tem sinónimos para aquelas palavras ou que é feia e por isso não faz slogans e títulos atractivos ou, pior ainda!, que as pessoas não conseguem ser criativas em português simplesmente porque já não pensam em português... é demais, eu acho.

"Cake Parade" para uma mostra de doçaria conventual no Alentejo... faz-me lembrar vacas e faz-me lembrar gays e pão de rala e santos e chaparros tudo ao mesmo tempo! Convenhamos, não pode ser bom...!

segunda-feira, abril 13, 2009

Fustigação

É completamente insano da minha parte crer que há certos coleguinhas meus que parece que trabalham comigo mas, na realidade, são agentes do divino disfarçados?? Que, no fundo, prestam serviço ao universo, ao karma e não à minha entidade patronal? Que vieram ao mundo pregar a justiça divina, a lei da causa-efeito e fazer-me pagar pelos meus pecados, nesta ou noutra encarnação? É que, quando alguns começam a dizer barbaridades e eu evito responder, juro que consigo sentir a boa da chibatada nas costas...

Mães e filhas

sexta-feira, abril 10, 2009

Santa paciência!

Sexta-feira, feriado religioso, e o universo a não processar bem a parte "santa" da coisa...

A chuva a levar-nos de volta ao Inverno quando já nos sentíamos tão próximos do Verão; a celebração da Páscoa em família cada vez mais embrulhada porque não é em casa da mãe talvez da tia mas afinal também já não é porque depois a outra tia traz mais alguém que não era suposto e ninguém está para aturar e o primo que não está e a prima que está de banco e a outra prima que vem da Itália e quer dormir o dia todo; uma amiga com gastroentrite viral que afinal também metia salmonelas sendo que, apesar das suas queixas, só à 3ª tentativa é que os médicos ("está a exagerar, isso é tudo psicológico") deram com a coisa ; o gato com espirros esquisitos e o veterinário que deve ter tirado folga no fim de semana prolongado; o telejornal a anunciar que também aqui houve um pequeno sismo; os pais e as suas confusões do que deveria ser e não é e eu na minha luta constante para pôr os pontos nos "iis"...

Uufff! Estou cansada...!

quinta-feira, abril 09, 2009

Babysteps

É um longo caminho, em muitos casos estamos mesmo no início, mas acredito (tenho que acreditar!) que conseguimos lá chegar. E os bons exemplos já começam a ser notícia:

Fim das touradas em Cascais

O teste de personalidade do coelho da Páscoa ou a tremenda falta de vontade de trabalhar!



Your Chocolate Easter Bunny Personality

You know what you want in life and how to get it.
You're not going to waste time or let yourself be meek
Whether it's chocolate, money, or power...
You take what you can get and you act quickly.
You have a lot of energy and people sometimes scared by your determination.
Not that you care what other people think. You're not going to apologize for who you are.

quarta-feira, abril 08, 2009

Rasteirinha

Hoje sinto-me como um gato com fita-cola no lombo.

terça-feira, abril 07, 2009

Quem me manda

Podre é o que estou.

Diria que ter deitado abaixo umas quantas garrafas de vinho até às 2 da manhã deve ter alguma coisa a ver com isso...

E às 10:30h...

É sempre bom começar o dia a assistir a uma reunião séria, de negociação com um fornecedor, quando o interlocutor do nosso lado diz coisas como estas:

"Portanto, há possibilidade de moderar os comentários online? Ah, ainda bem! Veja lá neste exemplo, um congresso sobre a doença de Alzheimer, é melhor, tá ver?!? Ahahahah!"

"Então e "massa"? Como é que é de "massa"?

"E como é que apago comentários de pessoas a dizer, por exemplo: "Gatunos! Vocês são uns bandidos!"?

domingo, abril 05, 2009

Conversas que se ouve sem estar à espera... e que mais valia não ouvir!

Casal de namorados passeia no parque. Ela, com top a mostrar os ombros, saia de ganga curtinha, ténis, argolas enormes nas orelhas e cabelo comprido empapado em gel. Ele, de boné verde, blusão preto e calças a condizer, e estas a assentar de forma que dá a entender que o rabo dele, ao contrário de todos os outros ser humanos, está algures para o meio das pernas.

Ela ri, encantada, enquanto ele conta qualquer coisa.

-Ouve, tás a ver, é que disse-lhe mêmo assim: que idade é que tem? Ai tem 52? Pois olhe, eu tenho 19 e já papei muitas mais mulheres do que você com essa idade de sarteza! É que foi mêmo assim! Olha m'este..!

sábado, abril 04, 2009

"Vintra"

Mas porquê? E porque sim? E porque não? E deverá ser assim ou assado? Esquerda ou direita? Bem ou mal? Para onde me viro? O que devo pensar? O que quero fazer? E deve ser agora ou depois? E se vou por ali e afinal devia ter ido por acolá? Questões, questões e mais questões...

Conversa de criança, adolescente inseguro? Não! Conversa de adultos, na casa dos 30, gente supostamente inteligente, madura, confiante, segura, estabelecida, equilibrada...

Dizem que os 30 são os novos 20, os 40 os novos 30 e por aí adiante. Às vezes sinto que os 30 de hoje estão mais a atirar para os 10 e meio, vá lá, tal é a confusão que vai nas nossas cabeças! É que tinha muito mais certezas aos 20 do que tenho agora... e não estou sozinha. E porquê? Simplesmente, porque existe um grave desfasamento entre aquilo que somos e aquilo que é suposto sermos. É como se tivéssemos andado a ver passar navios uma década inteira. Ou como se a dita década não nos tivesse marcado, moldado, preparado como deveria. Como se tivéssemos entrado numa máquina do tempo sendo que metade das moléculas veio e metade ficou para trás. Portanto, ficámos com um pé cá e outro lá, algures no tempo. E agora, que já temos idade para ter juízo e tomar decisões sérias, agora que deveriamos começar a entrar na fase estável da idade adulta... "Errr... ai, espera lá... mas isso já é agora? Mas não me apetece...!"

Entalados é o que nós estamos. Entalados entre duas visões do mundo. Uma da geração que nos serviu de modelo mas com a qual não nos identificamos. Pessoas que, aos 30, tinham efectivamente 30, se sentiam com 30, se comportavam como tal e tinham vida de quem tem 30, ou pelo menos, o que está estabelecido para quem tem 30. A outra que nos apela, nos atrai, e que nos faz mais sentido, a dos jovens adultos que ainda não o são totalmente, mas com a qual também não nos encaixamos na perfeição porque a fase da vida, efectivamente, não é a mesma.

E o tempo a passar. O tempo que não pára, o tempo que exige decisões, o tempo que não dá descanso.

A vontade que dá é gritar: pára tudo! Parou aqui, não mexe mais até eu conseguir desatar o nó no cérebro, faz favor! Porque sim, estou na casa dos 30 mas não me sinto como a minha mãe se sentia com esta idade, não quero as mesmas coisas que ela, não vivo a vida da mesma maneira; e sim, estou na casa dos 30 mas continuo a gostar de ter a liberdade e energia e tudo o resto que caracteriza alguém que ainda não tem responsabilidades de maior, embora já as tenha. Porque entre o que é condizente com a idade e aquilo que quero e sinto e vivo vai uma distância considerável. Porque o que está no BI não é o que está na cabeça. Porque não é nada fácil de gerir, e ninguém explica, e é uma situação de "entalanço" completo! Portanto, preciso de mais tempo para pôr a cabeça em ordem e encontrar um lugar onde me encaixar!

Mas como o tempo não ouve... resta-me improvisar. Para me organizar mentalmente decido então alterar as regras do jogo, mudar a ordem natural das coisas e declarar que, afinal, existe uma outra idade que desafia as leis da natureza e que se recusa a deixar catalogar de acordo com os dados do arquivo de identificação. Uma idade onde se encaixa gente adulta, independente, crescida, com emprego, responsabilidades, casa e afins, até crianças a cargo se for o caso, mas que continua a ter "pica" para se atirar à pista de dança como se não houvesse amanhã, que continua a querer juntar os amigos em jantaradas e rir e fazer disparates sem se deixar amendrontar pela reunião do dia seguinte às 9h, que continua a brincar, a brincar muito! e não exclusivamente com os filhos, que se recusa a aceitar seguir as regras do que é suposto para esta ou aquela idade e cria as suas, que vive e sente que tudo ainda está em aberto. Chamo-lhe "vintra". E somos nós. Temos trintas claro que temos, e não os repudiamos, até nos orgulhamos. Chegámos aqui e estamos melhores que nunca! Mas também temos vintes e quinzes e dez, tudo misturado, a moldar-nos de forma única.

Nem sempre tudo é claro, nem sempre tudo é fácil, chega até a ser doloroso. Porque é sempre mais simples seguir um caminho que já existe. Mas pronto, aqui estamos, esta é a nossa realidade. E é, digamos... diferente. Mas eu diria que, aqui, a diferença tem tudo para ser boa...

sexta-feira, abril 03, 2009

Irascível

adj. 2 gén.
Que não pode dominar a própria ira ; irritável.

Vejo-me como um painel, cheia de botões, cada um activando um circuito, um processo. Há botões verdes, amarelos e vermelhos. Acho que é fácil perceber as consequências de carregar num ou noutro...

Há quem lide comigo há muito tempo e tenha conseguido sempre evitar os vermelhos. Têm jeito, talvez, carregam muito nos verdes, às vezes arriscam os amarelos, mas os vermelhos sempre conseguiram contornar.

Outras pessoas não... talvez por desconhecimento, alguns sem querer, sem dar conta e, seguramente, outros de propósito porque é preciso ou porque não têm medo de os (me) enfrentar. Quanto a estes últimos, enfim, quem tem cara para dar, tem cara para levar, por isso aguentam as consequências. E eu também.

Mas chego a ter pena daqueles que, por não conhecer, por não saber a regras das cores, por não saber sequer que elas existem, avançam sem medos. Nestes casos, tento lembrar-me de tudo isto impondo um delay entre a activação do botão e respectiva descarga energética mas confesso que raramente resulta.

Hoje, por causa de um assunto que me irritou, dei duas patadas valentes num colega. A culpa não era dele, o que me irritava era o assunto mas ele veio falar-me dele porque também estava envolvido. E, no meio da conversa, perguntou uma coisa tão simples como: Estás a perceber? Pronto, comecei a ver vermelho. Até aqui consegui manter a conversa no nível amarelo. Com esforço, é certo, mas consegui. Só que a perguntinha paternalista fez transbordar o copo, acender o red alert e fez disparar, com o sorriso mais cínico e insuportável que consegui arranjar, com o olhar mais gelado e mortífero do meu catálogo, a seguinte observação: Sim, sim. Sabes, eu tenho esta cara mas até sou minimamente inteligente.

Logo depois de terminar soube que tinha ido longe de mais. Imediatamente percebi que não tinha confiança para aquela resposta, que iria ser mal interpretada, que tinha acabado de criar uma situação bastante constrangedora. Mas... a pessoa parou, olhou muito a direito para mim, bem no fundo dos meus olhos, enfrentou o gelo, sorriu e continuou.

Não consegui evitar sorrir também. Porque me conseguiu desarmar, porque não se deixou atingir e porque... provalmente ficou a pensar que isto resulta sempre.... ;)

Fez-me lembrar a famosa frase da Mae West: When I'm good, I'm very good; when I'm bad, I'm even better.

quinta-feira, abril 02, 2009

Jogo

Foge, foge do controlo. E inunda o corpo e faz tremer. Aperta o peito, confunde a mente. Gente crescida a sentir-se pequenina, adolescente confusa e insegura que não controla o que sente e o que sente é, tantas vezes, vezes demais, contraditório...

quarta-feira, abril 01, 2009

Olha que bonito...

"Amigos são anjos que nos levantam pelos pés quando as nossas asas não conseguem lembrar-se de como se voa."

Um

Já faz um ano que regressei, depois de paragem forçada, tão maior do que eu. Já faz um ano que voltei embora deixando, com pena, o papel e a caneta de lado. Já faz um ano que decidi avançar porque sim, porque me apeteceu, porque quis, não esperando nada em troca, vivendo a liberdade de não ter nenhum objectivo. Já faz um ano que recuperei esta pequena parte do que eu sou.

Por isso, parabéns a mim.

sexta-feira, março 27, 2009

O cabelo, o calhau e a penosa falta de aguardente

Estava eu no bar a pedir um café para acordar quando aparece um dos coleguinhas.

- Elá...! O que é que fizeste ao cabelo?!?
- Errr... nada de especial... apanhei a franja para trás, só isso...
- Irra! Pareces 20 anos mais velha!!
- Obrigadinho, ó fofo... és um poço de sensibilidade, tu...
- Então não sou?? Se não fosse nem reparava! Isto é uma crítica construtiva! Odeio mulheres de cabelo apanhado. Todas, não és só tu, descansa. Ficam velhas, feias... uughh
- Oookkk... (para a empregada) Café... duplo, por favor! E já agora... com cheirinho não se arranja, não?!

Pasta



O DN agora dá utensílios de cozinha. Os meus pais compram o DN quase todos os dias. Os utensílios de cozinha vêm parar a mim. Ontem andei o dia todo a carregar na mala um cortador de massa. Vendo bem as coisas, isto dá para "chinar" alguém... imaginem se sou apanhada nas malhas da lei... posso vir a ser considerada culpada por posse de arma branca, não posso?

"Não, sr. guarda... isto é para fazer ravioli!"

quinta-feira, março 26, 2009

O seu percurso está a ser calculado...

Bem calculado ou nem por isso?

Pelos vistos, depende:
Condutor multado por seguir instruções do GPS

E porquê? Porque o dito lhe disse para seguir por uma via que ia dar a um penhasco! Ia sendo a morte do artista se não se metesse uma barreira pelo meio. A polícia, em vez de processar os fabricantes do aparelho por negligência ou coisa do género, multou o dono por "conduzir sem atenção". Faz sentido…

Para mim, rapariga orientada e que até se entende bem com mapas de estradas, o GPS não veio trazer grande vantagem. Mas entendo que quem tenha o sentido de orientação de uma mesinha de cabeceira salive à vista do aparelho e, uma vez com ele ao dispor, siga as suas instruções cegamente. No fundo, funciona tipo cão-guia. Vão para onde ele os levar e assim sentem-se independentes. Não são, na realidade, mas sentem. Que seja...

Mas aquilo irrita-me. Para começo de conversa não acho nada estranha a situação em cima. Já me aconteceu ser quase levada a entrar numa rua de sentido proibido, por exemplo. E também já aconteceu seguir as placas (oh! coisa estranha...) ignorando as instruções da maquineta que me começa a mostrar no écran como viatura a seguir pelo meio de searas ou selva ou qualquer outro terreno não explorado pelo homem. E eu a ver a estrada à minha frente...! Enfim...

Mas o mais irritante é a dita (no meu caso é voz de menina, diz que é mais agradável, eu tenho as minhas dúvidas...) não admitir que errou e ainda insistir na asneira! Por exemplo, eu não sigo pela dita rua de sentido proibido e a fulana começa aos gritos a dizer "Faça inversão de marcha assim que possível! Faça inversão de marcha assim que possível!", no fundo a insistir que cometa uma ilegalidade! Parece que é parva... depois as multas quem as paga sou eu, obrigadinho!

Além disso, essa coisa do "faça inversão de marcha assim que possível" é o que eu mais ouço. E porquê? Não, não sou nenhuma naba ao volante, muito pelo contrário, sei exactamente o que ando a fazer. Por isso, vou por caminhos que sei que são melhores do que aquilo que ela indica. Basicamente, borrifo nas instruções e faço o que me apetece. Ora, é altamente irritante ser dona do meu nariz e ter que ouvir a máquina a refilar! Mas onde é que nós estamos?! Era o que mais me faltava!

Em suma, acho aquilo útil q.b. Útil para quem costuma perder-se, sem dúvida, se não meter ravinas pelo meio. Para mim, útil para me tirar algumas dúvidas mas só. De resto, quem manda sou eu e é bom que a fulana se vá habituando porque senão o mais certo é a nossa convivência acabar facilmente com ela a voar janela fora!... tipinha insuportável...

Planos

Um amigo, ontem, conversa sobre as coisas da vida:

- É por estas e por outras que quando temos oportunidade, quando podemos fazer alguma coisa que queremos não devemos adiar, devemos fazer e pronto! Porque nunca ninguém sabe o que nos espera... pelo menos do presente temos a certeza!

quarta-feira, março 25, 2009

terça-feira, março 24, 2009

Cinza

Dia esquisito. Dia de início de semana, embora não seja. Dia nublado, de calor e frio, nem é carne, nem é peixe. Dia de contactos antigos. Dia de perda, de bicho amigo, de solidariedade. Dia de rescaldo de notícias menos boas, a inspirar cuidado. Dia de decisões em cima do joelho poque não nos dão outra escolha. Dia de trabalho que não é nosso mas agora é. Dia esquisito, muito esquisito, a dar vontade de voltar as costas e passar já para amanhã.

sexta-feira, março 20, 2009

Mr. A - Z



Ontem, noite de concerto.

Tudo começou um dia, há uns meses atrás quando, por acaso, descobri o moço na internet. Comecei a ouvir e a gostar. Boa onda, boa energia mas totalmente desconhecido aqui por estas bandas ao ponto de não se encontrar os seus cds à venda nas lojas.

De repente, uns tempos mais tarde, a mais famosa das músicas começou a dar na rádio a toda a hora, depois outra e mais outra em dueto e quando dei conta já havia concerto marcado para Lisboa! Confesso que achei prematuro, ele "chegou" aqui há pouco tempo, se calhar vai ter lá pouca gente... enganei-me redondamente! Casa cheia!

A animação era mais que muita! Apesar das duas horas de primeira parte (com dois grupos distintos, um deles de uma fulana norueguesa, de vestido princesinha, voz docinha e sininhos em todas as músicas já a dar-me nos nervos!) a malta não dispersou e ia deitando o Campo Pequeno abaixo quando o tão esperado lá entrou.

E confirma-se: a energia passa através de roupa e corpos, navegando livre no espaço e afectando quem aí se encontra. Por isso, convém que seja da boa! Neste caso foi. Ele deu e o público retribuiu em dobro.

quinta-feira, março 19, 2009

Barcelona a saber a pastel de nata

Informação enviada por amigo emigrante cá dos meus! Ou seja, que gosta de coisas boas e não dispensa uma boa farinheira, uma tigelada fofinha e, claro, uns pastelinhos de nata, iguais aos nossos, de Belém!

A Casa Portuguesa, um oásis para o tuga que gosta de comer, em plena terra das tapas.

quarta-feira, março 18, 2009

Piquinho a azedo

Não me considero uma pessoa excessivamente competitiva. Serei competitiva q.b., daquele tipo que, quando se mete nas coisas, é a sério mas não vejo tudo como competição. Além disso, tenho consciência dos meus limites e, mais até, do que pretendo atingir. Se lá chego, dou-me por satisfeita. Se alguém fizer melhor, que bom para eles.

Mas, nem sempre... o ser humano nunca é só uma coisa e eu não fujo à regra. E o que me faz perder esta calma, esta segurança de quem sabe o que quer, esta maturidade? O que me consegue transformar em poço de competição, ser descontrolado, obcecado, capaz de tomar esteróides e drunfs e o diabo, se for preciso?? Não, não é o prémio, não é a competição em si mas sim... a pessoa que está à minha frente, a pessoa que me desafia. Mesmo não me estando, efectivamente, a desafiar! Não sei bem porquê mas há pessoas que, pela simples presença, me fazem logo ligar o modo ready, set, go!. E quando, para além de presentes, começam a falar... juro, começo a sentir uns calores a subir e a ter visões da dita criatura desfeita no chão e eu com um pé em cima com ar triunfante, olhos raiados, a babar e a segurar a taça! É doentio... é que deixo de ver bem, de raciocinar e só consigo pensar no alvo a abater!

A meu favor apenas posso dizer que sou pelos fracos e oprimidos. Regra geral, essas pessoas, com o dom de me "picar", só o fazem porque são uns idiotas. Pessoas egocêntricas, ignorantes, preconceituosas, tapadas, estúpidas como calhaus, portanto, uma gente que não faz falta a ninguém e que só pode prejudicar. Resumindo, até sou uma humanitária.

Mas a questão é: não estarei eu a dar demasiada importância a quem não a tem? É que, convenhamos, os momentos em que tenho esta gente fixa no meu radar requerem um grande dispêndio de energia, de tempo, de concentração! Não os estarei a canalizar erradamente? Valerão estes idiotas esta dedicação?? Claro que não, claro que não. Qualquer pessoa racional, adulta, civilizada, inteligente vê isso... como me considero tudo o mencionado atrás, apesar das evidentes arestas a limar, tenho-me concentrado para não me deixar afectar, por valorizar o que deve ser valorizado, por dedicar o meu tempo a quem o merece, por não deixar que sentimentos menores como o desprezo e a violência se apoderem de mim...

E tenho a dizer que os progressos têm sido imensos! Agora consigo vê-los, programar o canal auditivo para a captura selectiva de informação, sorrir, controlar o ímpeto violento e passar, airosamente, por eles conseguindo, inclusivamente, controlar o membro inferior, vulgo pé e perna, que teima em dirigir-se às suas canelas! Pronto, depois disso fico com crises de ácidos no estômago mas, no fundo, no fundo, sinto-me muito melhor... mais civilizadinha, mais zen, de bem com a vida... e sim, este esgar que agora apresento é um sorriso, é... de... felicidade ou assim...

segunda-feira, março 16, 2009

Tortura II



Estou a preparar a nova edição do jornaleco interno. Cabendo-me a secção de lazer ando agora a pesquisar sugestões para as férias da Páscoa... e como não sou uma pessoa normal, estou a dar por mim a salivar com as imagens de folares, ovos de chocolate e demais iguarias! E ainda há bocado almocei! Eu tenho um problema grave, só pode...

Tortura

Tema da conversa: IRS. Quem entregou, quem vai entregar, as filas, os impressos que todos os anos mudam, as Finanças que não explicam, etc, etc, etc. Pois, quanto a quase tudo isso não há nada a fazer mas quanto às filas, hoje em dia, já não há necessidade nenhuma de as suportar. Entrega-se pela internet, certo?

- Ai, eu não, eu vou lá entregar pessoalmente. Sabe-se lá o que pode acontecer via internet?? Enganarem-se ou assim. Já ouvi falar de casos de enganos e depois a pessoa vê-se à rasca para provar as coisas. Porque com o papel fica connosco a assinatura, o carimbo e o registo em como se entregou e que foi com aquele funcionário. Na internet, diz que fica registado, pois, mas e se há um vírus ou lá o que é? Ataca o sistema e vai tudo para o galheiro? E depois, como provo que entreguei tudo certo e a horas? A partir daí é o caos! A partir daí eles podem inventar o que quiserem! A partir desse momento estamos completamente nas mãos deles e, eu digo-vos, estar nas mãos das Finanças é pior que estar nas mãos da PIDE....!

quinta-feira, março 12, 2009

Ironia

Houve tempos em que a realidade me assombrava e faria tudo para sair dela, para a mudar. Tinha sonhos, daria um braço para que me fosse dada o oportunidade de os alcançar. Sentia-me a definhar e desejava a mudança com uma tal força que me fazia acreditar que, se não a conseguisse, endoidecia, morria. Não endoideci, não morri. E com muito custo, quase como que arrancado a ferros, fiz o esforço de olhar para mim e para o meu mundo tentando ver o que tinha de positivo. Aprendi que a vida é feita de escolhas. E ao escolher um determinado caminho, seja por livre vontade ou por força das circunstâncias, temos que o viver. Não podemos caminhar por ele mas a pensar no outro que abandonámos. Porque, nesse caso, não vivemos nenhum deles. Colocamo-nos numa espécie de limbo. E aprendi também que uma escolha não tem, necessariamente, que ser definitiva. Há possibilidade de alterar o curso dos acontecimentos se assim acharmos melhor. Devagarinho, comecei a ver as coisas com outros olhos. Devagarinho, o caminho escolhido foi-se mostrando menos espinhoso. Devagarinho, abracei o que tinha e o tinha, talvez como consequência, abraçou-me de volta. Devagarinho, recomecei a viver a vida que tenho.

Mas, de repente, sem que nada o fizesse esperar, entreabrem-se algumas portas. Algumas das portas que desejava ver abrir de forma tão desesperada antes. De repente, quando já não pensava nelas. E, de repente também, já não sei se tenho vontade de lá entrar.

quarta-feira, março 11, 2009

Pensamento do dia

E para terminar o dia em beleza, recebo isto:

"Se ainda não encontrou a pessoa certa, não desespere e vá comendo a pessoa errada. O que realmente interessa é estar alimentado."

Avante camaradas!

Reunião de colaboradores com as chefias de alta patente para analisar e comentar resultados de inquérito de satisfação interna.

Achei que ia ser uma seca mas não foi!

A destacar:

- apenas 50% das pessoas respondeu o inquérito. A abstenção novamente a lixar o sistema. O que me parece estranho porque o que se ouve nos corredores...! Então têm finalmente oportunidade de se manifestar junto de quem pode fazer alguma coisa e não o fazem?? A conclusão a que chego é que muita gente "quadrilha" apenas pelo gozo que lhe dá...
- a insatisfação é grande. E com tudo, desde a avaliação até à comida do bar. Até propostas de insonorização dos WC por lá surgiram! Pois acho muito bem, se é para refilar, é para refilar...
- a motivação é grande. Esta, para mim, foi a melhor. Muito insatisfeitos mas muito motivados. Gostamos de apanhar, portanto...
- as pessoas que não foram favorecidas com o dom da palavra deviam estar caladas. Simplesmente porque falam, falam mas ninguém percebe metade do que dizem, fazem figura de parvas e fazem com que pessoas como eu sintam vergonha mesmo não sendo nada com elas. Juro que dei por mim a escorregar cadeira abaixo...
- todos nós temos um bocadinho de comunas cá dentro, ah! pois temos. Nada como um ajuntamento de colaboradores com razões para falar para a vermelhidão vir ao de cima!

terça-feira, março 10, 2009

segunda-feira, março 09, 2009

Volta, estás "aperdoada"!

Noto agora uma coisa curiosa: é verdadeira e faz todo o sentido a expressão don't wish too far because it may come true and then you can't help it.

Tanto desejámos ter descanso, tanto pensámos em como seria bom que a criatura desaparecesse para outra galáxia e nos deixasse trabalhar em paz que agora aconteceu mesmo... (muito doente, baixa 15 dias, olha a novidade).

Mas, assim, gozamos com quem??? Rimos de quem? Quem mais nos poderá perguntar coisas como "como se escreve vice-versa em inglês?" ou dizer "ópois" e "ele é execrível"??

Isto assim é um marasmo...

Domingo

É impressionante como Lisboa pode ter, num mesmo local, com diferença de escassos metros, tanto de bonito...



... como de feio.



Por mim, virei costas e concentrei-me no que valia a pena...


domingo, março 08, 2009

FLAG

Traduzindo: Feira da Ladra das Gajas

Invenção nossa, ou se calhar não, que teve a sua primeira edição este sábado. 6 amigas (as Gajas) resolveram despojar-se do que tinham em casa e já não queriam e vender, a preços simpáticos, umas às outras. Pela minha parte, levei de tudo um pouco. E quando digo "de tudo" não exagero. Vesti a camisola de tal forma que fui considerada pelas restantes de ter o "verdadeiro espírito ladrense"! Ele era ímans de frigorífico, jarras, paninhos de tabuleiro (só os deuses sabem como acumulei tanto paninho de tabuleiro não tendo comprado nenhum...), charutos dos que se recebem nos casamentos, colares, suportes para velas, sacos de viagem e até porta-chaves com marcas de empresas, dados em qualquer acção de marketing. Pensei: se é feira, é feira, ora essa! Escusado será dizer que, se eu não queria aquelas coisas, mais ninguém as quis também, nem para oferecer à tia velhota no Natal!, mas isso é outra história.

Os items mais concorridos, como não podia deixar de ser, foram as peças de roupa. Mulheres e roupa num mesmo local é sempre match made in heaven principalmente quando duas delas são consumistas compulsivas, daquelas que se encantam com coisas nas lojas e, ao chegar a casa, já não gostam e que, ao fazer revista ao armário a decidir o que dar, enchem outro igual. Ó que chatice...! Toneladas de coisas giras, praticamente novas e a preço de amigo. O que mais poderíamos querer???

Depois de duas ou três horas nisto do veste e despe e troca e dá (sim, também houve borlas o que me valeu umas havaianas lindas, prateadas, novinhas em folha, vindas directamente do Rio. Thanks, minha querida E.S. Era tua amiga antes, agora ainda sou mais! ;)) lá fomos comer qualquer coisita. Dado o adiantado da hora já ninguém nos queria servir por isso marchando para o MacDonalds mais próximo.

Aí, já sentadas, a saborear a respectiva junk food, começámos a olhar em volta e a gozar com os grupos de adolescentes que por lá andavam, imberbes como só eles, com borbulhas a povoar a cara e ar de quem considera ser já sinal de grande borga estar à meia-noite num sítio daqueles, sem pais! Coitados, também já fomos assim (embora incrivelmente mais giras e interessantes do que qualquer uma daquelas criaturas, claro) quando, com aquela idade, saíamos à noite e nos juntávamos a desoras (1 da manhã!) nas roulottes de cachorros da 24 de Julho, a saborear os ditos e já a prever a bronca que íamos levar ao chegar a casa. Uma excita!

Nisto, uma das criaturas, a aparentar ter pouco mais que 14 anos, aproxima-se e diz: "Peço desculpa, mas as senhoras importavam-se de me dar as vinhetas que estão nos copos? É que faço colecção". Ó amiga, com certeza, tome lá as vinhetas, isto é para dar o quê? Já sabe, se for um carro é para nós! Ahahah, coitada da miúda, acho que são vinhetas para ganhar um Monopólio ou coisa que o valha...

Mas.... espera lá... ela disse... "senhoras"?!?!?!?!?!?

sexta-feira, março 06, 2009

Não abandone!




E mais...





De manhã

Ouço qualquer coisa, sim, lá longe mas ignoro. Finjo que nada acontece e volto-me para o outro lado. Mas algo me faz começar a abrir os olhos devagar... a luz a fazer-me piscar, os ouvidos a despertar e a deixar entrar os sons. Os sentidos a espreguiçarem-se e a porem-se a postos. Já não, não quero que seja já! Todo o meu corpo reage negativamente, encaracolando-se ainda mais porque está bem assim, quente e confortável, não quer mudar... Começo a ter consciência de mim e essa consciência é a minha maior inimiga. Só serve para confirmar o estado de graça em que me encontro. O vento lá fora e eu aqui, que bom... Mais uma volta, mais um suspiro e o meu casulo a moldar-se às minhas vontades. Luto (mas não com todas as forças) para que a razão venha ao de cima, esforço-me para que a névoa que me envolve e conforta se dissipe e deixe passar a claridade que me irá fazer despertar para o mundo, para a vida, para o dia. Decido que sim, que tem que ser, que será agora, que só vou virar-me mais uma vez e depois deixo a energia começar a correr. É agora, só mais esta vez, é agora... mas de repente... sinto algo quente, macio, fofo... abro um olho devagar e à minha frente encontro um par de olhos verdes, semicerrados, duas patas esticadas na minha direcção, um "prrrrrrrrrrrrr..." de som de fundo e um suspiro mole e ronceiro de quem pretende continuar por ali...

É uma luta inglória...

quinta-feira, março 05, 2009

As coisas que se ouve sem estar a contar com isso...

Num cafézinho de bairro, a fazer tempo para uma consulta. Como companhia apenas três homens, pelos 50, dois sentados ao balcão e o terceiro a servir imperiais do lado de dentro. Um deles fala, os outros ouvem interessados.

- Vocês nem queriam saber... só a consulta, foi um roubo. Na altura ainda era em contos e foram p'raí uns 15. Mas teve que ser, era um especialista e eu já tava a dar em maluco. Queria órinar e não conseguia! Fiz uma catrefada de exames e fui para casa com um antibiótico. Lá me disseram: se não conseguir órinar, volte cá. Eu fiz tudo direitinho como mandaram mas qual quê! Órinar, nada! É que você (a falar com o 2º homem) não tinha vontade, tá a ver? Foi diferente. Agora eu... Jasus, ter vontade e não conseguir órinar, é demais! Lá voltei e disse: sôtore, tenha paciência, homem, mas eu não consigo órinar à mesma! E pronto, receitaram um outro remédio e com esse sim, caramba, com esse foi só descarregar, descarregar, descarregar, nunca mais acabava! Um alívio! Parecia a Fonte Luminosa ali na Alameda! Ehehehe..!

terça-feira, março 03, 2009

Já cheira...

Simulações de vôos, pesquisa de hotéis, vista de olhos pelos guias, a excitação a crescer, a imaginação a levar-me para lá... museus, passeios, esplanadas, comidas, fotos e mais fotos. De volta, para rever, matar saudades. O entusiasmo de uma primeira vez temperado com o gosto do que sei que vou encontrar. Já cheira... cheiro inebriante a conseguir camuflar a antipatia pelos aviões... Viagem à vista! Boa!!

segunda-feira, março 02, 2009

Pessoas que vale a pena conhecer

Se este país fosse de 1º mundo, nada disto seria necessário... mas como não é, ainda bem que há gente assim...

Arnaldo Lopes, bondade em tempos de crise

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Valorizar o que a vida tem de bom...

... relativizar o que tem de mau (ou menos bom, como dizem os psicólogos).

Ultimamente tenho ouvido isto com alguma frequência. Em relação a mim, em relação aos outros. Estamos mais velhos, mais deprimidos, talvez, e por isso parecemos andar a precisar de truques deste género para lidar com o que nos aparece pela frente. Quem disse que isto ia ser fácil? Ninguém disse mas, que eu me lembre, também ninguém me disse que, às vezes, ia ser tramado como é. Posso assim dizer que fui enganada, vim para esta vida meio iludida, essa é que é essa. Mas pronto, já que cá estou, agora é levar em frente.

Por isso, e visto que a minha paciência para certas coisas anda no limite e tenho dado por mim a consumir tempo e energia com merdas (peço desculpa pela expressão mas não há outra forma de classificar) e a deixar-me irritar por elas quando, a bem da verdade, nem me deviam sequer tocar ao de leve, vamos lá embora valorizar o que é bom:

* hoje é sexta-feira! (a p**** da semana pode não ter tido mais nada de bom mas tem sempre uma sexta-feira);
* hoje incluí mais um colega na minha lista oficial de "fofos" por me ter desenrascado uma situação sem qualquer tipo de obrigação e sem pedir nada em troca. Ainda há gente boa, há sim senhor;
*hoje está sol, tempo ameno, a lembrar a Primavera (vamos ver se se mantém);
*hoje a minha empregada ligou a dizer que o ferro de engomar pifou de vez. O que isto tem de bom? O dito não provocou um curto circuito, a casa não ardeu e foi-me assim dada oportunidade de gastar parte do fim de semana a actualizar-me sobre o que se faz de novo neste fascinante mundo dos pequenos electrodomésticos;
*hoje é sexta-feira! (eu sei que já disse mas não me canso de repetir);
*hoje vou ter programa de amigas, não de borga, mas daqueles em que se desabafa e se alivia a mente. Nada como a companhia de boas amigas para descermos à terra, ouvirmos e dizermos umas verdades e acabarmos a noite a rir das palermices que nos passam pela cabeça;
*hoje o gajo disse que eu estava gira (também disse ontem, é verdade, mas faz todo o sentido, porque estava mesmo);
*hoje confirmei que os meus pais continuam uns chatos de primeira (portanto, continuam a ser os pais que sempre conheci e isso é bom);
*hoje, pelos vistos, é dia de dizer coisas que, fora do contexto, são levadas para um outro lado, bem menos inocente e, por isso, bem mais interessante;
*hoje é fim do mês, logo, o último dia para gozar horas acumuladas. Vou sair mais cedo! Iiiuuppii!

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Este país consegue ser tão pequenino...



A notícia já não é nova mas não consigo não comentar: portanto, houve quem se manifestasse contra a capa de um livro, fizesse queixa e houve quem deve ouvidos e agisse. A capa tinha a imagem em cima (segundo alguns bracarenses, pornográfica!) e a PSP, por via das dúvidas e não fosse a dita originar pancadaria entre livreiros e visitantes, retirou o livro das bancas e pronto.

Mais uma vez... que há bimbos, gente pequenina, tacanha, pouco aberta, idiota, "poucachinha" neste país, já todos nós sabemos. E, infelizmente, ainda não é uma minoria. Mas que haja quem lhes dê espaço, tempo de antena, credibilidade, ouvidos, isso aí já é demais! E depois argumentam "se não tivéssemos agido e houvesse desacatos, éramos criticados... Assim, decidimos agir preventivamente". Boa, senhor segundo comandante da PSP, boa! Porque assim não foram nada criticados, nada!!

Mas, já agora, o que vai fazer quando o livro tiver voltado às bancas? Destacar um agente para vigiar o dito e, de antemão, impedir qualquer cidadão de desatar à estalada ao livreiro por vender aquela indecência? Ou pôr-lhe um paninho por cima para evitar que crianças, mães indignadas e beatas se sintam ofendidas??

Esta é daquelas situações que me faz ter vontade de distribuir biqueiros indiscriminadamente...

Sopas e descanso



"Esta semana tem só dois dias, esta semana tem só dois dias..."

E a repetir esta frase vezes sem conta, me levantei hoje da cama, dando oficialmente por terminadas as minhas mini férias.

Ainda na "bagagem", os ares da Serra, os grelhados cá fora, o verde à minha volta, o tempo bom, de sol e cheiro a Primavera e a lareira a crepitar mais para a noite. Depois, de volta, o jantar de Carnaval com os foliões do costume, este ano a foliar mais baixinho e o feriado a chamar por peixinho e beira-mar. Ontem, dia só para mim. Para eu fazer o que quisesse. E eu fiz.

Só faltam dois dias, só faltam dois dias...

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Os pais serão sempre pais e não há nada a fazer

Estando eu de malas aviadas para ir passar o fim de semana fora e depois de cravar que me alimentem os gatos, começa a ressurgir à superfície o sentido de missão parental que se lhes está entranhado na massa do sangue desde que olharam para nós ainda vermelhos e enrugados:

Versão mãe
Mãe: Vão a que horas? Só à noite?
Eu: Pois, mãe, toda a gente trabalha, é difícil sair cedo.
Mãe: Então mas... vão chegar às tantas da noite! E o que comem? Não têm nada para comer? Queres que faça uma tarte para comerem quando chegarem?
Eu: Não é preciso, deixa lá.
Mãe: Queres de frango ou atum?
Eu: Mas... eu disse que não valia a pena...
Mãe: Vou fazer aquela de frango do outro dia. Depois combina-se para vires cá buscar.

Versão pai
Pai: Vão a que horas? Só à noite?
Eu: Pois, pai, toda a gente trabalha, é difícil sair cedo.
Pai: Mas isso de "noite" é o quê? 18h? Para lá chegaram no máximo 21.30h?
Eu: Não... somos capaz de sair de Lisboa mais tarde do que isso...
Pai: Grunf... conduzir à noite... pois... vá lá, está tempo bom, não chove. Chegam lá, quê, à meia noite, 1h da manhã?
Eu: Talvez mais cedo...
Pai: Impossível! Se forem devagar, a respeitar os limites, como vocês certamente vão, só chegam a essa hora!
Eu: Errr... pois, deve ser isso, devo ter feito mal as contas...


Conclusão: lá vou eu, de tarte de frango nos joelhos até à Covilhã inventando, à medida que o tempo passa, que não, não, ainda estamos muito longe, ainda vou uns km valentes atrás...

Sicko

A doentinha/quase moribunda de estimação aqui do sítio finalmente concluiu, após mil exames e análises e infinitas idas a todos os especialistas e mais alguns, durante longos anos da sua vida que... não tem nada! E que o problema dela é na cabeça e que é hiponcondríaca. A sério?!?! Que descoberta extraordinária que nunca tinha passado pela mente de nenhum de nós..! Podia-me ter dado a fortuna que andou a gastar nos doutores que eu dizia-lhe exactamente a mesma coisa, boa?! Mas enfim...

Bom, como concluiu que o problema é psicológico (do 5o andar, como ela diz), começou a fazer terapia e a tomar uma droguitas daquelas que fazem a malta sentir-se de bem com a vida, leves e soltos, mas com marca farmacêutica. Uma onda de entusiasmo apoderou-se de nós: Fixe! Finalmente vamos ter paz e vamos deixar de ouvir falar de sintomas, doenças várias, graves e menos graves, fluídos corporais, bactérias, eczemas e fungos! Jesus! Aleluia! Ámen! Viva as drogas legais! O Senhor seja louvado em toda a sua glória!!!

Ingénuos... tão ingénuos... é claro, é óbvio que não podia ser assim tão fácil... é claro que ela tinha que reagir mal à p**** da medicação logo no primeiro dia! É óbvio que os comprimidos tinham que a deitar a baixo, deixar para morrer, fazer sentir "tão mal, tão mal, tão mal, tão mal!" e "com as pernas a tremer e os braços e as mãos" e "a cabeça a latejar que até se me vêm os vómitos"! Tinha que ser, não é...?

E agora? E agora, quando já víamos a luz ao fundo do túnel, o que fazer? Será que deviamos falar com ela, dar a nossa opinião de colegas, pessoas preocupadas com o seu bem estar (e, acima de tudo, com a nossa sanidade mental!) e dizer, sei lá, que o organismo leva a tempo a habituar-se a estas coisas, que é normal, que NÃO, e repito NÃO, deve desistir? Mas pensando bem... o que é preferível? Continuar a tomar para se curar do "5º andar" e não importunar mais as pessoas sendo que, enquanto cura e não cura (se curar...), anda-se a arrastar por aqui, aos "aiii... aiii... aiii" de 5 em 5 minutos e a falar do assunto em qualquer conversa, com todos os detalhes assustadores, mesmo que a mesma seja sobre as salsichas do almoço?? Ou então largar a medicação, deixar de se arrastar e gemer (por agora!) e rapidamente voltar ao mundo dos achaques constantes e das TAC e dos especialistas e dos exames e dos relatos de tudo isto a quem não consegue fugir a tempo??

É impressão minha ou isto para ela é uma win-win situation?

"Mangalhães"

Tribunal manda retirar nudez de 'Magalhães' no Corso de Torres Vedras

Esta é a notícia. Já a tinha ouvido ontem e ontem ainda ouvi as declarações do presidente da Câmara de Torres Vedras e das gentes locais. Concordo com eles! Isto é uma palhaçada! Censura, pura e dura, digam lá o que disseram.

Tudo começou com o alerta de um cidadão para a "pornografia acessível a crianças" por causa de imagens de mulheres numa réplica do computador Magalhães, feita especialmente para o Carnaval, e que está colocada na praça central. Só pode ter sido uma beata, convenhamos! Até porque nestes corsos a coisas foge sempre para a... como diria o cidadão preocupado com a moral e os bons costumes... indecência! e de certeza que esta não é a peça mais polémica. Mas pronto, o senhor ou senhora sentiu-se incomodado, ok, o cidadão em questão até deve ser bimbo, retrógada, beato, isso até engulo, que remédio... mas daí ao Ministério Público ter ordenado a remoção... é triste, realmente triste.

Enfim, agora, na escultura pode-se ler "Conteúdo removido/censurado por ordem da senhora procuradora da 1ª delegação do Tribunal de Torres Vedras", que vai lindamente com o espírito carnavalesco.

Será que a seguir vêm atrás de mim por causa no título do post!?!?

Meeedddooo.......


Adenda: Entretanto, as mentes iluminadas cairam em si e reconsideraram, emitindo um novo despacho autorizando as imagens de mulheres despidas que ontem foram mandadas retirar.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Larápios à procura de lugarzinho no céu


Mostraram, portanto, que são ladrões mas têm honra, consciência. Porque "só" queriam roubar as bebidas mas o entusiasmo levou com que, pelo caminho, marchassem também o micro-ondas, o forno, a máquina registadora, etc. e tal. É humano, é humano, a pessoa está a roubar e aquilo até está a correr bem e a malta entusiasma-se e até leva coisas que não quer. Tipo compras compulsivas. Neste caso furto compulsivo. Que é tipo doença. Se calhar até fazem terapia e por isso cairam em si antes de meter o resto no prego. Acontece nas melhores famílias.

Como são conscientes mas não são burros mandaram um mapa para o dono encontrar a mercadoria sozinho. E ele encontrou! Excepto as bebidas, claro. Mas essas, pronto, essas eles queriam mesmo roubar portanto está certo...

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Fartura!



Eh lá!! Acabou de me chegar às mãos o recibo de ordenado deste mês. Fui aumentada! Diz que é consoante a inflação. Eu não sei mas digo-vos, é uma coisa louca... estou aqui que nem posso com a dinheirama que me vai cair ao colo! Ai, já me estou a imaginar... vai ser a doideira! Ela vai ser cremes e roupas e jóias e viagens e jantares e maluqueiras diversas! E tudo e tudo e tudo o que eu conseguir com mais... 46€ por mês! Ilíquidos!

Vai ser a p*** da loucura!

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Pelo sim, pelo não...

Recebi esta notícia por email. É curiosa e dá para sorrir.

Mas o que me desmanchou mesmo foi o que a E. escreveu a acompanhar a dita:

"Migas !! Acabaram-se os nossos dias d sofrimento!! Acabaram-se as ceras kentis, os pelos encravados, o porozinho em sangui............ VIVA O PELO K ELE È NOSSO AMIGO!!"

Como diria um outro amigo meu, há pessoas lindas, não há?

Gula

Ok, parou! Vou desistir de ver blogs de culinária como este!

A sério, não tarda estou a salivar para cima do teclado e, conhecendo-me como me conheço, já sei que estas imagens se vão fixar no meu cérebro e depois, cada vez que me apetecer comer alguma coisa, vai-me apetecer exactamente isto! E daí a, efectivamente, me meter na cozinha na tentativa de reproduzir a receita é um passo... e depois não há caminhadas de meia hora que façam efeito!

Mas pronto, como não é justo ser a única a sofrer com este tipo de problema, deixo aqui um mimo... só para alegrar o dia... ;)

O povo é quem mais ordena

Eu não sou entendida em política nem pretendo ser. As politiquices irritam-me e a maioria dos políticos também. Falam, falam, gostam muito de se ouvir mas, regra geral, é muita parra e pouca uva.

Não obstante, sou uma pessoa informada. Ou pelo menos tento ser.

E já não é a primeira vez que chego a esta brilhante conclusão... o povo tem aquilo que merece. Porque faz por isso! Assim foi no caso Felgueiras (depois da trafulhice toda, os felgueirenses voltaram a escolhê-la ) e agora isto...

É impressão minha ou isto tem todo o potencial para dar chatice? Eu acho...

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Chuiff...

Avaliação.

Colega que foi avaliado abaixo do que pretendia diz-me:
- Não vou reclamar. Acho injusto mas não vou reclamar. Porque se reclamar podem tirar-te a nota e dar a mim e eu não quero isso. Por isso, para não te prejudicar, vou ficar quieto.

(Epá... obrigadinho... que gesto bonito... juro que até me vieram as lágrimas aos olhos... não se notou, eu sei, como foram só ali uns segundos enquanto me escangalhava a rir por dentro e por fora fingia que acreditava na treta ridícula e irreal que estava a ouvir e no teu ataque súbito de altruísmo... mas foi, chorei até um bocadinho...).

Perua

Organização de conferência internacional.

Uma colega fala ao telefone com a agência de viagens para acertar uns pormenores:

- Pois, D. M., tenho aqui este fax, da participante peruana. Ajude-me lá que não entendo bem o que ela quer... ela diz para contactarmos a embaixada do Peru. Mas não explica qual! Será a embaixada do Peru em Portugal ou a embaixada do Peru no Peru?

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Eu não disse...?


Your Candy Heart Says "Get Real"



You're a bit of a cynic when it comes to love.
You don't lose your head and hardly anyone penetrates your heart.
Your ideal Valentine's Day date: is all about the person you're seeing (with no mentions of v-day!).
Your flirting style: honest and even slightly sarcastic.
What turns you off: romantic expectations and "greeting card" holidays.
Why you're hot: you don't just play hard to get - you are hard to get.

Sexta-feira 13

Gosto deste dia.

E isto hoje está ao rubro! Baixou a sexta-feira 13 em toda a gente. Só falta começarem com espasmos e a falar grosso com sotaque jamaicano.

E eu divirto-me.
;)

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Ai lóve iu

Gosto muito de feriados. E gosto muito de comemorações. E gosto de dias especiais e acho que qualquer razão é uma boa razão para se fazer uma festa. Mas.... não suporto o Dia dos Namorados! Dá-me nos nervos, o que se há-de fazer...

Lembro-me da primeira vez que o celebrei. Tinha uns 12 ou 13 anos e estreava-me nos namoros "a sério" (durou 1 mês, não é coisa pouca! Ok, só nos viamos ao fim de semana mas isso é um pormenor sem importância nenhuma). O que é certo é que, a dada altura, me comecei a fartar do rapaz, a aborrecer com a história do namoro, a achar tudo aquilo uma seca (mal eu sabia que viria a ser um tipo de sentimento recorrente...) mas, e um grande MAS, o Dia dos Namorados estava à espreita. E eu nunca tinha vivido um Dia dos Namorados... por isso, de forma 100% interesseira, decidi adiar a machadada final para depois desse dia. Afinal de contas, falavam tanto da coisa, era tão importante para as minhas amigas todas, uma emoção tão grande, que seria um desperdício perder por uma questão de dias! Não! Já agora, aguento mais um bocadinho.

Escusado será dizer que foi uma desilusão. Lá nos encontrámos e ele deu-me... um mini ursinho azul, espetado num arame, que servia para enfeitar bolos ou lá o que era. Fiquei a olhar para aquilo feita parva. Achei patético, não percebi como é que alguém pode achar piada a uma coisa daquelas e, sem consideração pelo gesto do rapazinho, o namoro, já moribundo, deu ali o seu último suspiro.

Daí tirei uma lição que me durou o resto da minha ainda curta existência: eu não sou feita de massa que se derreta facilmente. Lamento, é a vida, mas é assim mesmo. Logo, para mim, o Dia dos Namorados é uma piroseira pegada e que só se aguenta com paixão, daquela parva de todo, que é ceguinha como um morcego, nos inunda o coração e nos faz começar a tresler. Tudo parece lindo e mágico porque, de facto, não estamos a ver bem a coisa. Estamos, digamos que.... pedrados. E como toda a gente sabe, quem está pedrado, não só não tem noção do que faz como tem o dom de escolher a dedo as piores figuras tristes para, de seguida, as fazer. Porque, como é que se explica que alguém tolere os "bilubilu", "pitchu, pictchu, pitchu", "quem é a minha fofinha, quem é? quem tem o narizinho mais lindo, quem tem? xou eu..." se não estiver bêbado ou drogado???

Bom, cheguei a essa conclusão muito cedo, talvez cedo demais, com o tal namoradinho. E desde então não mudei muito de opinião nem de atitude. Por isso, esforço-me para não ligar nenhuma ao dia. Mas isto requer esforço porquê? Porque é praticamente impossível fugir à onda de piroseira e derretimento farsola que por aí anda nesta época! Ele é ofertas de packs de jantares românticos, de programas a dois em hoteis de luxo, passatempos na rádio, toques de telemóvel "I just call to say I love you", serviços de mensagens tipo "És a minha coisinha mai' linda", de termómetros do amor, ursos e mais ursos com corações e mais corações em todas as lojas, lojecas e barracas de jornais. Enfim, uma inundação amorosa que me faz arrepiar aqui assim atrás na nuca, tipo unhas a raspar em quadro preto.

Em conversa com os coleguinhas, veio à baila o assunto, pois claro. O que vão fazer, o que não vão fazer, se fazem questão, quem gosta, quem não gosta e eis senão quando ouço o seguinte:

"Ai, eu gosto muito. Vamos sempre jantar os três."

Juro que, de repente, uma onda de admiração me assolou. Por momentos, aquela pessoa subiu na minha consideração. Caramba, isto é que é ser modernaça! Não ter medo de assumir uma relação diferente, muito bem! O que interessa é ser feliz e no amor não há lugar para preconceitos, ora nem mais!

Até que ela acrescenta;

"O meu filho adora este dia e nós até lhe compramos uma prenda! Ele é o resultado do namoro dos pais logo faz sentido que participe."

Depois disto, resolvi não comentar porque ia, de certeza, sair asneira da grossa...

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Savoir faire

Recebi o seguinte comentário, da minha superior hierárquica, a um texto escrito por mim, de resposta a um pedido de apoio financeiro:

"Está um pouco forte demais. Suavizar e juntar qualquer coisa de mais positivo (votos de sucesso... ou qualquer coisa deste género)."

Não percebi... que mal há em dizer que os tipos são uns chulos, uns chupistas de primeira e que deviam mas é ir trabalhar e deixar de pedinchar o dinheiro dos outros? É que não vejo qual é o mal... (pergunto eu com cara de anjinho papudo...)

;)

terça-feira, fevereiro 10, 2009

IPO

Passam por mim muitas vezes. As caras, o momento em que entraram na minha vida, o momento em que as suas histórias se entrelaçaram na minha e passaram a fazer parte dela, a compô-la, a enfeitá-la, como personagens secundárias num filme, num determinado cenário. Não são a peça central, não são o motor da narrativa mas têm vida, peso, ocupam lugar e, muitas vezes, "roubam" a cena. Compõem as minhas memórias porque passaram a fazer parte da minha história e sempre que olho para trás, todos estes rostos aparecem.

O do lado, atarefado, de computador e telemóvel em punho, a gritar ordens e decisões ao telefone, a cama inundada de papéis. A não querer deixar a sua vida de lado só porque está ali. A esforçar-se por manter tudo igual. Talvez porque necessite, talvez porque não saiba fazer de outra forma. O da ponta da sala, sombra do que já foi. Nunca vi os seus olhos, nunca ouvi a sua voz. Farrapo humano que parecia nunca estar consciente. Parecia sim mas nunca soube verdadeiramente, duvido que alguém saiba. Ao lado, alguém a fazer festas na sua cabeça. Provavelmente um irmão, tão parecido que era... a personificar o"antes". Na cama, estava o "depois". No meio da sala, o homem robusto que ninguém imaginaria doente. Calado, sozinho, emigrante retornado após muitos anos, com relações cortadas com a família que deixou em França. Nunca disse o nome de ninguém, nunca deixou que os contactassem. Comia os doces que traziamos a mais já a pensar nele. Morreu como escolheu: sozinho. Em frente, numa primeira fase, o rapazinho cigano. 16 anos e muita alegria ao falar do que iria fazer quando saísse: as festas, as miúdas, as discotecas. E toda a família à roda, a rir com ele. O pai, o mais barulhento, o mais activo, o mais animado, de vez em quando saía do quarto, de sorriso escancarado, falando alto e desculpando-se com algo, para ir chorar baixinho no corredor. Depois, o da máscara de oxigénio. Corpo marcado, pele como uma tela onde se vê pintada toda a história. Olhos brilhantes, vivos, sedentos de mais. Atrás da máscara, presa naquele corpo cada vez mais deformado, uma alma brilha, viva, cheia de energia, a querer sair daquele invólucro para continuar a viver. Mas também manchada de resignação por saber que não havia saída.

E depois a minha história. As conversas infinitas, às vezes sem perceber se estava a ser ouvida, mas continuando sempre porque podia ser que... O esforço para conter as lágrimas. Porque não queria que me visse triste, que me vissem, porque não me achava no direito de estar triste quando, à minha volta, havia gente tão mal, tão pior que eu. O sol lá fora, a vida lá fora que chegavam a ser ofensivos por serem tão desejados e tão inalcançáveis ao mesmo tempo. O cheiro.

A minha história entrelaçada que faz de mim o que sou hoje. Não sei os seus nomes, não conheço o destino da maioria. Sei que, infelizmente, me fizeram acreditar que, afinal, o Inferno existe. É ali.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Classe

(Antes que alguém se manifeste, acusando-me de insensibilidade, futilidade e outras do género, aviso que este texto deve ser lido como foi escrito, com humor. Porque, como já dizia a minha avózinha, mais vale rir que chorar. Ou, pelo menos, sorrir. E nestes tempos que correm, bem precisamos!)


Estamos em crise, estamos em crise, é o que se ouve por todo o lado. Regra geral não corro a engrossar a massa só porque toda a gente diz que a coisa está preta. Dou sempre o devido desconto, tento não me deixar afectar pelos alarmismos e exageros tão comuns quando há eleições à vista. Eu até vejo que andamos mal, com fábricas a falir e notícias de despedimentos todos os dias mas a verdade é que, como quase toda a gente que conheço, só começo verdadeiramente a acreditar quando a coisa me bate à porta. Aí sim.

Portanto, visto que os euros na minha conta têm vindo, cada vez mais, a desaparecer a uma velocidade estonteante, sou obrigada a concluir que sim, estamos oficialmente em crise. Ou pelo menos, eu estou! Faço contas para cá, contas para acolá, na esperança de perceber que "ah, mas este mês foi diferente por causa desta despesa extra" ou "pois, houve aqui um engano, as minhas contas estavam mal feitas e afinal até tenho mais dinheiro do que julgava" mas não... não tem acontecido. Bate tudo horrivelmente certo.

Confesso que, como moça poupada que sou, me habituei a ter sempre uma almofada confortável. A tal que serviria para qualquer emergência ou despesa caída de pára-quedas. E confesso também que sempre me fez impressão aquelas pessoas que, ganhando mais ou menos o mesmo que eu, chegavam sempre ao fim do mês com a corda na garganta, a contar o tostão para almoçar. Julgava eu que era falta de organização.

Agora, pois, tenho me conformar: sou rapariga média baixa, é o que é. Daquelas que, depois de pagar as despesas todas, fica só com uns trocos no bolso e não, não pode comprar aquelas botas giríssimas que anda a namorar nem pode dar-se ao luxo de jantar fora todas as semanas e tem que se habituar a largar o vício do cinema na sala escura e passar a alugar e a ver em casa, ao domingo, de mantinha no joelho. Pertenço oficialmente ao grupo dos enrascados. É deprimente...

Parlamento recomenda Plano Nacional de Promoção da Bicicleta...


Acho muito bem, muitíssimo bem mas, assim de repente, algumas questões se me colocam:

Eu conheço uma ciclovia na cidade de Lisboa que, praticamente, ninguém usa... já alguém se deu ao trabalho de perceber porquê? Acho que é capaz de ser inteligente analisar esse caso ANTES de se avançar com mais iniciativas. Só assim, porque, sei lá... podiam aprender alguma coisa, ninguém nasce ensinado, não é verdade? E também porque, sei lá, era giro não andarem a gastar o dinheiro da malta a cometer os mesmos erros que cometeram antes... digo eu, é só uma sugestão.

E depois... eu ainda tenho alguma dificuldade em visualizar Amesterdão ou Viena em Lisboa no que diz respeito ao uso da bicicleta... chamem-me céptica mas acho que as 7 colinas têm alguma coisa a ver com o assunto...

Gato-cuco



Gato G. no seu chalet, que quando bate o sol se transforma em sauna suspensa tipo jardim da Babilónia, sendo sempre um excelente posto de observação para o resto da casa. Quem pode, pode...

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Quem não gosta de animais não pode gostar de pessoas

Um cachorro foi atirado pela janela de um automóvel. O condutor da viatura que seguia atrás encetou uma perseguição que acabou com duas violentas bofetadas na mulher que se havia desembaraçado do "embrulho". Hoje, a cadela que salvou vive consigo.

Aqui, esta e outras histórias de crueldade, violência e bestialidade humana mas também de carinho, bondade, amor, dedicação, de finais felizes para pessoas e animais, e de revolta e inconformismo em relação a este tipo de gente e em relação a um país que chega a ser ridículo no que diz respeito à protecção dos animais e à devida responsabilização de quem os maltrata.

Continua a ser transparente e eu continuo a não ver nada, ou a ver tudo, já nem sei...

Chata como só eu, resolvo esmiuçar mais um pouco a questão.

Às minhas provocações respondem:

- Transparente porque, por exemplo, 'tás a ver o email mas não vês o que está por trás dele, entendes?
- Não, não entendo. Se não vejo o que está por trás é porque o email, quanto muito, é opaco, logo o contrário de transparente.
- Mas não, não é isso! O que está por trás é que é transparente! Não o vês, 'tás a ver?
- Aaah! ... mas o termo correcto, nesse caso, não será, sei lá... invisível?
- Não... é transparente!
- Como uma janela?
- Sim!
- Mas... eu vejo a janela... está ali.... estou a vê-la...
- Grunf....!!

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

É que é transparente!

O compliance, o body, o attach, o archive, o pst, o exchange e o informático que dá formação mas não fala "peva" de português embora o seja.

Ah! Espera... fala sim. Transparente... isto para vocês é transparente, aquilo é transparente, o processo é transparente.

Vê-se através dele, portanto? Ah... não é bem isso... ? Ok, erro meu certamente.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Hoje não é o meu dia



E ainda bem!

Estive a milímetros de levar com esta placa, de 60cm x 60cm, de um material prensado qualquer que compõe aqui o tecto falso.

Estava sozinha na sala, ao computador... ouço ranger... resolvo olhar para o biombo atrás de mim, que só os deuses sabem como ainda não se desmanchou todo tal é a sua qualidade, achando que vinha daí o ruído. E durante estes segundos sinto, do outro lado da minha cabeça, algo a passar em grande velocidade e ZÁS! a estatelar-se na minha mesa. Era a placa.

Portanto... não era a minha hora, não é o meu dia, posso perfeitamente sair à rua e atirar-me para a frente de um autocarro que hoje não me acontece nada.

Nota curiosa: ao contar a história a um colega, esperando preocupação com o meu estado ou com as condições de trabalho que nos oferecem, ele responde "Parva! Depois da placa cair, punhas a cabeça lá de baixo, gritavas para te acudirem e, quem sabe, ainda sacavas uma indemnização!"

Quem tem amigos tem tudo, pá...

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

A fasquia

2ª feira. A preguiça do costume, a vontade de dormir, a falta de paciência para seja o que for e a cabeça a fugir para os dias que passaram. Amigas do peito, quase irmãs, risos misturados com chuva, muita chuva, conversas nossas, pelas ruas velhinhas da nossa cidade, música a fazer dançar, pular, cantar como se não houvesse amanhã. Nós, juntas. A cama quentinha ao chegar e a ilusão doce, de ninho que me faz pensar que está tudo só no começo. Mas fico sem forças. Não me reconheço e não gosto do que vejo quando olho em volta. Quase que me falta o ar. Os momentos antes de um fim? Um fim que não se vê mas que se sente, um fim interno de um tempo interno que pode não berrar, não gritar anunciando que chegou mas que o é, simplesmente. Porque os olhos têm um certo brilho de medo, de pena, de dor, às vezes de ódio. E esse brilho crava-se na memória e muda-nos de forma irreversível.